He Doesn't Like The Lights
51 #51 - O cantor e o estilista: uma história de amor
Notas iniciais
#51
O cantor e o estilista: uma história de amor
O Cantor e o Estilista: Uma História de Amor
Para meu marido, meus filhos e meus amigos. Sem eles, nada disso seria possível.
Esse é um livro de Kurt Hummel-Anderson
É estranho escrever um livro que conta sobre a minha história. Desde que a ideia me viera por meio de sugestão eu a neguei e expulsei de minha mente. Não me achava digno o suficiente de escrever um livro, muito menos um que contasse sobre a minha vida.
Então a mesma pessoa que anteriormente me havia dado a ideia, sugeriu que eu contasse não apenas a minha história, mas sim a nossa história. A história sobre um estilista e um cantor.
Com toda certeza, é uma história que possui seus altos e baixos, que no início possui muito mais baixos do que altos, mas que hoje está no topo e só tende a crescer mais e mais.
Tudo começou em uma tarde de sexta-feira. Uma tarde que poderia ter sido comum, mas que se tornou a tarde mais importante da minha vida. Eu conheci naquele dia o amor da minha vida.
As pessoas costumam duvidar de amor à primeira vista e eu também costumava duvidar, por isso não posso julgar, mas quando eu vi pessoalmente aquele cabelo cacheado e moreno eu não consegui mais duvidar que amor à primeira vista realmente existia. Sei que no início as coisas eram complicadas e que eu me perdia em meio a toques que me levavam para outro mundo, mas eu sabia também que eu o amava e, vejamos só, isso ainda não mudou.
Naquele dia, eu era apenas um garoto recém formado em moda, que tinha seus vinte e três anos e estava usando roupas extremamente coladas ao seu corpo. Ao encarar aqueles olhos castanhos e aquele cabelo cacheado pessoalmente, eu soube que as coisas seriam completamente diferentes dali para frente. Eu não tinha experiência nenhuma, mas eu queria a oportunidade de trabalhar com Blaine.
Eu fui aceito, Blaine nem mesmo parou para pensar ou para ver meus desenhos. Ele simplesmente declarou que o emprego era meu e já me convidou para sairmos do local dos testes e conversarmos. E foi mesmo apenas uma conversa. Naquele dia.
Após conversar com ele, eu me sentia diferente e hoje sei, pelo que ele me conta, que também se senti diferente quando me conheceu. É por esse motivo – e vários outros – que eu acabo por pensar que o destino colocou um no caminho do outro. Não há nenhuma outra explicação para tudo isso.
Nós passamos a nos conhecer melhor, até almoçamos juntos e acabamos falando sobre tudo e sobre nada. Era confortável estar na presença dele, confortável de uma forma inexplicável. Ele era incrível, mesmo que eu não concordasse com sua política pessoal. Eu não podia julgá-lo, mas queria que ele fosse um pouquinho diferente. Ou não, já que me apaixonei da mesma forma.
Quando ele me levou até sua casa e seu estúdio, local, inclusive, onde ninguém entrava além dele. Mas, por algum motivo, ele permitiu que eu entrasse em seu cantinho especial. Ele até mesmo cantou comigo, a música que se tornou como um hino para nós dois. Chasing Cars se tornou a música mais importante do mundo para nós dois.
E então nós começamos a nos relacionar mais intimamente, por assim dizer. Para ele era só diversão, mas para mim nunca foi apenas isso. Me entreguei a ele de corpo e alma. Não demorou nem um pouco para eu me perder completamente no meio daqueles olhos castanhos e me apaixonar perdidamente. Eu descobri que estava apaixonado por ele sem nem parar para pensar que ele não tinha a capacidade de sentir o mesmo que eu, não por não ter sentimentos, mas porque ele se negava a mudar sua personalidade teimosa e totalmente “antirelacionamentos”.
No momento em que ele me beijou pela primeira vez, eu senti a melhor sensação que já havia sentido em minha vida, mas quando ele me beijou na frente das câmeras em um evento, me beijou na frente de todo mundo, eu senti que ele estava disposto a mudar. Eu só não esperava estar tão errado.
E, como eu disse, nossa relação era apenas diversão. Ele tinha sua vida, eu tinha a minha, e o que tínhamos era um algo indefinido. Ninguém sabia o que exatamente acontecia entre nós e, para o bem ou para o mal, eu era apenas o estilista de Blaine Anderson. Nada mais que isso.
Eu tentava escapar dos seus braços, mas como eu poderia se a cada toque eu me perdia mais? Cada palavra fazia com que minha paixão aumentasse e mais um sentimento fosse surgindo. Eu não tinha controle de mim mesmo quando estava com ele. Era impossível se controlar.
Tudo que vinha em minha mente naquela época, é que me apaixonar por Blaine poderia ter sido o meu maior erro, mas era também o melhor de todos, sem dúvida alguma.
O tempo foi se passando e essa relação que tínhamos começou a me afetar. Eu fiquei triste, passava assim a maior parte do tempo. Quando não estava com Blaine, estava com meu melhor amigo, Sebastian, sofrendo por estar apaixonado por alguém que não era capaz de sentir o mesmo por mim. Até que ele precisou de mim e eu pensei que tudo finalmente se encaixaria.
Mais uma vez eu me enganei.
Blaine era capaz de me dar as melhores noites da minha vida, mas não passava disso. Não existia sentimento, não existia nada. Éramos apenas dois homens tendo momentos juntos, momentos que para mim significavam muito mais do que para ele.
Ele demorou para demonstrar algo por mim, demorou para me tratar melhor.
Então ele me surpreendeu. Ele fez toda uma surpresa para mim mas nada me surpreendeu mais do que uma coisa em especial:
‘- Você odeia quando somos vistos juntos e todos ficam perguntando o que somos. É meio suspeito cada vez você dar uma resposta diferente. – Eu disse a ele, que riu. – O que vai fazer quando perguntarem?
— Darei a resposta certa dessa vez. – Me encarou profundamente.
— O que eu serei dessa vez?
— O que você já é desde o início: o meu tudo.’
Eu surtei internamente ao ouvir ele dizer que eu era o seu tudo. No momento em que ele disse aquilo, ele não se referia ao fato de eu significar tudo para ele. Vamos com calma, Blaine não mudou tão rápido assim. Eu era tudo dele: seu amante, estilista, amigo, companheiro, acompanhante e várias outras coisas. Eu era tudo o que ele precisasse que eu fosse.
Mas essa frase se tornou importante para nós dois e eu tenho um pequeno ataque cada vez que ele me chama assim. Engraçado como certas coisas nunca mudam, não importa quanto tempo passe.
Blaine passou a me incluir mais na sua vida e em seus planos. Eu o acompanhava por sua turnê e estava o tempo inteiro ao seu lado. Eu sabia que o amava, mesmo sabendo que ele me fazia sofrer, mesmo sabendo que ele não sentia o mesmo. Eu não escolhi o amar, mas se tivesse tido a chance de escolher, eu ainda assim teria escolhido me apaixonar e o amar.
Não posso dizer que tudo foi fácil desde o início, porque não foi e eu sofri bastante, mas eu agradeço por tudo o que aconteceu, já que hoje eu tenho a certeza de que eu sou a pessoa mais completa e feliz no mundo.
Nossa relação, com o passar do tempo, melhorou e piorou inúmeras vezes. Estávamos bem um com o outro e, de repente, tão rápido quanto a noite vira dia, já estávamos brigando por qualquer besteira. Até que tudo explodiu de vez. A bomba explodiu e feriu nós dois. Ele provou do próprio veneno, infelizmente.
Sei que ele se irrita comigo até hoje por eu ter fingido estar dormindo quando ele admitiu estar apaixonado por mim, mas a culpa não é minha se ele não me dava razões o suficiente para não ter acreditado. Não era algo sólido, não para mim. Era tão irreal, que parecia um sonho que eu nem mesmo tinha coragem de sonhar.
Eu estava feliz demais antes das coisas darem errado de vez. Blaine se preocupou em ajudar meu pai, nós tivemos bons momentos e tudo simplesmente sumiu. Era algo palpável que escapou por entre meus dedos e a sensação era horrível.
E ainda assim, eu o surpreendi em seu aniversário. Porque eu, admito, era um grande idiota quando o assunto era ele. Ainda sou idiota por ele, confesso novamente.
Sebastian resolveu que estava cansado de me ver ser apaixonado por alguém que não me merecia e me contou uma verdade dolorosa, que fez meu coração se estilhaçar em milhões de pedacinhos e um me machucou mais que o outro. Prefiro não falar sobre o que era essa verdade, mas saibam que me doeu mais que a alma saber a verdade.
O pior era saber que eu nem mesmo tinha o direito de cobrar algo de Blaine, porque ele não era nada meu. Ele era apenas o meu chefe, um chefe que naquele momento eu senti vontade de bater com a cabeça na parede. Sem exagero, eu realmente senti vontade de fazer isso com ele.
E eu me culpei, disse que a culpa era minha, porque eu não deveria ter me apaixonado. Mas como eu poderia me culpar por isso? Eu não podia nem mesmo culpar ele. Ele não obrigou meu coração a ser idiota, nem eu me obriguei. Simplesmente aconteceu. E doeu. Só isso. Ninguém era culpado, mas doía e por isso eu culpei nós dois.
Ter dito a ele que eu cansei dele foi, provavelmente, a coisa mais dolorosa que eu já disse a alguém. Meu coração se quebrou ainda mais por ter dito aquilo, era tanta dor que eu não sabia mais se eu chorava, se eu gritava com o primeiro que me olhasse ou se eu apenas engolia toda a dor e seguia em frente como se nada tivesse acontecido.
Como eu faria isso? Eu o amava.
Ainda que estivéssemos brigados, eu cuidei dele quando ele precisou. Eu sempre estive ali por ele, sabendo que ele não faria o mesmo se fosse ao contrário. Viram como o amor é complicado? Eu estou feliz por estar aqui contando que eu sofri nas mãos dele. Algumas vezes me perguntou se todo o sofrimento valeu a pena, e infelizmente concluo que sim. Infelizmente não, felizmente.
Quando nós finalmente estávamos nos ajeitando novamente, eu tive a brilhante ideia de parar no meio da rua e isso me causou algumas coisas quebradas e trinta e oito dias em coma. Mas, algo de bom aconteceu.
Eu acordei com ele dizendo que me amava e a primeira coisa que eu disse foi o que? Que eu também o amava. Óbvio. Acham mesmo que eu perderia essa chance?
E depois daquilo nós finalmente nos acertamos. Para valer. Ele até me pediu em casamento, eu nunca vou esquecer do seu pedido.
‘- Pedir desculpas agora não muda o que aconteceu. Não vou poder mudar o fato de que você foi parar no hospital e ficou lá por quarenta dias, nem mudar o fato de que fiz você sofrer incontáveis vezes. Mas eu me arrependo e acho que pelo menos isso significa alguma coisa. Desde que te conheci eu senti algo diferente, até um pouco estranho. No início eu pensei que fosse apenas desejo, mas eu nunca quis tanto alguém como eu te queria, e ainda quero, eu só não conseguia me entender. Até pensei que estivesse enlouquecendo, então parei de negar para mim mesmo aquilo que já era óbvio: eu estava apaixonado por você. Não demorou para essa paixão se tornar amor, mas eu era tão idiota e desprezível para saber demonstrar isso, fora que eu fiquei assustado com o que poderia acontecer. Eu tinha medo de não ser bom o suficiente para você, de não fazer você ser feliz da maneira que deveria, entende? Todos esses medos só se triplicaram no momento em que eu vi aquele carro te atingir. Eu paralisei de ver aquela cena e quando corri até você e vi que você estava desacordado, foi como se eu começasse a viver dentro de um filme de terror. Era horrível. Eu passei todos os dias ao seu lado, apenas para ter certeza de que nada mais fosse acontecer. Eu discuti com Gabriela, discuti com Sebastian, discuti comigo mesmo. Eu só estava cansado de ouvir todos dizendo que você não ia sobreviver e que eu precisava seguir em frente, como se fosse a coisa mais normal do mundo. – Blaine fez uma pequena pausa. – Seu pai me acalmou, sabe? Ele fez com que eu me sentisse melhor perante o que estava acontecendo, ele conseguiu aliviar a minha dor. Mesmo que eu tivesse medo de te perder e isso me aterrorizasse, eu consegui derrubar essa barreira de dentro de mim e comecei a pensar em você antes de pensar em mim. Mas claro que eu era mais egoísta do que sei lá o que e isso fez com que eu quisesse com todas as minhas forças te prender aqui para sempre. Eu cantei para você, li para você, cuidei de você. Eu só... eu só estava com medo do que podia acontecer. Eu mal pude acreditar quando você acordou, acho que foi o momento mais feliz da minha vida e eu estou pronto para receber outro momento mais feliz da minha vida. Eu não estou mais com medo. Não tendo você ao meu lado. Você tem tudo que eu preciso, você é tudo que eu preciso. O meu tudo, lembra? Você significa tudo para mim. E é por isso, que eu tenho um presente para você, um presente que se você aceitar, quem mais sai ganhando ainda sou eu. – Blaine riu e pegou uma caixinha preta de veludo do bolso. O meu coração simplesmente parou naquele momento. Eu vi Blaine se ajoelhar e vi também a quantidade enorme de fotógrafos que agora nos rondava, mas eu realmente não meu preocupava. Nem ligava para aquelas luzes. – Kurt Hummel, meu estilista, meu amigo, meu amante, meu tudo, você aceita se casar comigo e tornar todos os meus dias mais completos e felizes por ter você ao meu lado?’
Viram o motivo de eu amar tanto o fato de ele me chamar de seu tudo? É por isso.
Nem tudo foram rosas depois disso. Aproveitamos muito bem o nosso noivado, nos casamos, nossos gêmeos lindos, Theodore e Alice nasceram. Vivemos muito bem por um bom tempo.
Até que tudo deu errado de novo.
Mas agora eu percebo que as coisas melhoraram tanto depois da nossa última briga. Nós quase nos separamos, mas hoje nós estamos juntos já tem vinte anos, estamos casados há vinte anos, temos nossos gêmeos crescidos e formados na faculdade, temos nossa neta, Ariel, temos nossos amigos e temos a nossa alegria.
Com Blaine eu aprendi inúmeras coisas. Aprendi a amar de novo, aprendi a perdoar erros, aprendi a ser completo e feliz. Aprendi, também, a ignorar todas as luzes que nos cercam todos os dias, luzes que me incomodavam tanto.
Talvez as luzes não fossem o que me verdadeiramente me incomodava. Talvez o problema fosse que eu odiava aparecer na frente delas ao lado de Blaine sem ser absolutamente nada dele. Não é à toa que eu só fui deixar de me importar com os flashes e as claridades das câmeras no momento em que Blaine me pediu em casamento.
Eu sempre tive orgulho da pessoa que ele era, mas a nossa relação era boa só quando estávamos sozinhos. Nos momentos em que ignorávamos tudo e todos e era apenas nós dois, nos amando em meio de toques ousados que nos levavam para mundos à parte.
Ouvir todas as vezes que ele disse que me queria, todas as vezes que ele disse que eu era importante, todas as vezes que ele disse que eu era o seu tudo. Tudo isso valeu a pena. Eu faria tudo de novo se fosse para estar hoje ao lado dele.
Eu não mudaria nada, nem mesmo o acidente que me deixou no hospital.
Não mudaria.
Tudo foi importante. Todos os nossos duetos, todas as provocações, crises de ciúme, brigas, viagens, noites, festas. Tudo faz parte do casal que somos hoje. Tudo faz parte desse casal Hummel-Anderson que é tão adorado pelos fãs de Blaine.
Eu sei que hoje ele mão canta mais profissionalmente, não lançou mais nenhum álbum nem fez mais nenhum show, mas ele continua sendo o meu cantor preferido e continuava me fazendo sorrir cada vez que inventa alguns versos e canta para mim quando estamos juntos.
Como eu gosto de dizer... É como se nossa vida fosse um quebra-cabeça: as pessoas são peças que vão sendo encaixadas em nós, até pode ser que algumas se percam ou se encaixem da maneira errada, outras talvez nem sejam feitas para se encaixar, mas no final de tudo, por um motivo ou outro, mesmo com muitas dificuldades, estaremos completos.
Um dia você pode estar cantando Chasing Cars com o cara pelo qual você nem esperava se apaixonar, no outro você pode estar casado com ele vivendo um verdadeiro sonho.
Um dia você pode não gostar luzes, no outro sua vida é tão perfeita, que aquela claridade já não te incomoda mais.
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