Heart By Heart
15 Hard to resist, so touchable.
Notas iniciais
Mas como sou boazinha trouxe mais capítulo para vocês. Eu não, na verdade é o capítulo que a Jennifer ia postar as ficou sem computador.
Foi tão ruim quanto pensei que seria. Já na ida ao clube ela começou a por em prática seu plano. Sempre que podia me atrasava, para que não pudesse andar junto de Aline, e me deixava conversando com Jonas. Ele tentava puxar papo, mas eu não rendia. Não que ele seja chato ou qualquer coisa do tipo, pelo o contrário ele é muito legal, mas não consigo me concentrar na conversa quando minha garota esta sendo paquerada por um cara, e bem na minha frente. Minha garota! Não consigo pensar nela de qualquer outro modo, depois de tudo o que rolou entre nós não podemos ser somente amigas, mas também não temos algo realmente sério. Preciso tirar isso a limpo, e rápido. Aline de vez em quando dava rápidas olhadinhas para trás, me perguntava se ela estava gostando da conversa.
_ Ei, terra chamando Nanda, terra chamando.
Acordo do meu devaneio e vejo Jonas estalando os dedos perto do meu rosto.
_ Estou, só estava pensando um pouco.
_ Um pouco?! Você veio calada o caminho todo.
_ E que não liguei para meus pais avisando que cheguei, vou ouvir muito quando ligar. Estou me preparando mentalmente- digo inventando uma desculpa.
_ Sei como é. — diz rindo. — Chegamos.
Ele parou em frente a um pub. O lugar e bacana, e tinha um concurso de karaokê rolando. Pegamos uma mesa para seis, e nos sentamos. Aline ficou de um lado com Daniel, e do outro Jonas, e ao seu lado sentaram Marcos e Anna.
Pedimos uma tábua mista grande e alguns coquetéis e energético para a mesa. Os meninos pediram algumas cervejas, já que são maiores de idade. Atacamos a tábua rapidamente, todo mundo estava esfomeado. Quando estávamos acabando de comer, um cara dá uma desafinada que quase estoura nossos tímpanos.
_ Parece que meus ouvidos sofreram um pouco. — Diz Daniel. – Alguém se candidata a ir tentar?
_ Não teria coragem de cantar assim em publico. — diz Aline.
_ Por quê? — pergunto.
_ Vergonha, sou muito tímida e não sei cantar. — ela diz.
_ Tenho certeza que você arrasaria lá em cima. — diz Daniel para ela, e ela fica vermelha de vergonha. Daqui a pouco até eu vou ficar vermelha, mas vai ser de raiva.
_ Que eu saiba, tínhamos apenas uma cantora na turma. — Diz Anna.
_ Quem é a outra? — Pergunta a Marcos.
_ Show de talentos... 2011... Ganhadora... Tombo... – disse olhando para o namorado.
_ Foi desnecessário essa observação, Anna. E eu nem canto bem. — digo olhando para o cardápio.
_ Menina você ganhou. Se não cantava bem, você comprou os juízes. Quer saber, vamos tirar a dúvida agora. Vai lá na frente e canta.
_ Nem pensar. Já passei mico demais daquela vez.
_ Deixa de ser boba. Você da de 10 a 0 nesses caras. Poderia muito bem tentar.
Dou de ombros e não respondo nada. Criei uma armadura contra o dom de dela.
_ Você canta? -
_ Não, só me apresentei uma vez no show de talentos da escola e acabei ganhando. Mas desmaiei quando fui receber o prêmio. Fiquei morrendo de vergonha depois e foi ai que começou e terminou minha carreira como cantora.
_ Mas porque você desmaiou?
_ A enfermeira falou que minha pressão baixou e juntou o nervosismo. Depois disso nunca mais cantei de novo.
_ Quero ouvir você cantando. Vai lá na frente, não custa nada.
_ Não sei se consigo.
_ Por favor. — ela diz e pega minha mão por debaixo da mesa. — Vai lá, por mim.
_Aline... Pode ir tirando esse sorrisinho do rosto. — disse estreitando os olhos — Sei muito bem o que você esta fazendo e não vai funcionar.
_ Se isso não funcionar, passo para a próxima alternativa. – ela olha para os outros para ver se estão prestando atenção na gente, e fala baixinho. — Não te beijo ate que você cante.
_ NÃO. — falo mais alto e todos da mesa olham para mim. — Isso é sacanagem.
_ A escolha é sua. – ela diz com um sorriso cínico no rosto.
_ O que aconteceu? — pergunta Jonas.
Olho para todos e paro em Aline. Me levanto e vou até lá para frente.
_ AI MEU DEUS! NÃO ACREDITO — ouço Anna falando na mesa, ouço a risadinha de Aline e balanço a cabeça. Se for para cantar, vai ser com estilo, Aline vai se lembrar disso por um bom tempo. Chego até o homem que está com as fichas e pergunto se posso me apresentar com voz e violão. Ele deixa e diz que posso ser a próxima a me apresentar. Pego o violão que está encostado e começo dedilhar algumas notas. Espero que não erre, já faz um tempo que não tocava violão, o cara que está se apresentando acaba e recebe aplausos e muitas vaias enquanto sai xingando. Pego o violão e subo no palco, de onde estava dava para ver a nossa mesa. Desvio a atenção e arrumo o pedestal do microfone para ficar da minha altura, coloco a alça do violão e me posiciono. Olho pra lá de novo e não vejo Aline, ela me falou que queria me ouvir tocar e agora sumiu. Pensei em sair, mas já estava aqui em cima e só agora senti a falta que tinha de tocar violão.
_ Boa noite. Er, eu vou cantar uma musica que é uma das minhas preferidas. Espero que gostem. E se não gostarem pelo menos não mandem tomate, ou qualquer coisa que estiver em cima da mesa. — Dou uma risada nervosa e alguns me acompanham.
Respiro fundo, fecho os olhos e começo suavemente.
Então vem
Que eu quero amar você
Sem ter os pés no chão,
Dona do meu sorriso
Te trouxe esta canção.
Contigo quero me perder,
No sonho em que te guardei
Meu mundo ficou mais bonito
Desde que te encontrei.
O violão entra com mais força agora e posso ouvir algumas palmas ao fundo. Abro os olhos e vejo Aline sentada em um banco lá na frente. Dou um sorriso e continuo cantando.
Tapete, mãos e pés,
Noite, chuva, sorriso,
Você é o resumo de tudo que eu preciso.
Sol na madrugada
Que esquentou o meu colchão,
Lua, gota e som te mostro como é bom
Dois corações embalados na batida,
No mesmo compasso que alegrou a minha vida.
Se tudo fosse como eu quisesse,
Você estaria aqui.
Se tudo fosse como eu quisesse,
Ninguém precisaria partir.
Então vem
Que eu quero amar você
Sem ter os pés no chão,
Dona do meu sorriso
Te trouxe esta canção.
Contigo quero me perder,
No sonho em que te guardei
Meu mundo ficou mais bonito
Desde que te encontrei.
Sempre é difícil
Te olhar e não poder
Te guardar em meus braços
E a vontade de te ter
Aumenta cada passo que eu dou longe de você.
Meu coração dispara,
Já nem me importo mais
Pode rir da minha cara
Mas o bem que você me traz
Não encontro em mais ninguém
Com você vou mais além!
Se tudo fosse como eu quisesse,
Você estaria aqui.
Se tudo fosse como eu quisesse,
Ninguém precisaria partir.
Então vem
Que eu quero amar você
Sem ter os pés no chão,
Dona do meu sorriso
Te trouxe esta canção.
Contigo quero me perder,
No sonho em que te guardei
Meu mundo ficou mais bonito
Desde que te encontrei.
Vejo alguns casais de todas as idades dançando perto das mesas, inclusive Anna e Marcos. Canto a próxima parte olhando nos olhos de Aline, que está em pé na frente do palco balançando ao ritmo da música.
Iaí, eu ouço a tua voz
E o resto fica mudo
Minha boca não sabe te esquecer.
Se meu erro é te querer,
Erro sem me arrepender.
Volto a tocar suavemente...
Vem
Que eu quero amar você
Sem ter os pés no chão,
Dona do meu sorriso
Te trouxe esta canção.
Contigo quero me perder,
No sonho em que te guardei
Meu mundo ficou mais bonito
Desde que te encontrei.
Toco os últimos acordes, e vou reduzindo o som pouco a pouco. Por um momento fica um silêncio no Pub até que de repente começa uma chuva de assobios e aplausos. Olho para baixo e vejo Aline com lágrimas nos olhos olhando para mim batendo palmas. Ela balbucia “Linda” silenciosamente e volta para a mesa.
_ Maravilhosa, canta mais uma. – Anna grita e todo mundo canta com ela. – Mais uma! Mais uma!
Olho para o homem e ele faz um sinal de positivo com as mãos.
Todo o nervosismo já tinha passado, estava me sentindo muito à vontade em cima do palco. Começo a batida familiar e vejo os meninos da minha mesa gritando ao reconhecerem.
Buscando um novo rumo
Que faça sentido
Nesse mundo louco
Com o coração partido eu
Tomo cuidado
Pra que os desequilibrados
Não abalem minha fé
Pra eu enfrentar
Com otimismo essa loucura
Os homens podem falar
Mas os anjos podem voar
Quem é de verdade
Sabe quem é de mentira
Não menospreze o dever
Que a consciência te impõe
Não deixe pra depois
Valorize a vida
Resgate suas forças
E se sinta bem
Rompendo a sombra
Da própria loucura
Cuide de quem
Corre do seu lado
E quem te quer bem
Essa é a coisa mais pura
Logo todo mundo está cantando comigo e vamos juntos até o final da música. Mais uma chuva de aplausos. Vou tirando a alça e quando termino algumas pessoas reclamam.
_ Obrigada galera.
Desço do palco e Anna vem correndo me abraçar.
_Cara, você tava muito foda lá em cima. Você nasceu para isso Nanda. – ela diz enquanto andamos para a mesa. Paramos algumas vezes por causa das pessoas que me parabenizavam.
_Nada, é só um hobbie. Mas confesso que gostei bastante, me julgue. — eu digo e nós duas rimos.
_Olha nossa cantora aí. – diz Jonas se levantando para me dar um abraço. – Parabéns, você estava linda lá em cima.
_Obrigada.
_ É pequena, arrasou. – Disse marcos também me abraçando sendo seguido por Daniel.
– Parabéns Nanda. – ele diz.
Percebo que Aline não está ali, deve estar no banheiro.
_Obrigada, ainda não acredito que fiz isso. Vou ali no banheiro, já volto. – digo e vou saindo de perto.
_ Aline, esta aqui? — pergunto enquanto entro no banheiro, não tenho nenhuma resposta. Saio sem saber onde ela estaria passo o olho por todo o Pub para ver se a achava e continuei na mesma. Olhei pela parede de vidro e vejo um ponto preto em um mar de branco. Vou atrás e vejo Aline sentada na areia, sento ao seu lado e coloco minha mão no espaço entre nós, ela coloca a sua sobre a minha e ficamos assim por alguns instantes até que ela quebra o silêncio.
_ Sabe, aquela música é linda.
_ É sim, e você sabe que ela foi para você em número, gênero e grau.
_ Sei sim. — ela diz e ficamos em silêncio por um tempo. Ela estava um pouco estranha, não sabia o que era.
_ Aline, você já pensou que nós poderíamos... Sei lá, termos um futuro juntas? — pergunto enquanto encarava o mar.
_ Todos os dias. Lembra-se da prova de química? A primeira vez em que realmente conversamos? — Aceno e ela continua. — Então, naquela época, e olho que só faz quase duas semanas, eu me sentia totalmente atraída por você. E de lá pra cá, aconteceram tantas coisas! Descobri que você também se sentia atraída por mim, teve a confusão com Giovanni, o que aconteceu depois da festa, a morte do meu pai, essa viagem. Tudo pelo o qual eu passei, você estava ao meu lado. E à medida que a gente passava mais tempo junto, eu me surpreendia mais e mais com você. E com isso tudo aquela atração que sentia no começo se tornou algo muito maior e mais bonito. Não sei o que eu estou sentindo, mas sei que não é carinho de amiga. Eu sei que você também sente algo por mim, senão nunca teria ido lá na frente e cantado aquela música, e eu não ligo se você não sentir na mesma intensidade que eu sinto. O que importa é que eu sei que não estou sozinha nesse barco.
Eu estava com lágrimas nos olhos.
_ Aline, eu estava quase morrendo de ciúmes ao te ver com o Daniel. Minha vontade era te puxar e te beijar no meio da rua, para mostrar a ele que você é minha. Não consigo pensar em você de outro jeito, eu já não me imagino sem você por perto, sem seus toques e suas piadas. Nunca me senti assim com ninguém. Aline eu estou... — paro e meço minhas próximas palavras. Apaixonada? Talvez, prefiro não arriscar. — Estou gostando muito de você e fico muito feliz em saber que você também está.
Dou um beijo nela e a deito na areia, um casal que passeava pela areia nos olhou e disse algumas palavras de como o amor é lindo. De duas uma, ou eles realmente estavam de boa com a ideia de duas garotas se beijando ou estava muito escuro e eles pensaram que era outra coisa. Espero que seja a primeira.
_ Como vai ser daqui para frente? — ela me pergunta.
_ Não sei, mas vamos deixar isso para depois da viagem. Primeiro temos que tirar o Daniel da sua cola. Você se encarrega dele, enquanto eu dou um jeito em Anna, ou pelo menos vou tentar. — digo e ela ri. Ficamos ali mais um tempo e depois fomos para o restaurante.
_ Onde vocês estavam? — pergunta Daniel.
_ A gente estava lá fora, aqui estava muito abafado. — responde Aline.
_ É também estava achando. Vamos embora então. — diz Anna
_ Que tal irmos para a boate? — disse Jonas.
_ Nos somos menores esqueceu? — digo para ele.
_ Podem até ser, mas não parecem. E para todas as vias, eu conheço o cara da portaria, tá livre.
Então fomos todos para a boate. Chegamos lá relativamente rápido e entramos sem problema algum.
Dançamos, bebemos, zuamos. Perdemos toda e qualquer noção do tempo lá dentro, luzes coloridas passavam e piscavam em todas as direções, tocava de tudo. Arrocha, tecno, eletrônica, internacionais, foi simplesmente maravilhoso. Aline conseguiu evitar Daniel por toda a noite e eu acho que desistiu, foi para outra e ele e Jonas acabaram ficando com um mar de meninas. Anna estava muito ocupada com Marcos para prestar atenção no caso dos dois, e Aline e eu, volta e meia dávamos uns perdidos neles. Todos ficaram trêbados, na volta para casa, até uma simples parede de chapisco virou piada, Anna desabou na cama e apagou. Aline me ajuda ir até meu quarto e a puxo para cama comigo. Caímos em cima de dois corpos que se levantaram em um sobressalto.
_ O que é isso? — diz Guilherme com a voz sonolenta.
_ Guilherme, eu que te pergunto. O que você estava fazendo na MINHA cama com Maíra? — pergunto com a voz arrastada.
_ Ah, você tá bêbada. E parece que você também- Maíra olha para Aline que estava rindo sem razão alguma e percebe seu estado. — Me ajuda a levar elas até o chuveiro Gui.
Eles nos arrastam e colaca a gente de roupa e tudo dentro do box. Um jato de água fria cai por cima de mim e levanto meu rosto na direção da água.
_ Vocês podem começar a explicar. — volto minha cabeça e olho para eles.
_ Não é nada disso que você está pensando, tá. — diz Guilherme batendo na minha testa. Tombo para trás batendo a cabeça na parede e ele corre para me ajudar. — Desculpa. É que Maíra não queria ficar sozinha aqui, então deitei com ela e planejava ficar até ela dormir, mas caí no sono antes. Amor, pega a toalha para as meninas.
_ Amor é? Posso me acostumar com isso. — ela diz e sai.
_ E aí como foi? — Pergunto para ele.
_ Foi perfeito, mas te conto amanhã. Você provavelmente não se lembraria disso amanha.
_ Marcos tá apagado lá embaixo no sofá. — ela disse entregando uma toalha para Guilherme. Ele me ajuda a levantar enquanto Maíra ajuda Aline. — Coloca a Aline sentada no vaso que vou colocar um pijama nela.
_ Quer ajuda? Posso ser muito útil. — ele diz rindo e ela o expulsa do banheiro, mas antes ele me escora na parede. — To esperando aqui fora.
Maíra coloca um pijama nós duas e chama Guilherme para nos levar para cama. Como Marcos é o companheiro de quarto do Guilherme, Maíra vai dormir na cama de Marcos no quarto.
Aline já estava de olhos fechados, deito e passo meus braços pela sua cintura.
_ Boa noite pequena. — digo dando um beijo na sua bochecha. Ela resmunga algo de volta e se aconchega ainda mais em mim.
Durmo logo depois...
Notas finais
As músicas que a Fernanda tocou no karaoke foram:
1º Te Trouxe Esta Canção do Mateus Alves. Não é um artista tão conhecido, mas gosto bastante das músicas dele.
2º Pontes Indestrutíveis do Charlie Brown Jr.
Nos vemos na próxima.
Bye
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