Hardest of Hearts

24 You Still know of dawn but you Always Return


Notas iniciais
Gente, a autora não morreu e nem desistiu da fic!!!! Minha vida só tá bem agitada kspdksdpkspd eu perdi o mindspace que eu tava quando comecei a escrever HoH e tive que me inspirar novamente. Perdão por ter deixado vocês abandonados tanto tempo! Um beijo enorme pra Cloto, pra Miss Dixon, e especialmente pra Gabriella Clearwater!! Muito obrigada pelos comentários e pela recomendação, Gabi!

A chegada do inverno é vista como trágica:

a perda da inocência, a perda da vida.

Mas quem pode dizer que esse céu noturno -

estrelas pendendo como maçãs prateadas de árvores nuas -

não é lindo?

Quem pode dizer que Perséfone não amou o lorde sombrio?

Perséfone, John Aleshire



A porta para os aposentos de Aethelflaed abriu lentamente, as dobradiças quase silenciosas, o som abafado pela chuva pesada que começara a cair no meio da noite. Ela tinha a sensação de que eram as primeiras horas da manhã agora, mas as nuvens negras obscureciam qualquer luz que deveria estar no céu.

Aethelflaed se moveu na cama, completamente acordada e inquieta, esperando encontrar Amice ou outra de suas damas de companhia se esgueirando para o quarto dela.

Seu coração quase parou quando reconheceu a sombra grande que era Ubbe na penumbra. Ela se sentou subitamente, um relâmpago acendendo o céu, banhando o quarto em luz. O trovão que seguiu fez o castelo estremecer.

— Está tudo bem? — Aethelflaed perguntou a seu marido nervosamente, torcendo os dedos nos cobertores pesados que havia puxado sobre seu corpo para afastar o frio.

Ubbe havia passado a noite com ela, ambos com raiva e preocupados demais para dormir. Aethelflaed dissera a ele quem eram seus aliados, com quem deveriam tomar cuidado, quem poderia oferecer seus filhos para se casar com ela e, portanto, ter mais motivos para trair Alfred. Eles imaginaram situações juntos, o que fazer, como lutar, como tirar Hali e Asa do castelo antes que houvesse uma rebelião.

Ubbe partira quando não havia mais nada sobre o que conseguiam pensar, para avisar a família dele da possibilidade de um ataque. Aethelflaed não esperava que ele retornasse para ela.

— Está tudo bem, — Ubbe respondeu, um resquício de tensão na voz dele. Ele andou até o lado da cama e começou a se despir em movimentos rápidos e irritados. Aethelflaed manteve os olhos no rosto dele, as sobrancelhas subindo. Era isso que ele viera até aqui para fazer? Para se distrair da raiva dele? Porém Ubbe apenas puxou as cobertas e se deitou ao lado dela, suspirando pesadamente. — Minha família aceitou a notícia bem o suficiente. Eu disse a Torvi que você protegerá as crianças, não importa o que aconteça. Ela é grata.

Aethelflaed assentiu lentamente. Havia algo extremamente íntimo sobre se deitar com Ubbe nu ao lado dela nas primeiras horas do dia, ainda no escuro, apenas conversando, e apesar do tópico ser assustador, a conversa era fácil.

— Bjorn vai causar uma cena? — Ela perguntou, baixo. Seu primeiro e único encontro com seu cunhado não a deixava muito tranquila.

Ubbe se virou para ela, as feições indistintas na penumbra. — Bjorn pode ser impaciente, e ele pode ser raivoso demais as vezes, mas não é estúpido. Ele sabe que nossa posição na corte é precária o suficiente sem fazer acusações que não podemos provar. Ele vai segurar a língua.

— Ajudaria se ele não fosse tão abertamente agressivo, — Aethelflaed reclamou, mas mesmo ela sabia que Bjorn dificilmente se tornaria mais amigável com os saxões. Ele não arremessaria um machado na cabeça de ninguém nos próximos dias, e isso haveria de ser o bastante.

Ubbe soltou uma risada cansada. — Você terá que ir até a igreja e rezar para seu deus por um milagre, se é isso que quer.

Apesar de tudo, os lábios de Aethelflaed repuxaram em um sorriso. Ela colocou a mão no braço de Ubbe. — Você deveria dormir. Aproveitar a folga que o casamento de Alfred vai dar a todos. O Wittan não se reunirá por uma semana.

— Me disseram isso. Por quê?

Aethelflaed deu de ombros, esperando que ele percebesse o movimento. — Era o costume que um casal recém-casado e abastado viajasse em lua de mel, para conhecer os novos parentes e nobreza que não pudessem atender o casamento, e também para se conhecerem longe das responsabilidades e dos olhos de suas casas. É claro, esse não tem sido o caso por vários anos agora.

— Por causa dos ataques dos Vikings, — Ubbe concluiu sombriamente.

— Sim, — Aethelflaed confirmou simplesmente. Não havia razão para negar isso.

Ubbe acariciou as costas da mão que ela tinha no braço dele suavemente, os dedos quentes e calosos. — Nós teríamos uma lua de mel? — Ele perguntou brincando.

Aethelflaed riu dele. — Não teríamos nos casado se os Vikings não estivessem atacando, meu senhor, — ela retorquiu. — O que está fazendo aqui, de qualquer maneira?

— Já está cansada de mim, esposa? Quer que eu a deixe? — Ubbe provocou.

Aethelflaed revirou os olhos para ele. Era verdade que eles frequentemente dividiam a cama, e que frequentemente dormiam aninhados um no outro, e ela era grata pela proximidade, pelo conforto silencioso; porém Ubbe apenas passara a noite nos aposentos dela se a houvesse tomado antes. Ele nunca havia ficado em seu quarto apenas para dormir ou conversar.

— Não quero que você parta, — Aethelflaed respondeu honestamente. — No entanto, pensei que, depois do que aconteceu no banquete, você talvez gostaria de passar algum tempo com a sua família.

Ubbe a agarrou pela cintura e a trouxe para perto, o calor do corpo dele a esquentando através do chemise.

— E eu pensei que, depois do que aconteceu no banquete, eu poderia gostar de passar algum tempo com a minha esposa, — Ubbe respondeu, e a maneira como a voz dele se tornou mais baixa e sombria, pesada com o sotaque, não escondia a raiva dele. — Não confio que seu pai não virá atrás de você se eu não estiver aqui.

Aethelflaed puxou uma respiração afiada, seu corpo enrijecendo no abraço de Ubbe.

— Ele não vai me machucar, — ela disse, tentando soar convincente.

Ubbe soltou uma risada súbita e incrédula. — Ele te machucou no dia do seu casamente e marchou até o altar com você chorando. O que te faz pensar que Dustan não faria a mesma coisa agora?

— Porque meu pai tinha uma desculpa fácil no dia do meu casamento; essa não é uma vantagem que ele possui agora. Ele não vai arriscar que a nossa indiscrição seja descoberta por mais ninguém. E eu já te disse que já havia parado de chorar quando cheguei até a igreja para a cerimônia do nosso casamento.

Suas palavras não fizeram coisa alguma para acalmar Ubbe. Ele a segurou mais firmemente contra o próprio corpo, praguejando em voz baixa. Aethelflaed já conhecia a tradução daqueles xingamentos. Do lado de fora, a chuva começou a cair com ainda mais força.

Aethelflaed não se preocupava excessivamente com as ações de seu pai em relação a ela. Dustan não envergonharia o futuro da casa deles, e não podia deixar marcas óbvias nela agora sem que muitos questionamentos fossem levantados. O duque poderia encontrar outra maneira de puni-la, e ele ainda poderia a fazer sentir dor por sua audácia, mas não seria algo intolerável.

Como uma mulher, Aethelflaed havia sido ensinada a suportar desconforto.

— Então Dustan machucaria a filha, mas não o próprio orgulho. Isso diz muito sobre ele. Ainda pode ter fé em seu pai, Aethelflaed, mas eu não tenho. Não vou te deixar sozinha.

Aethelflaed descansou a bochecha no peito dele, sentindo coração batendo forte e constante. Isso era perigoso. Permitir que Ubbe se aproximasse desse jeito, depender da proteção dele assim, mesmo contra sua própria família e povo, era perigoso, estúpido. Por que, então, era tão bom escutá-lo dizendo aquelas palavras?

— Não deveria ter ameaçado o duque daquele jeito. Meu pai é um homem perigoso, mesmo no estado dele, — Aethelflaed disse, a voz baixa e suave, quase um sussurro. Ela não gostava de pensar no que Dustan poderia fazer a Ubbe em vingança. Não gostava de pensar em um chicote na pele das costas dele, onde ela enfiava as unhas quando estava perdida em êxtase, não gostava de pensar na corda de um carrasco ao redor do pescoço que ela beijava para ouvir a respiração de Ubbe falhar.

Ubbe envolveu a nuca dela com uma mão, guiando sua cabeça para que pudesse tentar vê-la mesmo na penumbra. — Eu também sou um homem perigoso, minha senhora.

Aethelflaed engoliu sua resposta. Ele era perigoso, sim, e ela faria bem em jamais se esquecer disso. Mas aqui em Wessex, Ubbe era um lobo entre cobras, e mesmo que ele despedaçasse algumas delas com suas presas, o veneno ainda o mataria no final. Ele era um homem forte, e um homem corajoso, e Aethelflaed confiava que ele soubesse como sobreviver em um campo de batalha, porém aqui na Inglaterra havia pouco que Ubbe podia fazer sem os exércitos dos nórdicos e sem o apoio de Alfred, sem o poder que vinha com a família de Aethelflaed, e havia pouco que Aethelflaed podia fazer com seu pai em seu caminho.

Ela não disse essas coisas, no entanto, porque não havia nada pior do que lembrar a um homem das fraquezas dele, e apesar de Ubbe sempre ser bondoso com ela, Aethelflaed não se sentia inclinada a convidá-lo a demonstrar exatamente quão perigoso ele era.

— Eu sei que você é perigoso, Ubbe, — ela disse, apaziguando. — Mas eu odiaria ser forçada a vê-lo sendo ferido agora que somos amigos. Estava preparada para todos os tipos de dores e humilhações quando cheguei a este matrimônio, e acabei encontrando um aliado improvável. Odiaria ter que começar outro casamento. E certamente odiaria ter que ir para a cama de outro homem.

Ubbe emitiu um som baixo e animalesco em aviso, quase um rosnado. Aethelflaed sorriu quando ele rolou para cima dela. Apesar da noite insone, ela não estava cansada, ansiosa e chateada demais para dormir, e ela aceitou de bom grado a proximidade e calor de Ubbe, a distração do corpo dele. E Aethelflaed certamente aceitava de bom grado e distração de seu marido da raiva que ele sentia por Dustan.

Talvez fosse errado usar seu corpo dessa forma, para atrair Ubbe para longe das coisas que ela temia que o enfurecessem, mas Aethelflaed não deixaria que sua casa ruísse por uma disputa entre seu marido e seu pai, e se isso significava que ela precisava levar Ubbe para cama, então ela também não tinha reclamações sobre isso.

Aethelflaed havia sido criada para moldar suas palavras e atos em armas, e o prazer que seu corpo podia oferecer se tornaria uma também.

— Não haverá nenhum outro casamento, Aethelflaed. Nenhum outro homem vai te conhecer como eu te conheço, — Ubbe disse, a voz rouca de desejo e irritação, e colou os lábios deles, a língua exigente dele fazendo arrepios surgirem na pele dela.

Aethelflaed abriu as pernas para acomodá-lo, puxando a chemise para cima para que pudesse abraçar o quadril dele. Ela gemeu quando Ubbe atacou seu pescoço, beijando e sugando a pele, raspando os dentes sobre sua pulsação. Ela entrelaçou os dedos da base da trança longa, aumentando seu aperto todas as vezes que os dentes de Ubbe desciam sobre ela.

Ubbe se ajoelhou entre suas pernas, separando os corpos deles por tempo o suficiente para arrancar a chemise de Aethelflaed. Ela se arrepiou com o toque do ar frio em sua pele nua.

Ubbe se deitou sobre ela novamente, o peso dele a pressionando na cama. Ele arrastou os dentes nas clavículas proeminentes antes de deixar beijos ardentes em seus seios. Os olhos dele seguraram os dela quando ele lambeu, lenta e tortuosamente, um mamilo.

Aethelflaed enterrou os dentes no lábio inferior, sufocando um gemido. Ela enfiou as unhas na nuca dele, segurando-o onde estava. — Não imaginei que fosse do tipo possessivo, — ela provocou, a voz se tornando arfante.

Ubbe mordeu levemente o mamilo dela em retaliação, fazendo com que ela arqueasse da cama, antes de se afastar. — Eu não sou possessivo, — retorquiu. Quando Aethelflaed riu do comentário, Ubbe mordeu o pescoço dela em aviso, mas ela conseguia sentir o sorriso contra a pele sensível. — Eu não costumava ser, — se corrigiu. — Relacionamentos, casamentos; significam coisas diferentes para nós do que para vocês cristãos.

— E o que isso significa, Ubbe? — Aethelflaed o incentivou, provocante e necessitada. Ela nunca soubera que poderia soar dessa maneira, não antes desse herege a ter tomado como mulher, não antes de aprender a apreciar cada coisa sobre ele que era diferente do que deveria agradá-la.

Ubbe ondulou o quadril contra ela, o membro rígido dele esfregando deliciosamente contra seu sexo, fazendo a respiração dela falhar. Ele continuou o movimento, investindo lenta e habilidosamente contra ela, a provocando, arrancando suspiros e gemidos baixos.

— Significa que você é minha, — Ubbe rosnou, quente e possessivo e cheio da irritação que ele não pudera demonstrar antes. Aethelflaed desejou que não estivesse tão escuro, escondendo as feições dele; queria ser testemunha para a necessidade e falta de controle de seu marido, para cada pensamento que cruzasse o rosto belo dele. — Eu já dividi uma esposa antes, Aethelflaed. E não tenho a intenção de o fazer novamente.

Ela franziu o cenho com as palavras dele. Sabia que Ubbe havia sido casado, mas ele nunca mencionara que compartilhava a ex-esposa com alguém. Aethelflaed guardou aquela informação para depois. Agora não era o momento para inquerir sobre aquilo. Ela queria que Ubbe esquecesse da briga com Dustan, o Wittan. E queria que ele a fizesse esquecer de tudo também, que nublasse a mente dela com prazer.

Aethelflaed mordeu o ombro dele para sufocar um gemido quando Ubbe enfiou dois dedos dentro dela, curvando-os, a dorso da mão pressionado contra o ponto sensível entre suas pernas. A preparando da maneira como não tiveram o tempo ou a paciência para fazer naquele quarto escuro durante o banquete.

Uma ideia cruzou a mente dela, desafio e vingança, mesmo que ninguém além dos dois jamais saberia sobre isso.

— Você me prometeu uma mesa, Ubbe, — ela arfou, tentando distinguir as feições dele.

A respiração de Ubbe vacilou. Ele era quente e pesado onde estava pressionado insistentemente na coxa dela. — Eu tomei você em uma mesa ainda esta noite.

— Não da maneira certa. Não totalmente. Disse que me foderia em cima de uma mesa. Estou esperando, meu senhor, — as palavras eram deliciosamente sujas e proibidas em sua língua.

Aqui estava Aethelflaed, uma lady, logo uma duquesa, pedindo por coisas que ela nem ao menos deveria pensar, permitindo que seu marido herege a corrompesse e adorando cada segundo. O Wittan queria entregá-la outro marido? Gostaria de ver outro homem a impressionar, agora que tinha Ubbe.

Ubbe xingou, dedos da mão livre embrenhando no cabelo bagunçado dela, trazendo aos lábios deles juntos violentamente. O beijo era quente, bagunçado, desesperado. Ele retirou os dedos de dentro dela e se levantou da cama, agarrando-a pelas panturrilhas e a puxando para a beira no segundo seguinte. Ubbe a segurou pelas coxas e a levantou, carregando-a até a mesa onde costumavam jogar cartas.

Os dedos que ele tivera dentro dela estavam quentes e escorregadios com seu desejo.

Ubbe a colocou sentada na superfície fria, beijando-a até que ambos estivessem sem fôlego, as mãos fortes e possessivas percorrendo seu corpo, segurando-a pelo pescoço, apertando seus seios, agarrando-a pela cintura para trazê-la ainda mais para perto dele, pernas abertas para que Ubbe pudesse investir contra ela como se fossem dois animais.

Ubbe começou a se ajoelhar, despejando beijos pelo corpo dela. Aethelflaed sabia o que viria a seguir. Ela gostava imensamente daquilo, da língua habilidosa de seu marido, quente e molhada nela, trazendo-a até o ápice de novo e de novo, deixando a ambos bagunçados com sua lubrificação e saliva. Era um prazer quente e mais gentil. Não era o que ela queria agora.

Essa noite, ela estava ansiosa e cansada e com raiva, e mais do que um pouco desesperada. Essa noite, ela queria a aspereza que Ubbe havia mostrado a ela, a força e a dominância que poderiam forçar todos os pensamentos frenéticos para fora da mente dela até que tudo o que permanecesse fossem os corpos deles e os sons de prazer que soltavam.

Aethelflaed o agarrou pelos ombros. — Não.

Ubbe parou, as mãos nas coxas dela. — Não?

Ela balançou a cabeça, esperando que o movimento fosse distinguível na pouca luz. — Eu quero como fizemos antes, no banquete. Do mesmo jeito. Não precisa ser gentil.

Ubbe emitiu uma risada rouca. Ele descansou a testa na coxa dela e então mordeu a parte interna, sugando a pele até que o sangue subisse a superfície, marcando-a.

Aethelflaed gemeu, unhas deixando marcas avermelhadas na pele dele.

— Quando levei você para a cama a primeira vez, era tão tímida. Parece que eu criei um monstro, — Ubbe brincou, lambendo o hematoma.

— Parece que criou sim, meu senhor. Vai me negar o que quero? — Ela provocou, porque sabia qual seria a resposta, podia senti-la na tensão do corpo dele.

Antes que soubesse o que estava acontecendo, Aethelflaed estava sendo virada de costas para Ubbe, a mão grande dele segurando-a pela nuca, guiando-a gentilmente até que descansasse a bochecha na mesa, arquejando com o frio da madeira em seus mamilos.

Ubbe ficou de pé atrás dela e afastou mais as pernas dela com os joelhos, o quadril colado ao traseiro dela, investindo insinuante.

— É isso que você quer? — Ele perguntou, a voz soando como se estivesse sendo arrancada do peito dele, o sotaque tão forte que era difícil entendê-lo.

— Sim, — Aethelflaed gemeu, tentando se mover de encontro a ele. As unhas dela arranharam a superfície da mesa, e então Ubbe estava agarrando ambos os seus pulsos, trazendo-os atrás das costas e os segurando em uma mão.

— Por quê? Use suas palavras, Aethelflaed. Por que quer que eu te foda desse jeito? — Ubbe exigiu, mas ele já estava se alinhando com a entrada dela e empurrando para dentro em uma investida forte. Eles gemeram em uníssono com o prazer, Aethelflaed pressionando a testa na mesa enquanto tentava se acostumar com a invasão.

Ele era grande, sempre tão grande.

— Porque é gostoso, — ela finalmente conseguiu dizer as palavras, a voz rouca e quebrada, e então Ubbe começou a se mover, investidas fortes e profundas que balançavam a mesa, trazendo-a de encontro a ele com o aperto que mantinha em seus pulsos.

— Só porque é gostoso? Posso fazer você sentir prazer de muitas maneiras. Me diga, esposa, por que quis desse jeito essa noite? — Havia malícia na voz dele, um tipo quente e raivoso de satisfação. Maldição, ele sabia. Se Ubbe sabia que o sexo era para distrair a ele ou a ela ou a ambos, se ele sabia que era um desafio a seu pai, sua corte, a qualquer marido que estivessem arranjando para ela, Aethelflaed não tinha certeza. Mas ele sabia que havia alguma razão. Ela mordeu o lábio inferior, tentando permanecer em silêncio. A mão de Ubbe desceu sobre o traseiro dela com um estalo alto, a dor rapidamente se tornando algo ardente e delicioso. Aethelflaed gemeu alto, apertando em volta dele. — Me responda, Aethelflaed. Por que quer ser fodida desse jeito?

— Porque se eu vou ser chamada de prostituta, então talvez eu deva ter o prazer de ser tomada como uma, — ela disse afiadamente, rindo junto a Ubbe quando ele emitiu uma gargalhada cheia de satisfação sombria. A risada se transformou em um gemido. — Porque se o fato de eu escolher prazer vai ser uma vergonha para a minha casa, mesmo que com o meu marido, então é melhor que eu tenha muito prazer.

Ubbe se inclinou sobre ela até que seu torso estivesse pressionando às costas dela, mantendo-a presa na mesa com seu peso. Ele soltou os pulsos dela para segurar o cabelo, a outra mão apertada em volta de seu quadril. Ele lambeu o pescoço dela, mordendo a nuca. As unhas de Aethelflaed encontraram a coxa dele, enfiando-se ali, gemendo com o prazer que ele arrancava de seu corpo a cada movimento brusco.

Haveria hematomas nos ossos de seus quadris dos impactos contínuos com a mesa. Aethelflaed não conseguia se importar.

— Isso é vingança, minha senhora? — Ubbe perguntou, parando as investidas fortes para girar o quadril contra ela em movimentos lentos e sensuais, permitindo que ambos recuperassem o fôlego.

Aethelflaed tentou se mover com ele, porém era impossível com o peso de Ubbe a pressionando na mesa. Tudo que podia fazer era aceitar o que ele decidisse dar a ela.

— E se for? — Ela rebateu, sorrindo por cima do ombro para ele. O sol finalmente estava começando a aparecer, timidamente, por entre as nuvens escuras. A chuva, no entanto, não dava sinais de trégua.

Um relâmpago cortou o céu, iluminando o quarto tão claro como no meio do dia, e os olhos de Ubbe refletiram a luz lindamente. Ele poderia ser um anjo, enviado até ali para protegê-la. Ele poderia ser um demônio, enviado até ali para atormentá-la, para fazê-la implorar por piedade e alívio.

Ubbe puxou a cabeça dela para trás, seu cabelo longo enrolado na mão dele, o movimento lento e inexorável. Não era forte ou violento o suficiente para doer, mas a tensão do aperto fazia Aethelflaed consciente de cada movimento de seus corpos. — Você é a esposa de um filho de Ragnar. Se quer vingança, então a terá.

Ubbe se levantou em toda sua altura novamente, a mão ainda segurando o cabelo dela, e recomeçou o ritmo rápido e brusco de suas investidas, o barulho dos corpos deles se encontrando vergonhosamente alto.

Aethelflaed fechou os olhos, deixando que as sensações a subjugassem; o prazer de ter Ubbe se movendo dentro dela, das mãos quentes e calosas em sua pele, a sensação ardente e desesperadora do clímax se erguendo dentro dela, enrijecendo seus músculos, arrancando cada pensamento de sua cabeça até que tudo que restava era seu corpo, ao mesmo tempo em paz e atormentado.

— Toque-se, — Ubbe grunhiu, os movimentos fortes e rápidos, a respiração errática. Ele também estava perto. — Toque-se como eu toco em você, Aethelflaed. Goze para mim.

Ela obedeceu de imediato, enfiando uma mão entre seu corpo e a mesa, dedos encontrando carne quente e molhada, deslizando facilmente, desenhando círculos rápidos e desesperados sobre aquele ponto sensível como Ubbe fazia quando a tomava. Aethelflaed gemeu com a sensação, as pernas perdendo as forças, estremecendo, prazer quente, brilhante a avassalador a atravessando, enviando arrepios por todo seu corpo.

Ubbe xingou quando os músculos internos dela se apertaram em volta dele, soltando o cabelo de Aethelflaed para colocar a mão sobre a boca dela, silenciando os sons que escapavam. Os olhos dela reviraram, o prazer quase doloroso agora que havia atingido o ápice e Ubbe continuava se movendo, desesperado para encontrar o próprio alívio. Aethelflaed agarrou o pulso dele com dedos escorregadios, gemendo quando Ubbe vacilou e pressionou dentro dela com força uma última vez antes de parar de se mover, um som alto e rouco arrancado da garganta dele enquanto se derramava dentro dela.

Aethelflaed ficou mole em cima da mesa, Ubbe pesado nas costas dela. Havia marcas de suor na madeira, apesar do frio que cortava o quarto.

O coração dela ainda batia rápido, respiração pesada, e ela se encolheu quando Ubbe se retirou dela, a semente dele escorrendo por sua coxa. Ubbe beijou sua bochecha, afetuoso agora que haviam terminado, como ele sempre era. Ele empurrou o cabelo ruivo suado para longe do rosto de Aethelflaed, e ela percebeu que as mãos dele também estavam tremendo.

Ela sorriu para ele. Ubbe sorriu de volta, balançando a cabeça. — Você é cheia de surpresas, não é? — Ubbe a carregou de volta para cama e limpou aos dois, puxando Aethelflaed para se deitar em seu peito. — Acha que consegue dormir agora? — Ele perguntou, uma risada nas palavras dele.

Aethelflaed beliscou as costelas dele, mas se aconchegou. O sol não sairia completamente naquele dia, e a chuva não iria parar, o ar continuando a ficar cada vez mais frio ao redor deles. Mas Ubbe era quente, e isso era o suficiente para fazer com que seu corpo cansado adormecesse.

[...]

— Me conte uma história, — Ubbe pediu a esposa, Aethelflaed deitada no peito dele, traçando distraidamente as cicatrizes que encontrava ali. Ela levantou os olhos para os dele, a luz das velas refletindo nas pupilas dilatadas, o cabelo vermelho cacheado e cheio de frizz pela umidade do ar. Fazia dois dias desde o casamento de Alfred, e a chuva ainda não cessara. O clima continuava a ficar mais frio, o ar condensando nas paredes de pedra geladas do castelo. Ubbe estava acostumado a temperaturas muito mais frígidas, porém conseguia sentir Aethelflaed estremecer contra ele todas as vezes que uma corrente de ar conseguia atravessar alguma brecha nas janelas fechadas.

Ele correu as mãos pelas costas esguias dela, aproveitando a sensação da pele macia contra suas palmas calejadas, e Aethelflaed se aconchegou nele, confortável com sua proximidade.

Aethelflaed levantou as sobrancelhas, um sorriso brincalhão nos lábios cheios.

— Uma história? — Ela ecoou.

Ubbe murmurou em confirmação. Ele puxou um cacho, assistindo interessado o cabelo saltar quando deixou que escorregasse de entre seus dedos.

— Sim, uma história. Não quer manter seu marido entretido em um dia frio como este? — Ele perguntou, provocando-a, observando com diversão quando ela revirou os olhos.

— Mais do que eu já mantenho? — Aethelflaed perguntou a ele, a voz cheia de malícia e promessas mesmo enquanto ela tentava fingir estar exasperada.

Ubbe gargalhou, o corpo de Aethelflaed em cima dele tremendo com o movimento. Era fácil encontrar maneiras de passar o tempo confinado nos aposentos de sua esposa. Eles apenas se incomodavam em se vestir quando os servos entravam para trazer as refeições ou limpar o quarto, e mesmo nessas ocasiões os vestidos elegantes de Aethelflaed eram ignorados em favor de robes práticos que ela puxava sobre a chemise quando escutavam as batidas na porta.

Mesmo o ar gélido não havia os convencido a se vestirem completamente. Eles se escondiam sob as cobertas, ou as arrastavam para sentar-se frente a lareira.

Ubbe era confiante em sua habilidade de manter sua esposa aquecida.

Não era apenas o sexo, apesar de Ubbe estar agradavelmente surpreso pelo pedido de Aethelflaed por um pouco de violência. Ele não deveria estar. Aethelflaed havia florescido sob o toque dela, não mais uma mulher saxã tímida se acovardando com a noção de estar na cama de um viking. A esposa dele era uma criatura de desejo, e estava aprendendo a exigir o que queria com a mesma autoridade com a qual cumpria seus deveres. Ubbe estava extremamente feliz em dar isso a ela.

Ubbe desviou o olhar dela, tentando escapar da tentação de tomá-la novamente. Não era apenas o sexo que o mantinha ocupado. Havia planos a serem feitos, contingências a serem criadas, costumes e culturas que ele precisava aprender, um jogo complexo de espelhos e fumaça que compunha essa corte. Jamais seria tão adepto nele quanto Aethelflaed era, mas poderia aprender para ajudá-la. Eles eram aliados, afinal.

Havia assuntos mais agradáveis sobre os quais eles conversavam. Aethelflaed era uma mulher fascinante, com um senso de humor deliciosamente provocante quando não estava preocupada que suas palavras fossem ofender alguém. Eles tinham muito o que compartilhar, experiências de vida diferentes que pareciam impossivelmente distintas.

Eles estavam, era claro, evitando o assunto do pai dela. Ubbe podia permitir aquilo. Aethelflaed não estava escondendo dele que o que quer que Dustan havia dito quando os deixara sozinhos a tinha abalado, e ela também não estava fingindo não estar preocupada e enfurecida com as tentativas do Wittan de casá-la novamente. Ela permitia que Ubbe visse as emoções no rosto dela de uma maneira que não fazia em público, e ele era grato por não ter que ler as entrelinhas das frases dela, ao menos na privacidade daquele quarto.

Aethelflaed simplesmente não queria falar sobre Dustan, não importava que Ubbe estivesse ardendo em fúria para saber quais insultos seu sogro havia dito a sua esposa, corroendo-se com a raiva que pulsava dentro dele sempre que os olhos de Aethelflaed pareciam tristes.

Ubbe já havia matado homens por muito menos do que chamar sua esposa de prostituta.

No entanto, seu orgulho não possuía a capacidade de cegá-lo para o fato de que seria muito, muito difícil matar Dustan, especialmente agora. Se houvesse qualquer suspeita de uma tentativa contra a vida do duque que apontasse para Ubbe, ele e sua família seriam enforcados.

Ubbe não podia colocar a vida deles em perigo para vingar a honra de Aethelflaed. Mas ele queria fazê-lo. Queria matar Dustan por cada palavra dura e por cada decisão difícil que havia forçado Aethelflaed a tomar. Queria poupá-la do horror presente nesse mundo, o tanto quanto pudesse fazê-lo.

Não podia matar Dustan pelo sofrimento que causara a Aethelflaed. Ele podia, no entanto, ficar com ela, e protegê-la de mais dor.

E então eles conversavam, e sobre o que eles não conversavam era tão importante quanto.

Ubbe gostava de escutar o som da voz dela, a cadência macia e a pronúncia elegante com a qual ela tecia contos de terras antigas e distantes, de deuses e monstros e criaturas. Ubbe poderia se perder naquilo por dias, o corpo e a voz e a mente dela.

— Me conte uma história. Uma interessante, — insistiu. Ele pressionou os lábios à testa dela com um som estralado, a respiração de Aethelflaed atingindo seu peito quando ela soltou uma risada, murmurando sobre príncipes mimados. — Me conte sobre os gregos. Eu gosto dos gregos. Eles não parecem ter sido guerreiros tão bons quanto os romanos, mas ao menos têm ideias interessantes.

Aethelflaed afastou-se dele, sentando-se, os seios nus expostos. A boca de Ubbe secou com a visão. Talvez eles pudessem deixar a história para depois. Ele tentou alcançá-la, porém Aethelflaed desviou dele com uma risada.

Ela andou pelo quarto, colocando um robe sobre o corpo nu antes de ir até uma mesa, uma expressão pensativa no rosto. Ubbe assistiu, silencioso e atento, enquanto Aethelflaed se servia de água. Ela observou as frutas que os criados haviam deixado no quarto essa manhã, o rosto se iluminando com satisfação.

Ubbe seguiu o olhar dela, avaliando a fruta que havia chamando a atenção de sua esposa. Romã, ele acreditava que era o nome. A casca era rosa e lisa, e dentro, aninhado em um tecido branco membranoso, estavam as sementes, reluzentes e vermelhas como rubis. O gosto era doce e ácido, e as sementes haviam manchado os dedos deles enquanto as comiam mais cedo.

Aethelflaed pegou a fruta e a colocou em um prato, trazendo-a com ela até a cama.

— O que acha de um conto sobre romance trágico, meu senhor? — Aethelflaed perguntou a ele, sorrindo. A maneira como ela dizia o título quando estavam sozinhos, a provocação, a piada... Ubbe gostava daquilo.

— Romance, huh? Vá em frente, você tem minha atenção.

Aethelflaed abriu a romã, algumas sementes caindo no prato, manchando os dedos dela com o suco.

— Lembra-se do que eu contei a você, sobre os deuses gregos, quem eles são e sobre o que reinam? — Aethelflaed perguntou a ele. Quando Ubbe assentiu, ela continuou. — Muito tempo atrás, quando a terra era jovem e rica e verdejante, quando os humanos ainda não a haviam manchado com as guerras e as traições e a mesquinharia, o deuses andavam livremente, em suas formas verdadeiras. Um dia, Hades, havendo deixado seu reino sombrio para vagar pela terra, encontrou um jovem, Perséfone, deusa da primavera. Ela era filha do irmão dele, Zeus, e de Deméter, deusa da agricultura, nascida de uma das muitas traições que Zeus cometera contra Hera. Ele a encontrou, e Perséfone era tão inimaginavelmente bela que Hades ficou obcecado. Ele se apaixonou por ela, precisava tê-la. E então, Hades foi até seu irmão, e pediu a Zeus pela mão dela. Zeus concordou, mas sabia que Deméter, que amava a filha mais do que tudo, jamais permitiria que a bela Perséfone fosse até o submundo frio e sombrio. E então, eles formularam um plano.”

“Um dia, enquanto Perséfone brincava com suas companheiras, ninfas d’água, ela encontrou uma linda flor. A beleza da flor a atraiu, e ela foi até ela. Perséfone chamou suas amigas para que a acompanhassem, porém as ninfas não podiam segui-la, pois deixar o rio significaria suas mortes. Mas Perséfone foi mesmo assim, encantada. Ela puxou a flor do seio da terra, mas a flor não cedeu facilmente. Finalmente, ela conseguiu libertar a flor, e no lugar onde antes estava na terra, havia um buraco. O buraco cresceu, maior e maior, até que era um enorme e horripilante abismo, indo até o submundo. Zeus e Hades a haviam enganado, partindo a terra sob os pés dela, e Perséfone caiu, milhas e milhas, até o reino dos mortos.”

“A mãe dela, inconsolável com o desaparecimento de Perséfone, a procurou por todos os cantos do mundo. Quando Deméter descobriu que Hades a havia raptado, com a permissão de Zeus, ficou desesperada. Não poderia forçar o rei dos deuses a voltar atrás em sua palavra. A raiva e tristeza dela eram tão enormes que as plantações dos humanos começaram a morrer. E, os humanos, muitos amados dos deuses, pereceram também. Com tanto sofrimento, Zeus teve que chegar a uma trégua. Perséfone deveria passar oito meses do ano na superfície, com a mãe. Durante o inverno, ela deveria voltar para o submundo, com seu marido. Mas Perséfone não estava morta, e não pertencia ao submundo. Como, então, Hades poderia se certificar que sua amada retornaria para ele?”

Aethelflaed depositou sete sementes de romã na palma dele, a fruta gelada em sua pele.

— Nos jardins mágicos do palácio sombrio de Hades, romãs cresciam. As frutas eram mágicas, e ligavam quem quer que as comesse ao deus do submundo e ao domínio dele. Antes que Perséfone fosse forçada a partir, Hades colocou sete sementes de romã na boca dela. Confiando nele, pois seu marido era mais gentil do que poderia imaginar, Perséfone as engoliu, e se tornou eternamente ligada ao submundo. Quando ela vem à terra, Deméter regozija, e tudo floresce e cresce. Quando o tempo para a partida dela se aproxima, a tristeza de Deméter se torna mais e mais intensa, e o mundo morre lentamente à nossa volta até que apenas o inverno frígido permaneça.

Aethelflaed findou o conto. Ela deslizou os dedos pela casca lisa da romã, a expressão pensativa retornando ao rosto dela.

Ubbe permaneceu em silêncio por um momento, encarando as sementes escarlate em sua palma, o líquido deixando manchinhas vermelhas onde elas tocavam.

— Você mentiu, — ele murmurou.

Aethelflaed ergueu as sobrancelhas. — Como, meu senhor?

— Disse que era uma história de amor trágico. Não há amor nesse conto, Aethelflaed. Apenas a obsessão de um homem perigoso. Hades roubou uma jovem da vida dela e a forçou a viver com ele em um lugar sombrio, fazendo com que todos que a amavam sofressem. Isso não é amor, — argumentou.

Ubbe pensou nos outros mitos gregos que Aethelflaed já contara a ele. Pensou em Hades em suas vestes negras, sentado sobre um trono de ossos, dono de todas as riquezas subterrâneas, dono de uma terra de dor e esquecimento. Pensou em Perséfone, uma garota com flores no cabelo, condenada a viver no escuro.

Aethelflaed sorriu para ele, sábia e triste e distante. — Hades tinha a permissão do pai dela, Ubbe. Isso conta para alguma coisa. Não acredita que amor pode ser aprendido? Que pode nascer de respeito mútuo, de tempo e atenção? Que pode amar alguém pela constância, pela forma como tratam você, apesar das circunstâncias?

— Eu sempre pensei em amor como sendo algo imprevisível. Não pode se forçar a amar alguém, ou a continuar os amando. Amor vai contra a racionalidade, é algo inexplicável. Não há uma maneira de controlar quem se ama, — explicou. Aethelflaed riu. Ubbe segurou a panturrilha dela, acariciando a pele macia. — Acha que essas são palavras tolas?

— Acho que são as palavras de alguém cujo coração sempre foi livre. Meu coração jamais foi meu para ser dado. Então acho mais fácil de entender. Os começos, eles não importam muito para mim. — Aethelflaed brincou com as sementes de romã, cuidando para não deixá-las manchar suas vestes ou os lençóis. — Essa é apenas a versão mais aceita do mito, de qualquer maneira. O que você escutaria de um estudioso. Amice tem uma opinião diferente.

Ubbe revirou os olhos. — É claro que ela tem, — murmurou, irritação surgindo no tom dele. Os olhos de Aethelflaed estavam fixados nele imediatamente, desconfiados. Ubbe sorriu, tentando disfarçar. Não diria a ela sobre a ameaça de Amice. A garota estava tentando proteger a senhora dela, e ele preferia não saber se Aethelflaed se ressentiria de sua raiva, justificada como fosse. — Qual é a opinião dela? Gostaria de ouvi-la.

Aethelflaed ficou em silêncio por um momento, estudando-o. — Nos mitos, Perséfone é quem distribui as punições mais cruéis no submundo. Ninguém com essa capacidade ficaria satisfeita com um príncipe dourado e um campo de flores pela eternidade. Amice diz que quando Hades a encontrou, ela viu a beleza de Perséfone, mas também o aço por baixo. Ele viu os ossos dela, frios e adoráveis, e ofereceu a ela metade de seu reino. Talvez ela tenha ido por vontade própria, para um lugar onde era rainha, e não apenas a filha de um rei. Não há beleza nisso, Ubbe? Em amar alguém apesar da escuridão deles? Em ter a sua própria escuridão escondida reconhecida, e não tê-los desviando o olhar? Não estamos todos procurando por alguém cujos monstros são iguais aos nossos?

O fôlego de Ubbe vacilou, a mão se apertando na perna dela. Aethelflaed parecia ardente, o cabelo vermelho reluzindo na luz do fogo, as pupilas dilatadas, quase engolindo o azul, sardas esparramadas sobre o nariz e bochechas. Sua linda, adorável e perigosa esposa.

Qualquer outro homem havia se incomodado em descobrir o que havia debaixo das maneiras perfeitas e do poder da família dela? Qualquer outro pretendente havia se incomodado em saber como ela era quando dever não a prendia?

Ubbe duvidava.

Mas ele sabia. Ele devia isso a ela, quando Aethelflaed havia tão facilmente descartado as mentiras e suposições que os cristãos faziam sobre ele.

— Acha que ela engoliu as sementes porque queria? — Ubbe perguntou, um sussurro.

Aethelflaed observou as sementes na mão dele, sete rubis perfeitos. Uma armadilha. Uma libertação. Oferta e rendição. Ela estendeu a mão para ele, e Ubbe deixou que as sementes caíssem na palma dela.

— Acho que Perséfone encontrou algo pelo qual valia a pena ficar na escuridão, e decidiu não deixar que ninguém, nem mesmo os deuses, tirassem isso dela. Acho que ela viu as riquezas e a ganância e o homem que poderia dar a ela mais do que um prado florido e um córrego gentil, e decidiu fazê-lo dela, tanto quando Hades a fazia dele.

Ubbe a observou com o coração estranhamente acelerado, as linhas afiadas da mandíbula, a voluptuosidade dos lábios, a maciez da pele. Atrás dos olhos dela, mil segredos, mil planos que ele apenas agora estava começando a ver. Atrás no nome dela, riquezas e exércitos e poder. Sob tudo isso, apenas Aethelflaed, a inteligência e a bondade e o pragmatismo.

Ubbe estremeceu, desejo o atravessando.

— O que você escolheria, se fosse obrigada? Hades, ou uma vida pacífica na superfície?

— Eu sou uma mulher gananciosa, Ubbe. Sempre que posso, eu escolho devorar.

Aethelflaed colocou as sementes de romã na boca, e quando sorriu para ele, os lábios estavam manchados de vermelho.



Notas finais
E ai meus amores, o que acharam de um pouco de calmaria e romance???? Aproveitem, daqui pra frente apenas dor e sofrimento sskdpskdpkspd
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.