Hardy Perfume of Love
1 Tá na hora de ir embora.
Não agüento mais viver nesta casa. Não suporto. Olhar para cada canto daqui, me lembra minha mãe. Os momentos felizes e tristes, tudo. Não consigo mais, preciso ir embora. – disse chorando pro meu pai.
— Eu sei que é difícil, mas você e suas irmãs tem que achar um jeito de encontrar forças para passar por isso. – Ele falava quase chorando, mas eu sentia que ele queria passar uma imagem de força para nós.
- Me desculpa pai, mas eu preciso ir. Eu preciso sair dessa casa, nem que eu more em outro estado.- disse enquanto saí correndo em direção ao meu quarto.
Fui até meu quarto, peguei minhas malas e comecei a jogar todas as minhas roupas dentro dela. Era fisicamente impossível colocar todas as roupas ali,mas eu tentei. As que eu não conseguisse iria dar para minha irmã mais nova, que sempre amou pegar minhas coisas sem permissão.
Terminando de guardar tudo,olhei minha carteira e vi que tinha somente 35 dólares. Não conseguia nem comprar uma passagem pra Oklahoma, muito menos Los Angeles. Comecei a entrar em desespero e comecei a ter uma crise de choro.
Meu pai entrou no quarto tentando me consolar e perguntou o por que de tanto choro.
- Eu não tenho dinheiro,pai. Eu não tenho a porra do dinheiro pra sair daqui. Eu vou ter que viver aqui para sempre nesse sofrimento infinito.- falei soluçando
- Minha filha, não chore. Eu... eu posso te ajudar.- disse ele gaguejando. Eu sabia dos problemas do meu pai com dinheiro. Ele não tinha dinheiro nem para comprar sapatos novos.
-Não pai, tudo bem. Eu vou tentar arranjar um emprego pra guardar algum dinheiro e ir embora.
- Você tem certeza ? Eu posso ajudá-la e você sabe disso.
- Sim. Eu sei pai, só quero ir embora. Agora preciso de um tempo. Preciso ... respirar. – disse enquanto peguei uma bolsa com meu dinheiro e fui para o centro daquela pequena cidade chamada Arizona.
Saí de casa, peguei minha bicicleta e fui até o centro aonde tem as lojinhas. Qualquer emprego tava bom,só preciso achar esse dinheiro. A passagem para Califórnia era 120 dólares,então ainda falta 90 dólares. Não vai ser tão difícil ... eu espero.
Vi uma lanchonete com uma placa de PRECISAMOS DE GARÇONETES. Entrei e só consegui ver o vazio. Não tinha ninguém. Nem uma alma viva. O gerente até se assustou com o barulho da minha entrada. Ele devia ter uns 60 anos, ele tava praticamente dormindo na bancada da lanchonete.
Me senti muito constrangida por ser a única pessoa ali dentro. Sentei numa mesa e peguei o cardápio. Péssima escolha, o gerente, atendente, sei lá o que aquele cara era... começou a vir em minha direção com um caderninho na mão. Demorou uns 10 minutos para ele chegar até mim, mas eu esperei mesmo assim.
- Olá senhorita, posso ajudar ? – disse ele.
- Oi, er... eu queria saber se você está ... hm, esquece. Me desculpe, acho que errei o lugar. Mas eu aceito uma água, por favor.
Ele ficou me olhando por um minuto com uma cara de confuso. Anotou meu pedido de uma ÁGUA no caderninho e foi buscar. Demorou mais uns 5 minutos até chegar. Peguei a água, deixei 5 dólares na mesa e saí o mais rápido que pude.
Acho que foi o lugar mais estranho que entrei...e sinistro. Mas continuei procurando lugares para trabalhar.
Achei um Pub bem no final da esquina. A frente era toda preta, com uns motociclistas na porta com jaquetas de couro e cerveja. E mulheres. Eles praticamente me comeram com os olhos. Acho que meu vestido rosa os deixou com um pouco de, hm, sede.
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