Hate The Way I Love You
3 3 - Você bêbado é aceitável
E no final do dia, eu estava bêbada.
– Vai, vai! É com vocêeeeeeeee – lucas berrou, segurando a garrafa como se fosse um microfone – Cinco, quatro, três, dois, ummmmmmmmmmmmmm, vamos pular! — E a trilha sonora da noite foi Sandy e Junior. Eu estava pulando igual um canguru, pra lá e pra cá, até que uma ânsia invadiu minha garganta. Cruzes, eu não queria vomitar. Ignorei a sensação mas me acalmei, sentando na cadeira.– Gente, gente – eu chamei a atenção de todos. — Acho que vou vomitar.– Eu também! — Nicolas disse, se sentando do meu lado. — Vamos juntos no banheiro, eu enfio o dedo na sua – um arroto. — Garganta.Gabi estava cantando junto com Lucas e Iza parecia querer dormir. Nicolas me puxou para o andar de cima e ficamos jogados no chão do banheiro com ele tentando incansavelmente vomitar. Eu só estava enjoada, sabia que não conseguiria também. Coloquei a mão no seu ombro e tentei acalmá-lo.– Ei, vamos deitar um pouco, Nico – eu disse. — Nico, nico, nico. Vamos, você eu estamos bêbados e não vomitamos, o que quer dizer que não vamos vomitar. É uma questão de lógica.– Não entendi nada.– Vamos – e tentei levantá-lo.Quando estávamos descendo as escadas, Marcus estava subindo e estava arrumado. Humm, ele iria sair?– Irmão! Aquele ali é o meu irmão – Nicolas disse para mim. — Ele é um cara muito bonito, você não acha? — E então se apoiou em Marcus, que, surpreendentemente, sorriu.– Está podre de bêbado – ele disse. — Eu vou sair, só esqueci a chave do carro. Espero que não faça besteira.– Meu irmão, você já me viu fazer besteira ALGUMA ÚNICA VEZ?Marcus revirou os olhos.– Não, realmente – ele fez uma cara de cínico e então olhou para mim. — Como você vai cuidar dele se está bêbada também?– Ué, quem aqui disse que eu estou bêbada? Nicolas, seu irmão acha que sabe de tudo – e revirei os olhos, mas quase cai da escada.– Bom, se virem, vou sair. Até mais.Depois de comer mais um montão de salgados, fiquei melhor. Os pais de Iza e Nicolas chegaram e não fizeram cara de quem estavam surpresos com isso.– Só não gritem muito, por favor – a mãe disse.Ficamos na piscina, conversando, ainda embriagados. Iza estava praticamente dormindo e Lucas não parava de falar um minuto – coisas totalmente sem sentido. — Nicolas estava deitado no meu colo e basicamente foi assim. Era umas três da manhã quando Iza ficou melhor e disse que prepararia alguma coisa para bebermos – uma vitamina, um suco, não entendi direito. – Você é virgem? — Lucas me perguntou, do nada.– O que? — fui pega de surpresa. — Ah, ah, não. — dei um sorriso amarelo. — Eu tive um namorado na minha outra cidade. Terminamos porque ele era um idiota. Roberto o nome dele.– Ele era um boy lixo? – lucas perguntou, curioso.– Digamos que sim. Acho que ele me traia.– Quem trairia você – Nicolas rebate.– Ah, que lindo da sua parte dizer isso – apertei sua bochecha. — E vocês, são todos virgens?– Claro que não! — Nicolas parece ofendido. — Olhe só para mim, sou o rei delas – e então abre um sorriso engraçado.– Ninguém aqui é, pelo que sei – Gabi diz.Iza aparece com uma jarra enrome com um liquido de cor estranha dentro.– Eu que fiz. Não sei o que é.Lucas provou e então cuspiu.– Credo, isso tá horrível – e então ficamos rindo. Mais tarde, quando já eram umas quatro da manhã, todos estávamos já preparados para dormir. Estávamos dormindo – todos – no quarto de iza, inclusive Nicolas. – Ei, você tem o seu quarto! — Izabela gritou para Nicolas.– Poxa vida, só eu vou dormir separado? — ele fez um cara triste, o que a convenceu.Eu fui para o banheiro colocar o meu pijama e aproveitei para fazer xixi. Deixei a porta aperta por simplesmente esquecer de trancá-la e percebi o quanto meu corpo estava ardendo. Me olhei no espelho e percebi que estava muito vermelha. Céus, isso vai ficar horrível, pensei. Fomos todos dormir. Não lembro exatamente com o que eu sonhei, mas sei que acordei muito apertada. Tomar essas coisas dão muita vontade de ir no banheiro. Minha bexiga parecia que ia explodir! Olhei no relógio e eram quase seis da manhã, todos estavam dormindo e eu me levantei de fininho do colchão para não acordar ninguém. Fui para o banheiro e quando abri a porta, encontrei Marcus estirado no chão, o cheiro de bebida entrando quase que instantaneamente nas minhas narinas. Hum, olha só, parece que o irmão chato está podre de bêbado. Fiquei um tempo tentando analisar se era isso mesmo ou se ele tinha desmaiado, mas, ele se levantou quando percebeu que eu estava ali.– Sai! — Ele disse, a voz enrolada e rouca. — Fecha a porta!– Marcus – eu tentei dizer, quando vi que ele estava PODRE MESMO de bêbado. Mal conseguia se levantar.Meu impulso foi ajudá-lo. Fechei a porta do banheiro e segurei seu ombro, e foi aí que percebi que sua blusa estava cheia de vômito. Eca. Não era a cara dele ficar desse jeito, Marcus parecia ser tão… responsável.– Sai, menina!– Escuta só – eu segurei seu rosto. — Você está em zero condições de se levantar, está todo vomitado e pelo amor Deus, pare de ser grosseiro com quem quer te ajudar.Ele não disse nada, apenas revirou os olhos mas quase desmaiou.
– Você ainda quer vomitar?– Sim – foi quase como uma deixa, quando eu disse isso, ele se retorceu segurando na privada e vomitou muito. Fiquei segurando seu ombro.– Isso, coloca tudo pra fora.Quando acabou, tombou no chão. Ah, que ótimo, eu não iria conseguir carregar um cara de quase quatro metros de altura e musculoso. Abri o chuveiro e tentei convencê-lo a entrar.– Vamos, entre.– Está gelado? — Ele perguntou, fazendo um bico. O cabelo estava todo bagunçado e tinha uma marca de mordida em seu pescoço.– Sim, está. Bêbados tomam banhos gelados.– Eu não vou entrar.– Eu não perguntei, estou mandando você entrar. Ou quer que seus pais acordem e vejam você todo vomitado? — E então, quando levantei, me lembrei que eu precisava muito fazer xixi. — Fica sentado aí e eu vou usar o banheiro lá em baixo, ok? Você consegue tomar banho sozinho?– Você não vai dar banho em mim!Não que fosse a minha ideia, eu iria chamar o Nicolas ou a Iza para me ajudar.– Claro que não, eu tinha outros planos.– Outros planos? — e abriu um sorrisinho travesso e me beliscou no braço.– Ai! — Tentei ignorar. — Bom, entra no banho agora. Vou contar vinte minutos para você sair de banho tomado.– Ok, mãe!E sai. Fui para o outro banheiro e liberei o líquido que estava dentro de mim. Apesar de eu também estar ainda muito enjoada, eu não queria vomitar. Talvez se eu tomasse um epocler, talvez me ajudasse. Fui para a piscina e vi que estava tudo jogado por lá, como esperaria Marcus sair do banho, decidi ir guardando algumas coisas. Joguei a garrafa fora e lavei os pratos de salgadinhos, mesmo que o que eu mais odiasse no mundo fosse lavar louça. Quando subi, ele ainda não tinha saído mas pelos barulhos, consegui ouvir que ele estava vivo. Fiquei sentada na escada, esperando. Quase dormi. Quando fechei os olhos, Marcus abriu a porta do banheiro e apareceu só de toalha. – Estou com frio – ele disse, e parecia uma criança mimada.– Vai para o seu quarto. Deita e dorme. Tem alguma coisa que eu e você possamos tomar para melhorar a ressaca?– Você também? Olha só, a noite foi boa pra você também – e sorriu de novo. Ele ficava tão lindo sorrindo, a fileira de dentes era branca e perfeita. — Não tem.Dei um sorriso amarelo. – Bom, eu vou para o meu quarto – ele declarou.– Isso, para o quarto. — E balancei a cabeça. — Eu vou para o meu – e então, lembrei que deixei o celular na cozinha. — Boa noite.– Boa noite, qual seu nome mesmo?– Samanta – revirei os olhos.– Boa noite, Samanta.Acenei com a cabeça e então fui para a cozinha procurar meu celular. Eu não achava. Não estava na piscina e nem na bancada da pia. Será que eu tinha deixado no quarto? Não, eu jurava que tinha pego. Então, como se uma lâmpada tivesse acendido na minha cabeça, lembrei que deixei o celular no banheiro. Subi as escadas no mais silencioso dos passos e encontrei Marcus novamente, mas ele estava sentado no chão do corredor, ainda de toalha. Suas mãos estavam na cabeça, como se estivesse mal. Notei que na sua mão também havia um celular. O meu.– Marcus – sussurrei. — O que está fazendo?– Achei que você fosse querer o seu celular – e quando foi me entregar, puxou e deu um sorriso brincalhão.– Ah, que engraçadinho. Quem dera você tivesse esse temperamento realmente.– Vem pegar o celular – e estendeu para mim de novo, mas quando fui pegar, ele puxou.– Fala baixo, as pessoas vão ouvir. E então ele se levantou, meio zonzo, e foi para o seu quarto com o meu celular na mão.– Marcus – eu alertei. — Me devolve.– Eu vou dar, mas você vai ter que vir buscar. O que é achado não é roubado. Se quiser de volta, vai ter que merecer – ele disse isso tudo com a língua extremamente enrolada, o que me fez rir. Marcus se virou e então entrou em seu quarto. Entrei também, meio hesitante, e as luzes estavam apagadas. Não conseguia ver nada.– Não pode acender as luzes.E então eu ouço a porta sendo trancada. – Marcus, você está me irritando – eu disse, mesmo que estivesse gostando da brincadeira.– Vem achar – eu só escutava a sua voz. Fui tateando as coisas mas acabei derrubando algo. — Sem barulho!– Você que está sendo um idiota! Me devolve o celular, por favor. — implorei.– Já falei. Tente achar.INFERNO.Fui procurando, procurando, até que encostei em algo. Era Marcus, óbvio, eu estava com as mãos sobre sua pele nua. Fingi não ligar para isso e então disse:– Pronto, eu te achei, agora me devolve o celular.Ele acendeu as luzes com um controle remoto e então nós estávamos muito perto um do outro. Ele estava muito bêbado e provavelmente não se lembraria disso amanhã. Mesmo após o banho, ele continuava cheirando a bebida. – Aqui está – ele me entregou, mas nossos olhares demoraram. Ele era tão bonito que parecia impossível. — Você está vermelha. O que aconteceu? — E encostou bruscamente no meu ombro.– Ai! Está ardendo!– Tem… como é o nome? — Ele se sentou na cama, a toalha praticamente fora de seu corpo.– Marcus, você está ficando pelado – eu também os olhos.– Ah, você é uma garotinha tímida! Enfim, ééééééeéééé, tem pós sol dentro da minha gaveta, você pode – um arroto – usar se quiser. Aquilo parecia ser bom.Abri sua gaveta e encontrei muitas coisas, mas tentei não invadir sua privacidade. Achei um pequeno spray e mostrei para ele.– Isso?– Exato – e bateu palmas.– Marcus, faça silêncio! Vai acordar todo mundo – eu sussurrei praticamente alto. — Bom, agora vou para o meu quarto. Boa noite.– Não quer que eu passe para você?– Não, obrigada – a ideia dele tocar no meu corpo me fez esquentar. Talvez eu pudesse deixar. — Não, vou para o quarto. Boa noite – e sai com um sorriso no rosto.
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