Hawaii
6 Lokomaikaii
Notas iniciais
A noite no Hawaii era totalmente alegre, pessoas sorriam e dançavam na praia. Casais apaixonados beijavam-se ao luar com vivacidade.
Oliver esperava por Felicity vestindo roupas leves, calça e camisa clara, usava sapato sem meias. Ele deixava uma sensualidade inebriante pairar no ar quente da noite.
Felicity usava um vestido azul muito simples, sapatilhas nos pés, uma presilha dourada nos cabelos soltos. E muito sexy.
Felicity e Oliver já exibiam bronzeados únicos, perfeitos.
Naquela noite eles iriam jantar num restaurante pequeno, o cartaz anunciava que era a noite do Karaokê. Felicity se animou. Ela adorava cantar, não em público, no seu banheiro e sozinha. Mas hoje, ela deixaria a inibição fora de sua vida e cantaria. Oliver aprovaria sua diversão?
Talvez não. Pensava com um dar de ombros.
No mais absoluto silêncio, os dois caminharam até o restaurante, Felicity sentia os cabelos loiros esvoaçando com a brisa do mar. Teve vontade de abrir os braços, abraçando toda aquela vida agitada do Hawaii. Se conteve com esforço. Disfarçadamente, tocou seus lábios com a ponta dos dedos, lembrando-se do beijo. Suspirou em tom amargurado.
Jantaram e conversaram animadamente, nenhum dos dois quis comentar sobre o beijo trocado no mar. Subitamente, Oliver parecia pensativo. Ele a queria em seus braços, queria beijar novamente a sua boca com urgência no meio de todo mundo e mostrar à todos que ela era dele.
Mas não era.
Ele praguejou.
Não era.
Ela sorria, a pele já mostrava um tom dourado irresistível.
Bruscamente, ela se levantou, ele lhe lançou um olhar interrogativo.
— Eu quero cantar. — Felicity anunciou fervorosamente. Oliver ficou espantado, olhou para o copo dela. Água. Ela bebera apenas água durante a noite toda. Oliver agitou as mãos impacientemente, quando ouviu assobios agudos, homens gritavam palavras no dialeto havaiano, que ele sabia muito bem o significado.
Wahine Ono*. Os homens gritaram em coro quando Felicity subiu ao pequeno palco, decidida, esbanjando sensualidade.
Os gritos e os assobios tiveram um efeito explosivo sobre Oliver, ele olhava ao redor com rancor, fitando todos com ar ameaçador e implacável. Contudo, quando Felicity começou a cantar, tudo parou. Ele só conseguia ver e ouvir aquela voz levemente rouca, os movimentos ritmados do corpo, a ousadia deliciosa dos quadris. Oliver sentiu uma fisgada de imediato em seu sexo.
Felicity sabia provocar e torturar. Os gritos tornaram-se mais altos, alguns homens levantaram afoitos, indo ficar a frente do palco, aplaudindo de maneira fervorosa. Oliver sentiu seu instinto assassino ainda mais forte naquele momento. Respirou fundo, tentando se controlar e admirar a mulher que o estava enlouquecendo de desejos. Que o estava matando de ciúmes.
Ela sorria. Ela flertava.
Balançava o microfone entre as mãos.
Piscava.
E cantava olhando pra ele, diretamente pra ele. Oliver sentiu uma flechada de desejo o atingir intensamente. Arfou quando prestou atenção na música cantada por ela.
Pura sedução.
Entreolharam-se, conectando alma e coração. A música falava de liberação. Sem inibição. Apenas curtição. E da alegria de ser uma mulher independente.
Oliver sentiu-se sufocar. Naquele momento era ele que queria gritar e berrar. Era ele que queria agarrar Felicity e provar seu beijo com ardor selvagem. Ardente. Descontrolado.
Era ele que queria ser livre pra amar.
Amar Felicity.
Ela finalizou a música com os cabelos totalmente desengrenhados e sexy pela dança frenética e efusiva. Ganhou flores, aplausos, gritos e elogios. Olhou pra mesa ocupada por Oliver e encontrou o vazio. Oliver não estava mais lá. Onde estaria?
Fugindo.
Oliver correu pela areia. Fugindo. De Felicity e todo o amor que sentia. Medo. Ele temia amar e perder.
Perder Felicity.
Ele fugia, quebrando sua própria promessa de não deixá-la sozinha.
Oliver tremia, o corpo poderoso resvalava seu medo e sua angústia. Sentou-se na areia e ficou ali, fitando as ondas baterem nas pedras com impetuosidade, o horizonte tão vasto e ele tão perdido e pequeno no momento. Sentiu sua respiração ofegante. Sentiu seu coração sangrar de tristeza. Sentiu a vastidão da solidão abraçar sua alma sofredora.
Esmagando-a vigorosamente. Sentiu lágrimas queimar seus olhos.
Sentiu tudo.
— Mahalo!* — Felicity agradecia no dialeto havaiano, os bonitos olhos azuis procurando por Oliver. Sem encontrá-lo.
Felicity desceu do palco sendo abraçada e ovacionada pelo pessoal presente. Ela tentava sorrir em agradecimento, mas as lágrimas ameaçavam rolar de seus olhos copiosamente. Chegou até a mesa vazia. Inclinou a cabeça, fechando os olhos pra conter as lágrimas. Oliver havia ido embora e a deixado sozinha, quebrando seu coração e sua confiança, estragando suas férias. Será que ele sentia-se envergonhado pelo comportamento espontâneo dela? Num sussurro emocionado, ela deixou o pequeno restaurante, a pessoas estavam tão felizes e ela sentia-se tão triste, seguiu andando pela praia deserta. Avistou ao longe uma figura grande. Oliver. Ela quase correu ao seu encontro. Ele estava sentado, cabisbaixo, parecia sofrer também.
Por que?
Sentiu raiva dele.
Aproximou-se vagarosamente. Cada passo suave na areia. Ele sentiu seu perfume. Doce aroma. Levantou a cabeça e a observou. Ela estava linda, o rosto perfeito revelando preocupação e nervosismo.
Silêncio. Apenas o barulho inquebrável do mar nas rochas distantes.
Felicity balançou a cabeça freneticamente antes de revelar todo o seu ressentimento. Limpou violentamente as lágrimas do rosto e gritou com ele.
Agressiva e feroz.
— Você tem medo de quê? — Ela gritou, vociferando sua raiva duramente. Os olhos encharcados em tristeza e lágrimas. Repetindo a mesma pergunta que fizera antes da viagem, mas agora, tinha uma ponta de sarcasmo e raiva na voz dela.
Felicity ofegou com o nervosismo.
— De você! — Oliver abaixou a cabeça, murmurando tristemente, derrotado. Seus olhos também molhados.
Assustada, Felicity queria entender como ele a via como ameaça. Nada disse, ficou de frente pra ele, olhando-o demoradamente. Seus olhos encheram-se de lágrimas e ela piscou rapidamente, a alegria de antes sendo substituída por uma tristeza desolada.
Oliver começou a falar num fio de voz, cada palavra uma declaração.
— Na mansão, quando eu disse que te amava, eu não estava mentindo e nem seguindo um maldito plano, eu disse a verdade, Felicity. Eu realmente te amo, você entende agora? Tenho medo desse amor ser a minha ruína. Tenho medo de te perder, de algum inimigo meu fazer alguma maldade com você, pra me ferir. Você entende? E eu mato quem machucar você! — Ameaçou violentamente, a voz trêmula. — E eu não sei como reagir a tudo isso. Ao amor— Oliver colocou a mão no coração, mostrando como o amor o afetava e o machucava. Ele que nunca chorava, agora sentia o gosto salgado de suas lágrimas molhar sua boca, sua palavras, sua dor.
Felicity sentiu as pernas trêmulas, seu coração tinha as batidas irregulares, descompassadas, engoliu em seco tentando entender as palavras ouvidas. Oliver a amava? Era uma declaração o que ela acabava de ouvir? Ficou parada, uma mão na boca, sem reação.
Oliver chorava por ela? O homem forte e brutal, chorando? Amando? Ela?
Felicity piscou, tonta e confusa.
— Nem eu. — Felicity dizia tremulamente. — Mas sei três coisas. Você não está sozinho. Eu acredito em você. E eu acredito em nós. — A voz embargada, as lágrimas sendo varridas pelo vento.
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