Notas iniciais
Sentiram minha falta? Bom, a fic está entrando na melhor parte. Só explicando, algumas vezes eu vou usar os nomes verdadeiros dos viajantes do tempo e em outras (quando é mais os pensamentos da Selena narrados por mim, ou os do Harry), eu vou usar os nomes falsos dos aventureiros do tempo.
Espero que gostem do capítulo e deixem comentários. Fico muito feliz que vocês estejam gostando da fic e por favor, continuem assim.
BOA LEITURA!!!

Selena não esperava que seu primeiro dia de aula começasse daquela forma. Rebeca Black parecia indefesa em meio a tantas coisas que poderiam estar ao seu redor. Mas Selena não a considerava fraca, não. A garota era pequena de idade, mas parecia entender algumas coisas.

– Nunca conheci minha mãe. – disse Rebeca tristonha, enquanto seguia Selena até a sala de Quiron. – Sempre quis conhecê-la, mas não tive oportunidade.

– Eu também tive um problema assim. – disse Selena com um suspiro.

– Nunca conheci meus pais e nem sabia quem eles eram.

– E hoje você sabe quem eles são? – perguntou Rebeca, curiosa.

– Sei. Mas ainda não tive contato físico com eles, e nem sei se quero ter algum dia. – disse Selena parando de andar, quando tinham chegado finalmente, à sala de Quiron.

Felizmente, o diretor de atividades do Acampamento Meio-Sangue, tinha decidido passar o restante do ano em Hogwarts, tomando conta de Selena e resolvendo outras questões que ele não tinha explicado para a garota.

Selena bateu na porta da sala de Quiron e o centauro abriu. Rebeca soltou uma exclamação e levou às mãos a boca.

– Selena? Não deveria estar na aula de Adivinhação? – perguntou Quiron encarando Rebeca e depois fitando Selena.

– Ah, eu deveria. Mas, bom, podemos entrar? Tenho que explicar algumas coisas a você. – disse Selena olhando para os dois lados do corredor.

O centauro abriu caminho e as garotas entraram na sala.

Selena considerava, que Quiron tinha um horrível gosto para decorações e isso se provava no acampamento, na Casa Grande, mas ao entrar na sala do mentor e amigo, viu que tudo estava decorado da mesma forma que no ano anterior.

A escrivaninha estava cheia de papéis e livros de mitologia grega, havia discos e mais discos perto de um rádio (que possivelmente ele não iria usar em Hogwarts já que não funcionaria), e mais ao lado havia um toca discos. O armário estava no canto da sala, feito de madeira e grande. Selena nunca chegou a descobrir o que o centauro guardava lá dentro.

– Então, o que é tão importante que quer me explicar? – perguntou Quiron.

– Conheci Rebeca hoje. Draco Malfoy me apresentou-a. Ela é uma Black, filha de Sirius Black.

– Um foragido de Azkaban. – refletiu Quiron. – Entendo. Continue, Selena.

– Bom, ela faz coisas mais estranhas do que os bruxos fazem nessa idade. Quero dizer, ela tem poderes mais avançados do que os bruxos. Como eu. Só que de forma diferente. – disse Selena. – E ela não conhece a mãe.

Quiron continuou fitando Selena e encarou Rebeca. O rabo dele se mexia nervosamente o que indicava, que de fato, ele estava nervoso.

– Entendo. – pensativo era como Quiron estava. O centauro seguiu para sua escrivaninha e pegou o livro de mitologia grega que havia sobre sua mesa.

– Quiron, eu acho que ela é uma...você sabe. – disse Selena. Se Rebeca fosse de fato, uma semideusa, ou melhor, uma bruxa semideusa, tudo poderia dar uma grande reviravolta, inclusive, a Grande Profecia.

– Você tem TDAH, Rebeca? – perguntou Quiron calmamente.

– Sim. Algumas vezes. – respondeu a garota.

– Então, devo lhe contar certas coisas que com certeza, mudarão toda a sua vida. – disse ele. – Selena, você pode ir agora.

– Mas... – começou a morena só que Quiron, lhe lançou um olhar significativo e a garota saiu da sala.

O sinal bateu e os alunos saíram de suas salas de aula. Harry, Rony, Hermione, Sebastian, Tomas, Livia, Renato, Milena, Alison, Alice e Rose seguiram até Selena.

– Ei, onde você esteve? O que o Malfoy queria? – perguntou Tomas.

– Uma longa, longa história. – disse a garota encarando Hermione. Rony e Harry se entreolharam e encararam as duas.

– Aula de Transfiguração. – disse Hermione rapidamente, antes que alguém perguntasse algo.

– É. Temos que ir. – concordou Rose entendendo o raciocínio da mãe.

Todos seguiram para a sala de aula e Selena notou, pela primeira vez, que Harry não parecia nada bem.

– Ei, o que houve? – perguntou a garota se sentando mais ao fundo, em uma carteira ao lado do amigo.

– Nada. Aula de Adivinhação que é uma grande besteira. – disse Harry, frustrado.

Selena não perguntou mais nada, pois Mc.Gonagall tinha entrado na sala de aula e como ato, se transformou em um gato malhado e depois voltou a ser professora. Ninguém reagiu. Selena não entendeu o porque.

– O que há com vocês hoje? Não que isso faça diferente, mas sempre que me transformo, arranco aplausos de uma turma. – disse Mc.Gonagall.

– Aula de Adivinhação. – disse Sebastian simplesmente e até ele, parecia um pouco chateado. Selena ficou imaginando, o porque.

– Ah, naturalmente. – disse Minerva, fechando a cara de repente. — Não precisa me dizer mais nada, Sr. Benson. Diga-me qual dos senhores vai morrer este ano?

Todos olharam para Harry e Selena fez o mesmo.

– Eu. – disse o garoto encolhendo os ombros.

– Entendo — disse a Profª. Minerva, fixando em Harry seus olhos de contas. — Então, Potter, é melhor saber que Sibila Trelawney tem predito a morte de um aluno por ano desde que chegou a esta escola. Nenhum deles morreu ainda. Ver agouros de morte é a maneira com que ela gosta de dar boas-vindas a uma nova classe. Não fosse o fato de que nunca falo mal dos meus colegas...

Selena notou como a professora, parecia irritada. Suas narinas tinham embranquecido e ela parecia ter uma fúria contida.

– A Adivinhação é um dos ramos mais imprecisos da magia. Não vou ocultar dos senhores que tenho muito pouca paciência com esse assunto. Os verdadeiros videntes são muito raros e a Profª. Trelawney...

A professora parou uma segunda vez, depois continuou.

– Para mim o senhor parece estar gozando de excelente saúde, Potter, por isso me desculpe, mas não vou dispensá-lo do dever de casa, hoje. Mas fique descansado, se o senhor morrer, não precisa entregá-lo.

Alison, Tomas, Sebastian e Hermione, riram com gosto. Selena sorriu para o amigo e este, parecia um pouco melhor.

Mas nem todos pareciam muito convencidos e Lilá Brown, cochichou para Parvati em seguida:

– E a xícara do Neville?

Selena não entendeu, afinal, tinha faltado à aula de Adivinhação, mas os comentários e a intriga dos colegas, proporcionou que a garota não quisesse participar de futuras aulas com Sibila Trelawney.

O.O

– Eu não gostei nada disso, não mesmo. – disse Lilian Evans aos amigos, viajantes do tempo, quando estavam sozinhos na Sala Comunal da Grifinória, logo depois da aula de Transfiguração.

– Trelawney é maluca. Como Mc.Gonagall disse, o presente de começo do ano letivo dela é prever sua morte. – disse Tiago I, despreocupado.

– Quieto Potter! É um problema sério! Você já imaginou se for mesmo um Sinistro que estiver perseguindo o Harry?

– Mas não é um Sinistro. – disse Rose e todos a encararam. A ruiva suspirou.- É apenas o Sirius.

– O QUE? – perguntaram os do passado, com um grito.

– É, minha mãe comentou uma vez com o papai. – disse Rose. – É o Sirius.

– E-e-eu? – perguntou o maroto, confuso. – Mas...Harry pensa que é um Sinistro. Não devíamos então, contar a verdade à ele?

– É exatamente o que não podemos fazer. – disse Dorcas com um suspiro. – Infelizmente.

– Mas isso pode prejudicá-lo. Quero dizer, se sou eu, o que diabos eu estou fazendo? Querendo assustar o Harry? Será mesmo que eu me tornei uma pessoa tão má assim? – Sirius parecia desolado. Lupin e Tiago I foram solidários ao baterem nas costas do amigo.

– Não sabemos o que você está fazendo nesse tempo, mas tenho certeza que você não é ruim. Você não tem motivos para ser assim. – disse Tiago I.

– É. – concordou Lupin. – E mesmo que você seja, poderemos dar um jeitinho em várias coisas.

– Provavelmente, você tem seus motivos. – disse Lilian II acariciando os pelos do seu gato, Fumaça. – Nesse tempo, você pode até estar fazendo coisas suspeitas, mas não deve ser ruim. Deve estar tentando salvar alguém ou algo do tipo.

– Papai e mamãe nunca mencionaram você com raiva. – disse Alison pensativo. – Com certeza você não é ruim.

– Valeu pessoal. – disse Sirius.

– Mas agora, temos que descobrir o que você pretende. – disse Marlene.

– É. Mas como? – perguntou Alice.

– Primeiro, temos que tentar impedir que Harry, Rony, Hermione e Selena se metam em encrencas. – disse Marlene.

– Isso vai ser difícil. – disse Dominique. – Quero dizer, meus pais sempre falam deles como “os encrenqueiros” quando eram estudantes.

– Vamos dar um jeito. Em segundo, temos que descobrir como Hermione está participando de tantas aulas. – disse Marlene pensativa.

– É. Vocês não sabem de nada? – perguntou Dorcas à Turma do Futuro.

Eles ficaram pensativos. Por fim, Hugo disse:

– Não. Sabemos de poucas coisas. Geralmente, não fazíamos muitas perguntas e nossos pais não nos contavam muitas coisas sobre o tempo que eles estudavam.

– Então, as coisas ficam mais difíceis. – disse Lilian I, pensativa.

A garota ia dizer mais alguma coisa, mas o buraco do retrato se abriu, revelando Selena acompanhada de Hermione.

– Vocês não vão almoçar? – perguntou Hermione.

– Claro. – disse Sirius rapidamente. – Vamos almoçar!

O.O

No almoço, Rony argumentava que Harry via, de fato, um Sinistro e que seus dias, estavam contados. Já Hermione, argumentava que Sinistros não existiam e Rose, reforçava o argumento da mãe.

Por fim, Hermione pegou seu livro de Aritmancia e apoio-o na jarra de suco.

– Acho que Adivinhação é uma coisa meio confusa — disse, procurando a página que queria. — É muita adivinhação, se querem saber a minha opinião.

– Não houve nada confuso com o Sinistro naquela xícara! — retrucou Rony acaloradamente.

– Você não me pareceu tão confiante quando disse ao Harry que era um carneiro — respondeu a menina sem se alterar.

– A Profª. Sibila disse que você não tinha a aura necessária! Você não gosta é de ser ruim em uma matéria para variar!

Ele acabara de tocar num ponto sensível e Selena sabia muito bem disso. Hermione bateu com o livro de Aritmancia na mesa com tanta força que voaram pedacinhos de carne e cenoura para todo lado. Sebastian e Tomas, que estavam mais próximos, pularam para o lado, assustados.

– Se ser boa em Adivinhação é ter que fingir que estou vendo agouros de morte em borras de folhas de chá, não tenho certeza se quero continuar a estudar essa matéria por muito mais tempo! Aquela aula foi uma idiotice completa se comparada à minha aula de Aritmancia! — E, agarrando a mochila, a menina se retirou.

Rony franziu a testa acompanhando com os olhos a amiga se afastando.

– Do que é que ela estava falando? — perguntou aos amigos. — Ela ainda não assistiu a nenhuma aula de Aritmancia.

Selena revirou os olhos e pegou sua mochila também, se levantando e seguindo a amiga. A morena achou Hermione, encostada a uma coluna, com os braços cruzados e em um corredor quase deserto, apenas com alguns lufanos que conversavam mais ao fim e outros grifinórios, que conferiam seus horários.

– Tudo bem? – perguntou Selena encarando Hermione.

– Não. – disse a garota com a voz mais aguda do que o normal. – Rony é um estúpido! Ele não me entende. Sempre tem que ir contra o que eu digo!

– Olhe, Rony é um estúpido sim e tudo o mais. Ele não entende o que nós entendemos. Ele não vai pelo lado da lógica e sim, pelo que ele acredita ser verdade.

– Continua sendo estúpido, Selena! – disse Hermione emburrada.
Selena riu.

– Entenda uma coisa, Mione. Nós lidamos com pessoas diferentes todos os dias. O Harry, por exemplo. O conheço desde que nasci e nós vivíamos discutindo. Hoje em dia, estamos um pouco mais unidos, só que antes, vivíamos brigando.

– Antes de vocês descobrirem que eram bruxos? – perguntou Hermione.

– Exatamente. Discutíamos a todo o instante. E eu não saia chorando ou algo assim.

– Mas eu não estou chorando!

– É. Só que eu sempre tentei relevar. Acho que você deve fazer o mesmo. Tem horas que você vai acabar chorando ou algo assim, mas vai ter horas, que você vai simplesmente ignorar. Continue sendo a lógica do grupo e deixe Rony. Veremos quem está certo no final.

Hermione esboçou um sorriso e parecia um tanto melhor.

– E você ainda tem que me contar como consegue participar de tantas aulas. – disse Selena.

– Tudo bem. Explico para você no final do dia, no dormitório das garotas antes que todas subam. Mas acho melhor irmos para a aula de Trato das Criaturas Mágicas. – disse Hermione rapidamente. Selena concordou e ambas, saíram correndo para os jardins.

O.O

Rony e Hermione não se falaram. Alison, Rose, Alice, Renato, Tomas, Sebastian, Livia e Milena, seguiram o quarteto de ouro, animados para a aula com Hagrid. Selena seguia ao lado de Harry, pensativa. Como será que Rebeca Black estava reagindo com as possíveis descobertas de sua vida? Será que ela acreditara de primeira ou ficara em dúvida?

Scórpius Metson, seguiu na direção do grupo e Selena constatou, que a aula seria com os alunos da Sonserina.

– Draco, Crabbe e Goyle estão zoando com vocês dois. – falou o garoto com ar de decepção.

– Já imaginava. – disse Harry.

– Vamos. – disse Selena.

O grupo chegou até a orla da Floresta Proibida, onde Hagrid estava à frente de sua cabana, sorrindo para todos.

– Vamos, andem depressa! — falou quando os alunos se aproximaram.

- Tenho uma coisa ótima para vocês hoje! Vai ser uma grande aula! Estão todos aqui? Certo, então me acompanhem!

Por um momento delirante, Selena pensou que Hagrid fosse levá-los para a Floresta Proibida. Mas então, o professor os levou até uma espécie de picadeiro. Não havia nada ali, mas a garota se animou, ao constatar que não ia para a floresta.

– Todos se agrupem em volta dessa cerca! — mandou ele. — Isso... Procurem garantir uma boa visibilidade... Agora, a primeira coisa que vão precisar fazer é abrir os livros...

– Como? — perguntou a voz fria e arrastada de Draco Malfoy.

– Que foi? — perguntou Hagrid.

– Como é que vamos abrir os livros? — repetiu o menino.

Ele retirou da mochila seu exemplar de O Livro Monstruoso dos Monstros, amarrado com um pedaço de corda. Outros alunos fizeram o mesmo e como Selena havia feito na noite em que comprou seus materiais, tinham colocado em sacos justos.

– Será... Será que ninguém conseguiu abrir o livro? — perguntou Hagrid, com ar de desapontamento.

– Coitado dele. – murmurou Rose, ao lado de Hermione.

Todos os alunos sacudiram negativamente as cabeças.

– Vocês têm que fazer carinho neles — falou o novo professor, como se isso fosse a coisa mais óbvia do mundo. — Olhem aqui...

Ele apanhou o livro de Hermione e rasgou a fita adesiva que o prendia. O livro tentou morder, mas Hagrid passou seu gigantesco dedo indicador pela lombada, o livro estremeceu, se abriu e permaneceu quieto em sua mão.

– Ah, mas que bobeira a nossa! — caçoou Draco. — Devíamos ter feito carinho no livro! Como foi que não adivinhamos!

Scórpius parecia decepcionado e Selena, não entendeu o porque.

– Eu... Eu achei que eles eram engraçados — disse Hagrid, inseguro, para Hermione.

– Ah, engraçadíssimos! — comentou Draco. — Uma idéia realmente espirituosa, nos dar livros que tentam arrancar nossa mão.

– Cala a boca, Malfoy — advertiu-o Harry baixinho. Hagrid parecia arrasado, e Selena, queria que a aula do amigo fosse um sucesso, como Harry também queria.

– Certo, então — continuou Hagrid, que pelo jeito perdera o fio do pensamento — ... Então vocês já têm os livros e... E... Agora faltam as criaturas mágicas. É. Então vou buscá-las. Esperem um pouco...

Ele se afastou na direção da floresta e desapareceu de vista.

– Nossa, essa escola está indo para o brejo! — falou Draco em voz alta.

— Esse pateta dando aulas, meu pai vai ter um acesso quando eu contar...

– Cala a boca, Malfoy — repetiu Selena se virando para Draco com raiva.

– Cuidado, prima, tem um dementador atrás de você...

– Aaaaaaah! — guinchou Lilá Brown, apontando para o lado oposto do picadeiro.

Selena se virou para o picadeiro novamente. Trotavam em direção aos garotos mais ou menos uma dezena dos bichos mais bizarros que Selena já vira na vida. Tinham os corpos, as pernas traseiras e as caudas de cavalo, mas as pernas dianteiras, as asas e a cabeça de uma coisa que lembrava águias gigantescas, com bicos cruéis cinza-metálico e enormes olhos laranja-vivo.

As garras das pernas dianteiras tinham uns quinze centímetros de comprimento e um aspecto letal. Cada um dos bichos trazia uma grossa coleira de couro ao pescoço engatada em uma longa corrente, cujas pontas estavam presas nas imensas mãos de Hagrid, que entrou correndo no picadeiro atrás dos bichos.

— Upa! Upa! AÍ! — bradou ele, sacudindo as correntes e incitando os bichos na direção da cerca onde se agrupavam os alunos.

Todos recuaram, instintivamente, quando Hagrid chegou bem perto e amarrou os bichos na cerca.

— Hipogrifos! — bradou Hagrid alegremente, acenando para eles. — Lindos, não acham?

Harry conseguiu entender mais ou menos o que Hagrid quis dizer. Depois que se supera o primeiro choque de ver uma coisa que é metade cavalo, metade ave, a pessoa começava a apreciar a pelagem luzidia dos hipogrifos, que mudava suavemente de pena para pêlo, cada animal de uma cor diferente: cinza-chuva, bronze, rosado, castanho brilhante e nanquim.
Selena não entendia a que ponto Hagrid queria chegar. Os hipógrifos eram criaturas estranhas e muito diferentes dos pégasos (cavalos alados), aos quais Selena via todos os dias no acampamento.

— Então — disse Hagrid, esfregando as mãos e sorrindo para todos —, se vocês quiserem chegar mais perto...

Ninguém quis, exceto Harry, Selena, Rony e Hermione. Alison, Tomas e Sebastian pareciam querer ir, mas as garotas os puxaram de volta.

– Agora, a primeira coisa que vocês precisam saber sobre os hipogrifos é que são orgulhosos — explicou Hagrid. — Se ofendem com facilidade, os hipogrifos. Nunca insultem um bicho desses, porque pode ser a última coisa que vão fazer na vida.

Malfoy, Grabbe e Goyle não estavam prestando atenção; falavam aos cochichos e Selena teve o mau pressentimento de que estavam combinando a melhor maneira de estragar a aula.

— Vocês sempre esperam o hipogrifo fazer o primeiro movimento — continuou Hagrid. — É uma questão de cortesia, entendem? Vocês vão até eles, fazem uma reverência e aí esperam. Se o bicho retribuir o cumprimento, vocês podem tocar nele. Se não retribuir, então saiam de perto bem depressinha, porque essas garras machucam feio. Certo, quem quer ser o primeiro?

Até Rony e Hermione recuaram, deixando apenas Harry e Selena à frente — que não tinham sido rápidos o suficiente para recuarem também.

– Primeiro as damas. – disse Harry com um sorriso maroto a Selena. A garota riu e lançou um olhar desafiador ao amigo que entendeu. Fazia tempo que ambos não disputavam por alguma coisa, – desde que entraram em Hogwarts, à dois anos – e estava na hora de eles se desafiarem por alguma coisa novamente, no caso, montar um hipógrifo.

– Nós vamos! – disse Selena. Hagrid pareceu animado.

Harry saltou a cerca do picadeiro e Selena o acompanhou.

– É assim que se faz! — gritou Hagrid enquanto os alunos da Grifinória aplaudiam, inclusive Sebastian e Tomas que pareciam ser os mais animados.

— Certo, então... Vamos ver como vocês se entendem com o Bicuço.

E, dizendo isso, soltou uma das correntes, separou o hipogrifo cinzento dos restantes e retirou a coleira de couro. A turma do outro lado da cerca parecia estar prendendo a respiração.

Os olhos de Draco se estreitaram maliciosamente. Harry e Selena se entreolharam e avançaram para o hipógrifo, cautelosos.

— Fiquem calmos agora — disse Hagrid em voz baixa. — Vocês fizeram contato com os olhos, agora tentem não piscar... Os hipogrifos não confiam na pessoa que pisca demais...

Os olhos de Selena imediatamente começaram a se encher de água, mas ela não os fechou. Harry também parecia ter a mesma força de vontade. Bicuço virava a cabeçorra alerta e fixava um cruel olho laranja em Harry e Selena.

— Isso mesmo — disse Hagrid. — Isso mesmo... Agora façam a reverência...

Selena se curvou brevemente e Harry fez o mesmo. O hipogrifo continuava a fixá-los com altivez. Nem se mexeu.

— Ah — exclamou Hagrid, parecendo preocupado. — Certo... Recuem, agora, devagarinho...

Os dois estavam prestes a fazer isso, quando Bicuço fez uma breve revêrencia.

– Muito bem! — aplaudiu Hagrid, extasiado. — Certo... Podem tocá-lo! Acariciem o bico dele, vamos!

Selena se aproximou devagar e encarou Harry, que fazia o mesmo. Ambos tocaram o bico de Bicuço e por um breve momento, as mãos de ambos se tocaram. Selena sentiu algo estranho e Harry encarou-a nervoso. Sentira as borboletas no estômago. Ninguém pareceu notar, apenas ambos, que presenciavam algo novo, um sentimento novo.

A turma prorrompeu em aplausos, a exceção de Malfoy, Crabbe e Goyle, que pareciam profundamente desapontados.

– Certo então, — falou Hagrid. — Acho que ele até deixaria vocês montarem nele!

Selena encarou Harry. Os dois não estavam nada animados em montar no hipógrifo, só que eles ainda estavam no desafio.

Sem esperar resposta ou reação, Hagrid pegou Selena pela cintura — como se está fosse uma boneca de pano — e a colocou no hipógrifo. Harry subiu por conta própria, logo à frente da amiga. Selena corou um pouco quando Hagrid recomendou que ela se agarrasse a Harry, que seria sua segurança no voo. A garota obedeceu, passando os braços por em torno do amigo. Harry se sentiu ótimo, com aquele simples toque.

– Pode ir, então! — bradou Hagrid, dando uma palmada nos quartos do hipogrifo.

Sem aviso, as asas do hipógrifo se abriram de repente e ele levantou vôo. Selena se agarrou mais forte a Harry, a cada instante. Ela não tinha medo de altura, mas não gostou nem um pouco de voar a primeira vez com Bicuço.

Depois, foi se acostumando aos poucos. O hiógrifo diminuiu a altura, quando sobrevoavam o lago. O animal tocou a água com as garras e Harry abriu os braços, se divertindo. Selena fez o mesmo e sorriu. Aquele, tinha sido o melhor vôo de sua vida e por alguma razão, ela sabia que fora para Harry também.

Notas finais
Agradeço a quem leu. Deixem comentários ;)