He Doesn't Like The Lights
15 #15 - Então eu demito você
Notas iniciais
#15
Então eu demito você
Alguns dias se passaram e as coisas estavam um pouco estranhas tanto para Kurt quanto para Blaine.
Para Kurt estava estranho porque Blaine simplesmente começou a ter inúmeros compromissos e passou a ignorá-lo. Talvez fosse melhor mesmo o castanho não saber o que Blaine fazia, pois se não ele ficaria mais magoado do que já está.
Para Blaine estava estranho porque Kurt estava distante e a culpa era dele. Ele tinha afastado Kurt de si, porque ele tinha ido para uma festa e acabou na cama com dois caras diferentes e, o pior, ele repetiu isso nas últimas noites, com outros homens. Ele estava se sentindo a pior pessoa do mundo.
E ele realmente era uma pessoa muito ruim para Kurt, ele só queria poder se afastar de vez e fingir que nunca o conheceu. Não que ele quisesse esquecer a existência do castanho, longe disso. Só que Blaine conseguia reconhecer quando estava fazendo algo errado para alguém e o doía mais que tudo saber que o machucado agora era aquele que ele tanto amava. Sim, amava.
Blaine definitivamente amava Kurt, ele só não o merecia.
Todos os dias de Blaine pareciam programados e ele parecia um robô que apenas seguia o cronograma. Todos os dias nas últimas duas semanas ele acordava no mesmo horário, almoçava normalmente a mesma coisa e no mesmo horário, passava suas tardes no estúdio ou dentro de um avião, fazia seus shows ou ensaiava ou escrevia novas canções, comia alguma coisa e ia para festas.
Ele passava por Kurt por dentro de sua casa ou nos bastidores de seus shows, já que o castanho estava o acompanhando nas viagens, mas eles mal se falavam. Se encaravam, se cumprimentavam e era apenas isso. Durante as refeições eles não trocavam uma sequer palavra. Estava uma verdadeira bagunça a relação dos dois.
Hoje é apenas mais um dia desses, porém hoje Blaine não teve show e está agora se arrumando para uma nova festa.
— Já vai sair? – Kurt perguntou, se escorando na porta do quarto de Blaine.
— Vou. – Blaine disse e então se virou para Kurt. Ele preferia não ter virado. – Onde você vai com essa mala?
— Vou voltar para o meu antigo apartamento. Meu melhor amigo terminou o namoro dele e precisa de mim, fora que eu não vejo motivos para morar na mesma casa que você, já que ultimamente parecemos dois estranhos. – Respondeu o castanho. – Só vim entregar a chave. – Kurt estendeu a chave para Blaine pegar, mas o mesmo a empurrou de volta.
— Fique com ela, caso queira voltar. Você pode sentir minha falta. – Brincou o moreno, vendo Kurt encher os olhos de lágrimas. – Você está bem?
— Não, eu só... o que fazemos é errado. – Kurt abaixou o olhar, tentando evitar de olhar para Blaine. – Você é meu chefe, não é certo, entende?
— Está dizendo que a única relação que nós temos você quer cortar? – Perguntou incrédulo, se aproximando mais de Kurt.
— Era basicamente uma amizade colorida e eu cansei, ok?
— Se esse é o caso, eu te demito. – Blaine queria se ajoelhar e implorar para Kurt não ir embora, mas ele sabia que não faria isso. – Você pode continuar trabalhando para mim sem ser contratado por mim e...
— Por que? Por que você quer isso? – Kurt interrompeu Blaine. – Honestamente, você pode ter qualquer homem, não precisa de mim para isso. Olha, eu preciso mesmo ir embora daqui, eu... eu ainda trabalho para você se quiser, mas acho melhor manter nisso.
— Não. Não posso permitir que faça isso. Você não pode simplesmente acabar com o que temos.
— Não estou terminando com nada que temos, porque nós não temos nada, Blaine. – Aquilo doeu mais do que um tiro em Blaine.
— É, você tem razão. Não temos nada. – Blaine sorriu falso. – Mas nos divertimos bastante nesses meses, não é?
— É. – Disse Kurt. – Mas em todos esses meses eu só queria ouvir você dizendo que me ama, mas é óbvio que você não ama.— Pensou ele.
— Se é isso o que você quer, tudo bem então. – Kurt assentiu, pegou sua mala e foi embora.
Blaine viu Kurt ir embora, viu o castanho pegar o carro e sair pela rua. Ele estava sozinho em casa, já praticamente arrumado para ir para uma festa, mas ele não conseguia nem pensar em se divertir agora.
Ele andou até o quarto que pertencia a Kurt, se dirigiu a cama do castanho e se deitou lá, onde abraçou um travesseiro do Hummel e deixou aquele perfume doce o invadir. E, abraçado naquele travesseiro, com aquele cheiro tão bom, ele se permitiu se debulhar em lágrimas. Ele nunca sentiu uma dor tão forte quanto a que estava sentindo agora.
[...]
Kurt foi recebido de braços abertos por Sebastian. Era verdade que Sebastian estava mal pelo término do namoro, mas isso foi mais uma desculpa para Kurt sair da casa de Blaine. Ele precisava colocar seus pensamentos no lugar e ver se valia a pena ou não deixar aquilo continuar.
Na noite seguinte Blaine tinha show e Kurt não foi com ele, mas resolveu assistir ao show pelo seu notebook.
Blaine estava maravilhoso em cima do palco, com seu violão e seu microfone. Um sorriso triste estava em seu rosto, acompanhado de um olhar distante e perdido. Ele estava lindo naquelas roupas, mas era a única coisa que estava o embelezando naquela noite.
— Eu vou cantar uma música que não é minha, mas é uma que não consigo parar de ouvir desde ontem à noite. – Disse Blaine.
Kurt largou sua caneca ao lado do notebook, cruzou as mãos uma na outra e ficou apenas olhando para aquela tela.
Think I don't need a watch to tell the time
(Acho que não preciso de um relógio para saber a hora)
Think I don't need the sun to help me shine
(Acho que não preciso do sol para me ajudar a brilhar)
Think I don't need a girl to be alright
(Acho que não preciso de uma garota para ficar bem)
Guess I didn't know
(Acho que não sabia)
Kurt encheu os olhos de lágrimas já pelo início daquela música, o doeu demais ver Blaine aparentando estar destruído. Ele não sabia o motivo que tinha deixado Blaine daquele jeito, mas a ideia de a culpa ser sua estava o invadindo e o deprimindo.
Ele não queria ter deixado Blaine, aliás, ele ainda não quer. Ele quer voltar correndo para os braços aos quais ele pertence e sempre pertencerá. Mas ele não pode. Ele não pode esquecer de amar a si mesmo só porque ama Blaine, ele já fez isso uma vez e se arrepende até hoje.
Thought I didn't need shoes on my feet
(Achei que não precisava de sapatos nos meus pés)
Thought I didn't need a bed to fall asleep
(Achei que não precisava de uma cama para dormir)
Thought I didn't need love to be complete
(Achei que não precisava de amor para ser completo)
Guess I didn't know
(Acho que não sabia)
Blaine encarava o chão, ele aparentava não ter forças para olhar para seus fãs. Na verdade, ele parecia não ter forças nem para cantar naquele momento. Ele estava machucado de verdade ao que poderia se definir o assistindo.
Kurt se sentia cada vez mais destruído de ver aquela cena, aquilo estava o matando pedaço por pedaço internamente. Externamente era isso que suas lágrimas mostravam.
That I just got this crazy feeling
(Que eu tive esse sentimento maluco)
I've been making someone wait for me...
(De que estou fazendo alguém esperar por mim)
For me
(Por mim)
You're all I think about when I'm awake
(Eu só penso em você quando estou acordado)
Part of every night and every day
(Partes de todas as noites e todos os dias)
And everything's a mess when you're away
(E tudo é uma bagunça quando você está longe)
Now I know
(Agora eu sei)
A letra que Blaine estava cantando, por mais que Kurt não soubesse, era para ele. A vida de Blaine era uma bagunça, ou melhor, Blaine era uma bagunça sem Kurt por perto. Tudo era horrível e ele sentia estar caindo em um buraco escuro, sem nada para iluminá-lo.
Kurt já não aguentava mais chorar, sua cabeça doía tanto que chegava a latejar, seus olhos pareciam cansados e estavam com a volta inchada, fora a ardência e dor que ele sentia nos mesmos.
All of this is good and really old
(Tudo isso é bom e muito antigo)
I'm having trouble sleeping on my own
(Estou com problemas para dormir sozinho)
Feeling like a house but not a home
(Isso parece uma casa, mas não é um lar)
I want you to know
(Eu quero que você saiba)
Kurt não podia enxergar toda a dor que Blaine estava sentindo, mas podia dizer que uma certa porcentagem dela estava sendo enviada através daquela música e através dos olhos de Blaine. Ele estava chorando.
Sebastian viu Kurt chorando e se aproximou do amigo, sentando ao seu lado e o abraçando. Ele precisava falar para Kurt o que estava acontecendo para que o castanho pudesse desistir de vez do Anderson.
That I just got this crazy feeling
(Que eu tive esse sentimento maluco)
I've been making someone wait for me...
(De que estou fazendo alguém esperar por mim)
For me
(Por mim)
Guess I need a watch to tell the time
(Acho que preciso de um relógio para saber a hora)
Guess I need the sun to help me shine
(Acho que preciso do sol para me ajudar a brilhar)
And I really need you in my life
(E eu realmente preciso de você em minha vida)
Now I know
(E agora eu sei)
Mas Sebastian não queria simplesmente destruir mais ainda o seu amigo. Ele queria ajudá-lo sem magoá-lo. O único problema é que não tinha como ele fazer isso. Ele precisava falar a verdade e depois consolar o melhor amigo. Era a única coisa que ele podia – e precisava – fazer.
That you give me this crazy feeling
(Que você me dá esse sentimento maluco)
And you won't have to wait no more for me...
(E não precisa mais esperar por mim)
For me
(Por mim)
And I just got this crazy feeling
(E eu acabei de ter esse sentimento maluco)
I've been making someone wait for me
(De que estou fazendo alguém esperar por mim)
[...]
Blaine foi para o hotel onde ia quando queria ficar sozinho e se atirou em sua cama. Ele foi para lá porque Gabriela e John estavam em sua casa e ele queria encontrar com a pessoa que ele precisava no momento. Ele pegou seu celular e digitou uma mensagem:
"Pode vir ao hotel onde te levei quando nos conhecemos? Precisamos conversar. – Blaine"
Ele se escorou no travesseiro após avisar a recepção que Kurt poderia entrar e ficou apenas esperando.
Quando a porta se abriu e um castanho sorridente passou pela porta, foi como se toda a dor de Blaine fosse embora e o mundo se tornasse colorido novamente.
Ele andou até Kurt e o abraçou, o puxou pela cintura e o beijou com toda a ternura do mundo. Os dois começaram a trocar carícias e mais carícias, beijos e mais beijos, até que pararam e se encararam.
— Eu te amo tanto, Kurt. – Confessou o moreno.
— Eu também te amo, B. Eu esperei tanto por esse momento.
— Não tanto quanto eu. – Blaine disse e voltou a beijar Kurt, com ainda mais intensidade do que antes.
Ele puxou o castanho em direção a cama e se sentou com o mesmo em seu colo. Era tão boa a sensação de ter o seu amor em seus braços, ali dizendo que o amava.
— B, nós podemos apenas deitar juntos, por favor? – Pediu Kurt e Blaine automaticamente concordou. – Eu acho que te amo desde que te conheci.
— Mas eu não mereço você, nem nunca mereci. – Blaine se escorou em seu braço e encarou Kurt. – Mesmo assim eu te amo.
Kurt se escorou no braço de Blaine e ali ele adormeceu, abraçado em seu amor.
[...]
Blaine se acordou assustado, era duas e meia da manhã. A cama estava intacta ao seu lado, ele estava totalmente vestido e sozinho no escuro. Kurt não tinha nem se dado ao trabalho de ir até o hotel para falar com Blaine.
Talvez ele merecesse isso, não é mesmo? Ele não merecia Kurt. Ele merecia ficar sozinho no escuro. Ele merecia a solidão.
Fale com o autor