Haunted
3 Capítulo 2 - I'm always there
Notas iniciais
Paris, França.
Segunda-Feira, 3 de Maio de 2002.
15h39min da tarde — POV Narradora.
–Anda logo Demetria, anda, corre, meche essas pernas!- Selena provocava gritando para a menina incrivelmente menor que ela, de cabelos negros que estavam em seu rosto por culpa do vento que batia em seu rosto de pele branca. Demetria resmungava que suas pernas eram curtas enquanto quase caia correndo pelo gramado com Selena, brincando de pega-pega.
–Eu vou te alcançar, Selena, eu vou!- Berrava a apenas alguns passos de Selena, Demi fazia todo o esforço para tentar tocar nem que seja em um fio do vestido esvoaçante de sua amiga. A roupa de ambas estava em um estado não muito bom e as duas estavam sujas, mas quem realmente liga?
Depois que Demi “pegou” Selena e vice-versa algumas vezes, Demetria ainda expressava felicidade em seu rosto, porém já estava realmente muito cansada, por esse motivo, a pequena menina deita na grama, ofegante. Selena foi até lá, quando notou que a pele da amiga não estava branca, porém pálida.
–Demi, você está bem? – Perguntava preocupada com o estado dela. Demi não respondia então Selena cuidadosamente a leva para dentro, a deitando no sofá, enquanto chama a mãe da mesma, que não estava em seus melhores dias hoje.
–Tia Di, a Demi não parece bem, estava correndo e agora está bem pálida e não está me respondendo. – A inocente criança diz com um tom de preocupação.
–Mas é claro, com essa sua estúpida ideia de correr, ela se esqueceu de tomar o remédio. –Disse passando por Selena de um modo rude, pegando nas mãos agora geladas da filha.
–Tenho que levá-la ao hospital, agora. Ela tem problemas cardíacos. — Essas palavras deixaram Selena se sentindo totalmente culpada por qualquer futuro acontecimento, e a mesma Selena de apenas 8 anos, não dormiu na noite do acontecimento.
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Na outra manhã, Selena foi ao hospital com sua mãe ver qual era a situação de Demi, quando descobriu que a mesma ainda estava sendo atendida, se preocupou ainda mais, pois esses casos deveriam ser sérios e atendidos rapidamente. O tempo passou e Selena não soube de nenhuma noticia. – Estava suando. Sua mãe nunca a viu tão preocupada, ao melhor, Mandy não se lembrava de ter visto Selena preocupada, era uma menina tranquila a essa idade.
Observando o hall do hospital impaciente, Selena se levanta e vai até a recepção, onde falando lentamente e de uma forma um pouco difícil de entender, pediu para saber o estado de sua amiga.
–Qual o nome dela?- Rebateu a recepcionista.
Demi, bom, Demetria. Demetria Devonne Lovato- Disse Selena rapidamente.
Nos próximos segundos Selena descobriu o motivo de não ter noticias da amiga. Ela não estava mais em pronto socorro, e sim, na UTI. O coração de Selena disparava, ela suava frio e não conseguia pensar direito. Sim, ali existia uma menina de 7 anos mais preocupada de que um empresário de 30. E logo depois, estava em prantos.
Falando com dificuldade ela pede ajuda a recepcionista, que liga para o bloco da UTI, recebendo uma informação de Demi, que faz até a própria mulher ficar abalada.
–Querida, sinto muito, mas Demetria entrou em coma profunda há aproximadamente meia hora. – Agora Selena tentava achar fôlego para respirar de tanto que chorava, Mandy tentava acalma-la, mas era em vão. O mundo de Selena tinha caído, ela tinha causado a possível morte de uma de suas melhores amigas?
Paris, França.
Segunda-Feira, 12 de Setembro de 2010.
5h00min da madrugada – POV Selena.
Acordei por outra vez na madrugada, assustada. Isso tinha se tornado rotina, por volta de 5 anos. Eu não podia fechar meus olhos que imagens daquele dia vinham em minha mente. Aquele dia foi o dia que por minha culpa minha amiga encontra-se em coma profunda até hoje. Nunca imaginei que uma simples brincadeira levaria a uma coisa tão séria a esse ponto.
Creio que não foi só a vida de Demetria, que agora apenas deitada em uma maca em um luxuoso quarto de hospital, que tenha mudado. Eu tão nova tive que aguentar comentários desagradáveis de pessoas que se diziam amigas minhas, e eu acabei me tornando grossa e ignorante com esse fato, perder Demi foi algo que eu nunca vou superar. Sim, esperaria que ela voltasse ao normal, porém temos 15 anos agora e a esperança realmente se foi. Não a visito há meses, pois não aguento ver o que fiz, ela está lá, imóvel. E a culpa é toda minha.
Eram 05h00min da manhã, e realmente não queria levantar, mas como dormir não era uma opção, me alonguei e sai daquela cama. Desci as pequenas escadas e fui direto para a cozinha. Abri a geladeira e peguei um pouco de suco, colocando o em um copo logo depois. –Demi não saia de meus pensamentos. E pelo visto seria assim, por um longo tempo. — Voltei para meu quarto e liguei a televisão, não passa nada além de noticias idiotas nesse horário, porém é melhor que nada. Fazia tudo menos prestar atenção naquele noticiário idiota. Foi quando notei uma gaveta, que sempre esteve ali, com algumas coisas da minha infância. Não a abria faz anos, até porque não gostava de lembrar de nada desse tempo. Mas estava completamente entediada, levantei e abri a gaveta. Deparei-me com fotos minhas com Miley, com Taylor e com Demi. – Uma rápida lágrima escorreu de meus olhos. Gelei. –
Ver como tudo era extremamente simples me deixava realmente mal, muito mal. Por que eu tive que estragar tudo? – Pensei comigo mesma. – Olhava fotos e mais fotos, e mesmo nas que Demetria não olhava para câmera – e nem sabia que fotografias estavam sendo tiradas – A pequena estava com um sorriso enorme. Ah meu Deus, como eu sinto falta daquele sorriso. Ele era tão contagiante que nos piores dias – naquela época, quando minha mãe dizia que não podia ir ver alguma amiguinha do colégio – ela me fazia esquecer, e ficar bem. E eu simplesmente tirei esse sorriso dela. Jamais me perdoaria.
Fui voltando até a cama, com esperança de tentar esquecer aquilo. Quando percebo um papel no chão, deve ter caído de dentro da caixa. A única coisa que eu vi foi “Sinto sua falta. Com muito carinho, Demi. ’’ – Não acreditei que tinha achado aquilo. Fazia tanto tempo. E enquanto lia novamente, lágrimas insistiam em cair do meu rosto, cada vez mais. – Era uma musica que Demetria tinha escrito para mim, quando teve que passar um verão inteiro com seus avós no rancho dos mesmos. “My Love Is Like A Star’’ era o nome da música. Ali a jovem menina me dizia que sempre estaria ali, mesmo que não parecesse. Eu me senti sozinha quando ela se “foi” por uns meses, e ela me mandou essa musica como um sinal de que tudo ficaria bem. – Sequei mais lágrimas, que continuavam a cair. – Me lembrei de que quando ela voltou, eu disse a ela que sempre estaria lá. Sempre. Não importa as circunstancias, eu a jurei que estaria lá com ela, para sempre. – E eu não estava. – Ela estava me esperando, até agora.
Minha cabeça doía, estava realmente cheia de coisas nela ao mesmo tempo, de culpa a tristeza, e tinha chorado bastante, bom, essa dor era esperada.
Minutos depois, tirei meu pijama, colocando um short jeans, e uma camiseta rosa básica. Disse a mim mesma a frase enquanto guardava o papel com a letra em minha bolsa e saia de casa. “Eu sempre estarei aqui, Demi.”
Dirigia rapidamente até o hospital, que era próximo de minha casa. Pensei por quais motivos não a visitava mais, não era como uma tarefa tão difícil assim. Então me lembrei como era difícil a ver deitada lá, sem poder mover um músculo, sem sorrir. Quase desisti, mas precisava me manter forte e estar lá por ela, coisa que não fiz por um longo tempo. – Cheguei. – Disse a mim mesma suspirando enquanto trancava o carro.
Desci, entrando no hospital. Algo me dizia que ela não acordou por que eu não estava ali. Sim, isso é uma besteira, mas sentia que ela precisava de quem disse que estaria para sempre lá com ela. Ela precisava de mim. – Passei pela grande porta de vidro do hospital e me deparei com a recepção que não via a tempos, mas nada tinha mudado.
Apoiei meu braço no balcão enquanto dizia o nome da paciente que queria ver para a sonolenta enfermeira. – Demetria Devonne Lovato. – Disse trêmula.
–Qual seu nome?- Selena Marie Gomez, respondi, rapidamente. Queria acabar com isso logo.
–Algo mais? – Falei grossa.
–Não, quarto 404, quarto andar. Pode ir. – Agradeci e com muita dificuldade apertei o botão do elevador. As portas do mesmo se abriram, e o quarto em minha frente já era o de minha procura. – Tremi. – Ler “Quarto 404” era pior sensação do mundo. Eu a coloquei nesse quarto por possivelmente o resto de sua vida. Entrei rapidamente.
Quando finalmente abri meus olhos, me arrependi de ter vindo. Lá estava ela, com os cabelos negros quase impossíveis de ser vistos, o sempre presente lindo e grande sorriso, esse já não era mais visto. Seus lindos olhos, estavam fechados. Não se via mais a esperança e felicidade nela, como era visto antes. Sua pele, conseguiu ficar ainda mais branca. Seu corpo estava exatamente no mesmo lugar, desde que visitei-a pela ultima vez. O barulho das máquinas que ainda a faziam respirar eram tão altos que não era possível ouvir-me soluçar de tanto chorar com aquela cena.
–De-de-demi. – Falei em meio a lágrimas. Me sentando no chão enquanto segurava suas mãos geladas. Não achei palavras, então apenas levantei e a abracei. – Pelo menos ela ainda está aqui. – Pensei, mas logo depois não vi nenhuma felicidade nessas palavras.
Tentei parar de chorar por uns segundos, e comecei a cantar uma parte da música que ela tinha me feito.
My Love is like a star, yeah (Meu amor é como uma estrela)
You can't always see me (Você nem sempre pode me ver)
But you know that I'm always there (Mais saiba que eu estou sempre aqui)
When you see one shining (Quando você vê alguém brilhar)
Take it as mine (Tome como se fosse meu)
And remember I'm always near (E lembre-se que estou sempre por perto)
(...)
Just know that you're not alone (Apenas saiba que você não está sozinho)
As lágrimas desciam sobre meu rosto. Era como se nada que eu faça possa trazer ela novamente para o meu lado. Eu me encontrava de mãos atadas, perdida em meus próprios pensamentos e opções. Nada a traria de volta, nada faria eu ver o seu sorriso perfeito em minha frente novamente. Parece que foi só eu vir aqui que toda a falta que ela me faz reviveu dentro de mim. E se ela não voltasse, eu simplesmente não sei se conseguiria mais viver. Peguei em suas mãos e, deixando minhas lágrimas se despejarem sobre o forro de cama sem cor do hospital. Tudo ali era tão diferente dela, ela não merecia isso. Queria estar em seu lugar. Ah, como eu queria. Consegui falar, em meio de soluços.– Eu lhe prometi a eternidade. Eu prometi, e estou aqui para cumprir. Não irei deixar você ir. E-Eu te prometo, Demi. Isto é só uma fase. Uma amizade de verdade não acaba por motivos tão pequenos, não é mesmo? Você também estará comigo pra sempre, certo? – Sorri sarcasticamente, pelo fato de que aquele não era um motivo pequeno. Sabia que não iria receber nenhuma resposta. Apenas coloquei minha mão na dela, e permaneci por uns minutos. Estava soltando minhas mãos das suas quando uma força extremamente fraca me impediu. Levantei minha cabeça assustada, e me deparei com a minha Demetria de olhos entre abertos, me encarando com um sorriso leve escondido por debaixo dos aparelhos em seu rosto.
– Eu sempre estive aqui. Sempre estarei. –
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