Heart Broken
10 Sunset
Notas iniciais
_ Anda logo!! — o som da buzina ecoou no pátio.
_ Já vai, já vai. — Annabeth entrou no carro com uma enorme quantidade de sacolas. — Não me julgue.
_ Eu não disse nada, ué. — respondeu Percy dando ré no carro, e saindo do estacionamento.
_ Conheço esse olhar. — ela depositou tudo no banco de trás — Além do mais, hoje é o penúltimo dia aqui, preciso levar uma lembrança para cada, por que é isso que se faz em uma viagem. Não invadir a propriedade dos outros, ou colocar fogo em um tapete, ou nadar nu de noite na piscina ou tentar...
_ Certo, pode parar, já entendi, — ele calou-a colocando a mão desocupada na boca dela — assim. Bem melhor.
_ Você tem problemas.
Ela tirou a mão dele de cima de sua boca e empurrou para o lado. Fechou a cara e prestou atenção no local. Estavam passando em frente à uma pequena escola local, em horário de intervalo, onde haviam varias crianças. Elas corriam para todos os lados, gritando, chorando e rindo, tudo ao mesmo tempo, em um misto de sincronia e desordem. Aquilo era o ser humano em sua essência, no auge da felicidade e da pureza. Pegou-se refletindo sobre como seria ter filhos. Na realidade, nunca havia pensado sobre isso, somente trabalho e deveres. Uma voz totalmente vaga interrompeu-a.
_ Nunca terei. — disse Percy de repente
_ O que, um cérebro? — ele ignorou a brincadeira e continuou o desabafo.
_ Filhos. Não posso. — Annabeth iria responder mas ele prosseguiu — Acho que a Thalia já comentou isso com você, com certeza.
_ Comentou o que? — estava mais interessada no assunto do que demonstrou estar.
_ Sobre meu problema, eu não... — ele mesmo se interrompeu — Por que estou te contando isso? Esquece. — ele parou o carro e entregou as chaves para o manobrista.
_ Tudo bem. Me ajuda com as sacolas? — ela perguntou abrindo a porta.
_ Claro. — Percy pegou todas as sacolas e saiu a passos largos, fechando a porta com um estrondo.
Annabeth resolveu não seguí-lo. Pegou o caminho para a areia, ainda quente do sol de tarde. Ficou lá, observando tudo e nada ao mesmo tempo. Ouviu passos aproximando-se dela, mas ignorou. O vento que batia trazia do mar cheiros antigos e saudades que não sentia fazia tempos. Lembrou de seu antigo amigo, Luke, que sempre de noite sentava-se com ela para contarem as estrelas. Não que conseguissem, é claro, mas era a melhor coisa do mundo para se fazer com a melhor pessoa do mundo. Até que ele teve que mudar, com seu pai, para o Afeganistão. As pessoas sempre se afastavam dela, de um jeito ou de outro.
_ Coloquei as sacolas lá dentro. Amanha saímos logo depois do almoço, Ok?
_ Certo... — ele havia se mostrado um bom parceiro de viagem, levando-a para todo tipo de lugar. Ela reclamava mas no fim, tinha gostado bastante. — Você foi um bom acompanhante para Carmel-seu-doente.
_ Já ia pensando que não ia agradecer — respondeu Percy, abrindo um sorriso novamente
_ Mais uma coisa para fazer, Sr. Guia?
_ Acho que uma coisa ficou inacabada, concorda? — respondeu ele se aproximando.
Antes que pudesse perceber, eles já estava bem próximos, tão colados que ela sentiu suas testas encostando, e em um segundo, que parecia durar uma eternidade, ele grudou seus lábios, e manteve. Não teve tempo de saber o sabor, ou distinguir o que estava acontecendo, somente soube que não queria sair dali,lá era o seu lugar. Tão rápido como começou, ele a soltou e seus olhos se encontraram, uma mistura saudável de cinza e verde, como a névoa sobre as folhas de uma árvore. Eles se encararam por um longo tempo ou por um nanosegundo, enquanto as estrelas apareciam cada vez mais.
(...)
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