Notas iniciais
olá, retornei com essa história também.

— Não pode ser coincidência – afirmou Harry, enquanto se dirigiam a aula de Poções daquela manhã – Primeiro o cofre que Hagrid esvaziou no Gringotes é roubado no mesmo dia em que estivemos lá...

— Se o cofre foi esvaziado antes, não pode ter sido roubado, Potter – achou melhor ressaltar enquanto ocupavam a mesa habitual.

Habitual porque era lá que Draco sentava-se desde o fatídico Duelo Que Não Aconteceu.

— Que seja – continuou o outro garoto – A questão é que a coisa que estava no cofre, agora está em Hogwarts. É isso que o Cérbero está guardando.

Pelo o que Harry havia informado, gigante balofo tinha tirado uma pequena trouxa do tal cofre. Draco se perguntava o que podia ser tão importante para alguém ariscar a arrombar o Gringotes. Os duendes eram conhecidos por sua crueldade para com bruxos trapaceiros que entravam em seu banco com más intenções. Nunca se sentira à vontade na presença deles.

— Vamos esperar que os ladrões não sejam muito espertos e deduzam que o pacotinho está aqui – opinou Weasley – Quer dizer, se nós conseguimos fazer a conecção porque os bruxos das trevas não fariam.

Draco teve a visão arrepiante de um bando de homens encapuzados reunidos tentando pensar em como passar por um cão de três cabeças. O que faria o Cérbero contra alguém que conseguiu invadir o Gringotes?

— Hogwarts é mais segura – afirmou Potter – Hagrid me disse isso no dia em que fomos ao banco.

Não tinha a mesma confiança de Potter na opinião do homem, mas achou melhor não comentar.

Quando Snape entrou, a conversa morreu. Assim como todas as outras na sala.

O professor lhe lançou um olhar de desprezo que se tornara comum desde que começara a dividir a mesa com Potter ou Weasley.

— Hoje vamos trabalhar com poções de reanimação. Abram os livros no capítulo quatro.

O capítulo listava várias poções simples que serviam para curar diversas formas de desânimo. Desde uma noite mal dormida à ressaca, passando pela preguiça. Draco achava que essa última era piada.

— Como podem ver – continuou o Mestre das Porções – Essas são porções que até o mais tolo entre os idiotas poderia fazer se estivesse disposto – falou enquanto passava pela mesa de Neville.

O professor começou a detalhar cada uma das porções para a turma.

— A preguiça crônica, por exemplo, um mal que assola essa turma, pode ser extinguida facilmente com um mistura que nem precisa ir ao fogo. Basta disposição para misturar os ingredientes certos.

— Alguém com preguiça crônica teria disposição para fazer a tal porção? – perguntou a Weasley baixinho.

— E alguém com disposição precisaria de uma porção para preguiça? – o ruivo também entendeu a falha nesse argumento.

É claro que sempre há a possibilidade de estocar a porção. Mas estocar para episódios de preguiça futura não parece algo que um preguiçoso faria. Sendo assim, a pessoa teria que se animar a fazer uma porção. O que já a tornaria desnecessária.

Então um pensamento ocorreu a Draco, que levantou a mão no melhor estilo Hermione.

— Eu não fiz nenhuma pergunta Sr. Malfoy. – ressaltou o professor friamente.

— Sou eu quem tem uma pergunta, senhor.

O homem se virou completamente para encará-lo.

— Nessa situação hipotética, seria realmente a porção que faria a cura?

— O que quer dizer, Draco?

O uso do primeiro nome lhe deu coragem.

— Uma pessoa que precise de uma porção contra preguiça já não teria se curado quando se dispôs a fazer uma porção? Mesmo que tivesse a porção em estoque, uma vez que decidiu tomar, seu ânimo já não teria sido renovado?

Snape ficou calado por um instante. Seus olhos perderam um pouco da rabugice que sempre apresentava.

— Vai aprender com o tempo Sr. Malfoy, que a disposição a ser curado é metade do processo de cura. Uma porção, por melhor que seja, é apenas parte do processo. Assim como em todos os ramos da magia, a vontade tem um papel primordial aqui. Quanto maior a vontade do bruxo, melhor serão seus encantamentos, porções e transfigurações.

Pela primeira vez, o silêncio na sala de porções, não tinha nada a ver com a personalidade intimidadora de Snape.

— O que estão esperando? – Snape tirou a classe de suas ponderações – Escolham uma porção que induza um bom ânimo e comecem imediatamente.

Draco começou a folhear seu exemplar de Bebidas e Porções Mágicas, e pensava em qual porção lhe conseguiria os pontos que tanto almejava. Depois de cinco semanas tentando em vão conseguir que Snape lhe conferisse algum ponto, o assunto se tornara uma questão de honra.

Sabia muito bem que era melhor em poções que seus colegas, melhor até que Hermione. Porém, o professor parecia não ver seus esforços ou fingia não ver, o que era mais provável.

Olhou ao redor e viu que todos os colegas já tinham os caldeirões acesos e começavam a recolher ingredientes.

Lembrou-se do que Snape falara sobre a magia ter a ver com vontade. Agora que parava para pensar, muitos professores já haviam falado uma coisa ou outra sobre o poder de simplesmente desejar e acreditar.

Ele queria esses pontos. Para provar a si mesmo que conseguia.

O problema era que aquelas porções, assim como dissera o professor, eram muito fáceis. Porções para um preguiçoso...

Uma loucura passou por sua cabeça. Uma que talvez lhe rendesse uma detenção ao invés de pontos, mas se era preciso força de vontade, ele teria que pensar grande.

Draco tirou da mochila um livro que havia pegado na biblioteca umas semanas atrás e que talvez não entendesse metade do que estava escrito. Era um livro do sexto ano que mais complicava do que explicava qualquer coisa.

Sem mais tempo para hesitação, Draco procurou a porção e se pôs ao trabalho.

A hora que se seguiu foi a mais longa que tivera em sua curta vida acadêmica.

Passou pelo desespero, quando o líquido em seu caldeirão encaroçou. Pela esperança, quando os caroços se dissolveram assim que adicionou o Pó de Chifre de Bicórnio. Pelo constrangimento quando o caldeirão espirrou a mistura de glitter na sua cara.

Mexia tudo com concentração absoluta usando uma colher com furos que, como dizia o livro de seu antepassado, era a mais indicada para porções que precisavam ter alguns pedacinhos retirados no final.

No fim da aula, enquanto Snape achava defeito nas poções de todos, até na de Hermione que fora a única a conseguir a fumaça arroxeada desejada na porção contra ressaca, começou a se questionar.

Teria sido imprudência? Talvez esse tempo na Grifinória tenha lhe influenciado mal. Seria isso que Snape diria enquanto lhe conferia a pior nota. Se estivesse na Sonserina nunca teria feito coisa semelhante. Idiotice era mais tolerada na Casa em que estava.

O professor finalmente chegou a sua mesa.

— Isso em seu caldeirão é uma porção, Weasley? – indagou Snape depois de dar uma olhada mínima no chucrute que Rony cozinhara.

— Não, professor – respondeu o garoto com a cabeça baixa.

— Ao menos ainda consegue perceber o óbvio – resmungou o professor enquanto se voltava para o caldeirão de Draco.

Teve de resistir à vontade de cobrir o rosto com as mãos.

— Euforia? – indagou Snape em um tom muito mais baixo do que usara anteriormente.

Draco engoliu em seco e levantou os olhos para o professor.

— Sim, senhor.

— Deve saber Sr. Malfoy que Elixir Para Induzir Euforia não faz parte do currículo do primeiro ano.

— Sim, senhor – o nervosismo o fazia se repetir como um papagaio.

— Muito bem, então – o homem pegou a colher de furos e começou a passar pelo liquido amarelo – Ainda há pedaços de Folha de Helária. Deixe que assentem no fundo e retire a porção.

Virou-se então para o restante da sala.

— Limpem seus caldeirões e coloquem suas porções, ou seja lá o que tenham preparado, na minha mesa. E para semana que vem, quero um ensaio sobre as semelhanças e diferenças entre as porções do capítulo quatro.

Todos começaram a se mexer ao mesmo tempo.

— E Sr. Malfoy – chamou o professor – Um ponto para a Grifinória.

...............

Se fosse em qualquer outra situação, um ponto não seria grande coisa. E Snape havia tirado uma dúzia de pontos da Grifinória naquela aula. Mas Draco saiu das masmorras, muito contente consigo mesmo.

E não era o único feliz com tal acontecimento.

A notícia havia se espalhado e de repente Draco havia se tornado famoso por algo mais do que ser o Malfoy Na Grifinória. Ao que parecia ele havia conseguido um feito extraordinário.

Como ressaltavam os gêmeos Wesley, naquela noite na sala comunal.

— Que importa que Harry tenha derrotado Você Sabe Quem – comentou Fred ou Jorge. Nunca sabia qual era qual.

— Ou que Dumbledore tenha descoberto os doze usos para sangue de dragão – continuou o outro gêmeo – Você, meu caro Draco, conseguiu o impensável.

— Talvez um busto e uma faixa não fossem demais, não é Jorge? – indagou o agora identificado Fred.

— E uma placa – completou o irmão – “Draco Malfoy. Um ponto. Um herói.”

Draco riu com os outros. Exagero a parte, sentiu-se aliviado. Por finalmente ter conseguido o fugidio ponto em porções e por concluir que o professor não o odiava totalmente por ter sido sorteado na Grifinória.

Lançou um olhar de triunfo para Hermione, que fingia não escutar a conversa em uma poltrona próxima. A julgar pelo modo violento com que passava as folhas de seu exemplar de Animais Fantásticos e Onde Habitam, ela era a única infeliz com a realização de Draco.

Muito antidesportivo da parte dela. Afinal, qualquer conquista dele era compartilhada por todos em sua Casa. Espírito de equipe, ou outra bobagem parecida, que os professores tentavam lhes enfiar goela abaixo.

Contudo, não era surpresa a atitude da garota. Era extremamente competitiva quando se tratava de desempenho acadêmico e depois do quase duelo, ela iniciara um tratamento de silêncio que durara até agora, duas semanas depois daquela noite.

Draco, por sua vez, iniciara uma campanha ferrenha para fazê-la perder o controle e falar com ele. A cara se avermelhava de raiva e suas narinas se expandiam de frustração toda vez que Draco a contradizia ou se saía melhor que ela em qualquer coisa que fosse.

Naquele momento viu mais uma oportunidade de se divertir ás custas da esquentadinha.

— Não é preciso tanto. Além do mais seria uma injustiça com outros estudantes que, Oh se esforçam tanto, mas não conseguem nada além de fumaça roxa.

O livro se fechou com estrondo.

— Você só fez uma porção que não estava na lição daquele dia – comentou ela – Professor Snape não devia ter recompensado você por quebrar as regras.

Antes que Draco pudesse dizer qualquer coisa, Rony rebateu:

— Que regras? Snape apenas pediu que fizéssemos uma porção que combatesse a preguiça. Ele nunca disse que tínhamos que fazer uma do nosso livro.

Weasley sempre se juntava a Draco na luta constante de combater esse jeito de sabichona certinha que Hermione insistia em fazê-los aturar.

— Suponho que isso estava explícito – contradisse ela já um pouco vermelha por ter sido pega nas tecnicidades.

— Explicito ou não, Snape não achou que fosse nada demais. E infelizmente para alguns, a opinião dele é a única que importa na aula de poções.

O bom humor de Draco se estendeu pelo resto da semana. O clima começava a esfriar, anunciando a chegada do Halloween, que era uma das datas preferidas de Draco, perdendo por pouco apenas para o natal. Que só ganhava por causa dos presentes.

O castelo estava todo em clima do Dia das Bruxas, e ele mal podia esperar para que o dia acabasse para que pudesse finalmente pregar uma peça em Zabini, Crabb e Goyle. Conseguira uma bomba de bosta com os gêmeos Wesley que batizara com um simples feitiço que fixava o fedor por mais tempo que o normal.

Colocar a bomba na mochila de Crabbe foi a parte fácil, cronometra-la para explodir no momento certo para fazer o maior estrago possível exigiu mais finesse.

— Eles sempre vão juntos para a Sala Comunal da Sonserina antes do almoço – cochichou para Harry – Com sorte a bomba vai atingir os alunos da Sonserina que estiverem por perto.

— Sabe Draco, se alguém me perguntasse, eu diria que você não gosta mais da Sonserina tanto assim.

Ele ouvia muitos comentários como esse nos últimos dias.

— Não é uma questão de Casa, Potter – explicou com pouca paciência – é uma questão de retaliação. Ou já esqueceu aquela aula de Transfiguração.

No começo da semana, Draco fora parar na enfermaria com dois pés esquerdos. Isso mesmo. Dois pés esquerdos!

O feitiço de Zabini não mudara seu pé realmente. Apenas fizera com que tivesse a impressão de ter dois pés esquerdos. O que foi o suficiente para que Draco caísse e batesse a cabeça na quina da mesa. Quando deu por si, já estava no leito da enfermaria.

A professora McGonagall não acreditou quando Draco acusou o garoto da Sonserina. O que aumentou ainda mais a sua raiva.

Agora que parava pra pensar, começara a sentir uma antipatia ferrenha toda vez que se deparava com algum aluno usando verde e prata. O que não significava nada demais.

Naquela tarde Zabini e seus comparsas faltaram a aula de feitiço. O rumor era que uma dúzia de alunos da Sonserina estavam sob os cuidados de Madame Pomfrey que lutava para livrá-los do mal cheiro.Tal fato aumentou o bom humor de todos, já animados com perspectiva do banquete daquela noite.

— Uma das habilidades primordiais para uma bruxo – começou o Prof. Flitwick – é fazer as coisas levitarem. Observem.

O bruxinho apontou a varinha para uma pena e fez um floreio:

— Wingardium Leviosa – falou e a pluma flutuou sobre a cabeça de todos.

Todos se animaram. Tá ai um feitiço cheio de possibilidades, principalmente para fazer o que não se deve.

— Vamos lá, tentem – incentivou o professor – E não esqueçam o movimento com a mão.

Em instantes, Draco percebeu que o feitiço não era tão fácil como parecia. Sua pena insistia em ficar imóvel.

Hermione teve que segurar a mão com que Rony antes que ele causasse um estrago, tão brusca era a forma com que ele segurava a varinha.

Weasley ficou vermelho e desafiou Hermione a fazer ela mesma, se era tão boa assim. E para seu desgosto a garota conseguiu. Sendo a única a fazê-lo.

Simas, ao lado de Potter, pôs fogo em sua pena para encerrar uma aula definitivamente infrutífera.

— É leviÔsa, não leviosÁ. Ela é um pesadelo – reclamou Roni enquanto saiam da sala – É por isso que não tem amigos.

Hermione ,que passava ali perto, deu um encontrão em Weasley, deixando claro que havia escutado o comentário. Draco sentiu uma pontada de arrependimento. Mas talvez, fosse porque não tinha sido ele pessoalmente quem causara o descontentamento à garota.

Naquela noite, o banquete foi especialmente delicioso. Os doces de Halloween tornavam as mesas vibrantes enquanto morcegos de verdade voavam sobre suas cabeças. As sobremesas, favoritas de Draco, transbordavam de merengue e chocolate.

Contudo, faltava alguém à mesa da Grifinória. O que fez Harry indagar.

— Onde está Hermione?

— Parvati Patil disse que ela se trancou no banheiro das meninas essa tarde e continua lá, chorando – respondeu Longbotton com a boca coberta de creme.

Draco encarou o bolo coberto de chantili em suas mãos. Nunca pensou que Granger chegaria ás lágrimas por causa de um comentário de Rony. Afinal, nesses meses em que sua rivalidade começara, ele já havia lançado comentários muito piores a ela.

Draco se levantou.

— Onde vai ? – indagou Weasley.

Antes que pudesse responder que iria encontrar Granger e perguntar se ela era uma bruxa ou uma garotinha chorona, foi interrompido pelos gritos do Prof. Quirrel que entrara correndo no salão.

— Trasgo! – gritou – Trasgo! Nas masmorras! Achei que deviam saber... – e prontamente caiu desmaiado.

E esse, senhoras e senhores, era seu professor de defesa contra as artes das trevas.

Logo se instalou um alvoroço que só foi controlado pela voz sonora do diretor. Todos foram mandados as suas salas comunais onde o banquete continuaria enquanto os professores resolveriam o problema do Trasgo.

Acompanhar o passo acelerado de Percy Weasley em seu modo Monitor Dinâmico foi difícil. Draco se viu quase correndo.

— Como um Trasgo pôde entrar? – inquiriu Potter.

— Algum idiota deixou-o entrar – concluiu Draco – Tragos não tem inteligência para arrombar fechaduras.

—Soube mesmo que eles são bem burros – Weasley confirmou.

Já estavam quase nas escadas, se desviando de vários grupos de alunos apavorados quando Potter estancou.

— Hermione – disse segurando o braço de Wesley – ela não sabe sobre o Trasgo.

Se esquecera totalmente da garota.

Foi ridiculamente fácil se misturar aos alunos da Lufa-Lufa que seguiam na direção oposta. Não muito depois, estavam correndo na direção do banheiro das garotas.

Se encolheram quando ouviram passos.

— Percy- exclamou Rony, mas era a figura negra de Prof. Snape que passava quase correndo em direção as escadas quando devia está descendo em direção as masmorras.

— Está indo para o terceiro andar – afirmou Potter – Ele não devia está com os outros professores?

— Não me pergunte.

Não tinham avançado muito quando foram assaltados por um cheiro terrível. Mais de quatro metros de puro fedor. A figura era asquerosa para dizer o mínimo. Cabeça pequena demais para o corpo cinzento coberto de calombos. Usava trapos e segurava uma clava maior que Draco.

O trasgo parou em frente a uma porta, confuso. Até que descobriu para que serviam as portas e entrou.

— A chave está na fechadura – cochichou Harry, já se adiantando para trancar a sala.

— Um trasgo desse não teria problema para derrubar uma portinha dessas – alertou Rony.

— Anda – puxou Draco – Não vamos esperar para descobrir. O banheiro feminino deve ficar por aqui em algum lugar.

Um grito estridente acabou com as especulações. E vinha da sala em que acabaram de trancar o Trasgo.

— Essa não – exclamou Weasley, já pálido.

— Que maravilha. – lamentou Draco ao mesmo tempo.

Um segundo grito fez os três correrem para a porta. Quando entraram pararam diante da calamidade.

O Trasgo já havia feito um estrago lá dentro. Pias foram quebradas, boxes foram destroçados. Água jorrava dos canos arrebentados.

E encolhida debaixo das pias, estava Granger. O trasgo caminhando em sua direção.

— Distrai ele – gritou Potter, já pegando um pedaço dos escombros para jogar na criatura.

— Ei! Cérebro de balão – gritou Draco correndo para esquerda, torcendo um dos canos um pouco para que o jato de água atingisse o ogro bem na cara.

— Aqui! Cabeça de ervilha! – chamou Weasley, a direita, enquanto atingia o fedorento na cabeça.

O Trasgo se viu atacado em quase todas as frentes e ficou desorientado. O que deu oportunidade a Draco de chegar até Hermione.

— Vem! Corre!

Mas a garota não se mexia.

— Quer morrer, Granger?! Anda Logo!

Draco se jogou para o chão quando o Trasgo acertou a pia ao lado deles. Hermione gritou novamente.

Ainda caído, Draco puxou a varinha:

— Locomotor Mortis!

O Feitiço da Perna presa atingiu o trasgo no mesmo instante em que Harry se lançava em seu pescoço. O ogro se desequilibrou e caiu para trás e teria esmagado Potter se Weasley não tivesse pensado rápido.

— Wingardium Leviosa!

Magia tinha a ver com vontade. Rony não havia conseguido fazer uma simples pluma flutuar naquela manhã. Mas agora, com o desejo de salvar um amigo, conseguira levitar Potter para longe do Trasgo que desmoronava.

Na queda, a criatura bateu a cabeça e desfaleceu.

— Será que está morto? – indagou Hermione, finalmente deixando seu abrigo debaixo da pia.

— Acho que não –respondeu Potter de volta ao chão – Só desmaiou.

No instante seguinte, o banheiro feminino se viu invadido por uma enxurrada de professores. Prof. McGonagall parou a porta com a mão no peito.

Draco não a culpava. A julgar pelo estrago, alguém pensaria que uma guerra tinha acontecido ali.

— Se expliquem imediatamente – exigiu ela depois que a surpresa passou e a raiva tomou seu lugar.

Os três começaram a falar ao mesmo tempo. Mas as desculpas pareciam estúpidas até para Draco que as proferia.

— A culpa foi minha, professora – interrompeu Hermione para a surpresa de todos.

— Srta. Granger!

— Eu vim procurar pelo Trasgo. Li sobre eles e achei que poderia derrota-lo. Mas me enganei. Se não fosse por Harry, Rony e Draco, eu estaria morta agora.

Draco e os outros tentaram transparecer que tudo era verdade. E não, a mais boba mentira já contada dentro das paredes de Hogwarts.

— Srta. Granger, estou muito decepcionada. O que tinha na cabeça ao pensar que podia lidar com um trasgo montanhês adulto. Cinco pontos serão tirados da Grifinória.

Hermione encarou o chão. Draco não sabia se devia sentir-se grato ou irritado por ela ter tomado a culpa.

— E vocês – a professora se voltou para eles – Não tenho palavras suficientes para descrever a sorte que tiveram. Poucos alunos do primeiro ano sobreviveriam a um Trasgo desse tamanho. Cinco pontos serão creditados para cada um. Por terem tanta sorte.

No caminho de volta à sala comunal, Draco caminhava com Hermione atrás de Harry e Rony, que reclamava de terem ganhado apenas quinze pontos.

— Dez, depois que descontamos aqueles que Hermione perdeu – Potter fez a conta.

— Cinco pontos perdidos não é nada, hein Granger? – caçoou Draco – Levando em conta que você ainda mentiu para uma professora.

— É bom se acostumar a perder pontos – aconselhou Weasley – Agora é uma de nós. E Snape tira pontos da gente só por respirar.

Draco viu o sorriso de Hermione e percebeu que ela não se importava com os pontos diante daquela declaração.

..............

A geada de Novembro caiu sobre eles. E junto com ela, o primeiro jogo de quadribol da temporada. Sonserina X Grifinória.

E a pressão da estreia estava deixando Potter maluco e paranoico. Uma tarde, ele foi encontrar Hermione e Draco na biblioteca para brindá-los com a teoria de que Snape tentara passar pelo Cão de Três Cabeças.

Quando Potter terminou sua historia sobre livro de quadribol confiscado e a perna ferida do professor, sentiu vontade de rir.

— Então, na sua cabeça Snape deixou o Trasgo entrar para poder passar pelo Cérbero sem ser visto? – indagou descrente – Um plano assim é indigno de Snape.

— Diz isso só porque ele odeia você um pouquinho menos que a gente – interveio Rony.

— Concordo com Draco – surpreendeu Hermione – Snape não é idiota para tentar roubar algo que Dumbledore está guardando a sete chaves.

— Mas tem um idiota tentando – comentou Draco pensativo – Alguém deixou o Trasgo passar. Uma ideia tola. Se nós percebemos a artimanha, Dumbledore também percebeu.

O dia da partida de Quadribol chegou sem que chegassem a uma unanimidade quanto a culpa de Snape nem ao quê poderia está sendo guardado no terceiro andar que valesse tanto esforço.

Draco desceu ao campo com as expectativas baixas. Apostara oito galeões com Antônio Goldstein da Corvinal e o nervosismo de Potter no café da manhã fizera que lamentasse sua impulsividade.

Discutia com Rony sobre o melhor time da temporada enquanto Hermione lia sua cópia de Hogwarts Uma História. Só ela para trazer um livro para um jogo de Quadribol.

Chegaram cedo para garantir os melhores lugares. Simas e Dino se juntaram a eles depois. Passando uns vidrinhos de tinta nas cores da Grifinória. Ambos já tinham as bochechas pintadas de vermelho e dourado.

— Não, obrigado – recusou a tinta. Queria que a Grifinória ganhasse pelos oito galeões e pelo desprazer que isso causaria a Zabini, mas não era para tanto.

Houve uma ovação quando aos jogadores entraram em campo. O Guarda-Caças chegou logo depois. Draco não sentia-se muito a vontade na presença daquele homem, mas não comentou quando assumiu o lugar entre Rony e ele.

Madame Hooch fez os capitães apertarem as mãos e apitou o começo do jogo.

— Vai, Harry! – gritou Hermione, esquecendo-se do seu livro momentaneamente.

Não demorou muito para que o time da Sonserina percebesse que teria que jogar sujo, se quisesse vencer. A Grifinória só precisou marcar trinta pontos antes que seus jogadores fossem alvo das mais descaradas faltas.

Draco vaiou como todo mundo.

— Cartão vermelho! Cartão Vermelho! – pediu Thomas quando Harry quase foi derrubado por Flint.

— O quê? – Draco se virou para Dino sem entender.

Se passaram mais alguns minutos de pura hostilidade em campo, quando Harry começou a lutar com a vassoura. O garoto era sacudido de um lado para o outro. Era anormal que uma vassoura agisse assim

— Um feitiço – acusou Hagrid, ao seu lado – Aquela vassoura foi adulterada.

— É Snape – sussurrou Hermione – Está azarando a vassoura.

— Não seja... – as palavras de negação morreram em sua boca quando seu olhar recaiu sobre o professor que realmente parecia recitar um encantamento enquanto encarava Potter fixamente.

— O que fazemos agora? – indagou Weasley, olhando desamparado para Potter que se pendurado na vassoura.

— Deixa comigo. – disse Hermione enquanto empurrava seus binóculos na mão de Draco.

Alguns minutos depois houve uma comoção na arquibancada dos professores, alguém gritou fogo e Quirell caiu derrubando Snape com ele. Quase imediatamente Harry conseguiu controlar sua vassoura e montar novamente.

Granger retornou a tempo de ver Potter engolir o pomo e vencer o jogo.

................

Acabou que Draco teve que dividir um compartimento apenas com Hermione no caminho de volta para casa no recesso de natal. Potter não tinha família para a qual desejasse voltar. E os pais de Weasley viajaram sem ele.

— Nicolau Flamel deve ser alguém muito importante – Hermione abria o livro: Grandes Sábios do Século XX, meio desesperada.

Depois do jogo, Draco se encontrou com os amigos assim que acabou receber o dinheiro da aposta e rir da cara de Zabini. Só para ser assaltado com uma historia de Fofo e a coisa não identificada de Nicolau Flamel que ele guardava.

— Já te falei que vou perguntar ao meu pai. Ele conhece todo mundo importante.

— Mas Flamel devia estar aqui – teimou ela.

— Pode ser difícil para você acreditar, Granger, mas nem todas as respostas estão nos livros.

O olhar que ela lhe lançou foi de alguém insultado a nível pessoal.

— É por pensar assim que fica em segundo lugar em tudo.

— Não em Herbologia ou Poções. Você é muito boa na teoria, mas do que adianta? Quando é preciso, você se encolhe debaixo da pia.

Hermione pareceu irada por um momento. Porém depois encarou as mãos, pensativa.

— Mas você vem melhorando depois que começou a andar com a gente – emendou – É preciso muita coragem para tocar fogo num professor.

Ela riu e cobriu o rosto com as mãos. Quando descobriu o rosto, exibia o ar presunçoso costumeiro.

— No próximo semestre, vou superar você em Herbologia e Poções também – a confiança dela chegava a ser engraçada.

— Eu não contaria com isso. Já pedi que os elfos domésticos separassem os melhores livros para mim na biblioteca. Quando voltarmos, talvez eu supere você em Historia da Magia e Feitiços.

Esperou que ela retrucasse, contudo algo diferente chamou a atenção da bruxinha.

— Sabe, quando eu descobri que havia elfos em Hogwarts corri para a cozinha esperando ver os personagens de Tolkien em carne e osso. Minha surpresa não poderia ter sido maior.

— Quem é Tolkien?

Antes que Hermione pudesse responder o trem parou.

Draco seguiu a garota em meio ao congestionamento de alunos com malões.

— Vou escrever quando descobrir quem é Nicolau Flamel. – avisou enquanto desciam na plataforma

— Espera um pouco – pediu ela.

Hermione puxou algo do bolso e agarrou seu braço.

— O que é isso? – indagou se referindo ao objeto cilíndrico transparente.

— Uma caneta – explicou simplesmente como se isso devesse significar algo para ele.

— Ei! – tentou puxar o braço quando ela começou a escrever com a tal caneta no seu antebraço.

— Fica quieto – ela tinha muita força para uma garota tão pequena – É o meu endereço.

Draco levantou o olhar das palavras em azul e a encarou. Devia ter brigado com ela por ter violado a santidade de seu corpo. Mas estava surpreso demais para isso.

— Que feitiço é usado nessa caneta?

— Não é feitiço – riu ela – É uma invenção trouxa.

Antes que Draco pudesse retrucar uma mão pousou em seu ombro.

— Draco.

Quando se virou encontrou-se sob a sombra do pai. Draco cobriu o braço imediatamente.

— Quem é a sua amiga?

Essa não era a etiqueta que fora ensinado. O protocolo é que o pai devia se apresentar primeiro, esperar que Hermione estendesse a mão e dissesse o próprio nome. Fazer aquela pergunta já era em si um insulto.

— Hermione Granger, senhor – a garota não estendeu a mão para o cumprimento – Prazer em conhecê-lo.

O sentimento não era mutuo. E o pai deixou isso bem claro quando não replicou. Apenas olhava com um olhar avaliativo.

Draco resolveu acabar com aquela situação antes que o silencio se prolongasse.

— Nos vemos na volta – disse já puxando o malão.

— Ah sim – apressou-se Hermione em concordar – Já estou vendo minha mãe – Disse apontando para algum ponto atrás de Draco – Feliz Natal – desejou enquanto se afastava.

E então se viu sozinho com o pai, que apertou seu ombro um pouco quando falou:

— Precisamos conversar.

Notas finais
Próximo capítulo: 12 de Março.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.