He Doesn't Like The Lights
13 #13 - Você está sempre certo
Notas iniciais
#13
Você está sempre certo
— Kurt? Você não vai dizer nada? – Blaine perguntou um pouco nervoso, já que tinha dito em alto e bom tom que estava apaixonado por Kurt e não obteve nenhuma resposta.
Quando ele olhou para o lado percebeu o motivo. Kurt estava dormindo. Kurt não tinha escutado o que ele havia dito. Ele levantou da cama irritado, vestindo suas roupas e saindo do quarto em seguida.
Como era possível que ele tivesse sido tão estúpido e por qual motivo ele estava tão irritado? Não era melhor que Kurt não tivesse escutado? Bom, talvez não fosse tão bom assim. Ele só sabia que se sentia mal por si mesmo, sem nem imaginar o que Kurt pensaria se tivesse escutado.
Será que o castanho diria que sente o mesmo e tudo se tornaria um conto de fadas onde eles ficariam felizes para sempre? Ou será que ele diria que cansou de Blaine e que não há mais nada entre eles? Será que tudo terminaria daquela maneira? Blaine não conseguia mais imaginar como era um mundo sem Kurt ao seu lado.
Um mundo sem pequenas e simples coisas que eram tão grandiosas aos seus olhos, como a noite na lancha, ou o “baile” que Blaine fez para Kurt. As vezes que Kurt ia ao seu show ou as roupas que ele fazia para Blaine. Todas os momentos ao lado do castanho eram como um novo aprendizado sobre o que é o amor e Blaine sentia que queria aprender tudo aquilo e muito mais, mas agora ele queria apenas desistir desse amor. Desistir de tudo, inclusive de Kurt.
O Anderson desceu as escadas ainda irritado. Ele seria capaz de destruir a casa inteira com sua raiva no momento. Mas ele tentou se acalmar e foi para o seu estúdio tentar escrever alguma coisa. Quando já era de manhã, ele resolveu ir para a cama dormir por pelo menos duas horas, já que John e Gabriela iriam cedo para sua casa, porque eles tinham algumas coisas sobre a turnê para resolver.
Blaine se acordou pouco mais de duas horas depois aparentando estar um pouco mais relaxado, mas ainda estava irritado. Ele se mexeu um pouco na cama e virou-se para o outro lado, percebendo que Kurt o encarava com um leve sorriso no rosto. Será que ele tinha escutado, afinal?
— Bom dia! – Kurt disse com um sorriso que era capaz de mudar o mundo. Principalmente o mundo de Blaine.
— Espero que seja bom. – Blaine se virou de novo e levantou da cama, se espreguiçando em seguida.
— Alguém acordou de mau humor. – Constatou Kurt, também levantando da cama e se vestindo. – Gabi e John vem para o café?
Blaine apenas murmurou um “uhum” e foi tomar um banho para acordar. Kurt se sentiu um pouco incomodado ao não ser chamado para fazer companhia, mas preferiu deixar o Anderson quieto, pois quando ele acordava de mau humor era difícil de animá-lo.
Kurt então foi para o banheiro do seu quarto, para tomar seu banho lá.
Quando ele já estava de banho tomado e com uma roupa mais decente, ele desceu as escadas para ir até a cozinha. Ele cumprimentou John e Gabriela, que recém haviam chegado. Logo Blaine desceu também as escadas, mas não cumprimentou os amigos, ele simplesmente foi até a mesa e se sentou.
— Opa, parece que alguém caiu da cama hoje. – Brincou Gabriela, vendo Blaine revirar os olhos. – Como você é maduro e educado.
— Será que dá para não me encher? – Ele perguntou um pouco rude.
Kurt, que estava ao lado de Blaine, posicionou sua mão na coxa do moreno para tentar acalmá-lo, ou pelo menos descobrir o que tinha acontecido e se ele era o culpado disso. Mas Blaine não disse nada, até parecia querer tirar a mão de Kurt de si, mas, depois de um tempo, ele segurou a mão do castanho. Vendo isso, o Hummel começou a acariciar a mão do moreno, que até abriu um sorriso fraco e pediu desculpas para Gabriela.
Quando a mesma foi se levantar da mesa para pegar o café, ela bateu com tudo, chamando a atenção de todos, então disse rindo:
— Eu ainda vou me matar com essa mesa. – Ela disse em tom de brincadeira e não entendeu quando viu que Kurt e Blaine se entreolharam e coraram em cinquenta diferentes tons de vermelho. – Aconteceu algo que eu não sei?
Os dois meninos negaram juntos e rapidamente, logo tentando mudar de assunto. Mais tarde naquela manhã, Gabriela, John e Blaine se trancaram em uma sala da casa para discutirem o que aconteceria até o final da turnê, enquanto Kurt ficou em seu quarto escolhendo uma roupa para sair.
Blaine insistiu em ser levado até o pai de Kurt para ver o que podia fazer pelo mesmo e Kurt só aceitou porque seu pai podia mesmo precisar de ajuda. Kurt sempre amou tudo que tivesse a ver com moda, mas parte do motivo que o levou a chegar até Blaine, foi pelo bom salário, que o ajudaria a cuidar melhor de seu pai.
O Hummel mais velho, Burt, estava com um problema sério no coração e precisava fazer uma cirurgia que era considerada de extremo risco. Mesmo tendo risco ele estava disposto a fazê-la, então Kurt estava juntando o dinheiro para poder pagar. Mas ele precisava juntar mais ainda, por mais tempo, porque ele tinha que pagar suas próprias contas e mais as de seu pai, então era complicado para ele. Ele precisava de mais quatro meses separando um terço e meio do seu salário para poder pagar pela cirurgia.
Quando Kurt já estava pronto, ele ficou aguardando um tempo por Blaine e, enquanto isso, ele ligou para seu pai para avisar o mesmo que os dois o buscariam para um almoço em um restaurante no qual Blaine já havia feito reserva.
Após esperar uns bons minutos, Kurt finalmente viu Blaine andando pronto em sua direção. O moreno fez um sinal de “vamos?” e foi em direção ao carro ao lado do Hummel.
Eles andaram por cerca de vinte minutos até chegarem a casa de Burt, onde o encontraram já esperando na frente de casa. Ele entrou no carro e cumprimentou o filho e o chefe do mesmo. Eles logo chegaram ao restaurante, avisaram seus nomes e foram se sentar, começando a conversar após fazerem seus pedidos.
— Então você é o famoso Burt Hummel? – Perguntou Blaine, com um sorriso um pouco grande nos lábios, deixando o mais velho corado, assentindo devagar. – Obrigado por ter trazido Kurt ao mundo, só Deus sabe o que aconteceria se eu não tivesse um estilista tão bom quanto ele.
Kurt corou em diferentes tons de vermelho e negou com cabeça enquanto ria envergonhadamente. Burt sorriu com a interação dos dois e não pôde evitar sua pergunta:
— Vocês são namorados? – O queixo de Kurt caiu com a pergunta de seu pai e ele quase se afogou com o ar.
Blaine tinha ficado surpreso com a pergunta, mas ficou ainda mais surpreso com a reação de Kurt perante a mesma. Será que Kurt não queria ser namorado de Blaine caso essa fosse a questão? Será que seria tão ruim assim um relacionamento sério com Blaine? O moreno tentou não pensar nisso e voltou ao seu jeito habitual de fazer piadinhas sem graça e perguntas que eram, de certa forma, provocantes. Aquele jeito normal de Blaine, daquele Blaine que Kurt conheceu meses atrás.
— Não temos um rótulo, mas é quase isso, não é mesmo, Kurt? – Kurt novamente engasgou ao ouvir agora as palavras de Blaine.
Burt percebeu a tensão que ficou e preferiu não insistir no assunto, pois não queria se meter nos relacionamentos de seu filho. Ele não sabia o motivo exato do almoço, mas não queria criar briga com o chefe de seu filho, ainda mais ele tendo todo o glamour que tinha. Milhares de fãs estavam na volta do restaurante, apenas aguardando para poder tirar uma foto com Blaine.
— Sr. Anderson, prepare-se. – Avisou Kurt, deixando o moreno confuso. – Tem milhares de câmeras nos fotografando. Amanhã vai sair em tudo quanto é lugar que você saiu com...
— Meu namorado e meu sogro. Eu não ligo. É quase isso mesmo. – Blaine falou, encerrando sua frase em um tom mais baixo, fazendo Kurt arquear a sobrancelha e ficar em silêncio.
Quando os pedidos chegaram, o único som que se ouvia era dos talheres batendo nos pratos e o murmúrio das pessoas em volta. Até que Blaine quebrou o silêncio:
— Senhor Hummel, Kurt me contou sobre sua condição médica. – Disse o moreno. – E eu insisti para que ele me trouxesse até você para que eu possa ajudá-los.
— Oh, não preciso de mais dinheiro... não quero que fique gastando comigo. Isso é desnecessário. – Burt falou tentando desviar o olhar de Blaine. Ele não queria que seu filho nem mais ninguém gastasse mais dinheiro com ele. – Eu estou perfeitamente bem.
— Ter um problema sério no coração agora é uma nova definição de estar perfeitamente bem? Porque se for assim eu estou cheio de problemas de saúde. – Blaine disse de seu jeito irônico. Um jeito que irritava Kurt, mas que as vezes o castanho até sentia falta.
— Eu só não quero incomodar. – Burt disse cabisbaixo, tomando um pouco de seu suco.
— Saúde sempre vem em primeiro lugar, pai. Você sempre me ensinou isso. Acredite em mim, eu também não queria envolver Blaine nisso, eu falei totalmente sem querer. – Kurt parecia estar arrependido de ter dito aquilo e Blaine percebeu, mas Burt continuou a negar.
— Vai negar o meu dinheiro? Porque dinheiro não é um problema para mim. – Blaine falou tentando parecer o menos ríspido possível. Ele queria parecer simpático, mas não tinha paciência com quem não aceitava a sua ajuda. Ele era o único que podia negar a ajuda dos outros.
— Pode não ser um problema, mas o dinheiro é seu. – Foi nesse momento que Blaine percebeu que não ia conseguir aquilo do jeito fácil.
— Vamos de modo difícil, então? – Perguntou Blaine, vendo duas faces confusas o encarando. Ele cruzou as mãos em cima da mesa e prosseguiu: – Eu sou chefe do seu filho e eu não acredito que ele vá ser apto a trabalhar caso ocorra algo mais grave com o próprio pai, sendo assim, eu preciso garantir que qualquer coisa que possa causar tristeza em meu estilista fique fora do caminho. Por esse motivo, eu vou marcar a sua cirurgia no dia que ficar melhor para o senhor, no melhor hospital da cidade e é tudo por minha conta. A sua recuperação em casa também será por minha conta, eu vou contratar a melhor enfermeira do país para que ela cuide de você. Também contratarei alguém para limpar sua casa e fazer sua comida. Qualquer outra coisa que você precisar, é só avisar ao senhor Hummel que eu irei providenciar. Agora vamos voltar a almoçar, porque ser tão sério me incomoda. Obrigado pela atenção. – E, com um sorriso cínico, Blaine voltou a comer, ouvindo uma risada gostosa de Kurt.
— Eu não vou ter escolha, né? – Perguntou Burt.
— Acredite, pai, quando Blaine coloca algo na cabeça, ninguém mais tira. – Brincou Kurt, também voltando a almoçar.
[...]
Após o almoço, Blaine largou Burt em sua casa e levou Kurt até o parque, depois de, com muito esforço, fazer seus fãs pararem de segui-lo.
— Qual seu problema com eles? – Kurt perguntou, tirando Blaine de seus pensamentos. O moreno fez um olhar confuso, demonstrando que não havia entendido direito a pergunta. – Seus fãs...
— Odeio ser o ídolo de alguém, só isso. – Respondeu ele, dando de ombros em seguida.
— Seria demais se eu perguntasse o motivo? – Blaine negou e andou mais um pouco com Kurt, até os dois sentarem em um banco sob uma grande árvore.
— Você tem ídolos, certo? – Kurt assentiu. – Pense que todas as atitudes desse ídolo, de certa forma, te afetam. Se ele fizer algo errado, você fica triste, da mesma maneira que fica feliz se ele fizer algo bom. – O moreno soltou um suspiro, olhou para as pessoas no parque e voltou a olhar para Kurt. – É horrível, sabia? Saber que minhas atitudes podem influenciar na vida deles faz com que eu me sinta mal. Eu sinto que tudo que eu fizer vai causar algum mal neles.
— Como quando um famoso é preso e isso acaba machucando os fãs? – Perguntou o Hummel, encarando Blaine.
— É exatamente isso. Cada vez que algo ruim acontece relacionado ao meu nome eu pesquiso sobre o assunto na internet, fico olhando o que meus fãs estão comentando no twitter e a dor de ver eles decepcionados comigo é algo que eu não consigo nem explicar. Só sei que dói demais e, algumas vezes, é quase insuportável. – Blaine possuía lágrimas nos olhos e Kurt até conseguiu sentir pena do moreno. – Cada vez que eu vejo eles sorrindo para mim, que eu vejo eles pedindo fotos e dizendo que me amam, eu penso em todas as besteiras que eu faço e penso no quanto isso pode machucá-los. Meu único problema é que eu só penso depois de fazer e aí já não adianta mais.
— Adianta sim. – Começou Kurt. – Olha, vamos tomar um sorvete enquanto conversamos mais.
Kurt levantou e puxou Blaine, que sorriu fraco. Eles foram até a sorveteria do outro lado da rua e fizeram seus pedidos para a viagem, pois queriam comer no parque. Kurt pediu um sorvete de baunilha com chocolate e Blaine pediu um normal de creme.
Quando eles pegaram seus sorvetes Kurt tentou pagar pelos dois, mas Blaine não deixou. Kurt insistiu em pagar pelo menos o seu próprio, mas Blaine novamente negou. Fora que, durante o caminho até ali, Blaine se irritou um pouco por Kurt ficar o tempo todo o agradecendo por ele ajudar seu pai. Mas o moreno apenas dizia que estava tudo bem. Na verdade ele queria dizer: “Quero garantir que meu futuro sogro fique saudável”. Só que ele nunca iria admitir isso em voz alta, já que da última vez que tentou, deu errado.
— Blaine? – Kurt estalou os dedos em frente ao moreno, que o olhou completamente confuso.
— Desculpe, o que você estava dizendo? – Perguntou ele, parecendo anestesiado.
— Eu estava dizendo que adianta sim você parar para pensar. Porque se você pelo menos pensa sobre o assunto, significa que talvez você se arrependa. – Kurt estava se sentindo até um psicólogo dando conselhos para Blaine e o pensamento o fez sorrir.
— É claro que eu me arrependo. Eu só machuco as pessoas na minha volta. – Blaine logo terminou seu sorvete, o que assustou Kurt, já que estava extremamente frio e ele tinha tomado com tamanha rapidez. – O problema é que eu não consigo mudar.
— Mas você quer mudar por eles? – Indagou o castanho.
— Ser rude me parece ser tão mais fácil. – Disse com a voz um pouco baixa, talvez um pouco triste.
— Mas isso magoa eles e você mesmo disse que odeia isso.
— Você está sempre certo. – Blaine riu. – É por isso que eu nunca sei se te amo ou te odeio.
Kurt perdeu as palavras ao ouvir aquilo e Blaine desviou o olhar um pouco tímido.
— Você pode até odiar, principalmente quando eu te provoco... mas na maior parte do tempo eu sei que você me ama. – Brincou Kurt, terminando seu sorvete em seguida.
Esse era o momento em que ele queria simplesmente ter dito “eu te amo, Blaine”, mas as palavras pareciam ter simplesmente sumido de sua boca.
Talvez simplesmente não fosse para ser, afinal.
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