Heartache

1 Arrest me, Mr. Cop


Notas iniciais
Oláa! Acho que essa é a primeira fic AoKise que eu escrevo. Tentei fazer alguma coisa diferente dessa vez, espero que não fiquem desapontados.
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Fic para a linda da AliceB, que veio carinhosamente me pedir uma fic do seu OTP, e eu resolvi aceitar. Chuchu, espero que goste. ♥

Aomine Daiki e Kise Ryouta eram muito bem casados, obrigado. Mais especificamente, casados por dois anos, três meses e doze dias, conforme o calendário do loiro. Os dois moravam num apartamento no centro da cidade. Não era muito grande, mas era o suficiente para os dois. Entre bolas de basquete e revistas de mulher pelada, os dois até que se entendiam muito bem. Ora, era por isso que eram casados, não era? Se gostavam desde o fundamental, namoraram no colegial e casaram logo depois da formatura.

Dois anos, três meses e doze dias depois, Kise Ryouta saía de mais um avião e carregava sua mochila no ombro. O loiro era piloto de aviões e tinha feito uma longa viagem até Paris, ficando lá por dois dias e voltado. Aomine, que era policial, ficou na casa sozinho. Desde que Ryouta fora promovido, ele passava muito tempo fora e isso começou a afetar seu casamento. Não era algo que Kise gostava, mas ele não podia fazer nada sobre isso.

Mas enfim, Kise deixou o aeroporto e pegou um taxi. “Acho que Aominecchi vai gostar do perfume que eu comprei pra ele. E do chocolate. Disseram que esse vinho era bom... Vamos abrir hoje então!”, o loiro pensava enquanto apertava forte a mochila nos braços. A paisagem já estava ficando familiar. “Não liguei avisando que cheguei... Mas, ah, são oito e meia da noite, ele deve estar acordado”.

Ryouta desceu do taxi e olhou para o seu prédio. A luz da sala estava acesa. “Ah! Aominecchi está em casa!”, o coração do loiro acelerou. Mesmo depois de dois anos, a paixão que sentia não diminuiu; pelo contrário, só aumentou. Sentia falta do marido. Apressou-se e pegou o elevador até o quarto andar. Reconfortou-se com o barulho da chave na fechadura e abriu a porta.

Kise parou na porta com o coração na garganta, a voz se perdeu. Aquela... Quem era aquela? Ela saía do quarto com uma camisa grande demais, e nada por baixo.

-Aomine-kun, achou? – ela perguntou enquanto caminhava para a sala, e parou abruptamente ao ver o loiro congelado na porta – Oh. Olá.

-Toma. – Aomine surgiu atrás dela sem camisa, e jogou uma calcinha por cima do ombro dela. Seus olhos se arregalaram ao ver Ryouta – Ah, Kise...

Enjoo. Kise poderia ter vomitado ali no carpete. E vendo o rosto contorcido do marido, Aomine ergueu as duas mãos e sorriu desajeitadamente, falando:

-Eh, espere aí, Kise...

Ryouta bateu a porta rapidamente e recuou. Aomine, seu Aominecchi, seu marido, com uma garota. Uma garota bonita com peitões. E sem calcinha! Kise abriu a porta da escada de emergência e desceu correndo. Queria fugir, correr, qualquer coisa pra sair dali. Sentia-se muito enjoado. Quando chegou na frente do prédio, notou que a tal garota olhava pela janela, diretamente para ele. Isso só fez com que ele se apressasse pra sair dali. Correu, correu, correu, sem saber para onde. Faltava ar, o peito doía.

Quando se deu conta, estava parado na frente da casinha branca que conhecia. Mesmo da calçada, pôde ouvir os latidos de dentro da casa. Respirou fundo e tocou a campainha, “o que eu estou fazendo aqui, meu Deus?”.

-Kise-kun?

Kuroko Tetsuya vestia um avental branco por cima da roupa e pareceu bem surpreso ao ver o ex-colega parado na porta de sua casa. Ele com certeza tinha uma cara péssima, o que fez Kuroko preocupar-se.

-KUROKO, TIRE ESSE SEU CACHORRO DE CIMA DE MIM! – Kagami gritava de lá de dentro.

-Kurokocchi, eu... – Kise não conseguia falar.

-Entre.

Kuroko saiu da frente da porta, abrindo espaço para que o loiro entrasse. A primeira coisa que Kise viu foi Kagami em cima do sofá, tentando escapar de um Nigou grande que abanava o rabo carinhosamente.

-Eh? – Kagami estranhou ao ver Kise entrando em sua casa – Kise? O que está fazendo aqui?

Ao ver a cara dele, Kagami compreendeu que era algo sério. Alguma coisa tinha acontecido e Kise definitivamente não parecia bem. Kuroko guiou Kise até o sofá e anunciou que faria um chá para eles. O loiro se sentou e imediatamente Nigou pulou em seu colo, olhando para ele com curiosidade.

-Olá, cachorrinho – Kise disse monótono.

-Kise... – Kagami estranhava a falta de brilho no olhar do outro – O que houve?

-E-Eu...

-Tome isso, Kise-kun – Kuroko colocou uma xícara nas mãos de Ryouta, sentando-se ao lado de Kagami no sofá.

“Ah... Como eu sou péssimo”, Kise pensava olhando para sua xícara, “Kagamicchi e Kurokocchi acabaram de casar e estão de lua-de-mel, e eu ainda tenho que vir aqui incomodar...”. Segurou a xícara com mais força. “Não é a toa que Aominecchi está me trocando...”.

-Kise-kun. – Kuroko chamou a atenção dele – O que aconteceu? Sua cara está péssima.

-A-Aominecchi... Ele... – mas Ryouta não conseguia botar pra fora. Doía muito só de pensar numa coisa dessas.

-Começa do começo – Kagami resmungou.

O loiro suspirou, bebeu um gole do seu chá e fechou os olhos.

-Eu tive que fazer um voo até Paris, então fiquei uns dias fora... Cheguei agora. Fui pra casa e vi da rua que a luz da sala estava acesa. Subi até lá e...

-E...?

-U-Uma garota... Aominecchi estava com uma garota – a voz se perdeu, e Kise abaixou a cabeça pra esconder as lágrimas que brotavam.

-O QUE?! – Kagami levantou-se de supetão – Maldito...

-E-Eu cheguei e vi que ela saía do quarto com uma camiseta dele! – Kise disparou, falando rápido — E estava só de camisa! E depois Aominecchi veio e disse que tinha achado a calcinha dela! E ela era tão bonita e tinha uns peitões, e vocês sabem que o Aominecchi tem fraco por peitões e eu não acredito que ele está me traindo! Eu sempre fui tão fiel, trouxe até presentes lá de Paris e ele... Ele...

-Hm, tem alguma coisa mal resolvida aí. – Kuroko mantinha-se calmo apesar do choque – Aomine-kun com certeza te ama, Kise-kun. Isso deve ser só um mal entendido. Vocês deveriam conversar.

-Eu não quero voltar pra casa. Não sei nem se quero mais olhar pra cara do Aominecchi. – os olhos dele se encheram de lágrimas – Não sei se ele quer olhar pra minha cara.

-Olha, Aomine pode ser um besta sem cérebro de vez em quando – Kagami coçou a orelha – Mas não dá pra duvidar dos sentimentos dele por você.

Kise caiu no choro, e logo foi consolado pelos amigos. Começou a falar e falar sobre como se sentia, como seu casamento estava ficando monótono e eles mal se viam em casa, em como Aomine estava distante e essas coisas. Depois de mais umas três xícaras de chá, Kise conseguiu se acalmar. Kuroko continuou conversando com o loiro, e o ruivo saiu para levar Nigou para passear.

-O cachorro nem é meu e eu tenho que fazer essas coisas...

-Pare de reclamar. Quando você casou comigo, sabia que o Nigou vinha no pacote. – Kuroko parecia bravo.

-Tá, tá, tanto faz agora.

Kagami colocou a coleira no cachorro e abriu a porta. Praticamente com o dedo na campainha, estava Aomine Daiki. O moreno fechou a cara logo que viu o ruivo.

-O que faz aqui? – Kagami perguntou.

-Ele está aqui, não está?

-Quem? – se fez de desentendido.

-Kise, seu idiota. Eu sei que ele está aí. Deixe-me entrar.

Os dois se encararam furiosamente por um tempo. Kagami não sabia o que fazer. Kise dissera que não queria ver ou falar com Aomine, mas o moreno parecia desesperado e Kagami sabia que eles deveriam conversar. Taiga, então, suspirou e jogou a coleira de Nigou nas mãos de Daiki.

-Leve ele até a esquina, e quando voltar eu penso no que fazer.

-Ora, seu...

Mas Kagami já tinha batido a porta e voltou para a sala. Kuroko olhou ao redor procurando o cachorro.

-Já voltou?

-Aomine está na porta querendo falar contigo, Kise. Mandei-o passear com Nigou.

-Aominecchi está aqui? – a voz de Ryouta se elevou, e ele olhou desesperadamente para Kuroko – O que eu faço?

-Conversa com ele.

-M-Mas...!

-É o melhor a se fazer. Além do mais, está tarde e é melhor você ir para casa, Kise-kun.

Vendo que não adiantava discutir e sabendo que estava atrapalhando a noite de amor dos seus amigos, Ryouta suspirou e levantou-se vagarosamente. Foi até a porta e ficou parado, esperando que seu marido voltasse com o cachorro. Meio minuto depois, a campainha tocava. O loiro atendeu a porta, dando de cara com o moreno.

-Kise – Aomine suspirou o nome dele, o rosto exalando alívio, que logo se perdeu ao ver a cara de dor do companheiro, o olhar magoado, a face de desgosto e decepção. Isso destruiu Daiki internamente.

-Pode deixar o cachorro. Vão embora logo – Kagami puxou Nigou pela coleira e empurrou Kise para fora – Boa noite – e bateu a porta.

-Kise – Aomine sussurrou.

Ryouta engoliu as lágrimas e virou o rosto. Não aguentava, simplesmente não aguentava.

-Vamos conversar, por favor?

-Sobre o que? – Kise cruzou os braços, teimoso — Quer falar sobre os peitões da garota? Então vamos falar dos peitões da garota. Vamos falar por que ela estava usando a camiseta que eu te trouxe de Nova York. Vamos falar porque ela estava sem calcinha.

-Ehh, você entendeu tudo errado, Kise.

-Não entendi não. Você estava transando com ela pelas minhas costas!

-Kise, pelo amor dos deuses, ela é uma colega de trabalho.

-PIOR AINDA!

O loiro virou e saiu andando rapidamente. Colega de trabalho. Colega de trabalho. Ótimo, então além de estar transando com seu marido, a garota ainda trabalha com ele. Ótimo, maravilhoso, perfeito; a noite não poderia estar melhor.

-Dá pra parar de birra e me escutar? – o moreno correu para acompanha-lo, andando rápido ao seu lado – Kise.

-Que é, Aominecchi? – Ryouta não se sentia mais triste, somente com raiva. Se olhares pudessem matar, Aomine já teria caído duro no chão.

-Olha, a história é a seguinte – Daiki segurou Kise pelo braço e o forçou a parar e olhar para ele – Eu estava fazendo meu turno, e minha viatura quebrou. Só que estava uma chuva do caralho e eu estava empacado no meio da rua. Chamei pelo rádio e foi essa garota quem atendeu. Ela me ajudou o puxar o carro até o acostamento, e assim nós ficamos encharcados – Kise semicerrou os olhos. Essa história parecia coisa de novela – Bom, eu não podia deixar ela toda molhada nesse frio, e como a gente estava perto de casa, como agradecimento ofereci a ela para ir até em casa tomar um banho, que depois eu a levaria pra casa com o seu carro.

-Espera, espera, espera. Com o meu carro? O meu?

-Que se foda qual carro! – respirou fundo – Enfim, ela tomou um banho e eu lavei as roupas dela porque estavam cheias de lama, então tive que emprestar uma camiseta pra ela.

-Isso não explica porque ela estava saindo do quarto sem calcinha.

Aomine se perguntava por que tinha se casado com um cara tão teimoso e ciumento. Mas o que poderia fazer se também era assim?

-Justamente pra ela não ficar sem calcinha, eu emprestei uma cueca minha. A camiseta era grande e tapou, Kise. Só isso.

-Não estou conseguindo engolir essa história – Ryouta mordeu o lábio, desviando o olhar – Aominecchi, eu sei que você sempre gostou de mulheres com peitões, e essa daí é bem bonitinha, então...

-Deixa de ser idiota – Aomine colocou as mãos nos bolsos – Eu amo peitões, mas eu amo mais você. Agora pare de se fazer de idiota e vamos pra casa. Estou com fome e preciso de sexo.

Ver o jeito descontraído de Aomine fez o coração do loiro se acalmar um pouco. Ora, Daiki era seu marido, então claramente confiava nele. Se ele dizia que era isso que aconteceu, então deve ser a verdade. Não havia alguém em quem confiasse mais do que Aomine. Kise afastou os pensamentos ruins da cabeça e começou a rir.

-Nossa, acho que eu estava no lugar errado na hora errada, então... – Kise chegou perto de Aomine e segurou uma de suas mãos – Desculpe ter duvidado de você. Vamos pra casa.

-Vamos logo – Aomine o beijou rapidamente – Você nem me contou como foi a viagem. Quero saber de tudo, pode começar – falou enquanto pegava na mão do marido e recomeçava a andar.

-Ahhhh sim! A viagem até que foi boa, não teve muita turbulência e...

Ryouta se empolgava contando como achou Paris muito divertida, e que os dois com certeza deveriam passar umas férias por lá, comentou que trouxe um vinho bom e que deveriam estrear logo. Aomine ouvia tudo atentamente.

Desse jeito, Kise teve a mais absoluta certeza: é, ele gostaria de passar o resto da vida com Aomine. Dois anos, três meses e doze dias não eram o bastante; talvez o tempo de uma vida não fosse o suficiente pra poder dar a Daiki o amor que ele realmente merecia. Kise, todos os dias, acordava com um sorriso no rosto, e mal ele sabia que continuaria a sorrir pelo resto de sua vida.

Notas finais
Yay, espero que tenham gostado. Antes de mais nada, como já são 1:13 da manhã do dia 02/08/2013, FELIZ ANIVERSÁRIO KAGAMI-KUN! ♥ pronto haha Até a próxima! ^3^

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Quem tiver algum pedido, eu aceito. ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!