Headlines
2 Capítulo 01
Notas iniciais
FELICITY SMOAK
Encarei a tela do computador a minha frente, o arquivo aberto ainda estando em branco, parecia zombar de mim. Segurei um suspiro enquanto levava a caneca robusta e cheia de café até meus lábios. A cidade estava um gelo, e se não fosse as grossas paredes, o eficiente aquecedor, e o aconchegante casaco que me envolvia com um abraço cálido, eu provavelmente também estaria. Eu amava dias assim, dias frios como estes eram perfeitos para ficar em casa e abraçar um travesseiro enquanto assistia a reprise de algum reality show bobo. Ou lendo.
Definitivamente lendo.
Ou eu poderia estar apenas dormindo.
Dormir soava como o paraíso.
Na verdade qualquer coisa parecia melhor do que estar com meus tornozelos cruzados em cima da minha mesa de trabalho na redação da Headlines, a revista para qual eu trabalhava e dependia completamente do salário, fazendo absolutamente nada.
Nada.
Eu ia ser demitida.
— Você vai ser demitida. – A voz feminina soou atrás de mim, o tom de zombaria não passando despercebido aos meus ouvidos. Eu sequer me dei o trabalho de me virar para encarar Helena, minha melhor amiga e colega de trabalho. Ela logo contornaria minha mesa e pararia em frente a sua, que ficava colada a minha, dividíamos o mesmo espaço, e era uma boa coisa que a gente se dava bem, ou do contrário isso tudo seria bem mais complicado e estressante. Helena tinha um humor contagiante, na maioria das vezes, mas as vezes suas piadas poderiam ser cruéis, e sua língua muito afiada, por mais que próximas que sejamos, eu nunca escondi que amiga ou não, Helena era uma vadia amarga. Não comigo, é claro.
— Eu sei. – Murmurei vagamente enquanto matinha meu olhar fixo na maldita tela branca. – Eu estou contemplando as opções que eu tenho.
— Opções de quê? – Perguntou parecendo confusa.
— Devo considerar implorar minha vaga de volta no Big Belly... – Murmurei. – Ou compro uma meia arrastão e vou para as ruas? – Ela me encarou com um sorriso divertido.
— Depende. – Falou. – No Big Belly você pode comer muita gordura. Na rua você... Eu não acho que eu precise terminar essa frase. – Piscou.- Escolha a posição que a deixa mais confortável. – Levantei meu olhar para ela, minha boca aberta.
— Isso foi rude. – Acusei. Ela riu sem se preocupar com o que eu disse. – Eu estou falando sério, eu estou muito perto de perder meu emprego, e tudo por que Isabel está obcecada para que eu faça um artigo sobre os Queens, Oliver Queen especificamente. Eu venho enrolando-a, estou cobrindo meu trabalho com fofocas aleatórias, tudo por que apesar de estar virando a sombra de Oliver Queen, eu não tenho nada a dizer sobre ele, exceto sua altura, o número que calça e seu perfume preferido. Eu vou ser demitida, por que aquele homem é mais escorregadio que sabão.
— Defina sombra. – Pediu estreitando os olhos.
— Eu estou indo nos mesmos lugares que ele. – Dei de ombros. – Eu sei o que come todos os dias pela manhã, o que é entediante a propósito, ele poderia variar um pouco no cardápio. – Apontei distraída.- Eu acordo cedo, todos os dias, por que ele é viciado em exercícios, e faz sua corrida matinal antes de tomar o café. – Não acrescentei que houve uma vez, uma única vez, antes do gélido clima invadir a cidade, enquanto o calor ainda nos sufocava, eu tive o prazer de ver Oliver Queen ceder ao calor e tirar sua camisa, quando peguei meu celular e tirei uma foto daquele momento, eu me permitir a usar minha devoção ao trabalho como desculpa. Pisquei percebendo que havia parado de falar. – Sua corrida geralmente é no parque perto da sua casa, que é longe da minha, mas eu estou lá o observando. Ele vai para Queen Consolidated perto das 09:00. Não almoça fora, ele pede comida tailandesa para o almoço, não saí da empresa até 22:00, para em um restaurante italiano, mas não fica, leva a comida consigo. Na verdade as únicas vezes que Oliver saí é para reuniões e eventos. Tirando isso ele poderia até ser chamado de caseiro, exceto pelas 12 horas de trabalho árduo que ele passa trancado em sua empresa. – Ela me encarou surpresa. – O quê?
— Por que Isabel quer fazer uma coluna sobre Oliver Queen? – Sondou. – Ele tem a vida mais entediante que eu já vi. – Eu não podia tirar sua razão. Para mim, que vinha seguindo ele constantemente, Oliver Queen não me parecia nem um pouco interessante, do ponto de vista escândalos. De qualquer outro ponto de vista, eu não poderia afirmar isso. O homem era lindo, possuía uma fortuna, era C.E.O da sua própria empresa e dirigia outros negócios. E tinha o sorriso mais charmoso que eu tinha visto em um homem. — Ele tem uma boate, certo? Por que ele não vai para a própria boate? – Helena me perguntou tirando-me dos meus devaneios.
— É gerenciada pela irmã. – Murmurei passando a mão em meus cabelos tentando organizar a bagunça que eles estavam hoje. Seguir Oliver não estava me dando tempo para cuidar de mim. Quando eu não estava aqui, eu estava em seu calcanhar.
— Você já pensou em uma entrevista? – Sugeriu. Lancei um olhar aborrecido para ela. Eu podia odiar meu trabalho, mas eu sabia como fazê-lo.
— Foi meu primeiro pensamento. – Respondi. – Mas Isabel barrou, disse que ninguém revelava segredos sujos a uma repórter de uma revista de fofocas. O que ela tem razão. – Concordei. – Mas que mesmo assim eu tentei, ao menos para ter uma conversa com ele, sondar um pouco, quem sabe deixar meu instinto me guiar, segredos sujos devem ter cheiro, certo? Mas de acordo com sua assistente, o Sr. Queen não estava disponível para entrevistas de cunho pessoal. – Dei de ombros.
— Ligue para lá. – Sugeriu parecendo aborrecida. – Diga que você trabalha para uma revista nova, invente um nome. Diga que está interessada em avaliar de onde vem o sucesso da QC e como o seu CEO pode aconselhar jovens empresários, quais as dicas para quem quer se envolver no mercado financeiro... – Ergueu as mãos. – Eu sei lá, essas baboseiras.
— Eu fiz isso. – Falei saindo da minha posição confortável e abrindo uma gaveta, de lá tirei uma apostila e joguei para ela, colada a ela havia uma nota. – Sr. Queen me enviou.
— “Espero que isso seja o suficiente para esclarecer suas dúvidas. Atenciosamente, Oliver Queen. CEO da Queen Consolidated...” – Helena parou e começou a rir. – O homem te mandou um manual para novos empresários!!
— Se foi realmente ele. – Apontei. – Uma nota digitada, sequer foi assinada por ele.
— Pelo menos há um telefone no final. – Retrucou. – E e-mail.
— Eu sei. – Sorri com falsa empolgação. – Eu só tive que ligar 5 vezes até ser encaminhada para sua assistente pessoal, e ela nada gentilmente me dizer que em breve teria que tomar medidas de segurança. Eu tentei seu e-mail, mesmo imaginando que antes passaria por ela, mas tudo o que recebi foi uma mensagem automática dizendo que o e-mail havia sido recebido e assim que possível respondido.
— Por que você não se aproximou dele? – Questionou-me. – Você tem seguido ele, corrido no mesmo parque que ele e tomando café da manhã com o homem.
— Em mesas separadas, escondida atrás de um jornal. – Lembrei.
— Meu ponto é: Você poderia tê-lo abordado, jogado seu cabelo para trás e envolvido o homem em uma conversa. – Continuou parando apenas para ligar seu computador. – Paquerado um pouco, Felicity. Você é loira, eu nem quero falar do seu corpo, você tem as ferramentas para fazer esse homem contar segredos que ele mesmo não sabia que existiam, na cama.
— Helena. – Murmurei incrédula.
— Você deveria transar com ele. – Continuou ignorando meu ultraje.
— Helena! – Protestei novamente.
—Eu só estou dizendo que talvez você deva aplicar um pouco mais de paixão em sua busca. – Falou. – Olhe para mim, eu sou completamente dedicada ao meu trabalho, e dou duro para que minhas colunas estejam sempre no nível excelente. Não aceito nada menos do que isso. Eu me dedico.
— Sua coluna é sobre sexo. – A lembrei.
— E eu sou uma apaixonada pelo tema. – Sorriu.
— Eu não posso me aproximar dele. – Argumentei. – Se ele achar que sou uma Stalker, ele realmente vai tomar aquelas medidas de segurança.
— Você é uma stalker. – Retrucou. – O que é ridículo, os segredos de Oliver Queen não vão cair em seu colo. O segredo de ninguém.
— Eu não acho que ele tenha segredos. – Falei em meio a um suspiro. – Eu não sei por que Isabel tem tanta certeza que há, quero dizer, se ela sabe de algo, ela mesma deveria fazer essa coluna.
— Talvez ele seja gay. – Brincou.
— Eu duvido. –Falei rapidamente.
— Por quê? – Perguntou. – É possível.
— Pela mesma razão pela qual eu não posso transar com ele. – Sorri. – Ele é casado. – A lembrei.
— Como se estar casado fosse atestado de hétero. – Riu. – E se vamos falar sobre ele ter uma esposa... – Levantou-se e deu a volta, parando atrás de mim.
— O que você está fazendo? – Perguntei quando ela alcançou o mouse e passou a abrir pastas.
— Quero ver as fotos da inauguração do novo hospital infantil. – Explicou. – Os Queens estiveram lá.
— E? – Murmurei sem saber até onde ela queria ir. Deixei meu olhar vagar para as fotos que passava rapidamente. Ela finalmente parou em uma foto que mostrava a família Queen reunida.
— Olhe para isso. – Apontou com o mouse onde Oliver e sua esposa Laurel estavam. – Olhe esses sorrisos.
— Eu diria que a família Queen tem um ótimo dentista. – Murmurei incerta de onde ela queria chegar.
— São falsos. – Falou. – Cavalos sorrindo me convence mais do que esses sorrisos forçados, e mais... – Murmurou passando as fotos novamente. – Veja essas outras fotos, eles sequer olham na direção um do outro, quando estão por perto nada de sorrisos, e ela, bem, pela cara dela, eu poderia dizer que há um bom tempo ela não transa com o próprio marido.
— Você não pode dizer isso com tanta certeza. – Falei a observando voltar para sua mesa.
— Sim, eu posso. – Murmurou convencida. – Eu sou excelente no que faço, e eu escrevo sobre sexo. Essa mulher não sabe o que é isso, não mais.
— E isso lhe diz que ele é gay? – Murmurei incrédula.
— Isso me diz que ele deve estar transando por aí com outras. – Deu de ombros. – Pelo menos, talvez a tal assistente, ou ele realmente pode ser gay.
— Eu venho seguindo esse homem por um bom tempo. – Frisei. – Eu não vi nada que indicasse que ele traísse a esposa.
— Ou que ele seja gay? – Perguntou, um sorriso em seu rosto deixando-me saber que a hipótese a divertia.
— Quem é gay? – A perguntava veio de Caitlin que passou por trás de mim, sua mesa ao lado da minha, separadas por poucos passos.
— Oliver Queen. – Helena falou antes que eu pudesse abrir a boca e dizer “ninguém”. A fuzilei com o olhar. – Quem diria? – Caitlin nos encarou incrédula.
— Aquele homem é gay? – Murmurou ainda em meio ao choque. – Oliver Queen, precisamente esse Oliver, é gay? – Seu olhar mostrava decepção. – Eu não posso acreditar.
— Não é? – Helena murmurou com um sorriso.
— Ok. Pare! – Exigi. Voltei meu olhar para Caitlin. – Ele não é gay.
— Não há como você saber. – Helena murmurou, eu sabia que seu desejo era me provocar. – Só há um meio de ter certeza, você precisa transar com ele.
— Ele não é casado? – Caitlin interveio.
— Estão se divorciando. – Helena respondeu. A encarei incrédula.
— Helena! – A chamei irritada por ela estar inventando tudo isso. Dirigi meu olhar de volta a Cailtin que agora nos encarava confusa, sem saber se falava sério ou não. – Eles não estão se divorciando. Você quer parar de fazer isso? – Perguntei de volta a Helena.
— Você sabe o que eu fiz aqui? – Helena murmurou séria. – Seu trabalho. Pare de seguir o homem, rumores começam assim, nem sempre segredos sujos realmente são verdadeiros, dê algo para o povo ler e comentar, eles vão decidir se acreditam ou não. Eles vão tomar partido e comentar, e vão comprar as revistas para lerem por si mesmos e avaliarem se o que estamos falando é real. E então uma nova edição chegará e tudo o que foi dito na anterior será esquecido. Você precisa desse emprego, você tem suas dívidas, e tendo em conta que Oliver Queen é rico e você não, você não pode ficar arcando com contas dos mesmos restaurantes que o homem frequenta.
— Eu costumo pedir uma água. – Confessei assentindo.
— Faça a matéria. – Caitlin murmurou me surpreendendo. Eu pensava que ela havia voltado sua atenção para seu próprio computador, mas ela havia se aproximado e parado ao meu lado. – Helena está certa, ninguém vai ligar depois.
— Eu posso ser processada, por cdifamação. – Dei de ombros. – Ou algo do tipo, eu não sei.
— Se fosse verdadeira você poderia ser processada de qualquer jeito. — Murmurou. – E não será você, sim a revista, e Isabel está acostumada com isso, ninguém liga. Garanta seu salário este mês. Faça a matéria. Não haverá nenhum problema, eu lhe garanto. – Falou voltando para sua mesa. Assenti vagamente enquanto considerava o que ela havia dito.
Será?
Oliver Queen gay?
Ou Oliver Queen pede o divórcio?
Sorri diante a ideia que vinha a minha mente. “Queens abalados, após descobrir marido gay, Laurel Queen pede divórcio.”
OLIVER QUEEN
Virei o jornal e deixei meus olhos caírem em uma notícia aleatória qualquer, meu cérebro mal absorvendo as palavras. Para ser sincero no momento eu estava modo automático, eu bebericava meu café, enquanto uma vez ou outra olhava para o relógio, cogitando que talvez fosse o objeto e não a pessoa que estivesse atrasada.
— Desculpe. – Tommy murmurou deixando-se cair na cadeira a minha frente. Exalei com sua chegada. – Obrigado por ter me encontrado aqui. – Falou apressadamente. Então olhou ao redor analisando o local. – Eu não imaginei que fosse aqui que você passasse o começo de suas manhãs. – Comentou olhando o cardápio. – Parece legal.
— É. – Assenti concentrando minha atenção nele. – Por que você precisava me encontrar agora? – Perguntei indo direto ao assunto. Ele respirou fundo, segurando os braços da cadeira confortável, mas parecendo estar tenso. Franzi o cenho diante sua reação. Tommy parecia estar em meio a um ataque de pânico. – Tommy?
— Eu preciso de ajuda. – Confessou. – Eu estou com problemas, à verdade é que eu não preciso de uma ajuda qualquer, eu preciso da sua ajuda. – Frisou.
— O que houve? – Perguntei preocupado. – Como exatamente você precisa da minha ajuda?
— Eu fiz besteira Ollie. – Murmurou pesaroso. – Eu fiz uma grande besteira.
— Tommy, você está me assustando. – Confessei deixando o jornal de lado.
— Eu estou assustado. – Falou rapidamente. – Eu não sei o que fiz. Nós estávamos brigando e de repente as palavras vieram a minha boca, e eu não consegui interrompe-las, e pronto, eu fiz besteira.
— Você precisa ser mais específico que isso. – Falei perdendo minha paciência. – Eu vou perguntar apenas mais uma vez. Do que você precisa?
— Você sabe como cancelar um pedido de casamento? – Perguntou por fim.
— Eu pareço alguém que sabe cancelar um pedido de casamento? – Perguntei o encarando. Logo o porquê dele estar fazendo tal pergunta chegou a minha cabeça. – Tommy quem você pediu em casamento?
— Quem mais? – Perguntou indignado. – Minha namorada é claro, Sara.
— Eu só não entendo por que você está assustado com isso. – Falei impaciente. – Você a ama, estão namorando há três anos e é o curso natural das coisas, você entrando em pânico me fez pensar que havia feito besteira, como a traído. – Murmurei, o encarei sério para então voltar meu olhar ao redor. Então percebendo o que eu havia acabado de dizer girei meu rosto de volto. – Você não a traiu, certo? – Tommy me lançou um olhar de repreensão.
— É claro que não. – Murmurou cerrando os dentes.
— Eu tinha que perguntar. – Tentei relaxar na cadeira, meu olhar voltando a desviar do seu. Isso o irritou.
— Ok. Se você vai me ignorar, faço o favor de me dizer a razão. – Exigiu.
— Eu não estou o ignorando. – Neguei prontamente.
— Você já olhou em volta duas vezes, três agora. – Falou chamando minha atenção. /eu sequer havia percebido estar sendo tão óbvio. – E tenho certeza que fica checando o relógio, por quê? Se tinha algo para fazer, por que você não me disse que não podia me encontrar ao final?
— Por que eu tenho a impressão que você foi quem começou a briga? – Murmurei franzindo o cenho.
— Cala a boca. – Retrucou.
— Tem certeza que não foi Sara que o pediu em casamento? – Continuei.
— Ollie...
— Quem fica por cima...
— Vá para o inferno. – Explodiu se erguendo, soltei uma risada ao mesmo tempo em que o segurava impedindo de ir.
— Sente-se homem. – Falei o guiando de volta para sua mesa. – Eu estava apenas brincando.
— Você não é engraçado. – Falou. – Eu estou falando sério Ollie, eu fiz besteira e preciso de ajuda.
— Desculpe. – Pedi erguendo uma mão. Ele se acalmou. – Eu não estava o ignorando, eu estava olhando ao redor por que nos últimos dias, nas últimas semanas na verdade, uma repórter vem me seguindo.
— Heim?
— É bem divertido na verdade. – Sorri me lembrando da primeira vez que percebi sua presença, eu tinha certeza que foi quando ela começou aquilo tudo. Ela não sabe ser discreta, fico imaginando se ela sabia quão mal estava fazendo seu trabalho. – Ela é bem óbvia, mas dedicada, nunca faltou um dia, até hoje.
— Ela é bonita? – Tommy perguntou interessado.
— Você está noivo. – O lembrei.
— E você casado, e ainda assim está sorrindo enquanto fala nela. – Deu de ombros. – Então, ela é bonita?
— Eu suponho que sim. – Falei abrindo meu jornal novamente, sem, no entanto ler nenhuma palavra que estava nele. – Não reparei realmente nisso.
— Se fosse qualquer outro repórter você já teria chamado um segurança, ou pedido você mesmo para que se afastasse. – Tommy observou. – Esse seu “eu suponho” não está me convencendo.
— Tommy eu teria tomado alguma providência se ela tivesse feito algo mais do que me encarar através da mesa. – Falei sincero. – Eu pensei a princípio que era o típico interesse feminino. Não seria a primeira vez que uma mulher me abordava em meio ao café da manhã, mesmo estando casado, talvez algumas gostam exatamente disto, mas ela nunca fez nada a respeito, e não era apenas aqui, eu a vi rondando no café perto da QC, e até mesmo a vi no saguão da empresa, ela tenta ocultar o rosto, mas eu sei que é ela. E tem o fato de uma repórter chamada Felicity Smoak ter insistido bastante em uma entrevista comigo.
— Se ela entrou em contato, por que você não cedeu e deu uma entrevista? – Perguntou estranhando. – Algumas respostas vagas e pronto. Assunto resolvido.
— Eu sei. – Assenti concordando. – Mas onde estaria à diversão nisso? Após cansar de insistir ela entrou em contato com outro nome, dizendo fazer parte de outro tipo de revista, pedia conselhos em administração de empresas. – Tornei a sorrir diante a lembrança.
— O que você fez?- Perguntou com um sorriso, uma leve suspeita vindo a sua cabeça. Ele sabia que eu tinha feito algo.
— Mandei a ela um manual para jovens empresários. – Tommy soltou uma gargalhada em reação isso. – Digitei a nota e não assinei, para fazê-la questionar se havia sido mandado diretamente por mim ou não.
— Você não vai ceder? – Perguntou com curiosidade. – Sequer para saber o que ela quer saber exatamente?
— Eu vou. – Assenti. – Depois de fazê-la correr um pouco mais atrás. Pedi a minha secretária para me alertar sobre qualquer nova tentativa de entrevista feita pela Srtª Smoak, ou alguém que parecesse ser ela. Mas ela não tentou mais agendar entrevistas, e continua sem fazer nenhuma abordagem, parece até que não está realmente interessada em fazer isso. – Observei. Eu mesmo não poderia ignorar o tom de decepção que escapou em minha voz.
— Como ela é? – Tornou a perguntar.
— Tommy. – O repreendi. Eu não queria entrar nisso com ele. Eu sabia que ele jamais me deixaria em paz se eu lhe desse a resposta que queria, a verdade. Que Felicity Smoak era de fato uma mulher linda e impressionante. Ao menos antes de se esconder atrás de um jornal. – Como você disse, eu sou um homem casado, meus olhos não pegam esse tipo de coisa, não mais.
— Não me venha com essa besteira de sou um cara casado. – Recriminou-me. – Eu sei que seu casamento está uma merda e que se você não traiu Laurel ainda foi por consideração a esse casamento ridículo, consideração mais do que ela merece.
— É uma boa coisa que a repórter não estar por aqui. – Murmurei encarando ao redor novamente. – Eu não vou discutir meu casamento aqui com você Tommy, não em um lugar tão público e não com você estando noivo da irmã da minha esposa.
— Oh merda, eu estou noivo. – Falou afundando sua cabeça na mesa com desespero. – Você precisa me ajudar Ollie.
— Vocês precisam conversar. – Falei me concentrando nos problemas do meu amigo agora. Já que minha companheira de rotina não havia vindo, eu devia pelo menos tentar ser um bom amigo. – Diga a ela que se precipitou, mas que isso não significa que não a ame.
— Ela vai me odiar. – Falou erguendo a cabeça. – Eu não posso retirar um pedido de casamento e esperar que ela continue comigo. Ela vai dizer que me odeia, que eu sou um cafajeste e desejar minha morte.
— Não vai ser assim. – Neguei.
— É claro que vai. – Retrucou.
— Não. Ela vai encomendar sua morte. – Falei ganhando um olhar fulminante.
— Por que você é um CEO de uma multinacional quando poderia estar no circo? – Resmungou.
— Eu estou falando sério, as coisas vão ficar complicadas, mas você precisa ser sincero. – Murmurei com seriedade. – Tome esse conselho de alguém cujo casamento nunca devia ter acontecido. Não case por que acha que deve, se vocês estavam brigando há uma razão por trás disso, casamento não vai salvar seu relacionamento, talvez o torne pior. Você pode levar tudo adiante agora, ela estará feliz e você também, por que é o que você quer, que ela seja feliz, mas não muito mais a frente tudo voltará, e você estará preso em um casamento cujo o único objetivo é fazer da sua vida um inferno.
— Nossa. – Murmurou surpreso. – Eu não sabia que as coisas estavam tão ruins assim.
— Piores. Você não tem ideia do quanto. – Falei soltando um suspiro.
— Fale comigo. – Pediu. – Eu sou seu melhor amigo, e fui seu padrinho. Você pode falar comigo.
— Obrigado, mas por hora é melhor manter as coisas para mim. – Falei sincero.
— Bem, então sugiro que se distraía um pouco. Se o casamento está tão ruim assim, pegue a repórter gostosa, um pouco de sexo e então cada um vai para o seu lado. – Falou encostando-se confortavelmente a cadeira.
— O lado dela no caso seria uma redação. – O lembrei. – Ela é uma repórter Tommy. – O lembrei.
— Eu sei, eu só queria saber se ela era gostosa. – Sorriu.
— Você é um idiota. – O acusei.
— E você está atraído por uma mulher que está esperando o momento perfeito para jogar toda sua vida para o público. – Deu de ombros. – Defina idiota, em meu dicionário há uma foto a sua ao lado.
— Eu não estou atraído por ela. – Neguei.
— Ela chamou sua atenção Oliver. – Falou. – Desde o primeiro dia.
— Eu não falei isso. – Murmurei franzindo o cenho. – Falei?
— Acabou de me contar. – Sorriu feliz consigo mesmo.
— Idiota. – Murmurei apesar de mesmo enquanto recebia um olhar brincalhão seu, meus pensamentos estavam na repórter ausente.
Por que ela não veio?
FELICITY SMOAK
Arrastei meus pés pelo piso de madeira, e puxei minha cadeira enquanto colocava meu café em cima da minha mesa, eu estava um caco. Havia passado a noite fazendo o artigo e enviado ainda pela madrugada para a Evil Queen, eu mal havia dormido após isso, considerando se ela realmente iria aceitar minha pequena mentirinha ou se eu já deveria juntar minhas coisas.
— Você está um lixo. – Virei meu rosto em direção a Helena que entrava parecendo vir direto de uma boate.
— Você parece um lixo. – Retruquei. – O que você estava fazendo?
— Pesquisa de campo. — Sorriu abertamente. — E você?
— O artigo, quando eu deveria estar imprimindo currículos. – Murmurei bebericando meu café. Recolhi minha perna e abracei meu joelho. – Você acha que eu vou ser despedida?
— Bem, eu te amo Felicity. E minha casa sempre vai ter um sofá para você. – Helena murmurou séria. – Mas você precisa admitir, ganha quem presta serviço, e eu sei que você só aceitou essa vaga em fofocas por que era a única disponível, mas você está muito resistente em fazer seu trabalho.
— Meu trabalho pode ferir pessoas. – Murmurei.
— Mas paga as contas. – Deu de ombros. – E pare de soar como se fosse uma matadora de aluguel ou algo do tipo.
— Você está certa, eu só...
—Smoak! –Estremeci ao escutar o chamado feito em forma de grito por minha chefe. Eu realmente havia a irritado se tinha conseguido fazer a rainha do gelo chegar ao ponto de gritar. – Em minha sala, AGORA! – Falou passando direto para sua sala. Encarei Helena que por sua vez me encarou com receio.
— Provavelmente vou precisar daquele sofá. – Falei antes de me erguer.
— Qualquer coisa fure os olhos e saia correndo, ninguém se recupera fácil disso. – Falou as minhas costas.
Pelo amor de Deus, os conselhos que Helena me dá.
Os olhos no caso eram de Isabel ou os meus?
Eu não acredito que estava cogitando isso.
Seriamente.
Respirei fundo ao parar em frente a porta agora fechada do escritório da minha chefe. Eu sabia que não ia muito longe, mas eu esperava que ela não tivesse lido tão rápido assim esse maldito artigo, afinal eu o enviei de madrugada, ela não tem vida? Ela não dorme. Seria Isabel Rochev realmente um robô?
— Por quanto tempo você ficará parada em frente minha porta? – Escutei sua voz soar através da porta e após fechar meus olhos brevemente, finalmente a abri e enquanto forçava um sorriso.
— Bom dia, chefe! – Murmurei entrando.
— Poupe-me disso, apenas minha assistente tem direito a essa falsidade, e apenas unicamente por que esse sorriso falso vem acompanhado com melhor café dessa maldita cidade. – Falou direta. Lá se foi meu sorriso, apenas parei em frente a sua mesa e esperei sua sentença. – O que? Está esperando um convite para se sentar? Você realmente não tem um pingo de coragem e iniciativa nesse seu corpo, Felicity?
— Srtª Rochev...
— Isabel. – Interferiu. -Você e eu vamos nos tratar pelo primeiro nome a partir de agora. – O que diabos isso significava?
— Desculpe? – Murmurei confusa.
— Sente-se, agora. – Exigiu em tom cortante. – Felicity. – Concluiu dando óbvia ênfase em meu nome.
— Isabel? – Murmurei.
— Primeiro de tudo, me fale sobre isso. – Falou jogando meu artigo impresso em cima de sua mesa. O título voltando a chamar minha atenção “Queens abalados, após descobrir marido gay, Laurel Queen pede divórcio.” Eu devia ter pensando em algo melhor. – Você realmente é estúpida ao ponto de imaginar que eu aceitaria publicar uma notícia tão obviamente falsa?
— Eu...
— Cala a boca. – Sentou-se. – Eu gostei do fato de você ter ao menos tentado algo, mas isso, me mostra que ou você é o pior tipo de loira que deu origem a todo tipo de piada machista contra nós mulheres, ou esse é algum tipo de protesto. – Ela me encarou longamente, seu olhar me deixando ainda mais nervosa. — Então?
— Eu posso falar agora? – Questionei incerta. Isabel suspirou e revirou os olhos em resposta.
— Você realmente é o tipo de loira. – Meneou a cabeça. – Se é assim, eu vou trata-la dessa maneira, eu realmente considerei despedi-la. – Confessou. Com medo de dizer qualquer coisa que apenas me rotulasse de mais uma maneira humilhante apenas assenti. – Na verdade, vê-la sentada em frente a minha mesa acenando com uma idiota faz com que eu queira ainda mais, mas sua amiga Helena é inteligente, mais do que você obviamente é, ela lhe deu uma ideia outro dia, ideia essa que você foi insensata ao ponto de apenas ignora-la. Você tem seguido Oliver Queen, inútil, você pode fazer melhor do que isso...
— Eu sei...
—Cale a boca. – Repetiu. – Se você é esse tipo de loira estúpida que serve apenas para alimentar as fantasias sexuais dos homens, eu vou usa-la dessa forma.
— Como é que é? – Perguntei o sentimento de ultraje duelando com o choque.
— Você não vai mais apenas ficar olhando Oliver Queen de longe. – Falou encostando-se contra seu assento. – Você vai seduzi-lo. Honestamente, essa a técnica mais antiga e eficaz, e você simplesmente é tola ao ponto de não tentar?
— Por que eu tenho princípios, o que obviamente você não tem. – Murmurei ácida. Ela me encarou surpresa, esse deveria ser o momento em que eu devia pedir desculpas, mas eu não fiz, cansada de toda aquela humilhação optei por me erguer. – Eu me demito.
— Você se demite? – Questionou incrédula. – Eu estou lhe dando a chance de manter seu emprego, sua fonte de renda, e você se demite.
— Sim, eu me demito. – Repeti. – Primeiro de tudo por que eu tenho sim inciativa, segundo: Por que eu formei com mérito, sendo não uma das melhores, mas a melhor da turma, e quando eu me formei eu pensei em um momento utópico que encontraria um emprego que iria valorizar isso, mas não, eu encontrei um emprego medíocre que exige que eu seja igualmente medíocre, e aparentemente em vez de trabalhar para uma revista agora eu trabalho para um bordel, e em terceiro: Se realmente é do seu interesse, eu pinto o cabelo.
— Eu não...
— E embora eu geralmente tenha educação o suficiente para deixar as pessoas terminarem uma frase antes de presumir e julgar o que elas iam dizer, eu não sou obrigada mais a ficar lhe escutando, por que apesar de estar soando repetitiva... Eu me demito. – Sorri para ela. – Isabel. – A observei me encarar atônita e lhe dei as costas. Eu sentia uma emoção forte passar por mim, era bom colocar Isabel Rochev em seu lugar, e deixa-la muda era algo de que eu nunca tinha imaginado fazer antes, e que jamais esqueceria, podia soar absurdo, mas eu conseguia escutar uma trilha sonora em meus ouvidos, e imaginar confetes sendo jogados a cada passo que eu dava e me aproximava da porta, é claro que essa sensação seria substituída por desespero tão logo eu cruzasse a maldita porta.
— Pare aí mesmo. – Exigiu.
— Você não pode mais mandar em mim. – A lembrei sem me virar. Não me permitindo a ceder ao tal desespero até ter que implorar pelo sofá de Helena.
— Ele te notou. – Falou fazendo com eu quase errasse um passo e por pouco estragando minha grande saída. Parei de imediato.
— O quê? – Questionei me virando para encara-la. Ela voltou a se encostar em sua cadeira, confortável o suficiente por ter sido capaz de chamar minha atenção, feliz por ter arrancado o poder de voltar. – O que você disse?
— Oliver Queen, ele te notou. – Repetiu. – Talvez por que eu mandei seu artigo.
— O quê?!!! – Praticamente gritei.
— Não na revista. – Esclareceu. – Mas é a postagem principal em nosso site.
— Você disse que não havia acreditado. – Argumentei.
— E eu não acreditei, algumas pessoas espertas não acreditarão. – Continuou se erguendo. – E uma grande massa de nossos leitores, os estúpidos que são facilmente influenciáveis, vão entrar de luto com a menor possibilidade de que seja verdade. – Deu de ombros.
— O que aconteceu com “Você realmente achou que eu publicaria tamanha estupidez e blá blá blá. – Perguntei sem humor.
— Essas não foram às palavras que usei. – Apontou.
— O sentido ainda é o mesmo. – Retruquei sem paciência. – Não importa. – Murmurei voltando a me afastar. – Eu já me demiti. – Era muito tarde para uma segunda saída triunfal, mas por hora eu ainda tinha minha dignidade.
— Ele quer se encontrar com você. – Falou voltando a me interromper.
— Sim. – Assenti a encarando. – Provavelmente em um beco escuro, em que possa me matar, e jogar meu corpo em algum rio fedido.
— Ele é um C.E.O. – Repreendeu-me. – Não o chefe da máfia.
— Ele poderia. – Dei de ombros. – C.E.Os sempre estão envolvidos nessas coisas.
— De acordo com o quê? – Perguntou parecendo genuinamente curiosa.
— Com todos os livros que já li com esse tema, que foram muitos, e certamente são confiáveis. – Isabel revirou os olhos diante minha resposta, em um outro dia qualquer eu jamais estaria falando de forma tão informal com minha chefe, mas eu havia me demitido e ela havia meio que me esfaqueado pelas costas, eu não me importava se fui eu que escrevi e mandei o artigo por e-mail, por que ela estava certa, eu nunca achei que ela realmente o usaria. Isabel cruzou os braços, como se esperasse algo de mim. Segurei um suspiro e então assenti cedendo. – Ok, não pensei que fosse publicar nada, eu estava pronta para ser demitida, e sabia que no mínimo você me mandaria recomeçar, então eu meio que estava comprando algum tempo.
— Seu trabalho não vale nada para você? – Perguntou-me com desgosto.
— É claro que vale. – Valia, e usava cada centavo daquele valor quase com lágrimas nos olhos ao pagar minhas dividas.
— Você é uma repórter. – Declarou. – Você queria estar na TV, fazendo grande parte de um jornal famoso? – Sorriu. É claro que soaria como uma piada para Isabel Rochev. A pobre e ingênua Felicity Smoak, desejando ser mais do que o mundo havia lhe dito para ser. — Cobrindo a verdade e levando notícias seguras para o telespectador? Cresça Felicity, a mídia nunca é imparcial, não realmente, maioria das vezes somos manipulados, ou manipulamos, por que sempre há alguém acima de nós. – Advertiu. – Isso... – Apontou para sua sala. – Eu conquistei, eu mando na minha revista, e eu crio a verdade, e o que você fez ontem, foi pelo menos pela primeira vez, um passo na direção certa para que você também possa alcançar o êxito. Eu só queria que você não tivesse exagerado tanto.
— Não é...
— O certo? Legal? – Inclinou a cabeça. – Eu realmente preciso ensinar esse tipo de coisa para você? – Riu. – Olhe, você conseguiu uma chance com Oliver Queen, e apenas por isso não a estou demitindo, hesite em fazer seu trabalho novamente e eu sequer lhe darei a chance de se explicar, tudo o que você precisa está em cima de sua mesa, eu não vou mais segurar sua mão. Saia daqui e decida-se, você quer um emprego ou está na hora de mudar de profissão?
Abri minha boca sem saber realmente o que ia dizer, e tornei a fecha-la, percebendo que realmente não havia o que dizer. Ela estava certa, e isso por si só me irritava. Seu sorriso quando percebeu o que se passava em minha mente, me irritou ainda mais. Mais um pouco eu não teria que me preocupar em criar notícias, eu seria uma. “Repórter de fofocas cede a pressão e mata sua chefe. Colegas afirmam que se assustaram após ouvir gritos e se depararem com a visão de sua ex-chefe sem os olhos.”
Abandonei os pensamentos sombrios e fixei minha atenção novamente em Isabel, que felizmente ainda tinha seus olhos para me fuzilar.
— Ele pediu para eu entrar em contato com ele? – Perguntei por fim.
— A secretária dele ligou em sua busca. – Explicou, fiz uma careta ao ouvir isso. – Isso é bom Felicity, foi a secretária e não seus advogados.
— Plural?
— Você o estava seguindo, eu acho que já sabe com quem estava se metendo. – Deu de ombros.
— E se ele tentar me processar? – Ponderei.
— Nós temos bons advogados também. – Deu de ombros. – E há sempre a liberdade de imprensa, fora isso, se ele te pressiona o público pode encarar como você estando certa, isso não seria bom para ele. Não se preocupe, Oliver Queen é um jogador, dos bons. Ele sabe qual o próximo movimento a ser feito nesse tabuleiro.
— Eu nunca joguei xadrez. – Deixei escapar.
— Bem, está mais do que na hora de aprender. – Retrucou.
Deixando essa frase em minha mente, ela sinalizou indicando que eu já podia ir. Helena e Caitlin estavam juntas, aguardando por notícias, apenas balancei a cabeça em negativa, respondendo sua pergunta silenciosa que eu sabia ser sobre uma possível demissão. Com isso cada uma caminhou para suas próprias mesas, e eu as imitei, parando em frente a minha, encarando o envelope grande e branco.
Isabel havia dito que tudo o que eu precisava estava em minha mesa, provavelmente era disso que ela falava. Com um suspiro eu abri o envelope e deixei o conteúdo cair sobre a mesa. O convite pardo deslizou suavemente assim como uma nota escrita a mão, mas sem dúvida alguma o que mais me chamou atenção foi o papel grande, com o título em negrito informando-me que o maldito havia impresso a publicação, ignorando a matéria que eu bem conhecia cada frase ali escrita, peguei a nota.
Admirei a letra, pegando um pouco no estereótipo, eu precisava admitir que não esperava uma letra tão caprichada, não para um homem.
“Cara strª Smoak,
Quero que saiba que não me sinto ofendido por sua publicação, o que me deixa irritado talvez, é não ter tido a oportunidade de ter uma conversa franca com você, antes que chegasse a conclusões tão precipitadas sobre minha sexualidade. Espero poder mudar isso no baile que minha família estará promovendo dentro de um mês. Foi bom ter sua companhia nos cafés da manhã stª Smoak, mas acho que já estou pronto para irmos direto ao jantar. Mando o convite formal, e espero encontra-la em breve.
Respeitosamente,
Ainda hétero e casado, Oliver Queen.”
Reli a nota tentando buscar em alguma frase, algo que me indicasse se eu estava indo ou não ser morta e jogada no rio, mas tudo parecia cortês, e implicava até leveza no tom escrito. Oliver Queen na verdade invés de irritado parecia divertido com o que aconteceu.
Mas o que me preocupava no momento sequer era ele, se eu estava indo a uma festa da sua família, eu obviamente estaria encontrando sua esposa, e eu podia apostar meu braço que Laurel Lance-Queen não havia achado nem um pouco divertida minha matéria. Sim, eu com toda certeza devia pesquisar um pouco mais a possível associação ou não dos Queen, com alguma máfia.
Meneando minha cabeça e sentindo-me cada vez mais encurralada forcei-me a pensar no que Isabel disse. A questão agora sem dúvida nenhuma era se eu devia ir para essa festa, ou quem sabe fazer meu caminho até o RH.
Droga, Smoak.
Eu acho que era hora de ir atrás de um vestido.
Talvez vermelho.
De que outra forma eu poderia enfrentar Oliver Queen?
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