Happy New Lonely Year

1 Capítulo único


Notas iniciais
Leiam as notas finais, por favor.

Reita estacionou o carro no inicio da rua, não queria que o baixinho o visse entrando em seu prédio.

Abriu a porta de trás, pegando a garrafa de champagne que comprara especialmente para a ocasião. O chibi adorava aquela bebida importada, sabia que, pelo menos naquilo ele não erraria.

Todos os finais de ano, desde 2003 – quando Kai entrara na banda – eles passavam, os cinco – Aoi, Uruha, Kai, Ruki e Reita. – na casa do cantor.

Mas esse ano aconteceu diferente. Aoi e Uruha acabaram contando aos amigos que tinham um relacionamento e, mesmo com o choque inicial, todos aceitaram. Por isso, este final de ano, os dois viajariam, sem que a mídia soubesse, para aproveitar o clima de inicio de romance.

Reita estremeceu e ajeitou o casaco pesado que usava. Estava realmente frio naquele 31 de dezembro.

Passou pela portaria do prédio e pediu ao porteiro que não avisasse pelo interfone ao Ruki que ele estava lá, desejando um feliz ano novo a figura que já era conhecida por estar lá todos os finais de ano.

Com os dois novos namorados viajando, Kai decidiu passar seu final de ano com a família, deixando Ruki completamente sozinho.

Reita também dissera que passaria a virada com sua família, mas ele não estava a fim de toda aquela gente interesseira perto dele.

Na verdade, ele não queria mais ninguém com ele essa noite. Apenas o Ruki, que olhava o céu da varanda do décimo andar.

Seria o primeiro ano que ele passaria completamente sozinho. Nenhum de seus amigos estaria lá. Sua família? Esta estava fora de cogitação. Ruki nunca gostou de ninguém que tivesse seu sangue, preferia estar sozinho, talvez compondo alguma nova música do que ficar com alguém que tivesse algum grau de parentesco.

Reita suava frio dentro do elevador, segurando a garrafa de bebida com força excessiva.

Não era um medo besta. Era receio de ser rejeitado.

Era bem difícil ver os dois sozinhos. Ruki sempre evitava que isso acontecesse.

E das poucas vezes que aconteceram, Reita tentou se aproximar do mais novo, deixando nítido que ele não sentia apenas uma simples Amizade. Reita amava o menor.

O elevador finalmente parou depois de alguns segundo, que pareceram séculos para Reita e ele empurrou a porta com a mão trêmula. Passou pelo corredor bem iluminado e tocou a campainha.

Ruki pensou ter ouvido alguma coisa na televisão, que estava ligada para o vento e olhou para a tela. Nada. Faltavam 15 minutos para dar meia-noite e ainda passava uma novela que ele não se deu ao trabalho de descobrir o nome.

Escutou o barulho novamente, era a capainha.

Mas ele não esperava ninguém, seria o zelador pedindo para fazer silêncio novamente?

Saiu da sacada e atravessou a sala pequena, abrindo a porta com os olhos semicerrados.

Seu peito aqueceu ao ver Reita, parado na porta com um sorriso no rosto e uma garrafa de champagne caro nas mãos.

- Rei-kun! – Ruki o abraçou com força, fechando os olhos.

Reita retribuiu o abraço, tentando, como em todas as vezes que se encontravam, mostrar mais carinho do que um amigo faria.

Mas, como sempre, Ruki parecia não perceber e se afastava do mais alto, deixando-o completamente agonizado.

- Isso é para mim? – Ruki apontou para a garrafa esverdeada na mão do baixista.

- Sim, comprei pra você. – Reita entregou a bebida, que Ruki abriu na hora, se encaminhando para a cozinha, a procura de dois copos.

Entregou uma taça à Reita e ficou com uma para si, ambas até a metade de champagne, que soltava pequenas bolinhas de gás.

- O que fazia antes da minha presença?

- Eu? Olhava o céu. Mesmo estando frio, está realmente muito bonito lá fora.

Ruki voltou para a sacada, agora com Reita o seguindo de perto.

Os dois descansaram as taças no muro do pequeno ambiente externo e se apoiaram no mesmo.

Ruki tinha razão, o céu estava repleto de estrelas e a lua se encontrava brilhante, redonda, soltando uma luz branca que deixava a pele branquinha do cantor ainda mais bonita aos olhos de Reita.

Quantas vezes o loiro já havia pego a si mesmo imaginando a maciez daquela pele...

- Essa bebida é tão cara, Reita, porque a comprou? – Ruki deu o ultimo gole de sua taça.

- Pra te ver feliz eu gasto o dinheiro que for preciso.

Ruki riu, fechando os olhos e balançando a cabeça negativamente.

Era realmente complicado para Reita saber o que fazer. Ele poderia tentar se aproximar mais do Taka, mas isso poderia se virar contra ele, deixando o mais novo nervoso e estragando a virada do ano.

Mas ao mesmo tempo, era uma oportunidade que poderia ser única, os dois estavam sozinhos, por tempo indeterminado. Não seria bobagem, então perder uma oportunidade dessas?

Ele sacudiu a cabeça, tentando espantar seus pensamentos.

Ruki ainda olhava o céu, enquanto Reita estava inquieto ao seu lado.

- O que foi, Reita? Está hiperativo?

- Na verdade, acho que apertei demais a faixa. Me ajuda a tirar? – Por mais bobo que isso pareceu, Reita estava tão irritado, que até a bandana que já era tão costumeira, havia se tornado um incômodo.

- Claro. – Ruki descansou a taça novamente no muro da sacada e passou as mãos pela nuca do loiro, que se arrepiou com o toque daqueles dedos frios. Reita fitava o mais novo enquanto ele tentava desatar o nó atrás de sua nuca. – Hm, acho que se você se virar eu consigo tirar isso mais rápido.

- Ah, desculpe. – Reita se virou e rapidamente sentiu sua bandana afrouxar, caindo de seu rosto direto em suas mãos. – Obrigado.

- Imagina. – Ruki suspirou. – Olha só... Há tanto tempo não te via sem a faixinha.

- É? Nem me lembro. Quando foi?

- Acho que foi em 2004, quando você acabou bebendo demais e...

- Tentei te beijar a força, lembro. Lembro porque desde aquele dia, você não fica sozinho comigo, e se fica, me evita o máximo que consegue.

- Estamos sozinhos agora. – Ruki respondeu, com a cabeça baixa.

De novo, Reita sentia que estava prestes a estragar tudo.

- Desculpa. É que, bem, às vezes é bem frustrante.

- Só faltam 2 minutos para meia-noite agora. – Ruki olhava para a tela da televisão dentro da sala. – Um...

Alguns fogos fizeram-se ouvir. No canal sintonizado, os números da contagem regressiva apareciam, em cores vibrantes.

Pessoas gritavam na rua, acompanhando a contagem junto ao canal.

- Dois...Um... e... Feliz Ano novo! – Ruki pulou no mais alto, que riu e o abraçou.

- Feliz 2010, chibi. – Reita disse, ainda sem largar o cantor que, pela primeira vez o abraçava sem tentar se separar logo.

- Obrigado por não me deixar aqui sozinho hoje.

- Acredite, está sendo um sacrifício enorme pra mim. – Reita brincou, dando um beijo na bochecha do ruivinho, largando-o e vendo o mesmo sorrir.

Os fogos estouravam fazendo um barulho ensurdecedor, mas Reita não quis olhá-los. Não quando podia ver o baixinho sorrindo pra ele.

As taças já tinham bebida novamente, os dois fizeram um brinde.

“A nós” pensou Reita.

- Acredita que eu já to com sono? Acho que é falta do que fazer. – Ruki bocejou. – Por falar nisso, acho que esse ano não tem nenhum banquete. A não ser que você queria assistir um filme e comer pipoca.

- Porque não? Eu aceito.

- Qual filme? – os dois já entravam na sala, fechando a porta de vidro da sacada.

- Escolhe qualquer um. Vou estourar a pipoca.

- Estoura a de microondas! Se você sujar meu fogão faço você limpar com a bunda. – Reita ouvir Ruki gritando da sala.

Abafou um riso e pegou um pacote da pipoca. Colocou o mesmo no microondas e programou o tempo de preparo.

- Escolheu o filme?

- Sim.

- Qual?

- Um amor para recordar.

- Ah, Ruki você ta brincando com a minha cara, né?

- Não! O filme é lindo e você vai assistir comigo.

Claro, se eles assistiriam ao filme juntos, então não poderia ser tão ruim. Reita abriu o aparelho de microondas e retirou o pacote, despejando o conteúdo numa tigela de vidro, colocando sal e indo para a sala.

Assim como Reita imaginara, quando o filme chegava ao meio, Ruki dormia. Sua cabeça repousava no ombro do loiro.

- Ruki...

O ruivo murmurou alguma coisa, ainda sem abrir os olhos.

Reita o balançou, até ver que ele estava completamente acordado.

- Vai dormir, baixinho.

- Você vai dormir aqui?

- Só se me convidarem.

Ruki rolou os olhos. A pesar de ter medo, não podia negar que Reita dormisse lá. Todo fim de ano, os cinco ficavam na sala, espremidos, tentando dormir. Mas a conversa durava tanto, que o dia acabava amanhecendo sem que ninguém dormisse.

O mais novo sabia que Reita gostava dele. Era ai que morava o perigo. Ele também tinha sentimentos mais fortes pelo loiro, mas tinha medo que isso pudesse estourar na mídia.

A banda, a carreira deles estaria em perigo. Eles não poderiam prever a reação do público.

Por isso Ruki sempre tentou evitar ficar perto demais do outro. Ele sabia que, se um dia se aproximassem, ele cederia facilmente, então era melhor assim.

~~////~~

- Não, assim já ta bom. – Reita terminava de colocar o acolchoado fino no chão frio.

- Qual é, Reita. Ta frio pra caramba e essa coisinha fina não vai impedir que o frio do piso chegue em você.

- Não tem problema, qualquer coisa eu pulo pro sofá.

- Ah, claro, esse sofá só cabe suas pernas, você ia ficar todo encolhido. Vai logo, levanta daqui e vai pro meu quarto, o piso de lá não é frio. É de madeira, de qualquer forma é melhor.

- É tradição dormir na sala. To bem aqui, chibi.

O baixinho bufou e entrou em seu quarto, dando-se por vencido.

Na sala, Reita apagou a luz e deixou que somente a claridade branca da lua iluminasse a sala, através do vidro.

Ele sabia que não ia conseguir dormir. Ninguém poderia imaginar a dor que esmagava seu peito por ter uma noite na qual ele ficaria sozinho com o ruivinho, mas ter as mãos atadas, sem poder fazer nada.

Uma lágrima se desprendeu de seus cílios, escorrendo pelo rosto até tocar o travesseiro, deixando uma marca molhada ali.

A luz da lua estava mais forte e Reita a olhava, pensando como seria poder estar lá fora, abraçado ao menor, vendo aquela esfera enorme e brilhante que irrompia no céu escuro.

Reita ouviu a porta do quarto ser aberta, voltando sua atenção para o corredor pequeno.

- Okay estou a duas horas tentando dormir e não consigo só de pensar que você está aqui com frio. – Ruki saiu do quarto, segurando um travesseiro e um cobertor, exatamente como uma criança faz quando tem um pesadelo e vai ao quarto dos pais, pedindo para dormir ali.

- E o que você pretende? – Reita arqueou a sobrancelha.

- Se você vai dormir no frio, eu também vou.

Dizendo isso, o menor se deitou ao lado do loiro, jogando o cobertor sobre os dois.

Reita se afastou do outro, ficando com metade do corpo para fora do acolchoado.

- Vem mais pra cá, você está deitado no chão sem o colchão.

Ruki obedeceu, indo mais para trás. Ajeitou a cabeça sobre o travesseiro e passou uma das mãos por debaixo do mesmo.

Reita prendeu a respiração. Seu coração era quase audível, e ele tinha certeza que sua face estava completamente corada. Sua mão era uma pedra de gelo e ele se esqueceu do que precisava para se movimentar.

A mão do mais novo começou a tatear atrás de si, procurando algo.

- O que você quer? – a voz do loiro saiu baixa e rouca.

- Sua mão. – o outro respondeu, simples.

O mais velho sentiu seu coração bater ainda mais forte, e agora, com certeza, suas batidas eram altas o suficiente para que os dois pudessem ouvi-lo, no silencia estabelecido.

As mãos se encontraram, fazendo ambos sentirem uma carga elétrica fraca passando por todo o corpo. Ruki a puxou para sua cintura, como se quisesse usar o corpo do outro para se esquentar.

Reita sabia que poderia se arrepender por isso, mas o que seria da vida se ele nunca tomasse alguma iniciativa? O próprio baixinho havia pego a mão dele, seria isso, então um sinal que, naquela noite Ruki não tentaria afastá-lo de si?

O ruivinho estava confuso. Ele já tinha dado o primeiro passo, porque Reita estava completamente paralisado? E o pior, apesar da mão que repousava em sua cintura, os dois corpos estavam longe. O loiro não tinha tentado se aproximar.

Reita suspirou, ouvindo o outro suspirar também. Então, espantando a dúvida, puxou o corpo do menor para perto, os dois ocupando o espaço estreito do acolchoado amarelo.

Ruki sorriu, satisfeito. Ele podia sentir o coração do loiro palpitando em sua costa, constatando que o mais velho estava realmente nervoso.

Se sentiu culpado, pensando que ele acabara machucando de verdade o outro, mesmo que essa nunca tinha sido sua intenção.

A mão de Reita se apertou mais em sua cintura, descendo por ali e o abraçando com força, uma possessão inimaginável surgindo em seu peito. Ele finalmente não fugira. Reita sorriu agradecido por isso.

- Ainda sente frio? – Reita perguntou quase protetor demais.

- Agora não. – Ruki pegou a mão do mais velho novamente, entrelaçando seus dedos com os dele.

Reita passou seus lábios pela nuca do outro. Aquela pele...

A felicidade quase estourava seu peito, sua respiração estava acelerada e fazia algo parecido com cócegas no pescoço do mais novo, que sorria.

A verdade é que ele nunca se sentiu tão completo em sua vida. Ele não precisava de um banquete à meia-noite. Não precisava de muitas pessoas ou música alta bebida e risadas. Aquele era o dia mais especial da vida dele.

Ruki finalmente não havia o rejeitado, seu peito estava aquecido só de pensar que o que parecia tão óbvio aos seus olhos não houvesse acontecido.

Chibi se revirou em meio aos braços do mais velho, seus traços iluminados pela claridade da lua. Reita fechou os olhos, passando a ponta dos dedos pelo rosto do outro.

Logo, sentiu uma boca encontrar a sua, um selinho rápido. Nem um beijo mais profundo poderia conter tanto amor.

Ele puxou o mais novo contra seu corpo, o ruivo aconchegando sua cabeça na curva do pescoço do loiro.

Então, nenhum precisou dizer mais nada. Eles dormiram abraçados e acordaram do mesmo jeito, quando a luz do dia invadiu a sala pequena.

E o dia nunca pareceu tão azul aos olhos de Reita, mesmo sabendo que aquela poderia ser a primeira e ultima vez que os dois se tocassem daquela forma, ele estava feliz. Pelo menos agora, ele conseguira mostrar ao baixinho que o amava, acima de tudo.

Feliz ano novo solitário aos dois. Ou não tão solitário assim.

Notas finais
Meu primeiro trabalho sem parceria aqui no nyah, espero que gostem.
Também foi minha primeira tentativa de escrever algo na 3ª pessoa, sem contar que não foi betado, então desconsiderem qualquer erro, por favor.
Eu estou realmente péssima agora, espero que nada disso interfira nessa one shot.
Deixem reviews? Sou nova e preciso de incentivo *pedras voando*
E pra quem acompanha Obsession: Apesar da demora, próximo capitulo chega ainda essa semana. Até mais.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!