Heart Of Courage
3 So what will you do?
Notas iniciais
Espero que tenham uma boa leitura :)
Bowling Green – Ohio
Lanchonete Walker’s
21 de Setembro, 2012
Joanna Harvelle esperaria atrasos de qualquer um de seus amigos. Fosse de Tom Hanniger, o cara mais irresponsável e irritante que já tivera o desgosto de conhecer, ou até mesmo de Abby Dawson, a garota tímida e estranha, que usava óculos e vivia escondida na biblioteca da escola; mas a loura jamais esperaria um atraso de Samuel Winchester.
Sam e ela haviam se conhecido há cerca de dois anos, no último ano do Ensino Médio. Ele era o típico garoto inteligente e popular entre as garotas, mas que se mantinha sempre misterioso quando o assunto era ele; não gostava de falar sobre a família, nem dos planos para o futuro, e muito menos sobre seus relacionamentos. Sam era o típico cara enigmático que sempre lhe chamava a atenção. E Jo? Bem, Jo era a filha do diretor. Amada, paparicada e mimada por todos. Tinha quem quisesse na palma da mão. E isso, aparentemente, não importava para Sam, porque desde o começo do ano ele não lhe dava a mínima.
Porém, com sua lábia e seu carisma, ela aos poucos foi conquistando-o, encantando-o. Samuel não era como os outros garotos. Pra ela, ele não era apenas mais um pra colocar na sua lista, não era um prêmio. Ela realmente gostava dele.
Com o tempo, acabaram tornando-se amigos. Melhores amigos. E agora, eles confiavam plenamente um no outro. Mas não era suficiente, não pra ela; porque ainda não se sentia confiante o suficiente pra falar sobre seus sentimentos com o moreno.
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Quando Samuel deu por si, já estava em frente ao correio, o papel da carta parecendo queimar em suas mãos. Observou a movimentação lá dentro, inquieto, balançando-se levemente sobre os pés. Com um suspiro, forçou-se a caminhar até a recepção e esperar na fila para ser atendido. Sentia-se culpado, e melancólico.
Fazia um bom tempo que não falava com Dean, e se não fosse por todas as vezes que John ligara para a clínica para saber como seu primogênito estava, nenhum deles teria notícia alguma sobre o louro. Ele não respondia as cartas, e nunca pedia que ligassem por vontade própria. Quando John estava ao telefone, recusava-se a falar com o pai, e se mantinha em silêncio quando enfermeiros o chamavam.
Não que Sam achasse que o irmão estava errado, muito pelo contrário. Quando era mais novo, não entendia por que o irmão fazia isso, e muito menos o motivo de não poderem mais ir visitá-lo. John dizia que a presença deles podia agravar o estado do mais velho, como se despertasse lembranças ruins. Sam batia o pé, e ficava emburrado com o pai por uma semana, até que ele ligasse na clínica e mostrasse para o moreno que Dean também não parecia colaborar. Na época, ficou um pouco ressentido com o irmão por nunca querer atender, mas agora...
Bem, agora Sam concordava com ele. O que faria se estivesse na situação de Dean? Sentaria e aguentaria calado tudo a que era submetido? Aceitaria tudo que John decidisse, mesmo que achasse ser errado? É, definitivamente, não.
O problema de Dean não era com Sam, não era com John, não era com a falta de Mary, não era com nada disso. Era o jeito dele de gritar que precisava de carinho, que precisava de atenção. Era o jeito dele de mostrar que também queria ser cuidado. Era a maneira que Dean encontrara de dizer que ficar naquela clínica não iria ajudá-lo a superar nada pelo que estava passando. Porque tudo que ele mais precisava era do amor de sua família, e como eles podiam oferecê-lo por meio de telefonemas, por meio de cartas? Dean não precisava de palavras, porque, pra ele, elas eram vazias. Eram apenas vento e palavras, nada mais. Dean precisava de um abraço, de um beijo de boa noite. Precisava de um ombro pra quando o sentimento escapasse de seu controle, e escorresse pelo rosto no formato de lágrimas cristalinas.
É, Sam entendia exatamente como ele se sentia. John era um pai dedicado — não podia negar —, mas não era tão cuidadoso quanto Dean. Ele não estava lá para confortá-lo quando Sam acordava assustado durante a noite depois de um pesadelo; ele estava lá pra dizer-lhe que devia superar o medo. John não estava lá pra secar suas lágrimas quando ele chorasse; ele estava lá pra lhe dizer que homens de verdade não choram.
Dean sempre esteve ao seu lado, protegendo-o de seus medos. E como Sam lhe agradeceu, mesmo? Abandonando-o à própria sorte com seus sentimentos. Com sua saudade, seus medos. Abandonando o amor que o louro sempre demonstrava por ele.
Samuel nunca se perdoaria. E talvez fosse tarde demais pra tentar consertar os erros que cometera, mas ele estava disposto a correr atrás.
Porque Dean valia à pena.
Notas finais
Gostaria também de me desculpar pelo tamanho do capítulo... Pretendia fazer maior, mas não teve como... Olhem bem as datas que eu coloquei! 'Rsrs e só pra vocês saberem, uma viagem de Bowling Green à Benton Harbor demora cerca de três horas e vinte e quatro minutos. Dean ainda não recebeu a carta, mas vai receber 'rsrs
Era pra ter colocado sobre o Outono no último capítulo, mas eu esqueci, então colocarei agora...
"É a estação do ano, caracterizada também pela mudança. Tempode olhar para trás, tomar conasciência dos erros e acerts. Tempo de fortalecer as fraquezas e valorizar os pontos positivos, pois é tempo também de olhar para frente, saber que vai enfrentar tempos frios e escuros, na estação posterior, mesmo assim, com muita resiliência preparar-se para novas e constantes mudanças, sabendo-se que tudo é ciclico. Cada momento é o tempo de ir em frente. O Outono também é para ser celebrado como tempo de introspecção, de preparo, de conhecimento de si e de fortalelicento para novas fases da vida." (de acordo com o site DicionárioInformal)
E sem mais spoilers! XD
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Tom Hanniger era o personagem representado por Jensen Ackles em My Bloody Valentine. Como a imagem do ator está mais associada ao Dean, permito que vocês o imaginem como quiserem :)
Abby Dawson era a personagem da atriz Danneel Harris num episódio de CSI: Miami :)
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