Heart of Darkness

4 Capítulo 4 - Histórias


Notas iniciais
Sei que fiquei muito tempo sem abrir essa história, então fiz o máximo que lembrava a partir do momento que parei. Quaisquer críticas pode deixar nos comentários ^^

Marcos e Tabitha ficam na biblioteca por alguns dias, e Marcos não consegue deixar de se preocupar com o que acontecia no mundo lá fora.

Marcos — E se eu não for forte o suficiente? Não tiver forças pra proteger o que for importante pra mim? Eu sozinho sou fraco, e mesmo naquela vez eu não pude te proteger...

Ele abaixa a cabeça e começa a chorar. Ele dá um soco na estante de livros. Ela, meio hesitante, chega perto dele e o abraça por trás.

Tabitha – Tá tudo bem... Mesmo que aquela hora muita coisa tenha ocorrido, o que importa é que estamos os dois aqui. Então vamos nos concentrar e usar essa chance para mudarmos tudo. Ficar nos lamentando aqui não... Vai nos levar a... Nada...

Ela encosta a cabeça nas costas dele, e apóia suas mãos no peito dele, no sentido de dar-lhe um abraço. Ele segura suas mãos, e percebe que suas mãos são bem grandes em comparação ás dela.

Dia após dia, depois dessa força de vontade que ela lhe dá, eles ficavam durante horas lendo e relendo os livros, até que ele percebe que, por estar por ordem alfabética, faltava um livro de nome “Bíblia d????”. O livro parecia incrivelmente grande, pois havia espaço para três ou quatro livros de espessura “normal”, mas decide não ligar. Provavelmente o senhor deveria estar lendo.

Cada dia que passava, não era só seu conhecimento que aumentava. Sua relação com Tabitha, e a desconfiança com o senhor também. Por alguma razão ele parecia suspeito. Talvez por saber de mais e mostrar de menos. Talvez não, mas não parecia importante agora. Certo dia a casa fora atacada. Eles haviam dormido na tal biblioteca então ao saírem, viram a casa vandalizada. Coisas pegando fogo, pegadas nas paredes, e coisas do tipo. O senhor estava no chão, todo socado, com marcas de queimaduras nos braços e no lado esquerdo do rosto que chegavam ao pescoço. Ele pede para se aproximarem, e tira um pequeno frasco do bolso. Dentro havia uma luz, não muito forte.

– Sempre que precisarem vir para a biblioteca, usem isso. A casa provavelmente será destruída, é assim que eles trabalham, mas a dimensão dentro dela não. Agora vão...

O ancião cai com o rosto virado para o lado. Ele já não respirava mais, seus olhos se tornaram cinzas... Era a primeira vez de Marcos presenciando a morte de alguém. Ele estava sem reação, mas o primeiro pensamento que lhe bateu ao coração: Matar! Fazer todos eles pagarem, independente de quem foi. Seu coração doía, a marca das trevas em seu peito chamava. Ele estava sendo rodeado por uma magia estranha. Tabitha o puxa para o lado:

Tabitha – Marcos! MARCOS ACORDA! Não se deixe levar pelos seus sentimentos! Não vamos tomar decisões precipitadas, primeiro vamos descobrir quem havia feito isso. Depois vamos ver o que fazer. Mas por favor, não me deixa...

Marcos olha para ela. Já não sabia o que fazer. Eles se levantam, e saem da casa. Assim que dão alguns passos afora, vêem o mundo um caos. –“O que havia acontecido? Quanto tempo ficamos lá? O que aconteceu aqui?”
Pensamentos do tipo não paravam de rodeá-los. Eles percebem que havia alguém atrás, e decidem olhar. Lá estava o garoto de cabelos verdes, agora usando roupas rasgadas e diferentes, com uma marca em seu braço e uma cicatriz no olho. Ele aponta para seu braço e diz:

– Legal isso né? Parte do poder que você me deu aquele dia. E realmente me foi útil. Agora praticamente 60% desse continente me serve, e os que forem contra são mortos. Tal como o dono da casa...

Ele flutua para trás deles.

– Quando uma pessoa tem informações demais e não coopera, adivinha o que acontece? É eliminado! E eu sei que vocês andaram nessa tal “biblioteca mágica”, ou sei lá o que. Mas como reviramos a casa e não encontramos nada, simplesmente...

Ele estala os dedos, e levanta o dedo indicador. Forma uma bola de fogo na ponta do dedo, e a lança na casa, fazendo com que ela explodisse. Tabitha vê a cena e entra em desespero. O garoto lança mais e mais bolas de fogo na casa, que explodiam conseqüentemente. Tabitha corre em direção da casa, mas Marcos a impede.

– Então a escória humana quer lutar...? Por mim tudo bem, vocês não são mais do que um pedaço de lixo no meu caminho, que só servem para serem amontoados no resto de cadáveres.

Ele aparece atrás de Tabitha. Não, não foi uma corrida. Com essa velocidade, poderia se dizer que ele se teleportou para trás dela. Mas uma velocidade assim não é algo humano... Ele faz um estilhaço de gelo com a mão, e coloca no pescoço dela. Depois coloca uma mão no estômago dela, e pensa em voz alta:

“Será que eu mato ela simplesmente cortando sua cabeça? Ou congelando-a de dentro pra fora? Particularmente eu prefiro a segunda opção, porque assim já não preciso colocar fogo no corpo, ele já se quebra só de encostar, ou mesmo derrete o corpo todo...”

Marcos fica possesso. Ele sente alguma coisa batendo em seu peito, como algo querendo sair. Um círculo mágico envolve seus pés. Pouco a pouco ele vai sendo puxado por uma força das trevas. Tabitha tenta impedi-lo de se transformar, mas é tarde demais. A única coisa que ela poderia fazer agora é observar, mas... “Esse não é o Marcos. Não o que eu conheço!”. Ela se levanta, desesperada, com medo que fosse atacada tanto pelo “novo” Marcos quanto pelo outro, mas não. Os dois ficam se encarando, então o máximo que ela poderia fazer é observar...

Marcos tenta atacar o jovem, mas ele se movimentava muito rápido. Então ele tenta algo novo: Começa a cruzar suas mãos, e de dentro de seus ossos materializa uma corrente mágica. Ele a estende para trás e a volta com força em volta do garoto, que tenta desviar, mas ela o persegue. Ela o prende pelos braços, e vai seguindo cada parte do seu corpo. Assim que o corpo todo está coberto, o monstro fecha a mão direita. A corrente começa a espremer o jovem; mas não. Ele começa a absorver a corrente. Via-se cada parte de seu corpo com as marcas da corrente absorvida como se fosse uma tatuagem viva. De repente ele libera magia de forma excessiva, que absorve parte da paisagem. As trevas vão cobrindo as árvores e tudo que há em volta, então ele canaliza parte do seu poder em sua mão, e forma uma esfera escura de magia.

– Eu posso dar uma última chance para vocês. Onde fica a droga da biblioteca?

Tabitha – Nós não vamos falar! Você pode nos cortar, nos matar, nos ameaçar.... Você nunca vai ter o que quer! Nunca! – diz ela gritando cada vez mais alto.

O que você planeja com tudo isso? Ser mais um daqueles idiotas que tentam conquistar o mundo? E depois vai fazer o que? Se vingar de todos que te fizeram chorar, ou algo do tipo? Você me dá nojo, nem pra ter um pouco de criatividade você se—

VOCÊ ACHA PERDA DE TEMPO? VOCÊ ACHA QUE EU SIMPLESMENTE QUERO CONQUISTAR UM MUNDOZINHO DE MERDA E SER UM REI, IMPERADOR, OU SEJA LÁ O QUE FOR? – O jovem diz, interrompendo ela. – EU ESTOU CANSADO DE SER TRATADO COMO LIXO, DE VIVER EM UM MUNDO DE PESSOAS EGOÍSTAS, QUE NÃO LIGAM PARA O QUE VOCÊ SENTE, OU A FORMA COMO VIVE!

ALGUÉM COMO VOCÊ NUNCA... poderia entender o que é isso... ser vendido, humilhado, passar de casa em casa como uma simples mercadoria... e depois me jogarem em um buraco esperando que eu morresse... – Ele começa a chorar.

Desde pequeno, odiado por todos que me cercavam, diziam que a única forma de eu ser alguém era sendo algo. Me vendiam, me compravam, me humilhavam... até chegar ao ponto de quererem me cortar aos poucos para “meios científicos”. Eu corri, com todas as minhas forças, esperando que eles não viessem atrás de mim. Mas era tarde demais. Atiraram em mim com um dardo tranquilizante, e quando vi estava amarrado, amordaçado e sangrando dentro de um saco. Me jogaram do alto de uma montanha; só não morri por ter alguns galhos que amorteceram a queda. Gritei até a minha voz falhar, fiquei preso por quase 3 dias inteiros... Até que “ela” me salvou.

De cabelos compridos, uma aparência inocente, e de roupas rasgadas, uma mulher me salvou. Já não tinha certeza se ela fazia parte “deles”, ou se ela ao menos me conhecia, mas por alguma razão decidi confiar nela. Dizendo ser chamada de Melissa, ela me contou sua história. Havia sido abandonada e rejeitada por todos que um dia já amou por causa de seus poderes que eram “sobrenaturais”, ela se aproximou mais ainda de mim ao ver que não tinha medo dela. Ela me treinou, me ensinou a liberdade que é viver para alguém que não te quer preso. Com ela, aprendi todo tipo de coisa: Desde magia até como cuidar de uma casa. Ela era como uma mãe para mim... ou até algo maior, como uma divindade que desceu dos céus por ter me visto sofrendo por tanto tempo e decidiu me ajudar. Pela primeira vez, eu soube o que era ser feliz... só que nossa paz não durou tanto tempo.

Naquela noite, guardas e criaturas demoníacas invadiram nossa casa, destruindo o pouco amontoado de coisas que tínhamos. Quebraram nossa casa, queimaram nossos móveis. Tudo isso por ela ter roubado um pouco de frutas para comermos. Mesmo ela tendo insistido que comprou aquilo com o dinheiro honesto que ela recebia, eles não queriam conversa. Até admitiram que era só enrolação, e que a capital estava fazendo uma “limpa” nas pessoas que não moram na cidade (ou no caso, pessoas que não são consideradas gente).

Decapitaram ela na minha frente, e depois os filhos dela; tudo isso sem razão alguma! Disseram que “era a forma justa de se resolver certas coisas”. Depois disso me bateram, e quase me prenderam de novo. Mas chega! Eu não conseguia suportar isso! Como alguém conseguia fazer essas coisas e simplesmente sair impune? Era impossível de aceitar! Foi então que eu tive uma revelação. Se apenas nós temos o poder para mudar isso, porque sermos fracos? Desde então, eu me dediquei cada vez mais para esmagar esse tipo de gente, que assim como vocês são cegos da verdade! Aquele velho? Não era diferente... Bom, talvez um pouco. Ele havia sido corrompido por aqueles que se diziam superiores a ele. Mas coitado, um semideus intimidado por humanos é meio deprimente.

Tabitha – Semideus? Como assim? Ele?

– Sim, sim. O guardião da biblioteca. Digamos assim que ele era um deus que tinha tudo, e decidiu largar essa vida boa. Seus poderes e tudo mais, ele queria ser uma nova pessoa. Ele se dividiu em um outro ser, ainda sendo ele mesmo, e teve uma relação com uma humana. Depois disso passou tudo que ainda restava de seu espírito, mente e poderes para o “filho”, se tornando um semideus. Ele fez a magia mais proibida que existe, de criar uma vida. Mas ele errou muito nessa “nova vida”; ao ponto que virou um escravo mental de simples humanos. Mesmo com toda essa vida corrida e apreensiva que ele vivia, ele se tornou o guardião da biblioteca sagrada. Um lugar onde o tempo simplesmente não passa. Um ano lá dentro conta como três horas aqui fora. Livros demoníacos, livros que continham linguagens estranhas, magias proibidas... Ele fez tudo que você puder imaginar. Quando descobriram o que ele escondia, ele simplesmente isolou sua biblioteca para algumas pessoas, e os antigos visitantes já não gostaram muito da idéia e foram atrás de alguém que pudesse mata-lo. E adivinhem onde estamos agora? Nos escombros da casa de alguém que ultrapassou os limites da vida, criou e viveu uma vida proibida, e que agora já não existe mais. Se vocês ao menos soubessem como é viver uma vida tão fútil que simplesmente quisesse ser uma outra pessoa, entenderiam pessoas como eu e ele. Mas chega de papo, o nosso assunto agora é outro!

Contemplem o que anos e anos de pesquisa fizeram com aquele velho! Eu tenho comigo poderes que nunca antes foram testados, e vocês vão ser os primeiros a sentir isso na pele! Então a menos que tenham aprendido algo de bom lá dentro, eu vou ter que mata-los aqui e agora! Começando por você, o garoto que começou o inferno desse mundo; o causador de todas essas guerras!

O jovem de garotos verdes se aproxima de Marcos com uma velocidade sobre-humana, e coloca a mão no seu peito. Marcos consegue ver nos seus olhos uma enorme quantidade de poder fluindo, e não consegue fazer nada que não seja ficar parado intimidado de medo.

Pulse!

Uma onda ecoa de dentro do corpo de Marcos, fazendo com que ele seja empurrado para trás. Ele voa longe o suficiente a ponto de ter seus pés tirados do chão. Assim que cai, começa a tossir sangue, e sente toda uma dor dentro do seu peito. Ossos pareciam ter sido quebrados, mas era uma dor muscular e emocional ao mesmo tempo. Ele sentia gelo dentro de si, algo segurando seu coração.

– Gostou desse meu truque? Agradeça aquele velho, aprendi muito com ele. Isso que você sente no seu coração é uma corrente de gelo. A menos que eu desfaça isso, a única forma de tirá-la é queimando seu coração junto. Agora eu quero ver que tipo de luta nós vamos ter! Você vai saber como é ter de lutar durante muito tempo igual eu lutei, tendo meu coração acorrentado e cheio de feridas! Hahahaha!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.