Heart By Heart
11 What is this I'm feeling?
Notas iniciais
Espero que gostem.
_ Fernanda, você não consegue nem mexer uma panela direito. Parece uma criança. — Aline diz rindo quando viu que eu tinha queimado meu dedo.
_ Que tal parar de ficar me zuando e vir me ajudar. — Liguei a torneira e deixei meu dedo embaixo d'água.
_ Me deixa cuidar dele. — Ela andou até mim e pegou meu dedo e deu um beijo, depois ficou olhando para mim enquanto o colocava na boca. Essa menina pode parecer um anjo, mas gosta de provocar. E eu, nem preciso falar o que eu acho disso. Ainda não sei direito o que eu sinto por ela, mas sei que e diferente de tudo o que já senti por alguém.
_ Sabe que ele agora tá melhorando? — digo rindo e ela morde meu dedo. Eu grito e ela sai correndo.
_ Você me paga Aline. Se eu te pegar, você está ferrada.
Saio atrás dela e a gente roda o apartamento todo. Continuamos até eu me lembrar da panela no fogo e sair correndo igual uma doida na direção contraria de Aline. Ela para e me acompanha até a cozinha.
_ Acho melhor a gente parar com a gracinha por enquanto. Pelo menos, até acabarmos de fazer a torta.
_ Eu concordo. — digo. Terminamos de montar a torta e a colocamos na Geladeira. Aline vai embora depois do almoço. Mandei ela me esperar que só iria trocar de roupa e iria com ela.
Quando voltei para a sala vi a cena mais inesperada que imaginava, Aline e Guilherme abraçados.
_ Er... Ahn... — não sabia o que dizer. Os dois se separaram e ela estava com lágrimas nos olhos. — Gui, o que faz aqui?
_ Estava querendo conversar com você. Encontrei com Henrique ontem no restaurante, e ele me contou sobre o que aconteceu. — ele disse e se virou para Aline. — Eu sinto muito, eu sei que a gente não conversou muito desde que tudo aconteceu, mas você sabe que tenho um carinho por toda sua família. Eu sei que ele era um homem maravilhoso, percebi isso quando o conheci. Era um exemplo. Meus pêsames. — ele a abraça mais uma vez e vê-los daquele jeito me fez lembrar de quando eles namoravam, eles eram perfeitos juntos, se encaixavam de uma maneira surpreendente, e vendo aquela cena me bateu um ciúmes gigantesco, e não só de um, mas por ambos.
_ Obrigada Guilherme, fico feliz pelo seu apoio. Eu tenho que ir, vou deixar vocês conversarem, a gente se vê depois. — Vem ate mim, me dá um beijo na bochecha e sai. Sento no sofá e Guilherme se senta ao meu lado.
_ Ela deve estar muito mal. – ele diz com cara triste.
_ Ela esta, eu estava a distraindo um pouco mas sabia que uma hora ela ia desabar de novo.
_ Ele realmente era um cara muito bom.
_ Huum. Imagino que sim. — eu não queria falar sobre a família de Aline com ele. Eles tiveram uma conexão que nunca teria com ela. Sei que isso é egoísta da minha parte, a gente nem conversou sobre termos algo mais e nem sei se poderia me assumir, mas sempre que penso no que estamos fazendo, como estamos nos relacionando.
_ Mas e ai, como foi ontem? — O rosto de foi de triste a alegre em segundos.
_ Foi bom demais. Nós fomos ao restaurante dos pais da Anna e depois fomos assistir a um filme, os quatro. Eu levei Maíra até a casa dela e nos sentamos no jardim, eu conversei com ela e contei tudo sobre como eu estava me sentido. Ela me disse que sempre foi afim de mim, vou te dizer, eu não acreditava no que você disse, mas quando eu ouvi da boca dela... Cara, não tive duvida alguma. Nos beijamos e eu nunca tinha querido tanto algo como queria aquilo. Ficamos deitados olhando para as estrelas e eu me senti completo.
Olhei para ele e para como estavam suas feições. Ele esta sorrindo atoa, nunca tinha visto ele desse jeito. Pensei que seria mais fácil nevar por aqui do que ele se apaixonar. Cheguei perto dele e o abracei.
_ Vai pedir ela em namoro?
_ Eu ia pedir ela ontem, mas, ficou tarde e eu não falei nada. Eu quero que seja em um lugar especial.
_ Ei, seus tios não tem aquela casa em cabo frio? — ele olhou para mim e acenou. — A gente podia ir para lá nessa semana. Você aproveita e pede ela em namoro lá, podemos chamar Anna e Marcos também e para não ficar de vela sozinha... — hesitei antes de falar a ultima parte — podíamos levar a Aline, você viu como ela esta mal por causa do pai.
_ Gostei da ideia, e se a Aline quiser ir da certo porque pode ser uma boa distração.
_ É. Gui, o que você faria se achasse que ta gostando de alguém, mas isso vai contra tudo o que acreditou a vida toda.
_ Qual e, ta apaixonada por um cachorro? Você diz isso sempre que vê um filhote nem vem. — ele diz e dou uma almofadada nele. — Ok, parei. Primeiro eu veria se estou realmente gostando dessa pessoa. Se estiver dane-se tudo e todos. Minha opinião pode mudar a qualquer momento, nascemos aprendendo uma forma de pensar, nem sempre é o certo ou o melhor.
Isso e uma das coisas que amo em Guilherme, ele não faz joguinhos, faz o que quer na hora que quer e nada o para. Queria ter um pouco disso.
_ Eu venho percebendo um tempo que você esta diferente. Não vou perguntar quem e, porque já saberia se você quisesse que eu ficasse sabendo, então só posso te dar una dica. Se pergunte se essa pessoa gosta de você do jeito que você e, e se ela te faz querer ser melhor.
_ Então quer dizer que agora você e conselheiro amoroso? — pergunto rindo
_ Pode me chamar de Hitch de agora em diante. — Vou indo nessa, tenho que ligar pra minha pequena.
_ Mas você acabou de me ver, vai ligar pra mim por quê? — digo batendo os cílios. -
_ Não, você é minha anjinha, ela é minha pequena.
_ Aiai, então vai embora.
_ Tchau mi amore.
Ele foi embora e eu fui tomar banho.
Guilherme me manda uma mensagem na hora do jantar, falando que a casa foi liberada para a gente no final de semana.
_ Mãe, os meninos estão querendo ir para Cabo frio nesse fim de semana, posso ir?
_ Quem vai?
_ Guilherme, Maíra, Anna, Marcos e talvez Aline.
_ Isso ta me parecendo um encontro de casais. E o Giovanni onde esta? — ela pergunta — Por que ele também não vai?
Só agora me dei conta que não contei para minha mãe do ocorrido. Nem senti falta dele e estar com Aline não me faz pensar nele.
_A gente brigou e terminamos.
_ Por quê? O que aconteceu?
Então eu contei tudo, ate que estou afim de outra pessoa. Terminei deitada na sala com a cabeça no seu colo.
Ela basicamente me disse o mesmo que Guilherme, que se estou gostando de alguém devia me concentrar nessa pessoa, e deixar a opinião das outras pessoas para lá. Queria saber qual seria a opinião dela se soubesse que essa pessoa e na verdade uma menina. Minha mãe pode ser moderna no modo de vestir e agir, mas sua cabeça ainda gira em torno das antigas regras.
Fui para o meu quarto e dormi rapidamente.
No outro dia teve a apresentação, a sala toda ficou impressionada com a torta. Aline não foi na escola, me mandou uma mensagem dizendo que o corpo do pai dela chegava hoje e que amanhã seria o velório. Fiquei preocupada com ela sofrendo sozinha, tudo bem que ela tinha sua família, mas mesmo assim. Sinto que ela precisava de mim.
_ Larga esse celular Nanda. — diz Anna quase arrancando meu celular das minhas mãos. Fiquei o resto da aula olhando o celular esperando noticias.
_ Pra que? Para ficar de vela?
_ Se prestasse atenção em nós direito, veria que não estamos fazendo nada demais. — diz Maíra que está abraçada com Guilherme. Os dois estão agarrados desde que chegaram à escola e viraram a fofoca do corredor. Eu estava sentada no muro da escola, Marcos tinha vindo ver Anna e o casal sensação está do meu lado.
_ E menina, vim aqui para me contar o que a Anna anda fazendo de errado, e você só fica olhando para esse celular, — Diz marcos
Pego meu celular e coloco na mochila.
_ Satisfeitos — digo com uma carranca.
_ Muito. — Os quatro dizem juntos e vem me atacar com beijos.
_ Parem com esse amor todo, por favor. E ai a ideia de Cabo Frio está de pé? – digo mudando de assunto.
_ Por mim tá tudo bem, posso pedir o final de semana na oficina. – diz Marcos.
_Por mim também. – diz Maíra.
_ Vou conversar com meus pais hoje, mas não sei se eles vão deixar. Eles estão com medo do que eu posso arrumar desde o que aconteceu da última vez. – diz Anna.
Na última vez que viajamos para um lugar, ela bebeu demais e começou a dançar em cima dos carros. Caiu de cabeça, teve uma concussão e os pais dla tiveram que viajar as pressas até Caldas Novas, para poderem acompanhar a filha no hospital. Depois disso, ela os pais dela passaram a regular todos os lugares aonde ela vai, e com quem vai.
_ Então está fechado. Vou confirmar com Aline, quando conseguir falar com ela.
As meninas ainda não aceitaram bem essa coisa de Aline ir. Da parte da Maíra eu até entendo, aliás, Aline é a ex do Guilherme, mas a Anna... Eu ainda não entendi o porquê da desconfiança. Pensei em contar para elas sobre o que aconteceu com Aline, mas não se se teria coragem.
Na nossa frente, uma menina vem correndo e esbarra no Guilherme, ela se vira rapidamente pedindo desculpas e logo se vira e continua correndo em direção a outra garota. As duas se abraçam e depois se beijam. No meu lado, ouvi exclamações de surpresa com a cena.
_ Não sei como elas têm coragem, — comenta Anna. – Cara, se elas querem se pegar que seja em particular, não aqui pra todo mundo ver.
_ Para de ser preconceituosa Anna, — diz Maíra. – É a mesma de coisa de um casal normal, só que com duas garotas. E é da conta delas se são sapatas ou não.
_ Não tenho preconceito, só quero distância.
_ Ali na verdade é uma lésbica e a outra é sapata. – diz Marcos, batendo na mão de Guilherme.
_ Qual a diferença? Que eu saiba é a mesma coisa.
_ Lésbica é uma menina bonita e gostosa, essas que parecem homens são consideradas sapatões. – esclarece Guilherme. Anna e Maíra começam a dar tapas nos meninos, enquanto eu fico pensando no que todos disseram. Ainda bem que não contei nada, não sei se aguentaria esse olhar que a Anna deu para as meninas, direcionado para mim. Fiquei quieta durante todo o caminho, me despedi das meninas e do Guilherme e fui para o parque. Entrei no ginásio que tem lá dentro, e vou para o lugar onde consigo realmente pensar. Tiro a roupa e coloco o maio que sempre está na minha mochila, pulo na piscina e me delicio com a sensação do meu corpo dentro da água. Volto para a superfície, boio e tento entender tudo que estou sentindo.
Como era de se esperar, não consegui. Fui embora depois de umas horas sem ter respostas para minhas perguntas, decido deixar isso de lado e me concentrar na viagem que faremos.
Acordo na manha de terça feira e não vou para a escola, resolvi ir ao velório do pai de Aline. Era 8:10 e o enterro começaria em 50 minutos. Fui tomar banho, fiquei embaixo d’água por uns bons trinta minutos. Espero que ela goste dessa minha decisão de ir atrás dela. De volta ao meu quarto, vou para o guarda roupa, escolhendo o que usar, olhei para o vestido preto com babados de renda na parte de baixo, um vestido que não queria nunca mais usar. Optei por usar uma calça jeans, uma blusa escura de mangas e sapatilha. Não estava a fim de trazer lembranças ruins hoje.
Cheguei à igreja por volta das 9:00, e fui procurar Aline. Não foi fácil, o lugar estava cheio, e estavam começando a preparação para levar o caixão até a parte de trás, onde ficava o cemitério. Acompanho a procissão até lá, fico no fim e vou seguindo as pessoas, tentando achar alguém conhecido. Vou até uma colina que tem ali perto, e fico olhando quando eles baixam o corpo na cova. Avisto a mãe de Aline, e Henrique ao seu lado, segurando a mãe que estava em prantos. Olho naquela direção esperando achar os cabelos esvoaçantes de Aline. Ainda não a vejo, será que ela não veio? É pressão demais para ela, não me surpreenderia se não tivesse vindo e...
_ O que você faz aqui? – Olho para trás e ela estava lá. Com um vestido de renda preto que batia até os joelhos.
_ Eu fiquei preocupada, não conversava com você há um tempo. Vim te ver e te dar um apoio.Sei como é difícil. – digo me aproximando dela. – Tentei te encontrar antes, mas não te achava.
_Eu estava sentada aqui perto, vi na hora que subiu a colina e vim atrás. Não aguentava ver, não com minha mãe daquele jeito. — ela estava tão triste e com os olhos vermelhos. – Fico pensando como vou encarar isso. Eu tenho que tomar conta disso tudo, tive que organizar o enterro e o velório.Minha mãe só vive chorando, meu irmão não para em casa, e...
Ela chora e eu chego mais perto e a abraço. Ela chora colocando a cabeça no meu peito enquanto falo que está tudo bem e que tudo vai se resolver.
_ Ei, sei que está sendo difícil e é muita coisa pra uma garota de 16 anos resolver. Vem com a gente para Cabo Frio, vai te ajudar a aceitar melhor.
_ Eu não sei Nanda, minha mãe ta muito mal. Ela precisa de mim aqui.
_ Pensa Aline, se você ficar do jeito que está, vai acabar entrando em depressão, e não vai ajudar sua mãe. Ela está lidando do jeito dela, e outra ela é adulta. Ela dá um jeito. Vem comigo pra lá, é só um final de semana. Você se distrai e vem pra cá renovada para encarar isso.
_ Fernanda, você vive falando que entende, mas eu acho que não. Porra, meu pai morreu e você ta querendo me levar pra um final de semana de curtição. Eu tenho que resolver tudo aqui, tenho parentes em casa e tenho que cuidar de tudo, eu não posso ta bom. Eu não posso decepciona-los como fiz com meu pai.
Aquilo me machucou, sei que ela está chateada, mas aquilo foi como um tapa na cara.
_Deixa eu te dizer uma coisa, você não tem que fazer nada disso sozinha. Exatamente, seu pai morreu não sua mãe ou seu irmão. Você esta fazendo isso tudo porque quer. Aceita que não tem forma de ele voltar, você não vai se reconciliar com ele, ele esta lá, — Apontei para baixo da colina. – Embaixo da terra, a sete palmos. Não adianta você ficar se martirizando ok – percebo que estou gritando. Assim que digo isso me arrependo, mas não tem como voltar atrás. Ela me olha com cara de espanto.
_ Vai embora Fernanda. Por favor, me deixa sozinha agora. – ela diz secando as lágrimas.
_ Me desculpa. — Abri a boca pra falar mais alguma coisa, mas fechei sem saber o que dizer. Começo a descer a colina, e depois de alguns passos, ouço um baque no chão. Olho para trás e a vejo de joelhos chorando. Penso em voltar e consola-la, mas em vez disso vou embora.
Notas finais
Espero que tenham gostado, nos vemos na próxima.
Beijos bye
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