Heart Of Courage
6 How should I feel?
Notas iniciais
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Mil perdões por não ter postado no dia em que marquei (e pela demora em responder os reviews). Por motivos pessoais, ontem não pude mexer no computador.
No mais espero que tenham uma boa leitura, e obrigado por não terem me abandonado! ^^
Benton Harbor – Michigan
Em algum lugar nas estradas US-31 S
25 de Setembro, 2012 – 02h45min a.m.
Correndo contra o frio da noite, seus pulmões ardiam em busca de oxigênio e seus pés protestavam a cada centímetro conquistado. Exausto, e se dando parcialmente por vencido, parou no meio do caminho para descansar. E só então se deu conta de que não eram apenas os pés que doíam; seu corpo todo implorava que ele parasse com a corrida alucinada. Com um suspiro dolorido, sentou-se no chão à margem da estrada, e apoiou a cabeça entre as mãos.
Em algum lugar de sua cabeça, uma voz perguntava-lhe que diabos estava fazendo. Desde o momento em que saíra de seu quarto, fez o máximo que pôde para ignorá-la, mas agora, sozinho, cansado, e com frio, essas dúvidas faziam-no sentir-se temeroso.
E se o irmão não quisesse vê-lo? E se, mesmo depois da carta, Sam estivesse apenas tentando ser legal? Ele mesmo havia dito que as coisas não podiam voltar a ser como antes. Mas que sentido ele quis usar ao dizê-lo? Que a relação deles não seria mais como antes, ok, isso ele entendera. A grande questão era: isso significava que a relação não seria tão boa quanto antes, ou simplesmente que não seria como antes?
Dean estava verdadeiramente confuso, e aquela dor desconfortável em seu abdômen realmente não o ajudava a raciocinar. Apertando os olhos, o louro ergueu o rosto para encarar o Céu cheio de estrelas, agora tão diferente daquele último do qual se lembrava. Naquela noite, há tanto tempo atrás, havia angústia ao encarar a escuridão noturna. Angústia, e medo. Agora, o que o movia era a esperança. Esperança de quê? Bem, de tudo um pouco, talvez. De reencontrar Sam, fazer as pazes com o irmão, voltar a ser uma família novamente... Mas, acima de tudo, a esperança de que a justiça fosse feita.
O repentino brilho de um farol cegou o rapaz, que precisou cobrir os olhos com as mãos, sentindo o coração acelerar. Ouviu o som da porta do motorista abrindo, e engoliu em seco.
— Hey, garoto, tudo bem? Está perdido?
Ainda parcialmente cego, Dean levantou os olhos para quem lhe dirigia a palavra. Parecia um típico caminhoneiro daqueles filmes antigos: cabelos grisalhos, meio acinzentados, barriga de cerveja, boné, calça jeans surrada, camiseta escura de botão. Não parecia alguém perigoso, mas, ainda assim, o jovem se encolheu brevemente, antes de murmurar, a voz falhando:
— E-eu... N-na verdade, eu preciso de uma carona.
Ele era um estranho para aquele mundo. Mas, pois bem, aquele mundo era um estranho pra ele também.
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Bowling Green – Ohio
Apartamento de Sam Winchester e Tom Hanniger
25 de Setembro, 2012 – 07h35min a.m.
— Credo, Sam, que cara é essa? — Tom encarou-lhe, os olhos arregalados, parecendo quase indignado com a aparência do mais novo.
— A única que eu tenho. — o moreno respondeu, sentando-se à mesa com alguns resmungos que Hanniger não pôde entender.
O mais velho ergueu as sobrancelhas, e deu de ombros, mordendo mais um pedaço de seu misto-quente recém-feito.
— Aconteceu alguma coisa ontem que eu deva saber? — questionou, verdadeiramente preocupado, por mais que tentasse não demonstrar.
Foi a vez de Sam encolher os ombros, tímido. Esfregou os olhos uma ou duas vezes, bocejou, e, por fim, apoiou os cotovelos na mesa, escondendo o rosto entre as mãos. Algo em seu interior agitava-se, deixando-o abalado, com a sensação de que algo ruim estava pra acontecer. Ok, não necessariamente ruim, mas estranho, no mínimo. Como se tudo estivesse prestes a mudar, e, de algum modo, Winchester sabia que isso estava relacionado a Dean.
Como estaria o irmão? Será que realmente recebera sua carta e resolvera ignorá-la? Agora, mais que nunca, sentia-se culpado pelo modo como agira nos últimos anos. Não fazia nem duas semanas desde que colocara a bendita carta no correio, e já estava passando mal em ansiedade, esperando que o mais velho pudesse ao menos respondê-la. Isso o fazia questionar: como fora para Dean, durante todos aqueles anos, esperar pelas visitas que ele e John nunca fizeram? Será que o irmão tinha sentado próximo à janela, observado a movimentação lá fora e esperado que eles aparecessem? Será que não dormia durante a noite, em expectativa, em saudade? Será que ele também chorava, às vezes?
Será que, depois de tanto tempo, Dean tinha perdido a esperança nele?
— Sam? — a voz de Tom tirou-o de seus devaneios, e Sam levantou os olhos, sentindo-se mal.
— Não consegui dormir durante a noite. — confessou num sussurro, e esfregou os olhos mais uma vez. — Eu... Não consigo deixar de pensar... Será que algum dia o Dean vai me perdoar pelo que eu fiz?
A expressão confiante de seu amigo vacilou por um instante. E quando respondeu, parecia indeciso, como se não quisesse deixá-lo ainda pior do que já estava:
— Sinceramente... Eu já não sei mais nada, Sam. Talvez ele possa te perdoar... Ou talvez não.
— Mas você acha que... — o que quer que fosse que o moreno iria dizer, foi interrompido no momento em que a campainha tocou, estridente.
Tom franziu o cenho por um instante, e olhou para Sam, indagador.
— A Jo não costuma estar dormindo nesse horário? — recebendo apenas um dar de ombros como resposta, Hanniger revirou os olhos, e, quando a campainha tocou novamente, levantou-se. — Não acho que seja ela. Harvelle não toca essa campainha mais de uma vez... Vou atender.
— Ok. — Sam deu de ombros novamente, resignado, pegando um pão de forma e passando manteiga nele.
Em silêncio — e com certo desinteresse, até —, ouviu quando Tom abriu a porta, e questionou à quem quer que fosse o impaciente que o esperava, o que queria. Sua atenção somente foi capturada quando ouviu a resposta hesitante, num tom de voz um tanto rouco e que lhe era completamente desconhecido:
— Sam Winchester... Ele... Mora aqui?
Curioso, o moreno levantou-se, no exato momento em que Tom chamou seu nome. A passos lentos, caminhou até a sala. Ali, encontrou Hanniger parado em frente à porta, parecendo um pouco desconfortável, o rosto parcialmente corado. Do lado de fora do apartamento, um rosto que Sam não reconheceu a princípio. Roupas largas, surradas, parcialmente amassadas. Pele pálida, e cabelos cinzentos. Porém, no momento em que encarou os olhos do desconhecido — olhos de um profundo tom verde, tão parecidos com os seus —, a verdade o atingiu como um soco no estômago.
— Dean?!
Notas finais
Previsão de atualização: 19/11 (e eu espero conseguir cumprir o prazo dessa vez!)
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Ah, gente, esqueci de avisar! A nova capa foi feita pela Miles, do site Designers Cherry (http://designscherry.blogspot.com.br/)! Não ficou linda? ♥
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