Hard to do - One Shot
2 2018
Notas iniciais
2010
And while you've been pushing, I'm pulling away -
Hard to do, Gavin James
Sara estava beijando meu pescoço furiosamente quando meu telefone tocou.
— Sério, Ollie? — ela reclamou com um beicinho quando eu me afastei, mas precisava atender, havia coisas que eu tinha que levar a sério.
— Só vai legar um segundo, baby. — dei meu melhor sorriso e a tirei de cima de mim.
Estávamos em uma das dispensas da escola, ou como eu gostava de chamar, meu “Abatedouro”, não importava a fama daquele lugar, as garotas não se importavam de ir quando eu chamasse. Inclusive Sara Lance, irmã da minha atual namorada, mas não vamos colocar rótulos, Laurel e eu vivíamos nesse vai-e-vem desde que éramos crianças e ela não precisava saber o que eu fazia com a irmã dela como eu não precisava saber o que ela fazia com meu amigo Brandon, ela precisava de alguém a altura para dançar com ela no baile de formatura e eu era esse alguém.
Atendi o telefone ficando em pé e alisando minha blusa.
— Manda.
— Cadê você cara? O trote de formatura vai começar. — gritou Brandon do outro lado da linha.
— Merda, esqueci disso, já vou. — ouvi Sara reclamar, mas ignorei, respirando fundo e dando um jeito nas minhas roupas e cabelo, abri a porta – Depois terminamos.
Estava saindo da despensa quando acabei de encontro com um corpo, por extinto, segurei sua cintura fina de encontro com meu corpo para que não caísse, mas todas as folhas que ela estava segurando caíram no chão. A menina deu um gritinho e eu segurei um grunhido porque ela havia pisado no meu pé, quando olhei para baixo, ainda sem soltar o corpo pequeno, encontrei os olhos grandes e azuis de Felicity me encarando.
— Desculpa. — ela disse sem jeito e se afastou.
— Tudo bem. — ela ajeitou os ósculos e eu coloquei as mãos nos bolsos, rezando para que Sara não desse as caras – Então, animada para o baile?
— Esse evento de classe para me humilhar ainda mais? Não obrigada. — ela percebeu que as folhas estavam espalhas no chão e se abaixou para pegá-las, eu fiz o mesmo, ajudando-a, acabei vendo que eram folhas sobre o baile, ela me pegou olhando e tratou de se explicar – Organizar o baile me dá crédito extra.
— Achei que já tinha passado para o M.I.T. — ela me olhou confusa – Minha mãe disse.
— Sim. — ela revirou os olhos e eu não entendi o que era – Não sei ainda se posso ficar tão longe da minha mãe.
— Que isso, você deveria querer ficar longe disso tudo.
— Você quem diga. — murmurou.
Antes que eu pudesse dar uma resposta, Sara saiu com sua aparência intacta do Abatedouro e olhou para cena com desdém.
— Olha só, Esqusiticity… Até que esse estilo nerd combina com você, melhor que o emo com certeza. — Sara riu – É até bonitinha.
Era bem mais que bonitinha. Felicity lutava para esconder, mas sua aparência tinha mudado tanto, seus cabelos estavam em um tom de loiro e suas curvas estava totalmente formadas, eu sabia bem dos banhos de piscina que ela tomava com a Thea. Se ela usasse roupas diferentes e parasse de se esconder por trás dos óculos, facilmente seria considerada a garota mais bonita da escola, mas eu não precisava disso para saber o quão bonita ela era e quão sexy ela estava. Merda… Pensa em outra coisa Queen.
— Até mais.
Felicity não respondeu Sara e saiu correndo no corredor, passando desapercebida pelo mar de alunos. Mais tarde, enquanto me arrumava para o baile e ajeitei meu smoaking feito por medida, minha mãe entrou no meu quarto com uma batida leve.
— Está lindo querido. — ela sorriu e chegou mais perto para a arrumar a gravata – Seu pai estaria orgulhoso.
— Obrigada. — ela alisou o paletó.
— Vai dar uma carona para Felicity?
— Ela não vai ao baile.
— Vai sim. — olhei surpreso para minha mãe – Tommy passou aqui essa tarde a convidou, foi super fofo.
— O quê? — quase gritei, Tommy não havia falado nada sobre estar interessado nela, eu sabia que ela sempre tivera uma queda por ela, mas nunca soube da contrapartida.
— Sim, ela quase não aceitou, mas demos uma forcinha, acho que vão fazer um casal lindo.
— Não vão. — Nunca! Quase gritei, mas minha mãe não entenderia minha reação – Felicity é muito diferente para ele, Tommy não vai entendê-la. Nunca vai dar certo.
— Agora eu sou uma deficiente? — olhei de repente para a porta para encontrar Felicity toda produzida segurando as lágrimas – Eu vim aqui para pedir uma carona, mas acho melhor não atrapalhar.
— Felicity, querida. — Moira tentou chamá-la, mas ela já tinha corrido dali.
Segurei um palavrão, por que eu conseguia estragar tudo tão facilmente? Levantei-me as pressas e a segui, acabei encontrando-a no topo da escada e segurei seu pulso. Assim que ela virou, tive que esperar um tempo para me recompor, Felicity estava deslumbrante, com um vestido perfeito que torneava todas as suas curvas, seu cabelo preso milimetricamente o que acabava deixando seu busto nu e era viciante. Ela estava viciante, estava maravilhosa e de repente eu fiquei com raiva porque Tommy estaria acompanhando-a e eu tinha sido um idiota novamente.
— Sabe que eu não estava dizendo aquilo.
— Sinceramente, Oliver? Eu não sei mais o que sai da sua boca.
— Você está com raiva de mim. — não era uma pergunta.
— E deveria ser diferente? Você acabou de me diminuir para sua mãe, se acha que não sou boa suficiente para seu amigo deveria dizer na minha cara. Ou não mereço mais nem isso agora que não somos amigos?
Tensionei o maxilar, queria dizer que era o contrário, queria poder… Respirei
— Sei que não mereço seu perdão, mas deixe-me levá-la para o baile. — Felicity revirou os olhos – Confia em mim?
— Ainda pergunta isso?
Soltei seu pulso para alcançar o bolso do paletó, assim que senti o papelzinho, segurei com cuidado e coloquei em sua palma, com a imagem para baixo.
— Me encontre na frente em cinco minutos.
Afastei-me sem saber se daria certo, mas queria que ela ainda gostasse de mim ou, pelo menos, do Oliver que ela tinha conhecido. A foto que ela tinha me dado de presente no meu décimo terceiro aniversário tinha dado certo afinal, ela realmente tinha me esperado, porém não me dirigiu a palavra, apenas me devolveu a foto quando entramos no carro.
O baile se seguiu como o esperado, alguém havia batizado a bebida então várias pessoas já estava bêbadas antes de anunciarem a rainha. Também não foi surpresa quando Laurel e eu ganhamos e tivemos que dançar a dança mais esperada da noite juntos. Felicity dançou com Tommy e parecia realmente feliz, ela corava toda vez que lhe falava ao pé do ouvido e fechou a cara toda vez que nossos olhares se encontravam através do salão.
O que não seguiu conforme o esperado era o fato de que eu não fui para o lugar privado mais próximo para transar com Laurel, nem fui para a pós-festa na casa de Brandon. Eu fui para a minha casa, mais especificamente, para a casa de Felicity e esperei que chegasse. Estava escondido nas sombras quando ela chegou uma hora depois, de mãos dadas com Tommy e rindo genuinamente de algo. Eles se despediram um beijo que demorou demais e Tommy se retirou, infelizmente não consegui ouvir muito do que disseram.
— Dormiu com ele? — Felicity deu um pulo para trás quando eu fiz a pergunta saindo da escuridão em que me encontrava. — Desculpa, sei que não tenho o direito…
— Não tem mesmo. — Felicity ainda respirando forte, tentou se recompor.
— Eu sei, mas eu preciso saber.
— Por quê? — cheguei mais perto com as mãos no bolso – Eu não pergunto com quem você dormiu. E seria uma lista bem grande…
— Certo, eu… — respirei fundo enquanto ela me encarava com seus olhos grandes – Estou te esperando aqui por uma hora e só queria conversar.
— Conversar? — bufou – Você não quis olhar na minha cara nesses anos e eu nem sei o que eu fiz para merecer isso, e, de repente, você quer conversar? Te incomoda tando outro garoto gostar de mim?
— Sim! — gritei e Felicity se calou surpresa – Desculpa, eu sei que Tommy é um cara legal e talvez o mais decente da escola, mas…
— Mas eu não sou boa o suficiente para ele. — completou ela – Porque eu sou uma nerd e uma esquisitona, além de ser pobre e praticamente sua empregada. — passei a mão no cabelo nervoso, ela estava com lágrimas nos olhos.
— Eu nunca disse isso.
— Certo, porque você não diz nada pra mim há dois anos. — ela mordeu os lábios e olhou para todos os lados menos para mim – Eu estou cansada, amanhã eu vou embora então só me deixa dormir.
Ela se virou para entrar em casa, mas eu a segurei pelo pulso e a fiz virar para mim, como tinha feito mais cedo na escada, mas dessa vez, seu corpo ficou mais colado no meu, me segurei novamente para não encarar seu decote. Ela olhou para mim surpresa, mas não tentou se soltar, seus lábios estavam entreabertos e a vontade de beijá-los era imensa.
— Embora? — perguntei.
— Vou pro M.I.T. amanhã. Vou fazer o que você falou, ficar longe disso tudo. — sua voz estava séria, mas seus olhos ainda estavam marejados.
— Quer dizer longe de mim.
— Você não tem essa importância na minha vida toda, Oliver Queen, não sou uma de suas garotas. — ela tentou se soltar mas eu passei meu braço por sua cintura e a segurei um pouco mais forte, ela arfou e segurou meus braços.
— Só me escuta. — minha respiração estava pesada e nossos narizes quase tocavam – Eu preciso me explicar.
— Seria a primeira vez. — ela murmurou.
A ignorei e respirei fundo.
— Quando eu disse aquilo mais cedo estava falando sobre você ser incrível de um jeito que Tommy nunca poderia ser capaz de enxergar, ele não ia te entender do jeito que você merece ser compreendida. Me desculpe se saiu errado, só não vá embora achando que eu falaria alguma coisa para te ofender.
— Você não tem direito de opinar na minha vida. Não mais.
— Ora, eu não sou seu melhor amigo no mundo inteiro? — dei um sorrisinho que fazia as mulheres caírem aos meus pés, mas Felicity continuou séria.
— Não. — respondeu e aquilo doeu, doeu muito – E não me olha desse jeito.
— Que jeito? — a soltei, estava difícil ficar perto dela.
— Do jeito que você olha para todas as garotas, eu não gosto desse Oliver. — olhei para ela tentando entender – Gostava do meu Oliver, na verdade, amava ele. Mas esse? Não gosto nenhum um pouco.
Minha respiração ficou pesada e eu comecei a me aproximar novamente, meu corpo reagiu rapidamente com a sua declaração.
— Seria clichê dizer que eu ainda sou seu Oliver?
Por incrível que pareça, Felicity riu e não foi de deboche, mas ela logo se calou.
— Muito clichê. — ela me olhou nos olhos – Eu sinto que nossos caminhos estejam tão separados, achei que seríamos nós dois contra o mundo. Mas eu ainda desejo toda a felicidade para você e do jeito que você achar que está feliz, estarei feliz também.
— Por que isso está parecendo um adeus? — estiquei meu braço e segurei o seu, nos aproximando novamente, droga, não conseguia ficar longe.
— Porque é. Eu vou embora amanhã, então, adeus. — ela não estava olhando para mim e mordia o lábio furiosamente.
— Eu odeio dizer adeus. — segurei seu rosto, forçando-a olhar para mim – E você sempre será minha garota, Felicity.
Ela abriu a boca como se fosse argumentar sobre aquilo, mas eu a calei unindo nossas bocas. Tentei ir de vagar, esperei que ela passasse da parte surpresa, assim que senti que ela retribuía o beijo, eu apertei sua cintura contra meu corpo e aprofundei o beijo. Felicity soltou um gemido e colocou suas mãos nos meus cabelos e pescoço, me puxando ainda mais para o beijo. Nosso beijo logo ganhou mais urgência, nossos corpos faziam o máximo para chegar mais perto um do outro, nossas línguas se encontram e eu achei que nunca fosse capaz de parar de beijá-la. Minhas mãos desceram em suas costas até sua bunda e a puxei contra mim, ela arfou e aquilo foi suficiente para que eu não conseguisse esconder o quanto eu precisava dela. Separei nossas bocas e comecei a beijar seu pescoço, lambendo, mordendo e provocando.
— Oliver… — Felicity gemeu – Não.
Congelei e me afastei, ela estava corada e com os lábios inchados por causa do beijo, era uma visão maravilhosa.
— Por quê? — ainda a segurando, olhei para seus olhos.
— Porque você não está fazendo isso porque gosta de mim.
— Isso não é verdade. Felicity, você conhece desde criança, não gostar de você nunca foi a questão.
— Você me ignorou por dois anos e agora está me beijando… Se é por causa de Tommy…
— Não é nada por Tommy. — cortei – Eu já te beijei antes, estou fazendo novamente porque… — mas não consegui falar.
— Tínhamos treze antes e agora você nem consegue uma resposta decente. — uma lágrima correu por seu rosto. — Acho que eu mereço uma explicação.
— Felicity! — a soltei e passei as mãos pelo cabelo novamente, não era uma questão fácil.
— Eu não quero beijar você!
— Não era o que parecia. — saiu da minha boca tão rápido que não consegui conter.
Felicity fechou os olhos e suspirou, com mais uma lágrima correndo.
— Como eu disse, eu não gosto mais de você. — ela começou a se afastar e eu não tinha mais motivos para segurá-la – Adeus, Jonas.
Não consegui responder, a deixei ir, como tinha feito todos esses anos e tudo porque eu era covarde demais para amá-la e eu merecia toda merda em que eu estava.
2018
I'm tired of losing everyone I see
Now that you're here, it's a hard thing to do -
Hard to do
A Mansão Queen estava linda com os enfeites de natal, estava com saudades daquele lugar e segurei a felicidade enquanto estacionava meu carro perto da casa da minha mãe. Eu quase não voltava para Star City desde que tinha ido fazer faculdade e depois acabei morando em Central City ajudando em alguns projetos. Minha mãe ia me visitar quando podia e conseguia contar em uma mão as vezes que eu tinha voltado para àquela casa e todas as vezes tinham sido previamente planejado para não me encontrar com ele. Suspirei, é claro que ele viria para esse natal, tinha sido a missão da sua mãe esse ano juntar toda a família e Thea tinha praticamente me chantageado para que eu voltasse naquele ano.
Suspirei e sai do carro, alisando meu vestido rosa colado por baixo do casaco de linho de mesma cor, eu não era a mesma garota com o coração partido que tinha saído daqui anos antes. Eu podia ainda estar solteira e meu último namorado podia ter terminado comigo alegando que eu nunca poderia amar alguém porque era amarga com a vida, mas Oliver não precisava saber disso. Respirei fundo quando entrei na sala, que estava com alguns convidados da família e com cheiro de rabanadas saindo do formo.
Entrei tentando não chamar atenção, mas assim que Thea me viu, deu um gritinho e saiu correndo para me abraçar.
— Olha se não é minha Queen preferida. — estava tão feliz em vê-la, não queria ficar tão longe assim dela.
— Se meu irmão ouvir isso não vai ficar feliz. — tentei não fazer uma careta.
— Acho que ele não se importa.
— Eu nunca entendi o que aconteceu com vocês. — ela cruzou os braços e me encarou com um olhar assustador – Eram melhores amigos.
— Também nunca entendi, mas isso aconteceu no passado, não me importo mais.
— Quando foi a última vez que o viu?
Dessa vez não consegui segurar a careta, a última vez que tínhamos nos visto era minha pior memória, com certeza.
— Acho que em algum momento de 2015.
— Ele entrou para o exército depois disso. — eu sabia disso, claro que eu sabia tudo sobre ele – Ainda bem que conseguiu uma dispensa para vir para o natal esse ano, estou morrendo de saudades.
Thea olhou para um ponto atrás de mim e seus olhos brilharam, me virei para seguir seu olhar e vi Oliver entrando pela porta principal. Sua mãe logo foi correndo abraçá-lo e ele a apertou de volta. A única coisa que eu consegui pensar foi “Puta merda”, puta merda como ele estava gostoso, eu achava que não era possível ele ficar mais musculoso, mas era possível ver seus ombros largos pela camisa e como as mangas se apertavam em seus braços enquanto tirava seu casaco. Seu cabelo estava bem curto, nunca tinha visto ele sem tanto cabelo, estava maravilhoso e seu rosto estava contornado com uma barba rala que o deixava ainda mais sexy. Puta merda, eu tive que respirar mais fundo algumas vezes, esperava não estar corada, mas, com certeza, estava abatida por vê-lo assim e não conseguia parar de olhar, estava hipnotizada, mais uma vez. Puta merda.
— Não se importa, não é? — Thea me provocou e saiu correndo para falar com irmão.
Não me importava, não me importava. Tentei repetir para mim mesma, mas a porcaria do meu coração não se acalmava, estava saltitando por vê-lo novamente e bem. Porém, ele logo murchou, quando os abraços acabaram, uma mulher que eu não tinha percebido chegou perto dele e segurou seu braço e beijou sua bochecha, eu a conhecia muito bem.
Laurel Lance.
Segurei minha raiva e, aparentemente meus ciúmes, tratei de parar de olhar para Oliver e tentei sair dali sem ser vista, mas assim que me virei para correr para a cozinha, acabei me encontrando com tudo com um dos garçons e derrubei tudo no chão, fazendo um barulho estrondante por toda sala. Merda, mas que merda. Olhei para minha roupa destruída e tentei não olhar para trás.
Estava pedindo desculpas para o garçom e tentando fugir o mais rápido possível quando alguém me chamou.
— Felicity querida, está tudo bem? — olhei para trás encontrando toda a família Queen vindo ao meu contro.
— Eu fui um pouco desastrada, como sempre. — tentei focar meu olhar em Moira e não olhar para ele, que estava um pouco atrás, com a papagaia ainda empulerada em cima dele.
— Tudo bem, querida, estou tão feliz em vê-la. — ela veio para me abraçar, sem se importar com o fato de que estava cheia de comida. — Vá se trocar no quarto de Thea.
— Também estou muito feliz em vê-la, senhora Queen. — sorri, tinha que ignorar a presença de Oliver, ele estava me deixando absurdamente nervosa – Minhas malas estão no meu carro, vou pegá-las.
— Ora, não precisa, Oliver pode pegá-las para você. Não é querido? — Moira se virou para o filho, mas eu ainda olhava para os meus sapatos – Ótimo, pode ir para o quarto de Thea que ele vai levar suas coisas.
— Realmente não precisa, posso pegar por mim mesma e trocar na minha casa. Obrigada pela gentileza. — olhei para ela mais uma vez – Além do mais, preciso ver minha mãe. — tentei sorrir, ainda sem olhar para Oliver.
— Tudo bem, mas volte para aqui o maís rápido possível. — Thea disse.
Sorri e estava pronta para ir quando alguém disse:
— Felicity, parece que eu só a vejo suja com comida.
Mordi minha boca e forcei um sorriso ao olhar para Laurel e, por assim, olhando para Oliver, que me encarava sério com seus olhos azuis, parecia imparcial se não fosse por seu maxilar tensionado.
— Olá, Laurel.
— Acho que não conversamos muito durante o colégio. — ela estava esbanjando um colar caríssimo e roupas igualmente caras, além do cabelo perfeitamente escovado.
— Não. — tentei segurar o sorriso.
— Espero que tenhamos mais chances agora que vamos nos ver em todos os feriados de família. — ela sorriu maliciosamente e subiu sua mão pelo braço de Oliver para que eu visse o enorme diamante em seu dedo, segurei a ânsia de vômito e não consegui mais manter um sorriso falso, ele logo morreu enquanto eu olhava para a nova noiva – Oliver me pediu no verão passado, foi tão romântico.
Olhei para Oliver tentando não parecer desesperada, mas estava, estava ficando louca, ele ia casar? Isso não podia acontecer. Porém, Oliver não olhava mais para mim, estava olhando para o chão e eu não conseguir ver sua expressão, não conseguir ver o que estava sentindo. Pedi licença enquanto a família Queen começava a falar do casamento e fui pegar as minhas coisas. Quando abri a mala, uma voz forte veio atrás de mim:
— Senhorita Smoak? — me virei para encontrar um homem negro e forte – Sou John Diggle, amigo do senhor Queen, ele me pediu para que viesse ajudá-la com as malas.
— Sério? — fiquei surpresa com essa ação de Oliver, ou foi sua mãe? Mas aceitei de qualquer forma – Obrigada pela ajuda – disse quando chegamos a minha casa – Há quanto tempo conhece Oliver?
— Desde que ele se alistou ao exército. — Diggle colou minhas malas no chão – Machuquei meu ombro há algum tempo e Oliver me conseguiu um emprego como segurança aqui.
— Bem altruísta da parte dele.
— Salvei a vida dele uma vez, acho que foi a forma dele de me compensar. — John cruzou os braços e deu um sorrisinho – Ele falou bastante da senhorita.
— Sério?
— Quase todas as noites enquanto acampávamos, parece que gosta bastante de você. — meu coração saltitou e eu tentei aquietá-lo, não fique animada Felicity.
— Nem tanto assim… Ele está noivo. — tentei mudar de assunto.
— Eu sei disso. — John chegou mais perto, ele era muito grande, tentei não ficar assutada – Ele gosta muito da senhorita, como disse, não querendo me meter em sua vida, mas Oliver é um bom amigo e eu não ajudaria se não falasse… Ele não ama a senhorita Lance, não o deixe fazer isso.
Depois da declaração perturbadora de John, eu passei um tempo com a minha mãe e me troquei, com muito esforço, voltei para a mansão no fim da tarde para o café. Quando cheguei, estavam todos sentados na grande mesa que ficava na sala de jantar, Thea me chamou para sentar ao seu lado junto com sua família.
— Então, ele disse “acho que se não fôssemos para ficar juntos não nos encontraríamos tanto na vida” e me pediu em casamento. — contava Laurel enquanto eu sentava – Não nos víamos havia três anos, então fiquei bastante surpresa, mas claro que aceitei. Não sei como vai ser namorar um militar, mas amo Oliver, então tudo vai ficar bem.
Tentei me concentrar na comida que foi colada a minha frente, Thea fazia caretas para Laurel sem que ela visse e eu tive que me concentrar para não gargalhar.
— Felicity – chamou Moira, me fazendo levantar o olhar – conte-nos sobre você, soube que está em um trabalho importante.
— Sim, estou criando uma inteligência artificial para o acelerador de particular em Central City.
— Nossa, não entendi uma palavra do que você disse, Felicity. — disse Laurel – Eu lembro que você era meio nerd no colégio.
— Felicity sempre foi muito inteligente. — disse Thea – E agora parece uma executiva bem gostosa, não concorda Oliver?
— Thea. — brigou sua mãe.
Olhei para Oliver mesmo sabendo que ele não poderia responder minha pergunta, ele olhou para mim também, ainda sem muita expressão para mostrar, seus olhos ainda estavam hipnotizantes.
— Está muito bem, Felicity. — disse por fim.
“Está muito bem”? Ficamos anos sem se ver e meu coração idiota ainda palpita quando o via e tudo o que ele tem a dizer é que eu estou bem? Segurei minha raiva para forçar um sorriso e afastar minha cadeira.
— Se me dão licença, tenho que ir ao toilete.
Tive que me segurar para não correr, estava usando saltos e tinha trocado o vestido por jeans e um suéter mais quente, eu só queria sair dali o mais rápido possível. Eu não podia ficar perto de Oliver em toda aquela situação, era doloroso demais, ficar longe era melhor, pelo menos não era jogado na minha cara o fato de que ele não era e nunca mais seria meu. Ele estava noivo e eu seria esquecida para sempre, na verdade, parecia que eu nem mais existia.
Quando cheguei a sala, escutei alguém me chamando e me virei para Thea.
— Desculpa por aquilo. — disse ela – Eu queria que as coisas fossem como antes, odeio ver vocês afastados.
— Eu também, mas já somos crescidos, Thea.
— Eu sei, me desculpe. — ela fez uma feição de que estava prestes a fazer mais alguma coisa – Preciso te pedir um favor.
— Eu não vou sabotar a Laurel.
— O quê? — Thea riu – Não, isso eu vou fazer sozinha. Queria pedir sua ajuda para pegar alguns enfeites no sótão, minha mãe precisa deles para a árvore, mas eu preciso ligar para meu namorado que ainda não chegou.
— Tudo bem, mas não tem nenhum empregado que possa fazer isso?
— Ela pediu para mim, tradição de família ou algo do tipo, mas Roy já era para ter chegado e eu estou preocupada.
— Tudo bem, claro que eu posso ir pegar.
— Só mais alguma coisa, posso usar seu telefone? Não sei aonde deixei o meu.
— Sem problemas.
Emprestei meu aparelho e segui meu caminho até o sótão, ficava no último andar da mansão e precisava subir uma escadinha bem apertada. Quando cheguei havia inúmeras caixas e xinguei Thea por me obrigar a fazer aquilo, suspirei e comecei a olhar pelas caixas. Assim que subi em cima de uma para tentar alcançar a que estava mais alta que parecia estar escrito “natal”, escutei passos na escada.
— Thea, não estou achando essa tal caixa, que tal me dar uma ajudinha.
Mas quando eu olhei para trás, não era Thea que havia subido, era Oliver. Ele parecia tão surpreso quanto eu por estarmos no mesmo local, com toda a surpresa, acabei me desequilibrando da caixa e caindo no chão com um grito.
— Felicity.
Quando voltei a mim, estava caída no chão com meu tornozelo doendo muito. Oliver chegou mais perto e se ajoelhou, parecia preocupado, mas eu não conseguia me concentrar em decifrar suas expressões.
— Está tudo bem?
— Meu tornozelo. — grunhi.
— Não se mexe.
Eu ignorei sua ordem e me sentei, ele olhou para mim mais uma vez antes puxar minha perna para seu colo e tirar o sapato lentamente. Segurei a respiração, estava com dor, mas era impossível não sentir meu corpo esquentando com sua proximidade e seu toque. Ele analisava meu pé com atenção, olhando cautelosamente, quando ele tentou mexê-lo, eu dei um gritinho e mordi o lábio.
— Acho que foi apenas uma torção. — ele me olhou novamente – Não está quebrado
— Mas ainda doí muito.
— Vai passar assim que colocarmos um pouco de gelo e enfaixarmos.
— Tudo bem… — olhei para ele sem saber o que fazer em seguida – Vou precisar de ajuda.
— Claro. — Oliver tossiu e me segurou para me levantar – Acho que vou ter que te pegar no colo, vai ser melhor para passar pela escada.
Não respondi, deixei que passasse seu braço por minhas pernas e me levantasse, tentei ignorar sua proximidade, era mais fácil me concentrar na dor. Entretanto, quando tive que segurar em seu pescoço para me firmar, se tornou tudo mais difícil, ele era tão forte quanto eu imaginei que seria, me carregou com uma facilidade incrível pela escada, totalmente concentrado no estreito corredor. Me deixando, assim, olhar para seu maxilar fortemente delineado e forte, tão masculino e desafiador.
Quando ele chegou perto da porta, tentou girar a maçaneta, mas a porta não abriu, Oliver tentou mais algumas vezes antes de xingar
— Mas que merda? — eu indaguei enquanto tentava olhar porque ele não conseguia abrir uma simples porta.
— Não quer abrir.
— Como assim? Acabei de abri-la, deve estar fazendo algo de errado.
— Pode não acreditar, mas eu sei abrir portas. — ele olhou para mim levemente irritado – Mas está livre para tentar.
— Adoraria. — Oliver me colocou no chão com cuidado e eu tentei abrir a porta, tendo o mesmo resultado que ele – Isso não faz sentido. — continuei puxando loucamente e gritei frustrada quando a porta nem rangeu.
— São portas reforçadas e madeira, não vai abrir na base da raiva.
— Thea! – gritei – Moira! Alguém?
— Ninguém vem aqui em cima. – Oliver parecia muito calmo – Não vai adiantar gritar também.
— Eu não vejo você tentando nada, senhor sabe tudo.
— Porque estou tentando pensar, mas é difícil com a sua gritaria. – Oliver passou a mão no cabelo, como fazia antigamente quando ficava nervoso, tentei não encarar seus músculos tensionando enquanto fazia esse movimento.
— Está com seu telefone, pelo menos? – suspirei irritada, eu não podia ficar trancada no sótão com ele, simplesmente iria me jogar da pequena janela que tinha no recinto.
— Não. – disse – Thea pediu para ligar para o namorado.
— O quê? – depois dessa declaração eu me exasperei, colocando o pé torcido no chão, dei um gritinho e acabei caindo na escada e sentando em um dos degraus.
— O que foi? – o Oliver preocupado havia voltado e tinha se abaixado para me encarar.
— Thea pediu meu telefone emprestado para ligar para o namorado e pediu para que eu pegasse uma caixa aqui em cima.
— Ela me pediu a mesma coisa. – Oliver seu um suspiro derrotado e se jogou no degrau ao meu lado – Ela tramou tudo.
— Deveria ter imaginado. – apoiei meu cotovelo no joelho e coloquei minha cabeça em minhas mãos desacreditada – Era uma história estranha.
— Não se culpe, ela é uma geniazinha do mal.
— Não vamos sair daqui tão cedo! — murmurei – Ela não vai deixar ninguém chegar perto daqui e vai dar desculpas por nós, só vamos sair quando ela quiser.
— Não sei o porquê de todo esse plano mirabolante.
— Não? — levantei cabeça e o encarei – Ela quer que voltemos a ser amigos. – ele me olhou desacreditado e eu bufei de indignação, era tão ruim assim querer voltar a ser meu amigo?
— Ela não mediu isso direito.
— Certamente. Eu não quero voltar a ser sua amiga.
— Você acabou se machucando. — acabamos dizendo ao mesmo tempo.
Olhei para Oliver assustada e ele olhou para mim mais sério, eu achei que ele estava tentando fugir de mim, mas ele estava preocupado com meu pé, será que eu estava sendo a ignorante nessa situação? Fechei os olhos e respirei, precisava me controlar, até então ele não tinha feito nada para merecer que eu o tratasse de maneira tão hostil quanto eu estava fazendo.
— Não precisa se preocupar com meu pé, foi só uma torção.
— Acho melhor voltarmos para cima. – ele não me olhava mais, a culpa começou a me encher.
Oliver me carregou de volta para cima e me deixou cuidadosamente em cima de um velho sofá. Abaixei para conferir meu tornozelo enquanto Oliver começou a conferir as caixas, meu tornozelo havia inchado um pouco, mas nada alarmante, suspirei e vi que Oliver voltava com dois cobertores, aceitei um em silêncio.
Ele foi até a janela e olhou para baixo, mas nevava fortemente do outro lado, não haveria ninguém do lado de fora. Nossa sorte é que o sótão estava incluído no sistema de aquecimento da casa, então não morreríamos de frio.
— Acho que vamos ficar por aqui por um tempo. — Oliver declarou, sentando em um banco longe de mim.
— O plano dela era nos matar de fome? – cruzei os braços com raiva de Thea, era demais o que ela havia feito.
— Não é tão ruim. – olhei furiosa para ele – Claro que ela não tinha o direito, mas não é o fim do mundo. Já vi coisas piores. – ele praticamente sussurrou a última parte.
— Há níveis diferentes de situações ruins.
— É tão horrível assim ficar perto de mim? – olhei para ele novamente tentando entender sua pergunta – Já se passaram três anos, ainda não superou, Felicity?
— Superar, Oliver? – queria ficar em pé para argumentar, mas não aguentaria – Você por acaso se lembra do que aconteceu há três anos? – ele não respondeu – Então não venha me dar sermão.
— Mas infelizmente partilhamos uma família, então você vai ter que me aturar.
— Sim, eu já faço isso, mas agora vou ter que aturar sua esposa. – não consegui segurar a careta ao dizer aquela palavra, parecia tão errado – Parabéns pelo noivado, por sinal.
— Está sendo falsa. – olhei para ele novamente furiosa, estava prestes a abrir a boca quando ele continuou falando – Você sempre odiou a Laurel.
— Verdade, mas não significa que eu não estou feliz por você. – significava – Se ela é a certa.
— Nem tudo na vida é tão simples, Felicity, não é um conto de fadas onde você casa com o amor da sua vida.
Levantei o olhar lentamente para olhar para ele, seu olhar estava vago, quase nostálgico enquanto me encarava de volta. Prendi a respiração, parte de mim achava que essa nostalgia toda era por mim, saudades de mim e isso era o bastante para aquecer o que tivesse adormecido dentro de mim.
— Eu sei disso. – disse – Só espero que esteja feliz.
— Você me disso isso quando foi embora. – Oliver sacudiu a cabeça – Essa frase é a maior baboseira.
— É a verdade. – levantei a voz – Era verdade na época e é verdade agora. Eu não podia ficar com raiva de você para sempre, então passei a imaginar você super feliz em algum lugar do mundo e estava bom para mim. Claro que não era o que eu queria.
Ficamos em silêncio por um tempo, Oliver encarava a janela e eu me coçava para fazer perguntas que estavam entaladas na minha garganta há anos.
— O que aconteceu no ensino médio? – ele me olhou confuso – O que aconteceu para de uma hora para outra você me ignorar?
— Para que voltar no passado?
— Eu preciso saber… Sempre me culpei. – olhei para o teto e tentei não chorar – Fiquei tentando lembrar de qualquer coisa que eu poderia ter feito para te irritar, mas só conseguia lembrar da vez que quase nos beijamos no seu quarto.
— Eu me lembro disso. – um pequeno sorriso surgiu na sua boca – Eu fiquei com medo.
— O quê?
— Estava me apaixonando por você. – minha boca abriu com a surpresa, mas Oliver apenas deu de ombros – Parecia tão natural, quase como biológico, uma hora iria acontecer. Mas eu fiquei aterrorizado, me atingiu tão de repente, era tão novo e não sabia o que fazer com aquilo, então eu te afastei, porque era a única maneira que eu sabia lidar com as coisas difíceis. Foi o que eu fiz com meu pai.
— Então você me ignorou por que me amava? – Oliver deu de ombros novamente e eu fiquei extremamente irritada com seu descaso.
— É o que eu faço… Nunca te contei, mas meu pai ia se separar da minha mãe naquele inverno, fomos para Aspen como uma despedida, ele disse precisava de um tempo para si mesmo. Ele ia nos deixar, Thea não sabe disso, então ele morreu e meu cérebro entendeu isso como se ele tivesse ganhado a liberdade que ele tanto queria. – eu o encarava sem saber formar uma palavra – Eu e Thea não fomos motivos o suficiente para ele ficar, então ele foi naquele maldito avião e morreu. Eu não fui motivo suficiente para fazer alguém ficar… Parte do meu cérebro projetou isso para você.
— Isso é ridículo, eu nunca deixaria você!
— Meu pai fez isso, por que não você? Era mais fácil eu deixar você, ignorar você. Ficar com pessoas que não iriam me machucar.
— Então, em vez de se machucar, você optou por me machucar?
Oliver se levantou e se sentou ao meu lado, respirando fundo antes de voltar a falar.
— Eu sempre machuquei você, Felicity, desde que roubei sua boneca. Você estava melhor sem eu não sabendo lidar com as minhas merdas.
— Eu não consigo entender, desculpe. – olhei para ele sem saber o que pensar, estava obtendo as repostas que eu sempre quis e, mesmo assim, não parecia estar certo, foram tantos anos separados por causa disso.
— Eu sei. – Oliver se encostou no sofá – Na noite de formatura, eu estava determinado a não deixar essa merda entrar no meu caminho, mas ai você disse que iria embora, que estava indo para longe por minha causa… Então eu agi como idiota de novo.
— Se eu soubesse o que estava acontecendo, não teria ido.
— Esse é o grande problema, você precisava ir, precisava seguir sua vida e fazer o que quisesse dela, eu não podia segurar você.
— Não seria segurar, Oliver, poderíamos ter ido juntos! A faculdade teria sido incrível com você junto comigo. Na verdade, todos esses anos teriam sido melhores. – olhei para baixo e ele segurou minha mão, olhei para cima novamente, assustada por seu gesto.
— Quando você me encontrou e 2015 eu estava no auge dos meus problemas, teriam sido anos terríveis para você, por isso acabei entrando para o exército.
— Você estava bêbado quando eu te vi pela última vez, quase não conseguindo ficar de pé.
— Eu fui te procurar antes de ir para o Iraque, as não consegui fazer isso sem beber.
— Então você disse que me amava, mas odiava me amar, então precisava estar longe de mim e depois me beijou e nós quase dormindo juntos, mas você desmaiou antes. – tentei segurar minha amargura ao lembrar daquela noite.
— Eu não lembrava disso. – ele segurou meu queixo, obrigando-me a olhar para ele – Eu realmente não me lembro de ter te machucado antes, me perdoe, juro que estou melhor agora.
— Se eu soubesse que o exército seria uma cura milagrosa…
— Não milagrosa. – ele sorriu – Estou lindando com meus problemas
— Então está lidando comigo? – sua mão ainda estava no meu queixo, ele contornou meu maxilar e depois contornou meus lábios – E vai se casar com Laurel?
— Fazia sentido me casar com ela. E você não é um problema, só é mais complicado do que qualquer coisa que eu tive que fazer na minha vida, prefiro ir para um campo de guerra. Imaginei que me odiasse e nunca mais iria querer olhar na minha cara. Eu fiz tanta coisa, Felicity, não podia esperar que você me aceitasse de repente.
— Então achou que a melhor saída era pedir Laurel em casamento? – me afastei do seu toque para poder me concentrar.
— Eu estou tentando me explicar aqui. – Oliver se ergueu e chegou mais perto – Não dá para ser menos hostil?
— Eu? Hostil? Você reaparece do nada, noivo, com essas explicações de anos antes e quer que eu aceite em numa boa? – novamente desejei ficar em pé para argumentar, mas não podia, o que fez Oliver chegar mais perto.
— Devo levar essa sua insistência no fato de eu estar noiva como ciúmes? – implicou ele com aquele sorriso que costumava a dar no colegial.
— O quê? – abanei as mãos – Isso é um absurdo, você não pode voltar depois de três anos presumindo que eu sentiria algo dessa natureza por você, está sendo um idiota convencido.
— Então devo presumir que você não sente nada quando eu faço isso. – Oliver subiu meu braço direito com seus dedos, lentamente, fazendo toda a minha pele arrepiar – Ou isso. – Sua boca desceu lentamente para meus ombros no qual ele puxou lentamente meu suéter para beijar minha pele, mordi o lábio para segurar um gemido enquanto seus beijos subiam para a volta do meu pescoço.
— Nada. – minha voz estava tão rouca que eu quase não a reconheci.
— Sei… – sussurrou contra minha pele – Então, não deve sentir isso. – ele rapidamente capturou meu lóbulo direito com sua boca, fazendo umas acrobacias com sua língua, acabei soltando um gemido, tampei minha boca com a minha mão e o afastei com a outra.
— Seu idiota! Você está noivo…
Não consegui continuar meu argumento, Oliver estava sorrindo convencido, sua mão entrou por debaixo do cobertor que estava me cobrindo e subiu por minha perna, parando perigosamente na minha coxa. Sua outra mão desenhou o decote do suéter e parou a centímetros do meu seio, mordi o lábio novamente e assisti seus movimentos até que parassem. Olhei para seus olhos fatalmente decepcionada por ter parado e foi tudo o que ele precisava.
— Eu te conheço, Megan.
Assim, Oliver rapidamente capturou minha boca com a sua, furiosamente, quase como se estivesse morrendo para fazê-lo, eu sabia que eu estava. Sua mão subiu pela minha cintura, subindo o suéter e encontrando minha pele, seu toque em deixou ainda mais desconcertada. Sua língua entrou em contato com a minha e todo meu raciocínio sumiu, agarrei seu pescoço de um jeito quase violento enquanto ele segurava meu cabelo. Depois, com a respiração pesada, nos separamos apenas para que eu tirasse meu suéter e ele tirasse sua camisa, expondo seu abdômen perfeitamente esculpido. Comi ele com os olhos e depois voltei a beijá-lo, suas mãos agora se esbanjavam na minha pele despida, subiam e desciam sem dó enquanto nossas bocas voltavam a se explorar. Fazia tanto tempo que eu queria beijá-lo daquela forma que era quase doentio.
Sem avisar, Oliver puxou a alça do sutiã e segurou meu seio. Segurei um gemido contra sua boca e mordi seu lábio, não demorou muito para quele chegasse ao fecho da peça e o abrisse. Assim que o sutiã estava no chão, eu me deitei no sofá, tomando cuidado com meu tornozelo e Oliver deitou sobre mim. Quando sua mão foi para minha calça parei de beijá-lo de repente.
— Não posso ser sua despedida de solteiro, Oliver. – seus olhos estava vivos, olhando para mim com uma expressão que eu não conhecia.
Ele respirou fundo e segurou meu queixo novamente, acariciando minha pele quente, fechei os olhos e tentei não deixar os meus sentimentos sobressaírem a realidade.
— Eu vim para cá achando que nem conseguiria falar com você e agora estamos aqui… Não sei porque achei que poderia me casar com Laurel.
— Você não a ama?
— Nunca amei, por isso era tão fácil. Já você é absurdamente difícil.
— Devo seguir uma lógica nessa afirmação? Já faz tantos anos, você não pode me amar depois de tanto tempo.
— Você me ama depois de tanto tempo?
Não respondi, mas não precisava, ele sabia resposta, maldito coração que começou a pular novamente, ele me conhecia muito bem.
— É uma droga que tenha se passado tanto tempo, mas me livrar de Laurel é a parte mais fácil. Você só precisa dizer “sim”.
Encontrei seus olhos, passei tanto anos sofrendo e infeliz que nada parecia valer ficar imaginando como seria minha vida com Oliver quando ele estava me oferecendo uma bem na minha frente. Desde que eu me entendia por gente eu amava Oliver Queen, se tantos anos não havia me feito mudar de ideia, não sabia o que podia mudar, não sabia se era possível mudar algo tão natural.
— Sim.
— Tem certeza?
— Droga, Jonas, só me beija.
Puxei seu pescoço e voltei a beijá-lo como se fosse imprescindível, rapidamente nossas calças estavam no chão, se juntando ao monte de roupas. Oliver nos separou para tirar o resto de roupa que faltava e me olhou nos olhos antes de voltar a me beijar e me preencher. Soltei um gemido vergonhosamente alto enquanto ele aumentava o ritmo e nos balançava no velho sofá, seguei sua cintura com minhas pernas e puxei-a para mais perto. Foi a vez de Oliver soltar um gemido rouco e enterrar seu rosto no meu pescoço, depois de mais algumas estocadas, acabei por gritar e jogar minha cabeça para trás enquanto Oliver caia por cima de mim.
Ficamos naquela posição por um bom tempo, até que escutamos um tilintar de chaves e porta do sótão se abrir, começamos a rir e Oliver se levantou, me puxando com ele.
— Isso deve ter sido constrangedor.
— Não sei se bato ou abraço a Thea agora. – sorri preguiçosamente.
— Guarde suas forças para uma Laurel raivosa.
— Realmente vamos fazer isso? – me sentei puxando o cobertor.
— Não confia em mim? Não sou seu melhor amigo no mundo inteiro?
— Não sei, senhor Degolador de Bonecas, será?
— É assim que vai ser para sempre, Megan.
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