Notas iniciais
Sejam felizes ♥

#45

Divórcio?

Kurt, Blaine, John e Gabriela adentraram o carro com uma presa sem igual. Blaine começou a dirigir e um nervosismo tomou conta de si ao ouvir os gritos de dor vindos de Gabriela, que dizia estar prestes a doer de tanta dor que sentia. John segurava a mão da esposa tentando a tranquilizar e dizia palavras calmas para ela, que se irritou tanto que o mandou para o inferno, porque era fácil falar quando não sentia dor.

Ela definitivamente descontou a raiva de vinte e nove anos em todos ali do carro. Blaine rapidamente chegou ao hospital e ajudou a levar Gabriela lá para dentro. O fato de ele ser famoso ajudou e muito na hora de eles conseguirem a entrada da grávida ao hospital. E não era para menos, afinal ela estava a ponto de ter os filhos no meio do corredor.

Apenas John entrou com ela e Kurt ficou com Blaine na sala de espera. Os dois seguravam a mão um do outro de maneira nervosa, curiosos para saber como Gabriela estava, já que, além de estar carregando os afilhados deles, ela era amiga dos dois e perdê-la definitivamente não era uma opção, tampouco queriam pensar sobre isso. Tudo daria certo e ela ficaria bem.

— Kurt?! Blaine?! – Os dois ouviram a voz de Quinn e olharam na direção dela.

— Quinn? – Kurt parecia confuso. – O que está fazendo aqui?

— Meu irmão sofreu um acidente de carro. – Respondeu cabisbaixa. – Ele não está nada bem, só respira com aparelhos e até agora não acordou, sabem?

— Quando isso aconteceu? – Perguntou Kurt, percebendo que Blaine não estava se importando com o fato de Thomas estar em estado gravíssimo no hospital.

— Faz uns dias, enquanto ele voltava da casa de vocês. O carro dele foi parar dentro do rio e ele nem dentro do carro não estava mais. Dirigia em alta velocidade e estava sem cinto de segurança quando o carro saiu do controle dele. – Explicou ela, vendo os dois assentirem. – E vocês estão fazendo o que por aqui? Aconteceu alguma coisa?

— Gabriela está nesse momento ganhando os gêmeos dela. – Um sorriso iluminou o rosto de Blaine, mas logo se desfez por ver que não era o momento para sorrir. – Me perdoe por não estar dando importância, Quinn, me sinto mal por você, mas é que... bem...

— Eu entendo, Blaine. – Afirmou a loira. – Eu só... os médicos acreditam que ele não vá sobreviver, ele está não mal, mas péssimo. E eu sei que ele fez até o impossível para garantir que vocês dois se separassem, mas, por mais que eu não concorde com as atitudes dele, sei que ele te ama.

— Você não está, por um acaso, me pedindo para eu vê-lo, está? – Blaine parecia incrédulo com aquela hipótese.

— Só se você sentir vontade de fazer isso. E eu sei que não vai.

— B... – Kurt encarou o moreno, que continuou irredutível. – Eu sinto muito, Quinn. Espero que ele fique bem.

A garota assentiu e voltou ao quarto onde o irmão estava. Blaine sentou-se com Kurt e o castanho voltou a encará-lo. Sabia que Thomas não era a melhor das pessoas, mas não é como se o castanho desejasse a morte do outro. Não conseguiria desejar a morte de alguém, mesmo que esse alguém fosse insignificante em sua vida.

— Eu sei o que você vai dizer e apenas peço para que não diga. – Soltou Blaine, cruzando os braços e soltando um suspiro.

— Blaine, você sabe que eu vou falar do mesmo jeito. – Blaine encarou o castanho. – Ele fez parte de sua vida, ele pode morrer. Não seria melhor você apenas ir até o quarto onde ele está e vê-lo?

— Por culpa dele nós estamos separados. – Argumentou o moreno.

— Meu marido é você, não ele, então você não pode necessariamente culpar apenas a ele. Sabe, ele não transou sozinho. – Kurt disse, desviando os olhos dos de Blaine, pois imaginar aquela cena era doloroso. – Apenas acho que faria bem a você ir até lá, isso se você realmente o superou, ou vai acabar ficando por aqui da mesma maneira que ficou comigo e ele vai acordar com você dizendo que o ama.

— Não, ele não vai. Porque não é verdade. – Blaine segurou a mão de Kurt e deu um beijo suave na mesma. – Que eu amei ele um dia e passei muito tempo tentando superá-lo, isso é verdade, mas é passado. Quem eu amo infelizmente eu não possuo mais ao meu lado, então... não vou voltar atrás na minha decisão, porque eu realmente não me importo com ele.

— Tudo bem. – Kurt respirou fundo. – Mas ainda acho que você deveria ir vê-lo. Apenas vê-lo, passar uns minutinhos ao lado dele. Só isso.

— Você não vai parar com isso até eu ir lá, não é? – Kurt negou, sorrindo sapeca e vendo Blaine levantar se sentindo derrotado.

O moreno se perguntava como era tão fácil assim ser convencido por palavras vindas de Kurt. O castanho sempre sabia como convencê-lo. Blaine levantou, avisando que estaria com seu telefone para o caso de eles serem liberados para ver Gabriela e Kurt deveria chamá-lo imediatamente se isso acontecesse.

O Anderson andou para o quarto onde Thomas se encontrava, batendo devagar na porta e entrando em seguida, vendo que apenas Quinn se encontrava ali.

— Você pode ficar aqui enquanto eu tomo um café? Preciso me manter acordada. – Quinn disse triste, recebendo um abraço de Blaine em seguida.

— Não fique tomando café atrás de café, Quinn. Isso não vai te fazer bem. Sei que quer estar acordada quando ele abrir os olhos, eu já passei por isso, durante quase quarenta dias. – Relembrou Blaine. – Mas ele precisa acordar tendo uma irmã saudável ao seu lado, entende? Quando Kurt ficou no hospital eu não tina ninguém que dependesse de mim, mas você tem seu marido e seus filhos que precisam de você. Não vale a pena se esforçar tanto para se manter eternamente acordada. Não vai adiantar nada você acabar trocando de lugar com ele.

— Eu sei, Blaine, só que não é fácil. – Se defendeu ela.

— Fácil realmente não é. E eu te entendo. Só peço que evite se encher dessas coisas que vão te manter acordada. Você precisa descansar.

— Obrigada por se preocupar. – Ela sorriu, soltando-se do abraço. – Cuida bem do meu irmão, viu?

— Vou cuidar. Pode deixar! – Blaine sorriu para ela, a vendo sair do quarto.

Ao ver Quinn sair, Blaine sentou-se na poltrona que havia ao lado da cama e encarou Thomas cheio de fios e aparelhos em sua volta. Uma cena bem parecida com a que ele presenciou após o acidente de carro. Aquilo só poderia ser obra do destino querendo caçoar da vida de Blaine. Por que ele estava ali mesmo? Ele não queria ver Thomas, falar com ele, estar perto dele.

Vendo ele ali, tão vulnerável, Blaine lembrava-se do motivo de ter se apaixonado por ele quando era adolescente. Ver Thomas pelas manhãs na escola era como ver alguém ensinando ao sol como se brilha, já agora era como ver um dia de chuva forte.

Ainda que Thomas tenha o ferido e muito, demorou uns bons meses para Blaine sentir que poderia recomeçar, mas ele jamais se permitiu apaixonar-se por outra pessoa e, quando isso aconteceu, acabou o perdendo também. Sentiu que Kurt sentira mais ou menos a dor que lhe havia sido fadada no ensino médio. Sentiu que causou em Kurt o que Thomas causou em si e aquela sensação era horrível.

Era uma impotência sem igual. Não é como se ele tivesse o que fazer para melhorar a situação. Se ele pudesse, já teria feito isso há tempos, mas nada era tão fácil. Ver Thomas agora com aquela aparência serena, porém extremamente debilitada, era um pouco doloroso.

Blaine queria poder dizer que não sente absolutamente mais nada por Thomas, mas estaria mentindo. Não, ele não amava o Fabray, muito menos ainda se sentia apaixonado por ele, mas ainda havia algo ali presente. Talvez fosse apenas o carinho da lembrança de ele ter sido seu primeiro, ainda que sua primeira vez tenha sido um completo desastre.

Ou talvez ele só estivesse agora sentindo compaixão por ver o que aconteceu a Thomas, principalmente por ele estar voltando de sua casa quando se acidentou. Blaine aproveitou que estava a sós com o Fabray e colocou sua mão sobre a dele.

— Sei que talvez você pense que é muita falsidade da minha parte vir aqui te ver e sei também que você provavelmente não vai me escutar... mas é que quando Kurt estava em coma eles me pediram para que eu ficasse conversando com ele sempre que possível. – Blaine fez uma breve pausa, segurando melhor a mão de Thomas. – Eu só quero que você saiba que eu te amei muito um dia, Thomas. Hoje em dia meu coração pertence a outra pessoa, a pessoa que eu machuquei ao ficar com você. E olha o mais incrível... quem praticamente me forçou a vir aqui foi ele. O que eu queria mesmo te dizer, é que eu torço pela sua total recuperação, espero mesmo que você fique bem. Eu sinto muito pelo que aconteceu com você...

E Blaine apenas permaneceu ali por mais um tempo, até que Quinn voltou e ele saiu do quarto, indo novamente de encontro a Kurt. Alguns minutos depois eles foram chamados para visitar Gabriela, que já tinha sido levada ao quarto onde passaria a noite. Ela poderia ir embora no dia seguinte.

Seus filhos eram lindos, chamados Raphael e Melody. Kurt e Blaine sentiram quase como se estivessem vendo Theodore e Alice pela primeira vez de novo. Era algo lindo ver bebês pela primeira vez, ainda mais quando eram filhos de alguém tão próximo a eles.

[...]

Duas semanas se passaram. Hoje é segunda-feira e Kurt está sentado ao lado de Blaine. Ambos se encontram extremamente nervosos e sentindo que seus corações estão se destruindo cada segundo mais.

— Se puderem, por favor, assinar esses papeis, estarão oficialmente divorciados. – Um dos advogados disse, entregando uma folha e uma caneta para cada um dos meninos.

Blaine encarou a folha de maneira incerta, não queria assinar aquilo. Queria desistir, mas não tinha muita escolha, não quando o seu amor dizia querer aquilo. Era como se ele soubesse que seu coração se despedaçaria ao assinar, mas realmente precisava fazer isso por Kurt. Já havia o magoado demais para lhe negar esse pedido, não é mesmo?

O moreno quase quis cortar o próprio pulso e assinar com sangue, apenas para fazer um drama e dizer que não vivia sem Kurt, mas pareceria extremamente desesperado e se machucaria à toa.

Quando Blaine finalmente iria assinar, viu Kurt levantar irritado e rasgar a folha, a atirando de qualquer jeito em cima da mesa e saindo do cômodo, indo para sabe se lá onde.

Blaine, sem saber o que fazer, pediu que os advogados fossem embora. Não havia motivos para eles ficarem ali. O moreno subiu as escadas e foi até o quarto de Kurt, não o encontrando ali. Foi então até o seu próprio quarto, recebendo um abraço assim que atravessou a porta.

— Kurt, o que... – Blaine nem mesmo conseguiu concluir sua frase, já que no segundo seguinte ele foi agarrado por um Kurt totalmente desesperado.

Foi beijando o castanho que ele percebeu que o mesmo estava se debulhando em lágrimas. Blaine não sabia o que fazer para confortá-lo, então apenas retribuiu o beijo e o puxou para mais perto de si, tentando passar conforto e carinho para o, ainda, marido.

— Eu não quero me divorciar. – Kurt falou, encarando Blaine, que agora secava suas lágrimas. – Eu sei que eu disse que queria, mas eu não quero.

— O que isso significa? – Perguntou Blaine, vendo o marido parecer um pouco incerto e dar de ombros.

— Significa que eu não quero me divorciar. Eu cheguei à conclusão de que eu não entendo mais nada sobre minha vida, mas algo me diz que eu não deveria assinar aquele papel, então não assinei e pronto. – Explicou Kurt, puxando Blaine para cima da cama e o beijando mais uma vez. – Eu te perdoo.

— O que? – Blaine parecia não acreditar. – Você me perdoa?

— Eu te perdoo, Blaine. Eu te amo e... se você não me amasse, já teria desistido de me ter de volta. – Kurt sorriu. – Estou cansado de agir friamente com você ou agir indiferente. Eu te amo, te quero ao meu lado e sinto sua falta. É bem simples. Não serei aquele que agora vai desconfiar de cada passo que você dá e acusar que você me traiu por ter se atrasado alguns minutos para chegar em casa. Eu quero esquecer o que passou e viver com você o nosso futuro.

— Eu te amo tanto, Kurt, tanto. – Blaine puxou Kurt para mais perto de novamente juntou seus lábios nos dele.

— Eu também te amo, B. Amo demais.

Notas finais
E o que acharam? Me contem ♥ ♥