Happy Valentine's Day
1 Capítulo único
Notas iniciais
Fazia cinco anos que a formatura do colegial havia passado. Muito tempo? Nem tanto. Mas para certas pessoas chegava a se comparar a uma eternidade. Aomine estava todo largado em seu sofá fitando um — relativamente — pequeno embrulho em sua mão direita que balançava levemente com o ar ou algo do tipo que fazia a budega sacudir minimamente sob seu rosto.
Sinceramente, nunca foi fã desse tipo de evento e muito menos havia sido anos antes quando ainda no ginásio. Ahhh, a “doce” era Teiko. Com toda a certeza, hoje, não se orgulhava muito do que tinha feito, pensado e muito menos falado em determinada época tão sombria de sua vida, entretanto, passos necessários para seu próprio desenvolvimento. Afinal, sem isso, não seria nem metade do que é hoje. Principalmente, depois de levar uns tapas por ae já que não entendia de forma civilizada o que qualquer ser humano normal entenderia... Ou não. Enfim. Voltando aos seus... Quase quinze anos... Mais ou menos...
Era aquela tão perturbadora data. Sempre o fazia ponderar sua disposição em aturar aquilo. Não que fosse de nipe super popular, mas a Teiko era muito bem conhecida pelo seu basquete, obrigado, e seu ace não passaria despercebido por ninguém daquele colégio. E como todo lugar onde se juntam uma porrada de adolescentes com fogo no rabo... Cahan. Havia aquelas que estavam só atrás de status. Fosse à custa de quem quer que fosse. Aomine era alvo de algumas, mas óbvio que não se comparava ao número absurdo de fãs que Kise tinha que, além da fama como modelo, tinha como garoto prodígio nos esportes e integrante da Kiseki no Sedai. Coisa que com certeza, fazia milhares de olhos brilharem. Principalmente por, diferentemente de Aomine, Kise ser atencioso com quem quer que fosse, afinal, sua carreira dependia de sua imagem e ainda no começo, o que menos precisava era de publicidade negativa para si.
A algazarra era total pelos corredores do colégio. Tanto pelas alunas, quanto pelos alunos. As meninas por aquela coisa lá de “Já se declarou?” e afins, e os meninos “Quantos você já ganhou?”... É. E aquela coisa de clima e dokidoki e conquista e sentimentos profundos e valores e pans, tipo nada, né? Adolescentes... Tsc.
Ah, sim. No final voltarei para o meu sarcófago, não se preocupem.
Aomine já estava com o saco cheio além do habitual, e não. Não era por energia acumulada, se é que me entendem, visto que, ontem a noite havia acabado de comprar o lançamento do mês do Gurabia* com um especial da Mai-chan com biquínis micro em poses além de ousadas em ângulos muito apreciados pela ala masculina e... Er... Resolveu ir pra sala do clube de basquete bem mais cedo. Avistou seus companheiros de equipe sendo alvos das meninas e deu de ombros ignorando, inclusive, as que vinham até ele... A menos que, tivesse uma benção avantajada que chamasse sua atenção... Aliás, duas, né? Tipo, bem na frente... Assim, na altura do tórax, mais ou menos... Bem redondas... E macias...
Chegou ao lugar com seis ou sete sacolas que quase foram jogadas em sua cabeça ou que realmente jogaram nele e ele não teve outra alternativa a não ser pegá-las. Entrou no lugar e embora não tenha se assustado com a escuridão que já esperava de lá, assustou-se com a mini plantação de cogumelos que nasciam sobre certa cabeça loira.
– Mas, que diabos?!
Acendeu a luz e parecia ter tido efeito algum. Aquele cantinho específico continuava escuro.
– Haa... — longo e extremamente cansativo, o suspiro fez-se ouvir.
As sobrancelhas de Daiki se uniram em estranheza e aproximou-se do rapaz. – Kise. — chamou-o e não obtendo resposta...
– Ai! — reclamou o loiro pela cabeçada que deu na parede por conta da bola violentamente atirada contra si. Olhou para trás, enfim, saindo de seu isolado mundinho e espantou-se relativamente com a presença do rapaz ali. – Aominecchi?
– O que está fazendo? — indagou estampando claramente o quão aquilo era estranho para ele, embora não tenha esperado resposta alguma e já tirasse sua camisa para vestir algo mais confortável para jogar.
– Que cruel... — Kise choramingou, encostando-se a parede novamente, mas de frente para o amigo. – Eu odeio essa data...
– Ha?
– Haa... — lenta e longamente, mais um suspiro. – Aominecchi... — levantando-se, chamou pelo amigo que o olhou apenas depois de sua cabeça passar pela gola da camisa. – Olhe isso... — aquelas cachoeiras de lágrimas...
De cima a baixo, Aomine o fitou. Ok. Nunca achou um homem atraente na vida, mas tinha que concordar que aquilo ali despertava certas reações em seu corpo que sinceramente não sabia que possuía. Engoliu seco e finalmente encarou os olhos dourados. – Você está um lixo... — riu virando-se e tirou suas calças.
– Um lixo?! Aominecchi, eu estou quase NU! — indignou-se ainda mais com a risada após esse comentário. – Essas meninas são doentes! Animais! Senti-me o último pedaço de gente em meio ao apocalipse zumbi!
De fato, suas roupas estavam um trapo e parecia realmente que tinha lutado bravamente pela sua sobrevivência.
– Isso que dá ser popular. — zombou.
– Não que você possa falar muito, já que você também foi pego no caminho.
– Mas eu posso ignorar e ser grosso com quem eu quiser. — riu de lado.
– Tsc. — caminhou até seu armário e o abriu. – Meu humor está péssimo. Dê um jeito nisso. — tirando sua camisa.
– Ah, claro, virei mulher de malandro, agora? — indagou com humor. Já vestido e aquecendo-se devidamente. Admitia que gostava de quando o loiro ficava assim. Era tão mais divertido quando ele estava irritado.
– Claro que não, Aominecchi! — com a camisa na mão direita, encarou-o bem mais irritado. Porém... Lambeu seu lábio superior e sorriu prepotente. – Sabe bem do que eu tô falando.
Ok. Na visão de Kise, isso era o suficiente para o Daiki entender à que ele se referia, mas claro que seu ídolo não podia decepcioná-lo.
– Tá me seduzindo, é, sua loira aguada? — apertou suas bolas rindo zombeteiro para o loiro que o encarou chocado. Certo, ele havia lambido seu lábio superior, mas porque estava seco. Não porque o estava seduzindo! Mas de boas. Entrou na brincadeira.
– Uii! Assim eu me derreto! — passando a mão pelo corpo, sensualizando, atirou-se de cabeça na gozação.
Um segundo de silêncio e a porta bateu violentamente.
– Pelo amor de Deus, arranjem lugares mais apropriados para isso’nanodayo! — revirando os olhos, Midorima dirigiu-se ao seu armário jogando ali o que tinha ganhado de chocolates, também.
– Aka-chin... Kise-chin e o Mine-chin estão se agarrando no vestiário... — com a tensão de sempre, Murasakibara alertou o ruivo, mesmo comendo uma porção generosa de chocolates.
– HA?! — uníssono, Aomine e Kise olharam incrédulos seus companheiros. – Estão loucos?! – aquilo era só uma brincadeira!
– Sejam mais discretos, por favor. — Kuroko comentou passando entre eles sem dar atenção alguma.
– Oi, Tetsu! — Aomine indignou-se, mas foi devidamente ignorado.
– Até você, Kurokocchi... — choramingou.
– Vejo que estão cheios de energia. — com o típico sorriso... Assustador... Akashi apareceu. – Aproveitem para correr dez voltas, lá fora.
– O QUÊ?! — Aomine e Kise.
– Ah, desculpem, trinta. — os olhos arregalados e o sorriso encantador.
Se-nhor.
– É tudo culpa sua, Ahominecchi! — correndo as trinta voltas, Kise chutou o amigo.
– Minha?! Foi você quem começou com isso! — deu-lhe um peteleco (entenda-se: soco) na cabeça, correndo no mesmo ritmo que o loiro que o respondeu com outro chute e assim, criancices do gênero, fazia o tempo passar relativamente mais rápido.
Terminando, voltaram para o ginásio mortos de cansaço e lá iam eles dar início a mais um treino na boca do inferno. Akashi era o guardião daqueles portões, apenas. Nem imaginavam e nem queriam estar com ele quando ele resolvesse abrir aquela passagem do mal e os jogar lá dentro.
O treino correu como sempre, assim como Aomine e Kise que tinham uma energia insana quando se tratava de basquete e nem pareciam que tinham corrido tudo aquilo antes do treino... Que, aliás, já havia acabado há horas, mas por terem ficado encarregados de guardar tudo, ainda, como castigo pelo ocorrido de manhã, estavam lá nos seus one on one’s da vida até tarde da noite. Ah, como se divertiam com aquilo.
Longo e alto, o grito de indignação extrema ecoou pelo lugar. – Eu perdi DE NOVO?! Aominecchi! Vamos mais uma! — derretendo litros que seu corpo ainda possuía, Kise reivindicou.
– O quê?! Nem a pau! Olhe a hora! Já deve estar perto de acabar o horário dos trens! Vamos embora de uma vez! — irredutível, pegou as poucas bolas que ainda tinham por ae e as guardou rapidamente.
– Deixe de ser chato, Aominecchi... – resmungou, mas começou a guardar as coisas também. Porque afinal, só faltava ter que dormir na rua por causa disso. Kise foi guardar o cesto cheio de bolas no quartinho do fundo e Aomine o seguiu guardando alguma outra coisa irrelevante que permaneceu por muito tempo como espectador esquecido das incansáveis disputas dos dois e...
– Tenho certeza que ele ainda está aqui! Na casa ele ainda não voltou... Só pode estar por aqui! Não é possível! — resmungos não tão baixos assim, fizeram os dois rapazes se atentarem. Não era MESMO possível.
A raiva subiu visível pelo rosto do loiro. Prepotência ou não, sabia que seria mais umas de suas seguidoras. Cada vez mais, odiava esse dia. No ano anterior foi algo assim, também. O procuraram até o encontrarem. Estava tão feliz que a maioria tinha o visto jogando e por isso desistido e apenas deixado o pacotinho ali na porta... Paz e tranquilidade são milagres da vida, mesmo, né?
– Não tem ninguém aqui, Mobuko**!
– Mas as luzes ainda estão acesas! Deve ter alguém aqui! Deve estar no vestiário!
Vozes femininas e passos apressados passaram rapidamente pelos rapazes que nem um pio deram dentro da sala. Sorte ela estar escura embora estivesse aberta. Uma pena ela fazer tanto barulho para fechá-la, senão, estaria sendo fechada agora. Por precaução, esconderam-se porque Kise não queria ser encontrado e Aomine muito menos. “Fãs” como aquelas tem cinquenta parafusos a menos na cabeça.
E pelo óbvio, rapidamente as vozes voltaram para perto deles.
– Não é possível! Será que nos desencontramos?! — a irritação era palpável. – Não pode ser! Nossa ligação é muito forte para acontecer algo assim!
Oi?!
Inevitável um barulho mínimo chamar a atenção das meninas vindo de onde os rapazes estavam. Aomine não conseguiu conter o riso e mesmo cobrindo a boca, acabou por esbarrar em algum material qualquer que ocasionou o ruído inoportuno.
– O que foi isso? — uma indagou a outra e resolveram entrar onde eles estavam. Afinal, não é uma fic de terror e elas não serão assassinadas ali, embora meus dedos estejam coçando para tanto.
...
– Mas está escura... — receosa, a mais medrosa comentou.
– Mas e se ele estiver ali?
A medrosa realmente não estava a fim de entrar naquele lugar, mas era um risco que devia correr para poder ajudar a amiga a se declarar ao “seu” tão amado “príncipe encantado, Kise Ryou”.
… Pobre rapaz.
– E agora, Aominecchi?! Elas estão vindo pra cá, seu idiota! — extremamente irritado, visto que foi culpa dele elas estarem indo ali, Kise deu um empurrão na cabeça do outro, apenas para “abafar” o tapa.
– Sh! É só não fazer barulho! Estamos muito bem escondidos. — disse calmamente, porque, ahan, claro que estavam... Tipo, tá bom. E claro que, ainda rindo um tantinho, óbvio.
Kise ia retrucar, mas pela proximidade perigosíssima das raparigas, engoliu toda sua raiva para mais tarde.
Como não acharam o interruptor do lugar, a “corajosa”, acendeu a lanterna do celular e a outra grudou em suas costas. Passos cautelosos as levaram para todo lado do lugar.
– Olá?... Alguém aí...?
Silêncio e não os acharam.
– Droga... Mas eu tenho certeza que o barulho veio daqui... — choramingou.
“Ufa”, pensou Kise...
Pobre rapaz [2].
A luz continuava a passear pelo cômodo e quando estava chegando neles... Num instante, os olhos dourados se arregalaram. Num baque foi jogado ao chão e sua boca tapada pela grande mão de Daiki.
– Mas o quê...?!– nem teve tempo de nada pensar. Em instantes, a luz foi jogada sobre eles.
O.M.F.G.
E um... Aliás, dois, agudos berros foram ouvidos. – D-d-d-d-desculpem...! — sem mais, correram de lá... Para bem longe, aliás.
Kise estava boquiaberto e só despertou com a gargalhada estrondosa de Aomine pouco tempo depois, quando, provavelmente, já estava certo de que elas não mais estavam lá. Daiki havia puxado um pedaço de pano qualquer que cobria um amontado de alguma coisa que não interessa agora, colocado sobre eles e se enfiado entre as pernas de Kise. De costas para elas, Daiki as encarou por cima do ombro, entre os joelhos cobertos do rapaz. Estupefato, Ryouta realmente não sabia o que fazer. Não estava acreditando que ele havia feito isso. Até onde ia aquela mente pecaminosa?! Não podia e principalmente, não queria acreditar que Daiki havia simulado que transava com ele!
– Você tem merda nessa sua cabeça?! — ênfase no “merda”, por favor.
– Você viu a cara delas?! Impagável! — jocoso, a risada saía com gosto do fundo de suas entranhas.
– E se a minha cara aparecer em alguma manchete de fofoca falando que eu fui pego transando com meu companheiro de time na quadra da escola?! — indignação extrema.
– Ah, cale a boca! Acha que sou tão sem noção assim?! Te cobri muito bem, ok? Com certeza acharam que você era uma menina! — embora irritado com tanta reclamação, a situação não o fazia parar de rir.
– É bom mesmo que tenha me coberto a ponto de não me reconhecerem, porque senão...
– Senão? — sacana, Aomine prendeu as mãos de Kise sobre a cabeça do loiro e aproximou o rosto do dele com um sorriso espancável no rosto.
Os olhos dourados se comprimiram. Mas era muita cara de pau e prepotência. Ainda mais irritado, Kise prendeu fortemente Aomine entre suas pernas o trazendo para MUITO perto de si. – Vai se arrepender de ter começado a brincar assim. — seduzente, o loiro proferiu.
Daiki podia ter socado o loiro, gargalhado de sua cara, cuspido nele, feito pouco caso, batido em sua cabeça... Mas claro que não fez isso. Embora tenha hesitado, bem pouquinho, mas hesitado, seu lábio foi certeiro de encontro ao de Kise. Ainda mais espantado, Ryouta ficou. E Aomine o encarava satisfeito com o resultado. Entretanto, Kise não ia se dar por vencido. Correspondeu ao beijo. Os lábios se abriram e se fecharam inúmeras e incontáveis vezes. Sentiam o gosto de cada um, sua peculiaridade, seus movimentos, sua maciez... Seu calor. Não pensavam em nada. Não sabiam nem porque estavam fazendo isso, mas vejam bem. Adolescentes em pleno ápice da puberdade. Acham mesmo que vão conseguir pensar com a cabeça de cima numa hora dessas? Bem, talvez. Mas não meus amores. Kyah. Ainda mais por acharem aquilo meio que uma disputa entre eles. Kise não deixaria Aomine ganhar mais essa. E Daiki nunca deixaria Kise vencer.
As línguas se tocavam interessadas e os olhos se encaravam. Inebriados com sensações estranhas nem se deram conta de quando a disputa passou a ser apenas sensações, deixando-se assim, levarem-se por aquilo que crescia e tanto apertavam suas calças. Os braços já erguidos de Ryouta facilitaram um bocado a retirada de sua camisa. Leve e mútuo, foi o espanto de ambos.
Sabem de uma coisa? Sanidade, vá ali naquela ponte e se jogue.
Aomine tirou a sua camisa e trocaram olhares curioso, mas extremamente intensos. Céus. Estavam no cio, não havia outra explicação. Nunca haviam sequer cogitado uma situação dessas e muito menos que acabariam chegando a esse ponto.
É, pois, é. A sanidade manda lembranças do além.
Aomine, “de pé sobre os joelhos” (ahn?!), devorava Kise com os olhos. Tudo bem que ele não era modelo à toa, mas será que Kami-sama não podia ter sido um pouco menos generoso com tanta gostosura numa pessoa só? Daiki realmente nunca havia se interessado por um homem, mas Kise extrapolava facilmente o nível aceitável de tesão que conhecia até então.
– Tesão? Esse bebê chorão? Ok. Cadê aquela parede de espinhos pra eu bater minha cabeça bem forte lá?
Talvez por serem amigos e nunca terem pensado um no outro desta maneira, mas a excitação em ver seus corpos por outro ângulo, os fazia gostar daquela situação toda. Pele clara e pele escura. Músculos quase que igualmente bem trabalhados, afinal, cada um tinha partes diferentes trabalhadas devido ao início tardio de Kise no basquete, mas não nos esportes.
Ryouta, assim como Aomine, nunca havia sentido atração sexual por outro homem. Até o momento pelo menos, mas tinha que admitir que seu amigo era uma delícia. Talvez por ser algo totalmente novo, tanto o excitava. Afinal, adorava desafios e sabia bem que, seduzir um maníaco por seios avantajados não era tarefa fácil, visto que nem era dotado de um mínimo daquilo que ele tanto gostava. Aliás, dotado, era só aquele pedacinho de ostentação que muito o satisfazia e o orgulhava de possuir.
Homens...
Sentados, suas mãos apertaram fortes os músculos do amigo e surpreendia-se com as sensações que isso lhe causava. Vejam bem, o rapaz parecia sentir prazer com seus toques. Daiki estava absorto no erotismo e não se esforçava um mínimo para esconder isso e Kise nem imaginava que estampava exatamente a mesma coisa que o moreno. Entreolharam-se por alguns segundos e engoliram seco. Os olhos baixaram juntos e a saliva desceu cortante novamente. Ok. Era agora ou nunca. Num impulso de coragem mútua, um gemido baixíssimo e contido ao máximo quase não se fez notar. Riram pela sensação estranha vezes 3 de tocar e ser tocado por outro homem, mas não estavam afim de parar por ali. Logo as baixas vestes foram tiradas o suficiente do caminho e hey, hey. O coração parecia sair pela boca. Era quente. Era duro.
– Bem dotado, você, hein? — Aomine riu deslizando curioso a mão pela pele sensível do loiro.
Embora achasse, de certo, nojento, se preocupava mais com seu próprio membro do que com um nojinho qualquer que pudesse vir a atrapalhar seu necessitado e importantíssimo alívio. Entendem a dor que é aquele pobre menino sendo cruelmente torturado dentro da cueca?! Pois bem. Eu também não.
– Obrigado. E digo o mesmo. — respondeu de mesma maneira segurando com mais firmeza aquele pedaço inédito de carne do amigo, pensando exatamente a mesma coisa que o outro.
Curiosidades e egoísmos adolescentes, ah, que delícia.
Brincavam de arrancar pequenos murmúrios um do outro, sentindo, vendo e se divertindo com as diversas reações que cada um tinha. Havia sim, começado como uma espécie de disputa, mas não sabiam o quão delicioso uma brincadeira dessas poderia ser. Claro, nenhum daqueles ali ainda era virgem, mas isso não vem ao caso no momento. Embora, se alguns deles fosse, tudo seria ainda mais divertido.
– Até que você fica uma graça, vermelho desse jeito. — Daiki comentou com humor.
– Vá se ferrar, Erominecchi! — xingou-o de mesma maneira não sabendo exatamente se ele se referia ao seu rosto ou ao seu pequeno Ryouta sendo exercitado tão freneticamente. Não que estivesse vermelho... Mas ele não tirava os olhos dali! – É só que... Que... — concentrado em seu próprio prazer, as mãos subiam e desciam, conforme melhor seu corpo respondia. Um impulsionava o outro a agir como queriam.Como homens, óbvio que sabiam como funcionavam as coisas, mas dar prazer pelas suas próprias mãos à outro homem, era DEFINITIVAMENTE, estranho.
Daiki nem imaginava o quão abobado sua cara estava deliciando-se com aquela visão do loiro. Kise era como ele. Um marmanjo, grande e grande.Mas seu toque o levava a um nível astronômico de prazer. O loiro parecia conhecer muito bem o rapaz. Não, porque, não tinha outra explicação para ele conseguir fazer aquilo exatamente como ele gostava. É, amiguinho. Daiki chegou a conclusão de que devia ter transado com o loiro durante todas as encarnações passadas. Afinal, era a única lógica qual conseguia chegar!
E ah, sim, esqueçam o detalhe de que eles ainda nem passaram das PRÉ-preliminares...
Os corpos se aproximaram meio receosos, mas o contato era necessário. Os membros se tocaram. Aquilo era MUITO estranho, pela milésima vez.
Entreolharam-se levemente assustados, mas os corpos não negavam que aquilo excitava ainda mais. Membros pulsando, Kise fechou a mão envolvendo os dois falos e passou a masturbá-los. A mão subia e descia rapidamente e a força faltava em ambas as pernas. Absortos em N sensações, as testas se juntaram e os olhos se fecharam. Vez ou outra, mas não juntos, olhavam-se. Tentando de alguma maneira entender aquilo que faziam, entretanto a conclusão alguma chegavam. Apenas reconheciam que, a partir daquilo, algo mudaria profundamente a relação que tinham... Coisas foram despertas e não fazia parte da personalidade de nenhum deles, ignorar isso.
Enfim, Aomine cobriu a mão de Kise com a sua e os movimentos se intensificaram. Os lábios se tocaram mais e mais vezes e encaravam-se com os olhos semi-cerrados. Aquilo era uma delícia... E entre beijos, o sorriso foi inevitável, assim como, o ápice que chegou mútuo, magicamente, como tudo até então.
– Não acredito que fizemos isso... — Kise comentou e Aomine concordou assim que os espasmos pararam.
Estavam sem forças e ainda sentados um de frente para o outro rindo da situação que estavam. Afinal, suas barrigas estavam todas lambuzadas e não sabiam identificar a quem aquilo pertencia.
– Eu gostei. — pegando sua camisa e se limpando de qualquer jeito, Aomine se manifestou.
… E pela não resposta do loiro... – O que foi?
– Não sei porquê, mas isso não me soa nada, nada bem... — recuando um pouquinho, Kise fez o mesmo, limpando-se.
Ah, doces memórias da juventude.
… E voltando à sua situação atual, nove anos depois disso, Daiki exibia um sorriso escroto nos lábios. Não era nem de longe a história mais romântica do mundo, entretanto, agradecia e muito Kise ter tantas fãs imbecis.
… Ok, nem tanto. Vez ou outra as espantava, mas nada de maneira tão alarmante assim... Que o loiro tenha ficado sabendo, ao menos.
E suas cabeças ocas juvenis, claro, porque se tivessem parado para pensar ao menos um pouco... Sinceramente, achava que não mudaria muita coisa. Gente, AoKi é perfeição! Enfim... ‘Xá pra lá.
Ruídos familiares tomaram sua atenção e deixou o embrulho sobre a mesinha ao lado do sofá. E a caminho da porta...
– Odeio esse dia... — como sempre, Kise entrou. Contudo, pela sua fama ter crescido, não estava mais aos farrapos como no colégio nessa ocasião... O que não o salvava ser pego na rua por algumas, embora dissesse milhões de vezes que essas coisas devem todas ser encaminhadas ao escritório de sua agência.
Aomine encostou-se na parede do corredor, ficando de frente para as costas do loiro que se agachava para tirar os sapatos. Realmente parecia exausto.
– Qual a graça disso tudo?! Eu nunca vou entender... — resmungou irritado. Aquilo realmente o tirava do sério.
Daiki riu jocoso. – Um dia você entende, Príncipe. — disse dando de ombros e indo para a cozinha. – Quer comer ou vai tomar banho antes?
Não era sempre que Aomine estava em casa para recepcioná-lo, mas quando estava, fazia questão de cuidar daquele loiro estabanado... Apesar de que, nesse ponto, Kise tivesse muito mais juízo que o outro... Nesse e em vários outros, né?
E então, aquele cheirinho tão agradável adentrava as narinas de Aomine. Kise o abraçava fortemente por trás e apoiava sua testa no ombro do outro. Daiki nada disse e mexeu uma coisa ou outra na panela só para ver se ainda estava quente ou se deveria esquentar mais um pouco... Ahn, de novo.
O quê? Com uma amiga de infância como a Momoi, aprender a cozinhar era questão de sobrevivência, convenhamos. E além de tudo, era um adulto. Ou ele cozinhava ou morreria e seu corpo não apodreceria de tantos conservantes e substâncias não apropriadas para o consumo humano que a comida moderna possuía.
As panelas foram tampadas devidamente e a mão subiu fazendo um cafuné na cabeça do loiro que apenas apertou ainda mais o abraço. Com certo custo, Daiki se virou dentro dos braços do outro e abraçou a cabeça loira. – Okaeri. — recepcionou-o pelo cumprimento tradicional.
Longos minutos em silêncio se passaram e continuaram assim.
Embora custasse a acreditar, Daiki sabia muito bem como lidar com Kise. Muito provavelmente, era o único capaz de lidar com aquele ali. Visto o quão problemático ele era. Sentimentos numa eterna montanha russa, pensamentos que criavam vida e se tornavam verdades praquela cabeça viajante na merda em certas circunstâncias.
O relacionamento deles não havia começado como nenhuma novela romântica. Havia começado como uma brincadeira que mesmo pra eles era, ainda, difícil de acreditar. Afinal, não só eram a testosterona pura (Kise mais ou menos, ahn?!), como também um casal quase — ahan — impossível de se imaginar — ah, tá.
Brincaram inúmeras vezes até notarem certo sentimento de ciúmes crescendo pouco a pouco entre eles com uma coisa ali e outra acolá. Um carinho que se prolongava entre eles, aqui e acolá. No começo, realmente não sentiam nada de muito especial um pelo outro, mas quem disse que um relacionamento tem sempre que começar pelo “amor”? Isso veio depois. Depois de tantos e tantos contatos, depois de notarem o quão bem se entendiam, mesmo fora da quadra e/ou da cama, Kyah. Completavam-se de inúmeras formas e até mesmo Kise, agradecia certas doentes fãs que tinha. Porque quer queiram quer não, senão fosse isso, nunca que estariam juntos agora.
– Tadaima... — praguejou respondendo baixinho afundando o rosto no peito de Daiki.
Aomine riu e agachou-se um bocado para poder colocar Kise sobre seu ombro e carregá-lo até a cama. É... O rapaz tinha dormido... Vez ou outra acontecia uma dessas, mas Daiki já estava calejado. A convivência realmente fazia milagres. Não era sempre que isso acontecia, mas devido à semana turbulenta que teve, pelo horário e principalmente pelo dia em si, já esperava algo do gênero. Chegou a cama e o jogou ali de qualquer jeito sabendo bem que a “delicadeza”, não seria o suficiente para acordá-lo.
E era nessas horas que Daiki ponderava em colocar ou não uma coleira com alarme de aproximação em seu parceiro. Vai que ele dá P.T.*** em alguma festinha por aí?! Um loiro delícia desses dando bobeira assim?! Não mesmo!
Ah, sua cabeça começou a doer.
Os dedos massagearam suas têmporas e balançou a cabeça em negação. Quem mandou se apaixonar por alguém tão gostoso como ele?
Com o propósito de guardar as coisas todas para comerem mais tarde, tentou levantar da cama, mas foi segurado pelo outro.
– Aominecchi... — sorriu bobo e fofamente acariciando o outro com o rosto.
Ok. Ao menos um pouco aliviado ele havia ficado. Tipo, mesmo que ele tivesse dopado, tinha certa segurança de que seria lembrado. Riu de lado e acarinhou os fios louros do modelo que sorriu ainda mais em resposta. Aquilo que um sentia, era profundamente recíproco pelo outro. Daiki tinha um gênio difícil... Mas Kise não ficava nenhum pouco atrás nesse quesito. “Gostar da química carnal”, não bastava. Passaram por várias provas, desde a aceitação do que sentiam até superar fases negras na vida de ambos. Embora jovens, sentimentos não ligam muito pra esse detalhe.
E sendo assim, ter o loiro ali, relaxado e provando de tantas maneiras o quão confortável e quanto confiava em Daiki para ficar daquele jeito, acalmava magicamente todo o ser de Aomine... Afinal, todo casal passa por turbulências e quando estão na paz, senhor. O paraíso é um apelido quase insignificante perante a imensidão daquele sentimento que transbordava de tantos e tantos lugares. Uma gostosura que viciava e abrandava até os mais agitados mares do planeta. Menos, o pedaço de orgulho próprio ali de baixo... Tipo, ali não acalmava com tudo isso, er. Todavia, a última vez que acordou o loiro assim, vish. Kise quase quebrou a casa. Claro, nem sempre ele agia assim... Quase nunca, na verdade. Daiki que havia escolhido um dia péssimo pra isso e que aliás, era tipo parecido com agora. Ele estava morto. Melhor deixá-lo descansar.
Sem muita escolha e nem interesse de fazer algo diferente, apenas acomodou-se ali e dormiu junto com seu amado. O dia surgiu sem nada de lá muito alarmante, visto que acordou calmamente... Ahn, mais ou menos. A cama sacudia e sentia um prazer sem tamanho crescendo e crescendo e... Seus olhos se abriram meio preguiçosos, meio espantados e óh, painho. Por que matá-lo de uma vez se isso pode ser feito aos poucos, não é mesmo? Kise estava nu, devorando-o com os olhos, cavalgando em seu membro, masturbando-se e comendo os bombons que havia naquele embrulho lá do começo.
Então... Porque tortura boa, é aquela que mais demora.
Aomine segurou-se ao máximo para não explodir apenas com aquela visão inesperada do paraíso, mas convenhamos. Era quase uma missão impossível! Sua cabeça mal havia começado a funcionar e...
– Aominecchi... — Kise gemia pelo nome do amante e intensificava seus movimentos. Deliciava-se com as pequenas guloseimas e sorria quando conseguia por conta própria, atingir aquele lugarzinho tão prazeroso dentro de si com o membro de Daiki. – Até que enfim acordou... — sussurrou lambendo e mordiscando seu lábio apenas para mandar a sanidade do outro para o infinito e além definitivo.
A cabeça de Aomine girava alucinadamente.
E num impulso, violentamente inverteu as posições. Segurou as pernas de Kise empinando e MUITO sua bunda para si e deliciava-se ainda mais, vendo seu membro entrando e saindo tão suave naquela entradinha que o recebia sempre tão bem. Gostando do que via, Ryouta apertou seu canal, arrancando um gratificante gemido dos lábios do outro. Ah, como adorava aquilo. Riu e começou a se remexer, fazendo o membro de Daiki latejar de tesão. Sem mais delongas, Aomine enterrava-se fundo e violentamente dentro de Kise que urrava satisfatoriamente de prazer. Adorava ser tomado daquela maneira pelo outro que, ah, como ele sabia onde e como acertar. A velocidade só aumentava e Daiki já não estava mais nem aí para se estava sendo rápido ou não. Aquele loiro tinha sérios problemas sexuais. Tinha dia que Daiki não podia nem olhá-lo que era alvo de pedradas, em compensação, tinha aqueles dias, como hoje, por exemplo, que se sentia sendo estuprado pelo contrário...
Quê?
Mas como amava aquilo.
– Você me enlouquece, seu loiro puto! — mais e mais forte, Aomine investia em Kise.
– Eu sei, obrigado... — meio gemendo, meio tentando respirar, meio rindo, Ryouta respondeu. Sabia como deixar Aomine louco na cama, mas o outro sabia bem fazer a mesma coisa consigo. Ah, como sabia.
Kise puxou Daiki pelos cabelos prum beijo necessitado e obviamente, prazeroso. – Ah... — soltando-se num urro de alívio. – Era isso que faltava... — mordiscou sua própria boca e jogou Aomine para longe que ria. O moreno adorava com todas as suas forças, tudo que Kise aprontava na cama.
O modelo virou-se e de quatro, apertou suas próprias nádegas, abrindo ao amante, ainda mais, o caminho para o paraíso definitivo. Kise lambeu seu lábio superior e sorriu maliciosamente comendo Daiki com os olhos. – Com força. — piscou.
GOD.
Daiki se recompôs rapidamente e deu um tapa muito bem dado naquela pele branquinha arrancando um gemido baixo do outro. Posicionou seu membro sobre aquele lindo orifício... Digo, modelo, o chamando tão lindamente e... – Você gosta disso, né? — seu membro torturava Kise naquela coisa chata de “entro-não-entro” e satisfeito com a irritação que via crescer naquele loiro... – Pede. — bateu nas laterais do quadril de Ryouta com suas mãos, apertando-as em seguida e as fechando em seu membro. – Pede. — esfregando-se.
Kise não sabia se gemia, se o xingava, se gemia, se o chutava, se gemia ou se... Se... – Anda logo, meu amor... Entra logo em mim... — pediu todo cuti-cuti e buni-buni fazendo Daiki congelar.
Nem Kise aguentou. Sua gargalhada ecoou estrondosa pelo cômodo. Sabia que Daiki detestava essas coisas, mas como havia sido provocado, nada mais justo que pagar na mesma moeda. Aomine achava... Nojento, quando Kise fazia aquilo. Parecia que estava com um ser aleatório que pegou na rua e levou pra cama. Chegava a ser broxante, de verdade. Seus dentes trincaram irritados e baixou-se mordendo muito forte a nádega direita do loiro que obviamente reivindicou com lindos xingamentos que logo se transformaram em doces gemidos de acordo com a intensidade dos movimentos da língua de Daiki em sua entradinha latejante.
Se Kise queria zoar, então que fosse.
Circundava o caliente canal e enfiava sua língua ali, brincando como queria com o loiro. Sua mão apertava com gosto as nádegas do modelo e uma de suas mãos, fechou-se no membro gotejante. Kise tentou... Ah, como tentou. Mas não deu. – Caralho! Anda logo, porra! — vociferou com raiva extrema.
Ah, era disso que Aomine gostava. Estar na cama, com Kise Ryouta.
A satisfação e o orgulho o preencheram de um jeito único, nem se preocupou mais em brincar com seu amado, até porque, nem ele estava mais se aguentando. Entrou de uma vez e os quadris se batiam numa violência e velocidade assustadoras. As paredes do quarto muito queriam segurar aqueles gemidos dentro delas, mas não davam conta de tamanho prazer. Coisa que, óbvio, fez com que o casal construísse um cômodo à prova de som. Era só o que faltava. Serem manchete por incomodar seus vizinhos com seu excesso sonoro de amor.
O ritmo aumentava mais e mais, e mais e mais, o ápice se aproximava. Kise gemia pelo nome de Daiki que se inebriava com aquela sensação tão intensa que o levava sempre para um nível novo de alfa. Num movimento brusco, virou-o de frente para si e se enterrou ali novamente. Os movimentos não perdiam o ritmo e o som dos quadris se chocando apenas aumentava. Daiki sabia que poderia gozar só de ficar olhando Kise, mas caralho. Extasiado, seus lábios se juntaram aos de Kise que correspondia ao beijo, mas que de repente, começou a se debater para afastar-se de tal contato... Em vão. A semente jorrou forte por muito mais tempo que o normal e pela filha da putice de seu amante, Kise deu-lhe uma fortíssima cabeçada.
– Seu filho da puta! — vociferou. – Já falei pra não fazer isso, caralho! — puto da vida, Kise se afastou de Daiki, sentando-se à beira da cama.
Putz.
A lucidez sempre voltando tarde para aquela mente em ébrio... – Droga, Kise... Me... Me perdoe... — estava realmente assustado. Aquilo era sempre tão inconsciente que realmente se martirizava e muito quando isso acontecia. – Deixe me ver isso... — pediu — para uns, estranhamente — dócil e preocupado.
Como dito ali em cima, Kise estava puto. Mas também o conhecia. Sabia bem que não fazia isso por mal. Suspirou revoltado deixando-se ser tocado. Aomine segurou seu queixo e olhava com cuidado o estrago que tinha feito... De novo... Golpe baixo. Não tinha como o loiro ficar muito tempo bravo com aquilo.
Daiki se esquecia de soltar aqueles tão deliciosos lábios e quando o jorro vinha... Quase arrancava a boca de Kise com os dentes...
Tsc, tsc, tsc, tsc.
– Kise, desculpe... — abriu a gaveta qual continha o kit de primeiros socorros e rapidamente, tentava remediar a cagada. – Tá doendo muito? — sim. Ele estava preocupado.
– Claro, né. — revirou os olhos pelo óbvio. – Cabeçudo. — repreendeu-o com um peteleco, mas acabou rindo. Estava — relativamente — acostumado a isso.
Depois de medicado, beijou leve o outro e finalmente jogou-se na cama.
– Ah, como senti falta disso... — resmungo de alívio.
O loiro estava todo largado na cama, braços e pernas abertos, tipo, realmente, todo largado ocupando a cama toda. Daiki por sua vez, estava sentado à beira do ninho de amor (riam) e o olhava por cima do ombro. Virou-se para ele, mas permaneceu no mesmo lugar, respondendo-o apenas por uma risadinha dizendo que entendia bem o que ele sentia. Kise o encarou apenas com os olhos e num impulso sentou-se na cama. Puxou o rapaz e trocaram mais um doce beijo.
– Tá carente, é? — Daiki zombou.
– Sempre. — respondeu sem vergonha alguma. Deitou-se no colo do outro e apontou para o lado da cabeceira da cama, qual Aomine deduziu se tratar do embrulho que havia feito.
– E folgado como sempre, também, né? — meio indignado, mas rindo, acabou cedendo aos caprichos do loiro e pegando o pacotinho.
Hm. Vejam bem. Ryouta quase não parava em casa e quando parava, normalmente, Daiki era quem não estava lá. Ambos tinham agendas cheias e embora Aomine não tenha se interessado em ir para os States por causa do basquete, havia se formado em educação física e exercia muito bem sua profissão como professor. Por ser começo, dava aula em um ginásio de nome não muito conhecido e numa escolinha própria de basquete. Um em dias úteis e outro nos finais de semana que, aliás, eram tranquilos por dar aula a cerca de quatro turmas no total, mas vez ou outra surgia uma reunião da Federação de Basquete ou mesmo um torneio de uma das escolas qual trabalhava... Sendo assim, não tinha lá muito tempo... E também, por ser algum jeito de agradar o loiro... Afinal, ainda sentia um tanto de remorso pelo tanto que havia feito o rapaz sofrer na época escolar.
Kise olhou o embrulho com estranheza deixando Daiki confuso, mas agradeceu. Comeu mais uma pequena maravilha e ficou a fitar o rapaz.
– O que foi? — indagou pelo tempo excessivo em silêncio que o loiro estava e que em sua mente, ao menos, não significava coisa boa.
Ryouta desviou o olhar e enrubesceu minimamente fazendo Daiki franzir as sobrancelhas. Todavia, antes de qualquer interrogatório que pudesse vir a começar, Kise se levantou e com o lençol enrolado de qualquer jeito em sua cintura, caminhou até seu armário e se enfiou lá dentro. Daiki o ouvia remexer alguma coisa, mas nada disse. Não sendo desagradáveis, gostava de surpresas, até que.
Pouco depois, Kise voltou ainda mais encabulado, com as mãos para trás.
Ok. Agora ele estava com a pulga atrás da orelha. O que ele estava aprontando, afinal?
Kise deitou-se de bruços na cama e se cobriu todo com o lençol, mas já cortando Daiki por antecipação, o moreno viu a mão do rapaz estendendo-lhe algo, para fora do lençol... Estranhou ainda mais, contudo, assim que recebeu a suposta surpresa... Realmente ficou surpreso.
Era uma chave.
Aomine piscou várias vezes processando aquilo e então Kise se encolheu ainda mais em sua proteção imaginária.
Daiki engoliu seco e inseguro, indagou: – Posso mesmo...?
– Vai logo... — foi o sussurro que ouviu, fazendo-o rir.
Sem mais enrolar, levantou-se e logo estava frente ao “cofre” do loiro, visto que era uma caixa com tranca. Aomine sabia onde ficava a chave, mas nunca quis abrir aquilo sem permissão. Claro que, ter algo trancafiado dentro de casa qual nunca teve ciência do que era, de fato, aguçava sua curiosidade ao extremo, mas... Realmente não abriria aquilo sem permissão. Kise era besta, mas não um lunático. Girou a chave e ouviu o trinco destravar. Sua mão tocou leve o material e hesitou. Fechou seus olhos e suspirou. – Por que isso agora?
“Juntaram seus trampos”, assim que saíram do colegial. E desde então ou até antes disso, Kise tinha aquele “segredo”. Daiki já havia perguntado o que tinha ali, mas Kise sempre dizia a mesma coisa.
“Ainda não estou pronto pra revelar...”
E sim, sim. Já chegou a pensar inúmeras e mirabolantes coisas, mas no final das contas, confiava naquele qual decidiu e planeja dividir sua cama pelo resto da vida.
– Abre logo, Aominecchi...! — praguejou irritado.
Sorriu pela, enfim, confiança total que era depositada nele.
Abriu a pequena caixinha e tirou o que tinha lá dentro.
Silêncio.
Apenas o barulho mínimo dos embrulhos, ecoava pelo cômodo. Minutos que pareceram perdurar a eternidade, faziam um coração já disparado desde a entrega do objeto de liberdade, acelerar ainda mais. Será que... Ele havia ficado bravo?
Remexeu-se na cama e quando ia levantar o lençol...
– Oi, Kise! — o moreno berrou fazendo o outro se encolher instintivamente. – ‘Cê tá me tirando?! — de certa forma, vociferou.
Daiki não conseguia acreditar naquilo que tinha em mãos. Era um absurdo! Esse loiro realmente tinha problemas sérios e não era mais só sexuais. Com uma veia enorme saltada na testa, Aomime caminhou a passos pesados e apressados até a cama, sentando-se nela, de costas para o loiro que ainda não havia tirado o lençol de cima de si.
Incredulidade, era algo que realmente Daiki não conhecia a esse ponto.
Pequenos pacotinhos, todos destinados a si, fechados com singelas fitas em um laço. Um a um. Cada um dentro de um saquinho de plástico transparente com fecho zip. Um a um, com uma etiqueta com data... E todos eles, com a mesma frase...
“Este ano, não consegui entregar de novo...”
Aomine nunca ligou muito pra esse tipo de data, mas por um estalo, decidiu fazer. Estava vendo algum programa de receitas e como a época era justamente o Valentine’s Day, pela receita ser bem mais fácil do que imaginava que seria, acabou se aventurando e ali no começo da fic, pensava consigo mesmo se entregaria isso ou não, afinal, Kise odiava aquela data.
O riso escapou alto.
Agora entendia o porquê do loiro não ter conseguido esperá-lo acordar. Embora sempre tenha demonstrado total desprezo pela data, lá no fundinho, tinha um pequeno Ryouta todo fofo e purinho, esperando sua chance de sair.
Pela data, havia chocolates para si desde a época do colegial... Meo. Não queria nem imaginar o estado calamitoso que aquilo deveria estar, mas não tinha como não achar aquilo a coisa mais fofa do mundo.
Gargalhou.
Ah, como gargalhou.
Com cinquenta veias gritando em sua testa, Kise jogou o lençol para longe, mas não teve tempo de dar o soco que queria, por ter sido derrubado na cama. — Aomi... Aom... MMM!! — tentava falar e afastar o outro, mas não conseguia. Seus lábios eram tomados com volúpia e pelo outro sorrir largamente entre o beijo, Kise acabou deixando pra lá. Parecia... Que ele havia gostado, afinal de contas...
Ryouta realmente odiava aquela data, mas isso não significava que nunca quis fazer isso. Nunca significou não ter tido vontade de entregar aquilo para Aomine. O modelo, desde muito pequeno, era obrigado pelas suas irmãs a ajudá-las a preparar os chocolates para seus respectivos amores da época e como toda boa irmã mais velha, elas faziam Ryouta fazer o seu também.
“Mas eu sou menino!”, ele gritava.
“E daí? Não é isso que importa.”, respondia a segunda mais velha.
“O que importa é o sentimento, Ryouta.”, a mais velha afagava seus fios igualmente louros.
– Obrigado. — Aomine acarinhou os fios dourados chamando a atenção de Kise. Sorriu sincero... Até, a gargalhada voltar. – Só não vou comer isso, porque... — gargalhada... Sufocada pelo travesseiro em sua cara.
Ryouta era muito tagarela e costumava falar pelos cotovelos, mas quando o assunto era seus sentimentos... Era um fofo, meodeos.
Aomine nem perdeu seu tempo debatendo-se. Sabia que não seria morto por algo tão banal. Para tirar Kise do sério a esse ponto, tinha que aprontar muito ainda e ainda bem que, não chegou nem perto da metade disso ainda. E nem planejava, que fique claro! Com o tempo, cansou de rir e apenas subiu seu braço alcançando certeiramente o rosto do amante, fazendo-lhe um carinho delicado no rosto. O modelo parou com o monólogo de palavras feias que havia aprendido durante toda a vida e sentado na barriga de Aomine... Ouviu uns resmungos que não entendeu nada e acabou por tirar o travesseiro do rosto de Daiki que, com um sorriso apaixonado nos lábios, comentou...
– Você está melando minha barriga... — referindo-se, despudoradamente, ao seu próprio sêmen que escorria, para seu próprio orgulho, das pernas de Kise.
Às vezes, o modelo se perguntava onde tinha batido sua cabeça e a qual hospital o haviam levado e o dopando tão fortemente pra ter se apaixonado por aquele ogro. Revirou os olhos impaciente e deitou-se ao lado do outro, de costas e emburrado.
– Ahominecchi... — balbuciou.
Uma graça, mesmo.
Daiki riu sem ser notado e o abraçou ternamente.
– Naa... Kise... — mordeu o lóbulo da orelha do modelo, sensualmente.
O suficiente para que os orbes dourados se arregalassem com a enconchada depravada que recebeu. – Aominecchi, eu não acredito que...! — com o queixo puxado para outro beijo forçado, lá ia ele mais uma vez numa tentativa inútil de se desfazer de tal investida. Quem vê, pensa até que ele não gostava desse tipo de coisa... Pobres almas enganadas por um pequeno demônio com cara de anjo. Tsc, tsc, tsc, tsc.
– Depois de uma revelação daquela você espera mesmo que eu me emocione e chore? — debochou.
Ponto forte de Aomine, sempre tão príncipe.
Kise ia dar uma resposta bem atravessada, mas... Mordiscou seu lábio e sorriu sacana. – Pois eu acho, — firme, segurou o membro de Daiki. – que é exatamente isso — lentamente para baixo – que você está fazendo, — lentamente para cima. – Aominecchi. — e hey, lágrimas!
Aomine sentia cada vez mais, que Kise era sua alma gêmea. Não era possível.
Embora o loiro é quem tenha a imagem de “cachorrinho”, quem rosnou e atacou foi Daiki. O rapaz de certo havia ficado fascinado com “a revelação”, oras, foram anos de sentimentos contidos ali dentro e conhecendo aquele loiro, aquilo significava muito mais do que qualquer um poderia imaginar. Mas em hipótese alguma, isso sairia por sua boca. Nunca teve jeito com as palavras e duvidava muito que um dia teria. A melhor maneira que havia encontrado para demonstrar o carinho que tinha por aquele modelo bobão, era demonstrando por gestos. O prendeu em seus braços e trocaram um olhar apaixonado e cúmplice... E o mordeu.
– Caralho, AHOminecchi! Já falei pra parar com isso, inferno! — Kise esbravejou enquanto Daiki ria.
Tá... Cada um tem um jeito diferente de demonstrar seu amor, oras.
14-02-XXXX
(17 de Fevereiro de 2014)
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