He Doesn't Like The Lights
44 #44 - Quero te perdoar, mas não consigo
Notas iniciais
#44
Quero te perdoar, mas não consigo
— Blaine... senta aqui comigo. – Pediu Kurt, que estava sentado no sofá.
— Aconteceu alguma coisa? – Perguntou Blaine preocupado, sentando-se ao lado de Kurt.
— Quer assistir um filme comigo?
— Claro. – Sorriu o moreno, sentando-se ao lado de Kurt para ambos assistirem juntos o filme que Kurt havia dito.
O filme era bem triste e antes mesmo que acabasse os dois já estavam chorando de soluçar e estavam ainda mais próximos um do outro, se abraçando. Ninguém mandou eles assistirem o “Como Eu Era Antes de Você”, não é mesmo?
— E se quando eu fui atropelado eu tivesse ficado como o Will, você ficaria ao meu lado? – Kurt olhou nos olhos de Blaine, ainda chorando.
— É claro que sim. Eu permaneceria com você de qualquer maneira, paraplégico, tetraplégico, com alguma doença, de qualquer maneira. – Blaine passou suas mãos pelo rosto de Kurt, capturando suas lágrimas e o acariciando. – Eu te amo, Kurt, por mim eu nunca teria me separado de você.
— Sabe... é bem difícil ouvir isso. – Kurt encarou a mão de Blaine e voltou a encará-lo nos olhos. – Justamente porque eu estou tentando com todas as minhas forças de perdoar, mas eu não consigo.
— Eu entendo, Kurt. Não tem problema.
— Tem problema sim. – Continuou Kurt. – Só que não te perdoar não significa que eu te esqueci, ou que quero esquecer, muito menos significa que não te amo. Não quero que pense isso, porque eu tenho visto a maneira que você vem agindo e eu ouvi você dizer para Gabriela que queria morrer e eu não quero que você morra. Eu não quero te perder. Sei que eu não poso te pedir nada, e que é absolutamente egoísta te pedir que não me abandone, mas eu preciso fazer isso.
Blaine nem deixou Kurt falar mais nada, simplesmente passou sua mão para a nuca do castanho e o puxou mais para si, o beijando carinhosamente. Kurt levou suas mãos para os cabelos de Blaine, o puxando para mais perto, intensificando o beijo.
— O que acha de um mergulho? – Kurt perguntou, se referindo à piscina, já que estava bem calor. – Nossos pequenos já comeram e recém dormiram. Eles não vão acordar tão cedo agora.
— Amo quando você fala desse jeito, os chamando de nossos pequenos. – Riu Blaine, já levantando e indo para o quintal com Kurt.
Ele só não esperava que o castanho fosse se despir por completo e se atirar na piscina, o chamando com a mão e praticamente sussurrando um “você não vem?”, o que enlouqueceu Blaine e o tirou de seus eixos. O moreno também tirou todas as suas roupas e se juntou a Kurt, logo se aproximando dele e o beijando.
[...]
— Hoje à noite as estrelas foram testemunha de algo incrível... – Kurt começou, escorado no peito nu do marido. – Algo parecido com amor. – Riu ele.
— Isso mais me parece que você está me perdoando. – Refletiu Blaine, vendo Kurt o encarar. – Mesmo tendo esses seus surtos de bipolaridade, ao mesmo tempo me beijando e dizendo que não me quer.
— Digamos que aos pouquinhos eu consigo me permitir essas coisas... não é fácil saber da verdade e conseguir admitir que eu te amo, mesmo essa sendo a mais pura verdade. – Kurt beijou a bochecha de Blaine, logo se escorando novamente em seu peito. – Eu meio que surtei, admito. Estou meio surtado ainda. Ao mesmo tempo que te amo e te quero, sinto que devo te afastar para me impedir de sofrer.
— Eu espero o tempo que for, Kurt... estou bem agora. Eu acho. – O moreno encarou aqueles belos olhos azuis que o fitavam e deu um rápido beijo nele. – Seria pedir demais se eu pedisse para você dormir comigo hoje?
— De modo algum. – Sorriu Kurt.
Os dois levantaram, pegaram suas roupas e as vestiram, indo pelo caminho até o quarto trocando beijos e mais beijos. Deitaram-se juntos na cama e adormeceram nos braços um do outro, após dizerem mais de uma vez que se amavam.
Kurt acordou-se sozinho na cama, porém sentindo uma alegria tomar conta de si. Estava feliz pela noite que teve com Blaine. Levantou-se e tomou um banho, logo vestindo uma roupa confortável e descendo as escadas, ouvindo a voz de Blaine e Gabriela.
— Você se arrepende de amar ele? – Gabriela perguntou.
— Eu me arrependo de tudo, principalmente de ter me apaixonado por ele. – Confessou Blaine e, nesse momento, Kurt sentiu seus olhos se encherem de lágrimas e já as sentiu escorrendo por seu rosto também.
Subiu as escadas novamente, andando até o quarto dos filhos para ver como eles estavam. Viu Theodore acordar e o pegou em seu colo, o abraçando firme e chorando sem parar. Então Blaine se arrependia de ter se apaixonado por ele? Bem que ele pensou que aquilo tudo havia sido bom demais para ser verdade. Sempre era bom demais para ser verdade na vida dele.
A semana foi se passando de uma maneira terrivelmente lenta, irritando todos os pedaços destruídos de Kurt, que ignorou Blaine todos os dias e o mesmo não entendeu, mas permitiu que Kurt se afastasse, ainda que o doesse e muito essa situação.
No sábado eles tinham uma festa para ir e Gabriela e John também estariam presentes, então contrataram uma babá para tomar conta dos filhos. Kurt foi de muita má vontade, pois queria ter ficado em casa, mas já tinha prometido que iria a tal festa. Precisava espairecer e, por incrível que pareça, cantar.
Cantar era sempre algo bom para ele, algo que o fazia se sentir melhor e mais leve.
Gabriela estava com a barriga enorme, com seus gêmeos próximos de nascer. Durante o jantar – que eles fizeram em um restaurante antes da festa – John e Blaine precisaram brigar com a garota, que queria porque queria beber e era óbvio que ela não podia, então ficou irritada e disse que eles eram muito chatos.
Kurt não conseguia nem mesmo olhar para ela, porque sentia que ela estava escondendo algo dele e agora estava agindo falsamente, sorrindo para ele e dizendo que tudo se resolveria.
Na festa, pessoas cantavam no palco sem parar. Encontraram Justin e a esposa assim que sentaram-se em uma das pequenas mesas, logo se enturmando com eles e conversando animadamente. Kurt se sentia deslocado, então puxou a esposa de Justin, chamada Katherine, e foi dançar com ela.
A hora das músicas lentas soou e Kurt acabou ficando sozinho na mesa, junto com Blaine, que insistia em perguntar o que tinha acontecido sem ouvir uma resposta melhor do que “me deixa em paz” ou “só quero ficar em silêncio” e aquilo o incomodava profundamente.
Kurt acabou indo para o palco após ser arrastado para o mesmo por Justin, que insistiu que ele cantasse. Falou a música que queria e logo começou a cantar, mesmo sabendo que, como normalmente, a música era para e unicamente Blaine.
I don't ever ask you where you've been (Eu nunca lhe perguntei onde você esteve)
And I don't feel the need to know who you're with (E eu não sinto a necessidade de saber com quem você está)
I can't even think straight, but I can tell (Eu não consigo nem pensar direito, mas eu posso dizer)
That you were just with him (Que você estava apenas com ele)
And I'll still be a fool (E eu ainda vou ser um idiota)
'Cause I'm a fool for you (Pois sou um tolo por você)
Kurt se sentia um idiota de cantar aquela música, ainda mais de ter escutado Blaine dizer que se arrependia de ter se apaixonado por ele. Ele queria era parar de amar Blaine da maneira que amava. Era o único jeito de ele seguir em frente e ser feliz de novo.
Nem ter sido objeto de Blaine por tantos meses o doeu tanto quanto aquilo. Era tudo uma farsa, uma mentira, um algo falso. Como Blaine podia ter feito aquilo com ele? Como podia tê-lo destruído de tal maneira? Nem a traição não doeu tanto. Na verdade, nada doeu tanto.
Just a little bit of your heart (Apenas um pouco do seu coração)
Just a little bit of your heart (Apenas um pouco do seu coração)
Just a little bit of your heart is all I want (Apenas um pouco do seu coração é tudo que eu quero)
Just a little bit of your heart (Apenas um pouco do seu coração)
Just a little bit of your heart (Apenas um pouco do seu coração)
Just a little bit is all I'm asking for (Apenas um pouco é tudo que eu estou pedindo)
*FLASHBACK ON*
— Você se arrepende de amar ele? – Gabriela perguntou.
— Eu me arrependo de tudo, principalmente de ter me apaixonado por ele. – Confessou Blaine. – Todas as coisas ruins que aconteceram na minha vida foram por culpa do Thomas. Se eu não tivesse me apaixonado, nada disso teria acontecido.
— Mas e Kurt? Você se arrepende de amar ele? – Gabriela olhou bem no fundo dos olhos de Blaine, onde tudo que ela enxergava era dor e dúvida.
— Isso nunca. Eu nunca me arrependeria de amar ele, nem em mil anos. Nunca. Ele é o amor da minha vida, Gabi. Estar sem ele é como se jogar e um avião sem paraquedas. É horrível.
*FLASHBACK OFF*
I don't ever tell you how I really feel (Eu nunca mais vou te dizer como eu realmente me sinto)
Cause I can't find the words to say what I mean (Porque eu não consigo encontrar as palavras para dizer o que eu quero dizer)
And nothing's ever easy, that's what they say (E nada é sempre fácil, que é o que eles dizem)
I know I'm not your only (Eu sei que eu não sou seu único)
But I'll still be a fool (Mas eu ainda vou ser um idiota)
'Cause I'm a fool for you (Porque eu sou um tolo por você)
Blaine se perguntava de onde vinha aquela raiva toda de Kurt. Ele não se lembrava de ter feito algo que pudesse ter o aborrecido, até porque em um momento estava tudo bem, com eles trocando palavras e gestos de amor, mas na manhã seguinte Kurt só faltou dizer que o amava, fora que passou a ignorar durante a semana inteira.
Ficava se perguntando qual era o problema consigo mesmo para fazer Kurt sofrer da maneira que estava sofrendo, mas pensava e pensava e não chegava a nenhuma conclusão. Vai ser seu subconsciente sabia que não havia nada de errado. Era só Kurt também acreditar nisso.
Just a little bit of your heart (Apenas um pouco do seu coração)
Just a little bit of your heart (Apenas um pouco do seu coração)
Just a little bit of your heart is all I want (Apenas um pouco do seu coração é tudo que eu quero)
Just a little bit of your heart (Apenas um pouco do seu coração)
Just a little bit of your heart (Apenas um pouco do seu coração)
Just a little bit is all I'm asking for (Apenas um pouco é tudo que eu estou pedindo)
Kurt sentou-se na beirada do pequeno palco, vendo todos os casais ali presentes dançando com seus parceiros. Blaine era um dos poucos que estava sozinho e agora estava se aproximando do palco, chegando o mais perto de Kurt possível.
Blaine se sentiu triste pela música, mas se sentiu ainda pior por ver tantas lágrimas saindo dos olhos de Kurt. A pior dor para ele era ver o sofrimento de Kurt. Ele pensava que não havia dor pior do que aquela e era extremamente horrível sentir aquilo.
I know I'm not your only (Eu sei que não sou seu único)
But at least I'm one (Mas pelo menos eu sou um)
I heard a little love (Eu ouvi um pouco de amor)
Is better than none (É melhor do que nada)
Kurt interrompeu a música nesse momento e largou o microfone, saindo do palco e passando por Blaine sem nem mesmo o olhar, indo diretamente para o lado de fora do local. Quando estava no meio da calçada foi puxado pelo braço e seu corpo foi grudado no de Blaine.
— O que foi que eu te fiz? – Perguntou o moreno, tentando manter sua calma.
— Por que se importa?
— Vou ignorar sua pergunta até você responder a minha. – Blaine levantou um pouco a voz, vendo Kurt soltar seus braços dele. – Me responde, Kurt. O que eu te fiz?
— Eu ouvi você falando para Gabriela que se arrepende de ter se apaixonado por mim. – Kurt disse, vendo Blaine começar a rir. – E você ainda ri de mim? Você é um idiota, Blaine!
Kurt novamente se desgrudou de Blaine e foi mais uma vez puxado por ele, dessa vez para ainda mais perto, colando suas bocas em um beijo apressado e, mesmo que Kurt tentasse resistir, ele não conseguia, parecia impossível para ele.
— Por que me beijou? Eu não quero mais falar com você.
— Eu não me referi a você, Kurt. – Disse Blaine. – Você não ouviu tudo, não é? Saiu de perto ao ouvir essa frase...
— É... – Concordou Kurt.
— Eu me referi a Thomas. Eu me arrependo de uma vez ter me apaixonado por ele. Mas por você, Kurt, eu me arrependeria apenas se eu não tivesse me apaixonado.
Kurt então sorriu, se aproximou mais de Blaine e o beijou, se sentindo um idiota por ter ouvido as coisas pela metade e ter tirado tais conclusões erronias.
— Desculpa atrapalhar vocês, mas... – Começou John, chegando perto deles com Gabriela nos braços.
— Os afilhados de vocês estão nascendo! Alguém me leva para o hospital!
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