Harry Potter Por Olhos Negros

34 Enigma do Príncipe - 09


Notas iniciais
Esse capítulo segue o FILME:

Harry Potter e o Enigma do Príncipe - (Parte 09)

Madame Pomfrey entrou na enfermaria logo cedo. O sol formava feixes de luz onde o pó dançava pela manhã. Draco ainda dormia profundo e não tinha acordado desde que fora atacado por Harry há uma semana. Ellie dormia em uma poltrona do lado da maca de Draco.

– Srta Malfoy? – Madame Pomfrey chacoalhava o ombro de Ellie que dormia. – Acorde...

Ellie abriu os olhos lentamente, fazendo cara feia para a claridade.

– Vá tomar café. Você passou a noite inteira aqui... – a enfermeira sorriu — Eu cuido dele, sim?

– Não precisa...Dobby me trouxe um lanche pela madrugada. – Ellie olhou para Draco dormindo e Pomfrey olhou na mesinha ao lado uma bandeja com um sanduiche com duas mordidas no máximo.

– Está bem...Já vi que não vou tirar você tão cedo daqui. – Pomfrey sorriu, deixou uma espécie de remédio ao lado com uma jarra d’agua, e Ellie sorriu agradecendo.

Madame Pomfrey se retirou da enfermaria fechando a grande porta de entrada e deixou os dois a sós. Ellie levantou e ajeitou o travesseiro de Draco que permanecia imóvel. Ela se sentou de novo, abaixou a cabeça e encarou o chão. O ódio ainda lhe passava. Como Harry fizera uma coisa dessas? De onde tirou aquele feitiço? Ellie esvaziou a cabeça e tentou não pensar nisso. Mas já perdera Sirius, iria perder Dumbledore e tentava se acostumar com isso, quando a vida de Draco fora posta em perigo. Ellie olhou em volta da enfermaria vazia. As camas vazias e só a de Draco ocupada. Por que Draco? Se ele não tivesse nascido naquela família...Se tivesse um pai descente pelo menos...Se não fosse tão...tão influenciável. Aceitar ser um comensal era inaceitável! Mas Ellie o mirou de novo em sono profundo parecendo inocente. E se ele recusasse e Voldemort o matasse. Seria horrível, mas era pior conviver com a dor de Draco mentir e se tornar um deles. Ela não sabia o que era pior. E Harry? O que dera nele pra fazer aquilo? Qual o tamanho da raiva por Draco para fazer aquilo? Ellie desviou de novo. Pensou no que seu pai diria. Nada. Deduziu que talvez nem ele saberia. Mas seu pai quisera matar Pettigrew. Então tudo bem? Não. Até o próprio Harry poupara Pedro. A cabeça dela estava uma bagunça. Olhou pra porta esperando que seu pai pudesse entrar e lhe ajudar com tudo.

– Ellie... – Draco acordara pela primeira vez.

Ellie pulou da cadeira.

– Draco? – Ela viu seus olhos abrirem aos pouco e tentar se mexer – Não...não tente nada. Você ainda está fraco.

– Onde eu estou? – Draco abrira os olhos percorrendo o teto.

– Na enfermaria. Depois que Har...que você foi atacado te trouxeram para cá. Snape te salvou.

– Me ajude a levantar...

– Claro... – Ellie ergueu o travesseiro enquanto Draco subia um pouco, quase sentado. – Está com dor ainda?

– Um pouco, mas acho que consigo...

– Não se mexa, vou pedir a enfermeira que... – Ellie fez que fosse sair, mas Draco encostou em sua mão sem forças lhe calando.

– Fique. – A voz era fraca – Não quero ficar aqui sozinho.

– Está bem...

Draco fechou os olhos descansando, mas ainda acordado. Ellie o olhava com atenção.

– Quanto tempo fiquei assim?

– Quase uma semana. Madame Pomfrey te dopou porque se acordasse cedo, sentiria muita dor – Ellie sorriu – Eu avisei sua mãe, mas disse que não fora grave e que ela não precisava vir para cá. Qualquer coisa eu a avisaria se você piorasse.

– Você dormiu aqui? — Draco estava pálido ainda.

– Todas as noites.

– Você é muito idiota mesmo... – Draco sorria em seu riso fraco.

– Acho que vou te dopar mais um pouco. — Ellie sorriu — Você é mais legal dormindo.

Os dois deram uma risada conhecida, mas logo Draco abrira o olho e fitara Ellie que também ficou séria.

– Você me perdoa Ellie?

– Por me chamar de idiota? — Ellie sorriu de lado, mas Draco era sério.

– Por eu ter sido um idiota com você...

– Você é sempre assim. Acho que já acostumei... – Ellie desfez o sorriso – Perdoo sim.

– E obrigado por ficar aqui. De verdade.

– Só estou retribuindo um favor – Ellie lembrara de quando chorou por Sirius. — Mas você podia agradecer de outra forma...

– Ellie. Já sei o que vai dizer. Eu não vou desistir.

Ellie abaixou o olhar. Queria tanto fazer chantagem pela missão de Voldemort, mas sabia que Draco estava decidido.

– Pelo menos você está bem agora. – Ellie se afastou – Vou deixar você dormindo mais um pouco. Já que você acordou, vou pedir a Dumbledore que avise Cissa que está tudo bem. Mais tarde eu volto. – Ellie sorriu e deixou Draco pegar no sono novamente.


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Chegando ao Salão Comunal, Hermione vinha do almoço com Harry ao lado.

– Você o que?

– Eu a beijei.

– Gina?

– É Hermione! Já disse. E fale mais baixo, Rony pode aparecer. Ele já sabe, mas não quero ficar falando disso na sua frente.

– Tudo bem... – Hermione abaixou os olhos. – Era só pra vocês terem jogado aquele livro do Príncipe Mestiço fora na Sala Precisa.

– Eu sei, mas aconteceu. O que há de errado nisso Mione?

Harry e Hermione já entravam no Salão da Grifinória vazio quando viram apenas Ellie ali. Ela estava no sofá.

– Você queria uma resposta... – Hermione olhou de Ellie para Harry, que entendeu a resposta – Vou procurar Ron. E Harry, – Ela suspirou — Tente não dizer nada de errado.

Harry desde que atacara Draco, se sentia culpado. Não gostava dele, mas daí atacá-lo assim, era demais. O pior era ver a decepção nos olhos de Ellie. Tanto que não conseguiu encará-la durante as aulas daquela semana. Talvez assim a raiva dela passasse, mas uma hora eles teriam que conversar, senão a cabeça e o coração de Harry explodiriam. Hermione se virou e saiu do Salão Comunal novamente, deixando os dois a sós na sala.

– Ellie...eu...

– Harry, — Ellie já tinha percebido a presença dele ali. Ela se levantou já agitada e ficou frente a frente com ele – Sabe o que diferencia Draco e você no momento?

– Nada eu acho... – Harry acertou e abaixou o olhar.

– Harry, depois de tudo que eu te mostrei...

– Mas Ellie, ele está escondendo alguma coisa!

– Você acha que eu não sei disso? — Ellie elevara a voz. Respirou e se acalmou – Harry, continue descobrindo coisas para Dumbledore com o professor Horácio que eu continuo fazendo meu trabalho, ok? Eu sei que não deve ser fácil, mas confie em nós Harry.

– Você sabe de alguma coisa não sabe? – Harry sentira o clima.

– Lógico que eu sei. E não. Eu não posso te falar. — Ellie não sorria — Respeite isso. Se até agora deu certo, confie em mim e principalmente em Dumbledore.

– Quer que eu confie em Draco também? – Harry era quase arrogante.

– Harry... – Ellie tinha um ar cansado. – Por favor...

– Já entendi. — Harry olhou para o lado, procurando um motivo — Não quero ficar assim com você.

– Também não quero brigar com você. Nós fizemos de tudo pra isso não acontecer...

Harry estava nervoso, mas respirou e entendia o lado de Ellie. Ele acabara de atacar Draco, e por mais que ele não gostasse dele, se sentia culpado. Ainda mais por atacar alguém que ele sabia que Ellie era apegada.

– Ellie, me desculpe...Eu não sabia que feitiço era aquele. – Harry tinha um olhar arrependido.

– Tudo bem... – Ellie sorria de lado lhe perdoando – E você fez bem eu não me procurar por um tempo. Acho que não te perdoaria semanas há trás... – Ellie o fitou, mas deu um sorriso amenizando – Mas e aquele feitiço horrível...Onde o conseguiu então?

– No livro de poções. Estava anotado do lado das matérias. Era de um Príncipe Mestiço, mas já me desfiz dele.

– Onde o deixou?

– Na Sala Precisa. Há várias coisas lá guardadas... – Harry não se segurou – Gina me ajudou a esconder.

– Gina? – Ellie perguntou e Harry corou. – O que mais ficou guardado lá? – Ellie sorria maliciosa.

– Acho que já deu pra notar... – Harry disse de lado com vergonha e medo do que Ellie fosse pensar. – Você não está brava não é?

– Não... – Ellie se aproximou dele lhe encarando e pôs sua mão no ombro dele – Estou feliz por você.

Harry a abraçou. Se sentia tão culpado. Atacara Draco e vira ela engolir a dor, para não brigar com ele. Ainda ficara com Gina e tinha medo que Ellie não entendesse, mas mesmo depois de tudo, mais uma vez ela entendeu. Eles se soltaram e se olharam por um instante.

– Ele vai ficar legal?

– Draco? – Ellie sorriu – Acordou ontem de manhã...Mas não se preocupe. Vaso ruim não quebra assim.

– Acha que ele vai sair quando da enfermaria?

– Não sei...Ele parece melhor...Mas espero que demore. – Ellie suspirou – Porque quanto mais rápido ele sair de lá...Mais cedo eu volto a ter dor de cabeça...


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O mês de junho chegava e começava a esquentar mais. O verão aparecia no céu aberto, e os alunos finalizavam os exames do semestre. As aulas de Aparatação se concluíram e a maioria passara nos teste, menos Rony que esquecera a sombrancelha ao realizar a prova. Harry já havia tido mais aulas da Penseira com Dumbledore e com Ellie acontecia o mesmo para Oclumência. A diferença era que para Dumbledore, Harry ainda teria que resgatar uma última memória de Horácio e só assim o diretor chegaria a uma conclusão dos planos de Voldemort. Naquela noite depois do jantar, Dumbledore chamou Ellie. Ela saiu do Salão Comunal e seguiu pelo corredor, quando uma imagem em um canto lhe chamou a atenção. Harry ria ao lado de Gina enquanto segurava sua mão. Ele lhe mostrava o colar que Ellie lhe dera.

– Onde está indo? – Harry desviou a atenção para Ellie quando a ciu e Gina abaixou o olhar.

– Ver Dumbledore...Sabe como é...

Gina se levantou e sorriu se dirigindo a Ellie

– Posso ver o seu? – Ellie franziu a testa não entendendo – O seu colar...Posso ver?

– Ah... – Ellie olhou para Harry que assentiu – Claro. – Ellie enfiou a mão por dentro da blusa e mostrou o pingente redondo com chifres gravados.

– É bonito. Muito bonito.

– Obrigada Gina...

Gina sorriu e sentou-se ao lado de Harry de novo. Ellie sentiu um alívio. Gina podia ter até ciúmes do colar que unia ela a Harry, mas preferiu ser simpática.

– Bom...Vou deixar vocês a sós...Não quero me atrasar. – Ellie se retirou deixando os rir mais um pouco. Virou um corredor onde a entrada para a sala do diretor estava.

Ao entrar na sala de Dumbledore, Ellie viu o diretor sentado em sua mesa com Fawkes lhe guardando. O Diário de Tom Riddle estava na mesa e em cima dele, o anel dos Gaunt que o amaldiçoara.

– Oh, entre Ellie – Dumbledore se levantara até Ellie – Estava analisando algumas coisas. – Dumbledore olhara para os dois objetos, mas logo reparara na feição distante da menina – Aconteceu alguma coisa?.

– Nada. Só muita coisa pra pensar... – Ellie acariciava Fawkes que fechava os olhos.

– Madame Pomfrey disse que o Draco já esta melhor, não tem com o que se preocupar.

– Eu sei...Visito ele sempre que posso, pra ajudar com os deveres atrasados. Ele já está bem melhor...

– Você se afeiçou, não foi?

– Como? – Ellie largou Fawkes.

– Eu não a culpo, Ellie. Ninguém é de ferro... – Dumbledore dera um sorriso.

– Draco e Cissa são o mais perto de uma família que eu conheço. Mesmo que agora eu tenha o Harry.

– Já pensou no dia em que os Malfoy descobrirem a verdade sobre você? – Dumbledore se sentara em uma cadeira e Ellie fez o mesmo.

– Já... – Ellie olhou para o teto – Mas não tenho muitas esperanças.

– Achei que Draco fosse diferente pelo o que sempre me contou.

– Não depois que ele aceitou...você sabe. – Ellie o fitou – Virar um Comensal já prova muita coisa.

Dumbledore podia contar como Snape virara um Comensal e se arrependera ao ver Lilian morta nas mãos de Voldemort. Mas o segredo do professor era guardado a sete chaves por Dumbledore. Resolveu ir direto ao assunto.

– Ellie, lhe chamei aqui para lhe avisar que em breve terei que fazer mais uma viagem.

– O senhor descobriu outro objeto?

– Não. Não sei o que possa ser, nem sei onde está. – Dumbledore apoiava as mãos uma na outra em frente ao peito – Mas espero que Harry consiga.

– E onde eu entro nisso?

– Em lugar algum. Aliás a sua missão desta vez é não fazer nada. Absolutamente nada. – Ellie franzio – Você sabe o que pedi a Severo, e não demorará muito para Draco sair da enfermaria e voltar a ativa. Eu peço Ellie, que por nada...Por nada tente mudar alguma coisa.

– Mas Professor, eu...

– Por nada. – Dumbledore ficara sério – Se sua lealdade ainda for como imagino, você não fará nada.

– Mas...

– Nada, Ellie. Deixe Severo agir, e só faça algo se ele mandar.

Dumbledore a encarou e ela assentiu finalmente com os olhos baixos. Para quem estava sempre a postos para descobrir algo, ficar parada não iria se fácil. Talvez fosse a pior missão que Dumbledore lhe dera. Esse fazer nada a fisgava por dentro. Ainda mais quando sua missão era não defender ninguém. E pior, obedecer Snape. Ellie preferia a morte a obedecer o professor, mas para quem jurara sua palavra a Dumbledore, era isso que ela iria cumprir.

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Duas semanas se passaram sem que Ellie conseguisse dormir direito. E quando Dumbledore se fosse? Teria que seguir quem? A Ordem obedecia ao diretor e ela também. O desespero lhe percorria cada vez que pensava nisso. Sem Dumbledore, sem Sirius, sem Draco, sem chão. Ajudaria Harry como prometido, mas até que ponto ficaria bem sozinha? A sanidade não estava boa. No dormitório, Ellie mirava o teto quando num ato rápido se levantou da cama. Desceu para o Salão Comunal e na tarde de folga resolveu se distrair no pátio. Talvez aquilo ajudasse um pouco. Mas ao virar um corredor, Ellie esbarrara na pessoa mais amável do mundo.

– Olha por onde anda idiota!

– Não tenho culpa se a sua cabeça enorme ocupa o corredor inteiro, Pansy! – Pansy olhou feio para ela mas por cima do corredor seus olhos brilharam de felicidade.

– Draco!

Pansy saiu correndo em direção a ele que estava mais saudável que nunca. Ellie olhou Pansy o abraçando e quis vomitar. Era insuportavelmente insuportável. Mas a preocupação de Ellie mirou Draco. Ele era o problema agora. Um arrepio dera em sua espinha. Vendo Draco em pé ali lhe olhando e dando pouca atenção a Pansy, Ellie teve a certeza: o perigo estava a solta, e muito saudável dessa vez.

Notas finais
Capítulo 35 em breve!