- Bem, a propósito, qual é o seu nome? — o garoto me perguntou depois de um longo período de silêncio. Já estávamos na estrada e a chuva caía incessantemente na janela do carro.

— Allison, Allison Elizabeth Chase. E você foi muito gentil comigo.

— Dylan Ford. Mas pode me chamar de Dylan.

— Dylan. Certo.

Ficamos mais um tempo em silêncio e o carro parou em frente a uma mansão, velha, mas ainda sim uma mansão.

— Posso fazer uma pergunta? — ele começou.

— Claro. — eu disse.

— Por que uma garota tão linda como você vai morar em uma casa como esta?

Infelizmente essa era uma pergunta a qual eu não podia responder. Pelo menos não para ele...

Dei uma risadinha. Os garotos adoram quando você se faz de bobinha engraçada.

— O que houve Allison Elizabeth?

— Acabei de me lembrar... Não trouxe um guarda-chuva. — disse mudando o rumo da conversa.

— Ah, não se preocupe. Eu te empresto o meu casaco.

— Você não precisa...

— Eu insisto. Aqui. — disse ele enquanto ele tirava o casaco e o colocava sobre meus ombros.

— Você não vai ficar com frio?

— Acho que não.

— E... Eu vou vê-lo novamente?

— Eu espero. Agora sei onde você mora e tenho o pretexto de voltar para pegar meu casaco. — ele disse e sorriu. Sorriso torto, perfeito. Sorri, baixei a cabeça, olhei para o chão e mexi no cabelo. Garotos também adoram isso porque acham que estão deixando a garota tímida com sua presença. A verdade é que eu não gosto dele. Minha diversão é conquistar, namorar um pouco e depois pular para outro. A única vez que eu realmente gostei de um garoto, ele me decepcionou profundamente e agora, eles só servem para minha diversão passageira. Não competia com ninguém. Só comigo mesma eu acho. Gostava de me superar a cada namoro. Já tive alguns dez depois da frustração amorosa, e a única coisa que vi de bom nessa cidade nova era que iriam ter garotos novos e tão otários quanto os outros. Peguei o casaco da mão de Dylan e saí do carro. Ele saiu também, pegou minhas malas e eu as arrastei até a sacada que ficava na parte de frente da casa. Ele ascenou e gritou fazendo reverência:

— Foi um prazer, Allison Elizabeth.

A única coisa que fiz foi sorrir. E minhas bochechas já estavam até doloridas de tanto fingimento de felicidade. Me virei e destranquei a velha porta com a chave. Pensei que aquele monte de madeira podre fosse desabar em cima de mim, pois a porta rangeu mais que o carro de Dylan. Entrei, e me dei de cara com a sala de estar. Enorme. Subi as escadas da direita (haviam três escadas) e fui parar em um corredor onde ficavam os quartos. Ninguém havia chegado ainda. "Pelo menos a carona serviu pra mais uma coisa: cheguei cedo e poderei pegar o melhor quarto. Era quatro cômodos: Dois com janela de cima até em baixo e banco com vista para a floresta em torno da casa e mais ou menos 90km cada, e dois no terceiro andar ao lado de um cômodo central que julguei ser a biblioteca, pois só o cheiro de livros (mesmo de longe) me dava enjôo. Resolvi ficar com o quarto o mais longe da biblioteca possível. Peguei o que dava vista para o lado direito do terreno. Deixei minhas malas em qualquer lugar do quarto e fui ver minha vista. Nem se comparava com a da minha casa em Beverly Hills. Só era possível ver árvores e mais árvores e ao longe uma clareira com um playgroung abandonado e enferrujado.

— Ótimo... — suspirei sarcástica e desci as escadas novamente para esperar minhas "colegas" de casa.