He or She?
1 Prólogo: Eu desejo...
Notas iniciais
Boa leitura.
Gostava de sentar no meio da sala, achava que poderia olhar perfeitamente para o professor enquanto ele falava já que sentia que era a única naquele lugar que realmente assistia alguma aula, os outros, bem eu tinha quase certeza de que eles tinham coisas mais interessantes para fazer do que pensar em seu futuro. Também gostava de evitar olhares das pessoas que ficavam atrás da sala. Ao invés do que muitos pensam os solitários não ficam no fundo da classe, eles ficam no meio só pra evitar o fundo da sala, lá que era realmente ruim. Suspirei vendo a maioria dos alunos entrarem em gangue. As patricinhas, os populares, os jogadores, os medianos, os burros, inteligentes e qualquer um que tivesse amigo.
Encostei minhas costas na parte de traz da cadeira vendo que fora os grupos que haviam entrado entrou também o garoto estrangeiro. Todos comentavam sobre ele, sabiam pouco dele, mas sabiam que ele era bonito demais para não fazer parte dos populares. Bom, ele tinha amigos ali, uns três ou quatro, mas ele tinha e parecia estar feliz com aquele número de pessoas ao seu redor já que eles andavam sempre juntos, mas naquele dia ele veio sozinho para a sala, estranhei, mas parei de olhar antes que alguém alarmasse que eu estava dando em cima do garoto novato. Contudo, não consegui ficar dois segundos sem olhá-lo novamente. Sim, ele era bonito! Bonito até demais. As meninas primeiramente repararam nele por não ser do nosso país depois notaram a beleza sutil de traços marcados dele. Suspirei vendo algumas meninas já sorrirem animadas pra ele e ele apenas retribuir sem problema algum. Se fosse comigo qualquer sorriso que direcionasse a ele boatos me chamando de desesperada por homens se espalharia na escola, Por isso, resolvi manter minha vontade de tê-lo como amigo reprimida, conseguia esconder o que sentia muito bem.
Maddie: Ei Stewart... – Escutei uma voz feminina chamando meu nome, rezei para que não fosse nenhuma das descartáveis da sala. Sim, eu chamava as patricinhas/populares de descartáveis. Elas eram usadas até serem descartadas era um ciclo vicioso e elas não se importavam com isso, por isso eu não acharia um apelido melhor do que aquele. Olhei para o lado vendo Maddie com seu cabelo vermelho até a cintura sentar na cadeira vaga na minha frente.
Estella: Maddie? – Falei um tanto quanto chocada. Era novo ser chamada pelo meu sobrenome por algumas delas. – O que foi?
Maddie: Você é prima do Mark Stewart do terceiro ano, não é? – Sorri quando percebi o motivo dela ter o trabalho de falar comigo tão amigavelmente. Meu primo era o motivo. Alias um primo que não suportava também porque era do nível delas.
Estella: É sou...
Maddie: Sabe Stewart eu sai com o Mark algumas semanas atrás... – Senti meu olho virar naquele momento. – Mas ele não me ligou mais, não deu sinal e eu meio que estou muito afim dele sabe? – Sorri sem graça, porque ela esta dividindo a “dor” dela comigo? Ela sabia quem eu era? – Então eu pensei se você poderia me ajudar tipo falando com o Mark, você consegue me entender não é? – Antes que pudesse sequer responder a sua pergunta escuto passos longos e precisos vindo à minha direção, fechei os olhos imaginando quem poderia ser, porque hoje todos resolveram me notar?
Jenne: Maddie? – Maddie virou o rosto a olhando. – Porque esta aqui? – Maddie sorriu com seus enormes dentes brancos e se levantou.
Maddie: Bom, a Stewart é prima do Mark então eu estava conversando sobre ele com ela...
Jenne: Você estava conversando sobre garotos com ela? – A sua risada escandalosa fez um eco na sala me causando vergonha. – Pessoal olha só Maddie bebeu antes de vim para a sala? – Um silêncio confuso tomou conta do lugar. – Ela resolveu conversar sobre garotos logo com quem... Estella Stewart. – Jenne e suas outras amigas ou sombras como vocês quiserem chamar puxaram um coro de risadas. Aquelas risadas não me incomodavam o que me incomodava no fim era que elas eram tão altas que pareciam se aproximar com o passar dos segundos.
Maddie: A garota é parente de quem estou interessada, não vim pedir conselhos a ela, por favor, olhem pra ela só se eu estivesse louca. – Mais risadas ecoaram no lugar.
Lauren: Acharia bem estranho já que ela não gosta de garotos... – Meus olhos saltaram do meu rosto quando ouvi aquilo. Como assim? Como ela poderia inventar algo daquele tipo sendo que era uma total mentira? Virei meu rosto para encarar Lauren que ria acompanhada de dois garotos. – Ué vocês não sabiam? – Lauren fez cara de surpresa e então volto a falar. – Ela usa essas roupas feias, esse cabelo bagunçado porque assim ela se sente mais parecida com um homem. – Todos riram novamente. Senti minha cabeça rodar, minha garganta feliz e meu olho arder. Você não vai chorar Estella, me recuso a deixar você chorar.
Jenne: Cuidado então meninas, não entrem no banheiro com ela vai saber o que ela pode fazer né? – Mais risadas.
Naquele exato momento fiz algo que com certeza era covarde, mas era melhor do que brigar até ser mais humilhada por elas. Levantei da minha cadeira em um impulso rápido e afastei qualquer coisa que estava na minha frente e sai dali, só queria sair daquele eco de risadas que estava me deixando surda. Talvez perderia uma aula mais seria o suficiente pra por qualquer raiva minha no lugar.
Enquanto caminhava olhei para o lado vendo ele, o garoto estrangeiro seguindo meus passos com o olhar. Ele era um dos únicos que não estava rindo ou expressando qualquer feição de diversão com aquilo, ele estava sério, com as mãos pousadas na mesa e os cotovelos apoiados na mesa também, suas sobrancelhas estavam arqueadas em uma situação de choque, mas ainda assim nada de risada ou sorriso surgia nele. Naquele momento eu disse pra mim mesma que ele seria o único naquele lugar que eu respeitaria, respeitaria ele porque ele mesmo em um ato simples merecia o meu respeito.
Sai da sala indo pra qualquer outro lugar que estivesse mais calmo. Bufei socando o armário com uma força que me surpreendeu onde pude perde um pouco daquela raiva guardada. Sentei no chão ao lado dos armários e desejei ser qualquer outra pessoa, um homem por exemplo. Desejei ser um homem como elas tanto falaram, assim poderia fazer todos elas me amarem e depois destruiria cada uma da mesma forma que elas me destroem todos os dias. Eu pisaria nelas com a força que elas me pisam. Eu queria ser um homem naquele momento, queria ser o melhor homem pra elas e acabar com a ilusão delas. EU DESEJO ISSO.
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