Heart To Pieces
1 Capítulo unico- Heart To Pieces
POV. ISABELA
Droga de vida, coração idiota, como pude me iludir.
- Isa você esta bem amiga? . ouvi a voz preocupada de Claire entrar em meus ouvidos
- vou ficar. Falei tentando evitar esse assunto, queria ficar sozinha em minha própria bolha, onde ninguém me incomodasse, sem pessoas dando conselhos errados, muito menos com olhares de pena
- vou deixar –lá sozinha, se precisar estou no meu quarto. Ela saiu do quarto entendendo o recado.
Claire era minha melhor amiga desde os oito anos, ela me conhecia como ninguém, me alertou e me aconselhou sobre ele, era como se no fundo ela soubesse que tudo poderia acabar mal no meu relacionamento com Pedro.
Senti o vento frio da janela em meu rosto trazendo consigo a umidade da chuva fina que caia em são Paulo,me causando um arrepio, levantei da cama indo em direção a janela e a fechando, mas ao olhar a paisagem me rendeu uma vontade de liberdade, de andar pelas ruas sem me preocupar com nada, sem pensar NELE.
E foi o que fiz, sai da casa e comecei a andar sem rumo pelas ruas que na madrugada estavam totalmente desertas e assustadoras, então der repente estava no parque onde passei os momentos mais felizes, e que só agora eu vejo que tudo não passou de uma mentira.
Mesmo assim eu não conseguia evitar as lembranças de uma época feliz que aquele parque trazia em minha mente e eu já não conseguia segurar as lagrimas que insistiam em querer sair
Flashback on – 3º pessoa – 2 anos atrás
- vai bela me conta. Pedro insistia curioso deixando a garota a sua frente nervosa
-não é nada Pedro, é bobagem. Ela sorria pra tentar disfarçar, mas o garoto não se convenceu
- mas eu quero saber
- mas eu não vou contar. – falou decidida, não suportaria a possibilidade de que ele a rejeitasse
-sabe de uma coisa?. A loira franziu a testa confusa com a atitude do rapaz. Não agüento mais esconder, eu queria saber sobre quem você e a Claire estavam conversando, para ter coragem de me declarar.
- como? – Isabela estava ainda mais confusa com as palavras do amigo
- eu te amo bela, desde que te vi pela primeira vez, você pode até não acreditar, mas eu sempre fiquei com todas só para te deixar com ciúmes e quem sabe assim ter uma chance contigo, por que eu amo o seu jeito reservado,extrovertido, doce,sincero amo seus sorrisos, a sua cara de brava, amo seus olhos, amo quando você aparece e resolve tudo, amo seu jeito desastrado...
Mas ele não conseguiu terminar sua declaração pois os lábios da garota se prensaram aos seus iniciando um longo beijo apaixonado
- eu também te amo pe.
Ele então sorriu aliviado, feliz, apaixonado, afinal ela também o amava, enfim ele a perguntou o que mais queria
- namora comigo?
- namoro!
Flashback off – pov. Isabela
Voltar naquele parque me fazia feliz e triste ao mesmo tempo, pois ali vivi momentos inesquecíveis mas então meu coração se apertava e o buraco em meu peito parecia aumentar cada vez que eu lembrava que tudo se foi, tudo havia escorrido por entre meus dedos e agora tudo se foi, e então as lagrimas escapavam cada vez mais em um choro torrencial que parecia nunca ter fim.
Andava por entre as arvores do parque enquanto as lembranças passavam por minha mente, qualquer um que me visse no estado que estava concerteza acharia que eu tinha enlouquecido, e talvez estivesse mesmo, era como se tudo fosse preto e branco, o buraco em meu peito ardia cada vez mais sem ele por perto, eu me sentia como se alguém jogasse álcool em minhas feridas abertas, era uma dor sem fim e tudo que eu queria era sumir.
- bela?
Ouvi uma voz que me soava familiar e paralisei por um instante, Thomas, engoli as lagrimas, torcendo para que elas não escapassem novamente e me virei olhando o loiro vindo até mim, podia estar aos pedaços mas não daria a Pedro o prazer de saber que ainda sofro por ele, mas meu estado não ajudava em nada
- o que você quer aqui Thomas? Me deixe em paz!
Ele me olhou com espanto, ao notar meu estado, olhos vermelhos, pálida, magra, ensopada pela chuva e a pouca luz me deixava ainda pior
- a Claire me ligou, disse que você tinha desaparecido, ela estava com medo que você fizesse alguma loucura, ela está desesperada.
- já viu que eu to bem agora vai embora!
-não posso, prometi a ela que se te encontrasse te levaria de volta
Ele falou vindo até mim cautelosamente, sorri irônica ele não pode fazer nada, sou maior de idade e dona de mim mesma
- e quem você pensa que é pra dizer o que eu tenho ou não que fazer? Vou dizer eu mesma quem você é, que achei que você era meu amigo, mas quando eu mais precisei você não estava ali, você sabia de tudo e deixou que continuasse, EU TE ODEIO!
- bela não fala assim, você não sabe de nada!
- sei sim, sei tudo que eu tive que suportar, eu não posso nem dormir sabia Thomas? Por que toda noite os pesadelos envolvem minha mente, terríveis que me fazem acordar suando frio e aos gritos, nem a Claire consegue mais suportar isso!
- eu não ...
Seus olhos continham dor e pena
- não me venha com pena, só me deixa em paz...
-não posso, você vai adoecer nessa chuva
- que adoeça, não vai fazer diferença mesmo.
Então em um momento Thomas estava vindo até mim tentando me tirar daquela chuva e no instante seguinte tudo estava rodando e a escuridão tomou minha mente
Visualizei o teto branco ainda me sentindo um pouco tonta, minha mente só vagava em uma única pergunta: onde eu estava?
Tentei me levantar mas fui impedida por uma mão feminina tocando meu rosto
- fique quieta Isa.
Ouvi a voz de sinos de minha melhor amiga ao meu lado e lhe perguntei o que desejava saber
- onde estou?
Minha voz saiu confusa exatamente como eu estava
- no hospital, você desmaiou e o Thomas lhe trouxe pra cá, ele nos ligou avisando e viemos o mais rápido possível, você ficou louca?desaparecer na madrugada em baixo de chuva.
A voz dela saia angustiada, mas como assim nós?
- como assim nós?
Transformei meus pensamentos em palavras, abrindo finalmente os olhos para encará-la
- no desespero eu chamei os garotos.
Falou constrangida, e com medo da minha reação a qual concerteza não foi a melhor, a revolta me tomou por inteira, ela não tinha o direito de fazer isso.
- VC NÃO PODIA TER FEITO ISSO, NÃO TINHA O DIREITO
Eu tentava me livrar da agulha em meu braço totalmente desesperada, Levantei completamente transtornada assim que consegui me livrar da agulha e sai correndo do quarto, tentando sair daquele lugar, nessa situação até meu medo de hospitais tinha subitamente desaparecido, as enfermeiras corriam atrás de mim, mas eu era mais rápida. Até que quando estava passando pela sala de espera quando vi uma cadelinha correndo até mim, parei rapidamente me ajoelhando e a pegando no colo, como a flufli tinha vindo parar aqui?
- FLUFLI!
A cadelinha que Pedro tinha me dado de presente latia feliz
-também tava com saudades meu amorsinho!
As enfermeiras então chegaram até mim
- já to calma, não precisam me sedar!
-a senhorita tem que voltar pro quarto, e não é permitido animais aqui!
- mas ela é minha bebe!
- Isa, eu cuido da flufli
Ouvi a voz de Pedro Lucas vindo do meu lado esquerdo, e me virei, me arrependendo logo em seguida , ali na sala de espera estavam: Pedro Lucas, Thomas, Lucas e Pedro.
- tenho uma idéia melhor, eu vou pra casa e cuido dela eu mesma!
- você não pode
Lucas falou como se fosse obvio, revirei os olhos
- sou de maior e dona de mim mesma, sei me cuidar
- falou a garota que sai de madrugada chovendo e fica andando pelo parque
Thomas falou tentando parecer convincente
- o que eu faço não é da sua conta!
Pedro permanecia quieto, só olhando tudo calado, só então percebi, ele estava com enormes olheiras, o rosto cansado e pálido, o cabelo bagunçado e ainda mais magro que o normal.
- os médicos não vão te dar alta.
Pedro lucas falou vindo até mim e estendendo a mão pra pegar a flufli.
- ta.
Falei me dando por vencida e Pedro Lucas saio do hospital levando flufli. E as enfermeiras me guiaram de volta pro quarto
- Isa, nós precisamos conversar
Pedro entrou no quarto fazendo meu coração disparar pelo susto
-não precisamos não!
Claire só se levantou e saio do quarto deixando nós dois a sós, será que ela não ouviu que eu não quero conversar com ele? Coloquei minha mascara de indiferença no rosto, e respirei fundo eu não iria ceder
- sai daqui Pedro!
- por favor Isa.
- é Isabela pra você, você pensa o que? Que pode fazer o que fez e depois chegar aqui querendo conversar? Se eu estou agora nesse hospital é por sua culpa, você não tem o mínimo de dignidade? Desaparece da minha frente
Ele engoliu em seco, com minhas palavras cheias de amargura e antes que ele pudesse falar algo o medico entrou no quarto
-como esta a nossa paciente?
Ele falou sorrindo parecia que ele queria deixar tudo as mil maravilhas,
- se eu estivesse bem não estaria aqui, então que pergunta idiota!
O medico ficou constrangido mas quem mandou aparecer logo na hora errada
-o senhor é o namorado da paciente?
Ele perguntou para Pedro
- ex, sou solteira.
Respondi no lugar de Pedro
- então suponho que seja o pai.
- pai?
eu e Pedro perguntamos em uníssono sem conseguir entender nada do que o medico falava
- a senhorita está grávida!
- perdão doutor mas o senhor deve ter errado de quarto, isso é impossível!
Pedro tinha paralisado com o choque, mas o doutor só sorriu e falou
- não, é o quarto certo, quarto B117 paciente Isabela montes.
Meu coração perdeu uma batida, isso não era verdade, não poderia ser, milhares de pensamentos inundavam minha mente me deixando paralisada e confusa
- vou deixá-los a só.
O medico disse quando percebeu que precisávamos ficar sozinhos, percebi Pedro então finalmente se mexer e olhar pra minha barriga incrédulo e logo após lagrimas saírem dos seus belos olhos enquanto eu continuava paralisada, até que eu finalmente consegui me mover e um choro torrencial tomou conta de mim sem eu realmente saber o motivo, me encolhi na cama abraçando meus joelhos me sentindo vulnerável e perdida,senti braços quentes em minha volta levantei o rosto , era Pedro quem me abraçava, e então numa atitude impensada o abracei forte esquecendo tudo que tinha acontecido, a única coisa que me importava agora era o bebe em meu ventre e só nos braços de Pedro eu me sentia segura e protegida, não sei quanto tempo de passou só ouvi a porta ser aberta e logo em seguida passos
- o que a Isa tem?
Era a voz de Claire, aos poucos fui me acalmando e me afastei de Pedro e olhei para os visitantes, eram Thomas, Lucas e Claire
- Claire me ajuda!
Ela correu até mim e me abraçou preocupada
- o que você fez com ela ?
Claire falou com raiva olhando Pedro
- ele não fez nada Claire, não agora
- então...
Lucas quis saber
-digamos que aqui no quarto tem mais alguém além de nós 5.
Eles começaram a olhar em volta procurando a tal pessoa e depois me olharam confusos
-não estou vendo ninguém bela!
Thomas falou me olhando confuso, me soltei um pouco de Claire e falei
- é por que ta aqui!
Apontei pra minha barriga, eles me olharam de olhos arregalados e no instante seguinte a Claire me abraçou feliz
- que lindo, assim você mete juízo na cabeça e...
Ela começou a falar mas eu nem prestava atenção só queria ficar sozinha pra poder digerir tudo.
- Isabela a gente pode conversar?
Então só ao ouvir aquela voz senti as feridas não cicatrizadas se abrindo, meu coração acelerou anunciando isso na maquina também, as borboletas voaram em meu estomago, meus pelos se arrepiaram, droga por que isso sempre acontecia?
- eu preciso ficar sozinha!
Eles entenderam que eu não queria conversar e saíram levando Pedro com eles, e o buraco em meu peito voltou a se abrir ainda mais, era só ouvir a voz dele. Era só pensar nele que isso acontecia, trazendo a tona todas as magoas
Flashback on – 3º pessoa – 1 mês e meio atrás
o sol se punha ao fundo enquanto Isabela chegava a casa do namorado, tinha recebido uma mensagem de Pedro pedindo pra ela vir em sua casa imediatamente, ao chegar em seu destino a garota desceu de seu carro indo em direção a porta tocar a campainha, mas se surpreendeu ao ver que a porta estava apenas encostada, e por isso resolveu entrar, afinal não teria problema era a casa de seu namorado e amigos, porem quando ia chegando a sala ouviu Pedro e Thomas discutindo, então movida pela curiosidade se escondeu atrás do sofá e começou a ouvir a conversa
- Pedro lanza você sabe que isso é errado cara, vai lá e conta pra ela!
-não thominhas, posso não gostar dela mas não vou magoá-la.
- você mentiu e esse tempo todo, conta pra Isa
- eu vou chegar e falar o que? Ah oi Isa sabe tudo o que nós vivemos era mentira, todas as minha declarações eram falsas e que eu nunca vou amar você, e que era só uma aposta que eu fiz com o Felipe que eu conseguiria que você se entregasse pra mim...
A loira não agüentava ouvir mais aquilo, tudo o que tinham era falso, ela tinha sido usada por aquele em quem ela mais confiou, aquele por quem ela era disposta a dar a vida, então naquele momento as lagrimas começaram a escorrer e ela sentia nojo dele, e daquele que afirmou ser seu amigo mais a tinha traído quando sabia e não a alertou, levantou- se de trás do sofá e foi até Pedro e então descontou a raiva que sentia dele naquele momento em um tapa com tanta força que concerteza ficaria roxo depois
- eu tenho nojo de você!
Então ainda dominada pela raiva e se sentindo traída e usada tirou a aliança que Pedro lhe dera e a jogou no chão e cuspiu no rosto de Pedro, então se virou para Thomas, por ele e pisou em seu pé com tanta força que este gemeu de dor e saiu dali sentindo as feridas se abrirem, e seu coração se partindo, juntamente com o buraco que agora se abria em seu peito.
Flashback off
Pov. isabela
Eu pensava nesse dia toda vez que acordava e sentia que Pedro não estaria mais ali comigo, mas eu simplesmente não conseguia odiá-lo ainda o amava demais para isso,era algo que nem eu mesma conseguia entender, era tão absurdo e ao mesmo tempo tão natural, e me peguei pensando nisso por cerca de uma hora até que uma enfermeira entrou no quarto com uma bandeja com a minha comida,fiz uma careta olhando a comida de hospital, a enfermeira arrumou tudo e saio, já ia jogar aquilo fora quando ouvi a voz de Pedro
- nem pense nisso.
- e quem é você pra mandar em mim?
- você pode até me odiar, mas não se esqueça que você tem que se alimentar
- sai daqui Pedro.
- coma pelo bebe então, se ficar sem comer só fará mal a ele ou ela.
-saia que eu como!
- como eu vou saber se você comeu ou não?
- não sou eu o falso aqui!
Ele bufou e saio do quarto, olhei a comida e comi um pouco só pelo meu filho ou filha, depois decidi sair um pouco do quarto, mesmo que escondida, estava andando distraída pelos corredores até que ouvi a voz de Thomas e do Pedro vindo de uma sala, então escondida comecei a ouvir
- você sabe que ela não vai entender Thomas.
- pelo menos tente,vocês tem um filho ou filha a caminho agora.
-mas eu a magoei demais.
- ela iria querer saber, você só quis protegê-la
-eu sei Thomas mas eu não posso, e o que eu falaria pra ela?
- não sei, que tal a verdade? Que a sua ex namorada ameaçou fazer mal a ela, caso você não se separasse definitivamente da Isa? Que você só inventou a história da aposta de que não a amava só pra ela não querer voltar com você e assim não correr perigo, acorda Pedro a sua ex verônica foi presa e se você não fosse tão cabeça dura você já estaria lá na frente dela de joelhos implorando perdão.
Isso era verdade?uma felicidade e esperança tomou conta do meu coração, então ele me amava, o que vivemos foi verdadeiro,meus olhos começaram a lacrimejar, e então acidentalmente esbarrei em algo que estava no chão, causando um pequeno barulho e no instante seguinte a porta se abriu e os dois apareceram me encarando de olhos arregalados.
- achei minha lente!
Falei sorrindo travessa
- você não usa lente bela!
Thomas falou me olhando de sobrancelha arqueada
- bem que eu disse pro medico que eu não usava, vou avisar pra ele.
Falei tentando sair dali, mas eles me seguraram e me levaram de volta pro quarto, me colocando novamente na cama, olhei pra eles de cara fechada
- agora é com você Pedro Gabriel !
Falou Thomas e saiu do quarto
- o que o Thomas disse é verdade?
-como?
Ele perguntou sem entender
-sobre a sua ex.
- Isa eu... desculpa, eu não queria mas eu tive que fazer aquilo, era pro seu bem
- era verdade ou não?
- era, não me odeie mais por isso.
- e quem disse que eu te odeio?
- eu achei que..
- você é tão bobo
Falei e o beijei,mostrando a verdade pra ele, que na verdade eu só continuava o amando cada vez mais.e isso só continuaria aumentando
-eu te amo!
Falei assim que nos separamos, e então ele abriu o meu sorriso, o sorriso que me fazia sentir nas nuvens.
- eu também te amo!
------------------------------------------------FIM--------------------------------------------------------------------
Moral da história: o amor é o sentimento mais lindo que possa existir, mas com ele vem junto as dificuldades e barreiras, não desista na primeira pedra que houver no caminho pois é melhor lutar pelo que quer do que desistir e ficar pensando como seria, mesmo que tudo pareça estar de cabeça pra baixo, lembre-se depois da tempestade vem a abonança, o amor não se altera com os obstáculos que encontra, pois:
De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfange não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma para a eternidade.
Se isso é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.
William Shakespeare
Fale com o autor