He Doesn't Like The Lights
37 #37 - Não existe perdão
Notas iniciais
#37
Não existe perdão
Kurt continuava a encarar aquela foto, piscando inúmeras vezes para ter certeza de que era real. Aquela maldita legenda conseguia piorar tudo, isso se tivesse mesmo como piorar. Tudo fazia seu corpo inteiro doer, principalmente seu coração, despedaçado por completo.
Saiu do quarto, sentia que ia se sufocar com o próprio travesseiro caso permanecesse ali. Andou até a sala, atirando-se no sofá sem forças para ir até o quarto dos filhos, mesmo que sentisse que eles pudessem fazer ele se sentir um pouco melhor.
Kurt se cobriu com uma colcha um pouco fina, se abraçando a uma almofada e chorando sem parar. Seu coração doía tanto, não pensou que fosse capaz de sofrer dessa maneira. Não imaginou que uma traição pudesse acontecer, ainda mais depois de Blaine prometer que nunca faria aquilo.
Era como se inúmeras facas estivessem cravadas no coração dele ao mesmo tempo. Era uma dor difícil de se explicar, porque era inexplicável senti-la. Era horrível
Kurt não pregou os olhos em nenhum segundo e, ao olhar pelo relógio, nove horas da manhã a porta foi aberta e um moreno com o olhar derrotado invadiu a sala. O abajur do lado do sofá foi aceso e Blaine olhou inexpressivo para Kurt. Sua vontade era se atirar no chão e chorar feito uma criança, abraçado a única pessoa que queria abraçar no momento.
Era bem óbvio que ele já tinha visto a foto na internet, já tinha lido a legenda e já tinha se estressado com Thomas, porque uma coisa daquelas era inadmissível. Mas o que ele podia fazer agora? O erro já tinha sido cometido. Não tinha como voltar atrás. Como Kurt iria agora perdoá-lo? E, o pior de tudo, como acreditaria que Blaine não lembra de nada? Como o faria acreditar que ele não sabia o que tinha acontecido naquela noite?
É sempre assim quando há uma traição. Você sempre diz para a pessoa que não está acontecendo nada do que ela está pensando, mas será mesmo que não está? Dessa vez Blaine não sabe dizer.
— E-eu... K... – Blaine despencou em lágrimas, não conseguiu terminar sua frase.
Kurt respirou fundo, tinha um coração frágil demais e acabaria perdoando Blaine se não fosse firme. Ele não podia perdoar uma traição. Aquilo era inaceitável. O castanho levantou do sofá e cruzou os braços, já tinha parado de chorar, mesmo que sua vontade ainda estivesse ali.
— Eu pensei que fosse um sonho. Pensei que não fosse de verdade aquela foto, que fosse apenas uma pegadinha, um algo irreal do qual eu iria acordar e você ainda estaria ao meu lado. – Kurt disse, se segurando para não voltar a chorar. – Você tem noção do quanto me doeu ver aquilo? Não bastava eu ser traído, o mundo inteiro tinha que ficar sabendo, antes mesmo de mim.
— Kurt, por favor, me escuta, eu juro que...
— Jura que o que? – Kurt o interrompeu. – Que não é nada do que estou pensando? Que você caiu na cama dele por um acaso? Que as coisas saíram do controle? Que você o beijou inocentemente e acabaram transando? Ou que ele se aproveitou de você? Porque eu não acreditaria em nenhuma dessas desculpas ou nas outras mil que você deve estar pensando.
— Eu entendo a sua raiva, Kurt, de verdade, mas você pode pelo menos me escutar? – Kurt negou com a cabeça e Blaine se aproximou um pouco dele, que acabou recuando. – Não age desse jeito, por favor. Eu te amo tanto e...
— Me ama? Você ainda tem coragem de vir dizer que me ama? Pelo amor de Deus, Blaine. Eu só não desejo sua morte nesse momento, porque nossos filhos não merecem isso. Mas que eu não quero ver você mais perto de mim, isso eu realmente não quero.
— O que isso quer dizer? – Blaine sentia como se tivesse levado um tiro. – Você vai se separar de mim sem nem mesmo permitir que eu me explique?
— Não existe perdão para o que você fez, então não há motivos para eu te escutar. E se não queria um divórcio, que não tivesse me traído.
Blaine chorava sem parar nesse momento. Se odiava por ter ido naquela maldita festa. Se ele tivesse ficado em casa, poderia ter feito algo com Kurt, nem que fosse olhar um filme ou ficar abraçado a ele olhando as estrelas. Qualquer coisa era melhor do que estar agora ouvindo aquelas palavras.
— Mas eu te amo. – Blaine quase que não tinha forças, se sentia acabado.
— Então por que fez isso? – Kurt também estava chorando agora, olhando para Blaine, porém sem coragem para encará-lo nos olhos.
— Eu não sei! – Exclamou ele. – Eu juro para você que eu não lembro. Eu não lembro de nada.
— Bebeu tanto assim? – A incredulidade de Kurt apenas aumentava.
— Não, eu bebi só uma taça de champanhe para fazer um brinde.
— Então alguém te drogou? – Kurt queria poder dizer que não havia ficado esperançoso com aquilo, mas a verdade é que a chama da esperança se acendeu sim dentro dele.
— Não, quem serviu a bebida foi eu mesmo e logo eu já tomei. – Blaine também parecia frustrado, talvez fosse melhor ter mentido, mas sentia que tinha feito besteira e precisava pagar pelo seu erro. – Eu só queria poder saber o que aconteceu, Kurt, eu te juro que queria lembrar, mas eu não consigo. Quando eu acordei eu estava ao lado dele e ambos estávamos praticamente sem roupa, então eu peguei meu celular e vi que tinha uma mensagem de Sebastian, dizendo que eu era um homem morto. Eu empurrei Thomas para fora da cama e ele acordou implicando comigo, me mostrou a foto e meu mundo desabou por completo, porque foi só aí que eu consegui ligar os pontos. Kurt, me perdoa, eu...
— Eu não quero saber dos detalhes da sua noite. Eu só quero que você pare de respirar. – Blaine arregalou os olhos ao ouvir aquilo e então Kurt começou a chorar ainda mais. – Eu não quero que você morra, meu Deus, olha a besteira que eu disse.
— Você está com raiva, isso é normal... – Blaine se aproximou do castanho, sentou ao seu lado, mas não encostou nele. Sabia que acabaria apanhando caso tentasse. – Eu entendo que esteja com raiva.
— Eu só quero que meu coração pare de doer e, ao mesmo tempo que eu quero ver você bem longe de mim, eu só quero um abraço. Isso dói tanto.
Blaine então não se aguentou e puxou Kurt para um abraço, o apertando contra si.
— SEU DESGRAÇADO! Sai de perto dele, agora! – Sebastian chegou já gritando.
Junto com ele chegou Elliot, John e Gabriela. A garota, mesmo com uma barriga enorme, aproximou-se do melhor amigo e deu um tapa no rosto dele, tendo certeza de que ficaria bem marcado. Kurt os encarou e tratou de secar as lágrimas, não deveria ter deixado Blaine abraça-lo ou ter chorado na frente dele, aquilo o fez parecer tão frágil e agora estava fazendo com que ele odiasse a si mesmo.
— Calma, amor... – Elliot tentou dizer, mas antes que ele pudesse terminar Sebastian já tinha dado um soco no rosto de Blaine, que chegou a ir para trás. – Seb, não faz isso.
— Eu quero matar esse filho da puta. Quem ele pensa que é para fazer uma coisa dessas com o meu melhor amigo? Mexe comigo, me machuca, me bate, até me mata, mas não faz isso para as pessoas que eu amo. – Sebastian dizia com raiva, sendo segurado por Elliot para não bater de novo em Blaine. – Me solta, eu preciso bater nele mais um pouco. Não foi o suficiente. Esse é o exemplo que você quer dar para os seus filhos, Blaine? Eu tenho nojo de você! Você merece morrer,
— Chega, Sebastian! – Elliot disse, virando o marido para si, que se soltou com raiva e andou até Kurt, o puxando para um dos quartos.
O Smythe sabia que se permanecesse ali iria matar Blaine, então foi melhor sair de perto.
— Por que, Blaine? – Gabriela praticamente gritou. – Minha vontade é te encher de tapas, porque só um não foi tão satisfatório.
— Eu não sei, Gabi, eu não sei. – Blaine se abraçou na amiga, mais uma vez caindo em um choro doloroso. – Eu me odeio tanto, eu machuquei o amor da minha vida e ele nunca vai me perdoar. E sabe o que é pior? Eu nem lembro o que aconteceu.
*FLASHBACK ON*
— Chega de ordens, Bee. – O Fabray disse mais calmamente. – Essa noite só existe eu e você.
E Blaine o olhou. Estava tão cansado que não tinha forças para responder nada, não tinha forças para dizer que sim o que não. A única coisa que se permitiu fazer, foi se jogar nos braços de Thomas, mesmo sabendo que aquilo não acabaria bem.
Thomas se assustou, pensou que Blaine tivesse desmaiado em seus braços, mas então percebeu que ele estava apenas dormindo. De início ele pensou em apenas proteger o seu amor e o colocou na cama, tirando seus calçados e o cobrindo, após colocar sua cabeça no travesseiro.
Depositou um beijo em sua testa e estava se afastando e foi então que uma ideia surgiu em sua mente: Blaine não o queria, mas isso não significava que ele não poderia simplesmente acabar com o casamento de Blaine com tão pouco esforço, não é mesmo?
Thomas se aproximou novamente do moreno, começando a tirar as próprias roupas, ficando apenas com sua roupa íntima e fez o mesmo com Blaine, que respirava tranquilamente em seu sono.
Se ajeitou ao lado do Anderson na cama, os colocando em uma posição sugestiva, pegou seu celular e bateu a foto, escrevendo a legenda em seguida:
“Tão bom dormir com alguém após tantos minutos de amor sendo partilhado por gestos tão carinhosos e delirantes. Até que enfim percebemos a quem o coração de Blaine realmente pertence, fico feliz de ser o dono de um coração tão magnífico. Eu amo tanto esse homem. Nada vai nos separar agora!”
E, com um sorriso maligno, ele postou a foto na internet. Agora sim, seu plano iria dar certo, pelo menos parte dele.
*FLASHBACK OFF*
O dia se passou de uma maneira tão tensa, que Blaine sentou-se sozinho para almoçar, porém não comeu nada. Quando já era tarde da noite, fez uma comida para Kurt, não queria vê-lo sem comer. Andou até o quarto dos filhos com o prato, os talheres e um copo em uma bandeja, colocando em cima do criado-mudo ao entrar no quarto.
— Você não comeu nada... pensei que pudesse estar com fome... – Blaine disse, olhando para o marido, que nem mesmo levantou o olhar. – Olha, eu entendo que você esteja magoado comigo, mas não pode ficar sem se alimentar.
— Eu quero o divórcio. – Kurt finalmente encarou o moreno, mas se arrependeu por tal ato, pois foi naquele momento que perdeu suas forças. – E a guarda do Theo e da Ali.
— O que? – Blaine queria mesmo que Kurt repetisse, pois não acreditava que realmente tinha escutado aquilo. – Eu entendo o divórcio, mas eu não vou admitir que queira tirar eles de mim. Ambos são filhos de nós dois e a sua raiva não pode simplesmente fazer com que eles se separem de mim ou de você. Não desconta neles o meu erro.
— Eu já tomei minha decisão. – Kurt parecia irredutível. – Eu quero o divórcio.
— E mesmo me doendo até o fundo da alma, eu assino esses papeis caso isso vá fazer você se sentir melhor. – Afirmou o moreno, mesmo sabendo que se arrependeria disso. – Mas não vou deixar que você separe nossos filhos de mim ou de você. Eles precisam de nós dois.
— Tem mais uma coisa. Discutimos sobre nossos filhos depois. – Kurt disse seco.
— O que foi agora? – Blaine nem sabia se queria mesmo a resposta.
— Eu me demito. – Blaine o olhou incrédulo, mas a verdade é que aquilo pouco importava no momento.
— Por que? Como pretende ganhar a guarda dos nossos filhos se nem emprego não vai ter?
— Eu vou. Trabalho para o Justin agora. – Kurt foi saindo do quarto e Blaine foi atrás dele.
— Foi assim que tudo começou. – Blaine disse meio baixo.
— Está insinuando que eu vou dar em cima dele? Ele é casado e respeito é algo que, se você não tem, eu tenho. – Kurt praticamente cuspiu as palavras para cima dele. – E ele vai me pagar bem se eu fizer os desenhos das roupas. Não tente me fazer mudar de ideia, eu quero a guarda deles.
— E eu quero você. Viu como não podemos ter o que queremos? – Blaine disse irônico. – Você pode pelo menos me olhar, sabia?
— Você me tinha, a culpa é toda sua. Não tente me forçar a algo. – Pediu o castanho. – Eu estou fazendo tudo errado, pensando de coração partido...
— E isso é mais do que aceitável, Kurt. – O moreno disse mais calmo. – Eu fiz besteira e vou pagar por isso, mas não desconta isso neles. Eles não merecem crescer sem um dos pais.
— Odeio quando você está certo. – Kurt disse, enxugando as lágrimas.
— Que bom que isso é raro. – Riu o moreno. – Mas eu tenho uma proposta, caso queira tentar algo diferente...
— Qual a sua ideia, Blaine?
[...]
Thomas saiu de seu quarto com um sorriso enorme. Tinha passado o dia inteiro vendo o alvoroço que causou nas redes sociais. Ao sair do quarto e ir até a sala, deu de cara com Quinn, que estava de braços cruzados o encarando com uma certa raiva.
— O que foi, maninha? – Ele perguntou se aproximando dela, levando um forte tapa em seu rosto, o fazendo virar o mesmo. – Mas o que foi que eu fiz?
— Eu avisei que eu faria algo com você caso você fizesse algo com eles. – Ela praticamente gritou. – Por que você é tão idiota, Thomas? Tem o que na cabeça? Vento? Milho de pipoca? Detergente? Nada?
— Amor. É isso o que eu tenho. – Ele falou com seu sorriso já no rosto.
— Isso não é amor, isso é doença. Você estragou a felicidade de duas pessoas apenas para se sentir melhor, porque a verdade é que o tempo pode passar, mas você sabe que nunca será feliz e isso é tudo culpa sua, Thomas. Você podia estar no lugar de Kurt, você poderia ter estado com Blaine por todos esses anos, mas preferiu ser um idiota e quebrar o coração dele. Agora ele está novamente de coração partido e junto com Kurt ainda por cima. – Ela disse com lágrimas nos olhos. – Você precisa se tratar, meu irmão. Volto a dizer: isso é doença, não amor.
— E quem disse que ele está de coração partido? Ele traiu Kurt.
— Em que mundo? Nos seus de fantasia? O que mais tem nessa sua mente? Unicórnios que cospem arco-íris? Para de viver em um mundo perfeito que não existe, Thomas. Eu sei que ele não faria aquilo com Kurt, porque, ao contrário do que você sente, aquilo é amor de verdade. Um amor que você nunca vai ter.
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