Happy Ending
9 Capítulo IX – Efeito Felicity Smoak
Notas iniciais
OQ
Eu estava surpreso, não esperava ver Felicity chegar junto com Tommy e muito menos ver os dois com toda essa intimidade. Não entendia porque estava tão incomodado, eu sabia que Tommy era um galanteador de primeira e que qualquer mulher não passava despercebida por ele. O que me deixava mais surpreso era o fato de Felicity estar tão à vontade com ele, ela sempre pareceu tão séria e desconfortável com todos, exceto Diggle.
Fui um pouco impulsivo ao pedir que deixássemos de lado as formalidades, mas estava me deixando incomodado ver Tommy a chamando de ‘Lis’. Para falar a verdade, não temos tanta diferença de idade, eu insisti na coisa do Srta. Smoak para que mantivéssemos um relacionamento estritamente profissional. Por experiência própria eu sabia que misturar trabalho com “diversão” não dava certo. Ainda mais quando esse trabalho envolvia meu filho diretamente. O que me lembrou a razão para que eu estivesse em casa tão cedo.
— Gostaria de esperar no quarto? – Encarei Felicity e ela pareceu surpresa, seu rosto tomou uma coloração avermelhada na mesma hora em que falei, ela engoliu em seco e piscou.
— É claro sen... – Meneou a cabeça e respirou fundo – Oliver! Eu vou subir em esperar no quarto – Mais uma pausa enquanto me encarava – No quarto do William! – Encarou Tommy e então a mim novamente – Com licença – Subiu as escadas com pressa, a observei um pouco confuso.
— Ela é adorável – Tommy me cutucou com o cotovelo – E uma gatinha também, mesmo por baixo daqueles óculos, roupas sem graça e rabo de cavalo.
O encarei sério – Por que você está aqui mesmo?
— Ah sim! – Notei que ele trazia uma pasta na mão esquerda – Com essa confusão toda da Thea, eu precisava de alguns documentos para boate, então pedi para sua mãe e agora estou trazendo de volta – Me entregou a pasta e ficou sorrindo como um idiota.
— Podia ter pedido para qualquer um deixar isso na empresa Tommy.
— Você sabe como eu amo vir até aqui e ver meu melhor amigo – Passou a mão por meus ombros e me guiou até a sala – No final de semana uma amiga minha da Rússia está vindo passar uns dias aqui em Star e eu pensei que você poderia me acompanhar enquanto mostro a ela o que a cidade tem de melhor, você só precisa...
— Ok seu cretino! – Tirei sua mão das minhas costas e me afastei – Eu sabia que você tinha algum plano idiota em mente.
— Ah! Qual é Ollie! Você só precisa levar uma amiga junto para que ela não se sinta desconfortável só com nós dois, ou só comigo.
— Ela não é sua amiga?
Tommy alargou o sorriso e aproximou-se – Você sabe que não.
— Eu não quero me meter nos seus encontros Tommy.
— Vamos lá Oliver, é só uma noite, podemos sair, ir a algum restaurante e então vamos em uma festa, o resto vou deixar que a bebida e a diversão façam! – Ele novamente apoiou-se em mim – Você poderia chamar a Srta. Smoak para ir junto – O encarei aturdido.
— Está maluco? Eu não vou estragar algo que está dando certo!
— O que está dando certo? Pelo que vi, você nem mesmo tentou jogar seu charme para cima dela.
— Exatamente! Eu não pretendo ficar “jogando meu charme” sobre a tutora do meu filho – Me afastei e sentei em uma poltrona – William gosta dela e se eu fizer a besteira de me envolver com ela, vou afastar uma das poucas pessoas com quem meu filho se sente à vontade.
— Acho que nunca vi você tratar qualquer mulher com o mínimo de respeito, manter-se afastado dela chega a ser um ultraje vindo de você!
— Não fique tão surpreso, não sou esse monstro que pensa – Escutei o barulho do carro parando em frente a mansão. William chegou – Se não se importa, tenho que acompanhar meu filho até a aula dele.
Tommy mudou sua atenção para fora e então encarou as escadas, para que então um sorriso sem vergonha tomasse conta de seu rosto, isso só aumentou a vontade de soca-lo bem no meio do nariz, ainda mais.
— Ah sim! “Acompanhar seu filho” – Ele literalmente fez aspas no ar – Posso me despedir da Lis antes? – O cretino estava tomando o caminho da escada quando o segurei.
— Você não vai se despedir da “Lis”! – Trinquei meus dentes e o empurrei para fora, assim que William desceu do carro.
Tommy riu e então mudou de postura ao encontrar meu filho, eu me enganaria com aquele tom amável – E aí campeão, como foi a escola?
William o encarou e sorriu fraco – Tudo bem.
— Certo – Tommy colocou a mão no ombro dele e fez um afago em seu cabelo – Nos vemos por aí garoto – Me encarou e piscou – Eu ainda quero uma resposta para aquilo! – Antes que eu pudesse responder como deveria, ele entrou no carro e saiu cantando pneu.
Respirei fundo e encarei William – Felicity está esperando você no quarto.
— Certo – Sem mais uma palavra ele subiu as escadas, o segui.
— Eu estava pensando em acompanhar sua aula hoje.
— Por quê? – William parou no meio do corredor e me encarou – Não quero que acompanhe.
Respirei fundo – Olha, eu sei que você não me suporta, mas tem que aceitar que eu sou seu pai e que vou estar presente na sua vida, você querendo ou não!
William fez uma careta e soltou um suspiro alto – Tanto faz! – Voltou a caminhar em passos duros até o quarto, que estava com a porta aberta.
Felicity estava sentada na cadeira em frente a escrivaninha, parecia digitar algo no celular, estava bem compenetrada, eu diria que até mesmo um pouco irritada. William entrou e jogou a mochila com força sobre a cama, fazendo com que ela se sobressaltasse e o encarasse surpresa.
— Boa tarde? – Perguntou o encarando.
— Eu não quero que ele fique durante a aula!
Ela respirou fundo e me encarou, levantou e sentou-se ao lado de William na cama – Olha só, eu entendi que vocês dois não tem um relacionamento muito bom, tudo bem – Acariciou seus cabelos em um gesto doce, não pude evitar sorrir – Mas eu não acho que o Oliver esteja mal-intencionado em apenas assistir uma das nossas aulas, não concorda William?
William me encarou sério e depois Felicity – Vai ter que me levar para tomar aquele sorvete que prometeu – A encarei surpreso, então eles já estavam combinando de sair para tomar sorvete?
Felicity ruborizou ao notar que eu a encarava – Certo príncipe! – Tocaram as mãos em um cumprimento e William sorriu, Felicity virou-se para mim – Eu imagino que você não tenha a mínima ideia do que seja matemática, então, faça o mínimo possível de comentários.
— Eu sei o que é matemática! Só não entendo porque estuda-la, tenho mais de trinta anos e até hoje não usei nenhuma das porcarias que ensinavam na escola – Me sentei em um pufe que havia no meio do quarto, o terno não era a melhor roupa para estar tão à vontade, eu me sentia amarrado.
— Certo – Felicity encarou William e soltou uma risada debochada – Acho que hoje vou cobrar a aula em dobro, porque vou ter que ensinar dois sobre a importância de se estudar.
— Eu gosto de estudar – William pontuou com empolgação.
— Eu sei, mas seu pai parece abominar a ideia de passar horas em frente aos livros e números – Pela primeira vez desde que meu filho soube da minha existência, eu o vi sorrir em minha direção. Acredito que ele nem mesmo tenha percebido, mas já valeu um monte para mim.
Pelas próximas duas horas, ficamos naquele quarto, Felicity mostrou-se uma excelente professora, até mesmo exigente, em alguns momentos tive pena de William, ela o puxava bastante, mas o garoto é bom. Me senti todo inflado de orgulho ao vê-lo acertar todas as questões que ela havia feito em um teste.
Não falei muito durante a aula, para falar a verdade, me senti um pouco excluído em algumas vezes, Felicity e William estavam envoltos em uma bolha só deles, ela sabia responder as perguntas que ele fazia e falava de igual para igual sobre os desenhos e super-heróis que ele é fã. Senti um pouco de inveja dessa conexão que ela conseguiu estabelecer com William em tão pouco tempo.
— Acho que podemos parar por aqui hoje, você tem um teste de verdade amanhã e não é bom ficar sobrecarregado, fora que eu tenho que ver se a Amy não precisa de alguma ajuda também – Felicity levantou e pegou a bolsa sobre a mesa – Foi mais tranquilo do que eu imaginava que seria.
— Como assim? – Levantei e cruzei meus braços em sua frente – Achou que nos mataríamos?
— Não! Longe disso, mas achei que hoje seria meu último dia aqui.
— Por quê? – Dessa vez foi William quem perguntou.
— Você e seu pai tem uma relação bem explosiva, e o fato de estarem no mesmo ambiente por muito tempo, me deixou preocupada que essa raiva toda acabasse sobrando para mim.
— Não se preocupe Felicity, você é a melhor parte do dia para ele – Apontei para William.
— Não foi tão ruim – Para minha surpresa ele me encarou com um sorriso sem dentes. Acho que fiquei vermelho, senti minhas bochechas esquentarem!
— Oh! Você deixou Oliver Queen ruborizado William! Eu devia gravar isso e postar na internet – Felicity falou rindo e colocou a mão sobre os ombros de William que riu sem graça.
Pigarrei e me recompus tentando ficar sério – Lembre-se que você ainda é minha empregada – Novamente para minha surpresa, Felicity ergueu uma sobrancelha e me encarou em descrença.
— Teoricamente, sou empregada do William, trabalho para ele.
Hoje todos estavam a fim de me confrontar e me deixar vermelho!
— Ponto para você – Ergui as mãos e sorri. O clima estava tão leve, era tão agradável estar ali, Felicity enchia o ambiente.
— Certo rapazes, eu já vou indo – Beijou a testa de William em um gesto que imagino já seja automático – Nos vemos amanhã, não esqueça de dar mais uma olhada nas fórmulas amanhã enquanto vai para escola.
— Pode deixar – Ele a abraçou – Obrigado Felicity.
— Não precisa me agradecer – Felicity sorriu com carinho para ele e então me encarou – Nós nos vemos.
— Amanhã – Falei rápido, eu com certeza estaria aqui amanhã de novo, e depois de amanhã e depois. Felicity havia conseguido em uma tarde, o que eu não consegui em seis meses.
— Ok – Eu também ganhei um sorriso doce e eu sorri também. Esse poderia ser chamado de efeito Felicity Smoak.
A vi sair do quarto e descer as escadas, eu estava com medo de me virar para o quarto novamente e aquele clima pesado que sempre havia entre mim e William também voltasse.
Respirei fundo e mantive o sorriso quando o encarei, ele estava me encarando também, mas não parecia bravo.
— Você foi legal hoje – Falou apenas isso antes de sair do quarto e seguir pelo mesmo caminho que Felicity.
O sorriso que já estava estampado em meu rosto apenas aumentou. Eu estava mais do que feliz, era algo mais como realização e pura satisfação. Meu filho pela primeira vez, não parecia me odiar.
FS
Voltei para casa com uma sensação boa, foi tão bom ver o William tranquilo, mesmo com o pai junto e mesmo Oliver estava diferente, foi agradável ter ele junto, do contrário do que havia imaginado, ele não ficou com uma cara emburrada ou entediado, na verdade, apesar de ter ficado em silêncio boa parte do tempo, Oliver ficou prestando atenção no que falávamos, parecia realmente interessado, nas poucas vezes que falou, foram perguntas relacionadas ao que William estava estudando e algumas vezes, resmungava do porquê ser algo tão difícil para uma criança de doze anos.
Essa tarde serviu para que eu mudasse de ideia sobre Oliver Queen, pelo menos um pouco. Pela primeira vez ele pareceu um pai, alguém que realmente queria estar presente na vida do filho, que queria saber o que estava acontecendo. Acho que William também percebeu isso, pois ele estava relaxado ali e algumas vezes notei um sorriso de canto enquanto Oliver falava. Apesar de não admitir, ele é só um garoto de doze anos que quer a atenção do pai, como qualquer criança.
Paguei o taxista e desci, eu tinha algumas coisas a mais para me preocupar agora. Mais cedo Helena havia me mandado uma mensagem, dizendo que estaria chegando hoje à noite.
Suspirei, Helena vindo assim do nada, nunca era boa coisa, no mínimo ela foi demitida novamente, ou brigou com outro namorado, o jurou de morte e resolver vir passar um tempinho com a irmã adotiva e a sobrinha.
Eu amo Helena, de verdade, crescemos praticamente juntas, quando a mãe dela morreu e o pai se entregou a bebida ela foi morar comigo e com a minha mãe, desde então somos como irmãs. Tomamos rumos diferentes, eu fui para o MIT grávida e ela foi trabalhar em cassinos ou boates de strip-tease, não que ela não gostasse, Helena é uma mulher linda, ela sabe disso e faz bom uso disso.
Sorri ao entrar no apartamento e ver Amy jogada no chão, lendo um livro que estava sobre as suas mãos esticadas sobre a cabeça, pela careta, acredito que seja algo relacionado à prova de amanhã.
— Você tem uma cama e uma escrivaninha no quarto, ficar deitada em um chão frio não me parece uma boa opção para estudar – Falei e fui em sua direção, deitando ao seu lado. Encostei minha cabeça na sua e tentei ler o que ela lia. Realmente era sobre a prova.
— Não estava conseguindo me concentrar, resolvi mudar os ares – Ela largou o livro e me encarou – Como foi hoje com o pai bonitão?
Ergui as sobrancelhas – Pai bonitão?
— Sim, eu já vi ele uma vez, ele é bonito – Amy falou simplesmente. Acho que fiquei em choque por ver minha pequena garotinha já falar que acha um homem “bonitão”.
— Foi surpreendentemente bom – Encarei o teto – Oliver e William não quiseram se matar, eu não fui demitida, então, tudo bem.
— Como William está com a prova de amanhã?
— Bem, ele é inteligente – A encarei novamente – Devia conversar mais com ele, William é um bom garoto, acho que seriam bons amigos.
— Ele não dá muita abertura e eu não sou exatamente o tipo de pessoa que puxa assunto com outros.
— Mas você tem uma amiga na escola.
— Anna é diferente, ela foi legal comigo desde o primeiro dia e desde então não saiu mais do meu lado.
— Um dia quero conhecer ela.
— Um dia – Amy ficou em silêncio por um momento.
— Eu tive uma ideia – Levantei e me sentei a encarando – Eu meio que estou devendo levar o William para tomar sorvete, por que não fazemos isso no sábado, você pode convidar a Anna também, se os pais dela concordarem.
— Por que você está devendo um sorvete para o William?
— Porque eu prometi, assim como prometo para você, que se ele passasse na última prova, eu o levaria e ele tirou um A+, e como hoje William estava emburrado por ter o pai durante a aula, falei novamente que o levaria. Me pareceu uma boa ideia – Amy sentou-se, parecia considerar um pouco hesitante – E outra, Helena chega hoje à noite, ela pode ir junto – Eu sabia que Amy iria em qualquer lugar que Helena fosse, ela a adora.
Como imaginei ela abriu um enorme sorriso – Tia Helena está chegando?
— Sim!
— Isso é demais! – Levantou empolgada e então me encarou – Tudo bem, vamos tomar sorvete, eu chamo a Anna, ela sempre teve vontade de conhecer minha tia.
— Peraí, sua amiga tem vontade de conhecer tia e não a sua mãe?
Amy sorriu sem graça – As histórias da tia Helena são mais legais que as suas e ela me traz presentes.
— Mais legais? – Me levantei e fingi tirar o pó da roupa – Vamos ver que é legal – Amy abriu mais o sorriso – Acho melhor correr – Ela soltou um gritinho e foi correndo pela sala enquanto eu a caçava para enchê-la de cócegas.
Eu esperava que fosse uma boa ideia colocar Helena junto com três crianças em um shopping, com várias pessoas, onde ela poderia falar alguma besteira na frente do herdeiro Queen e da filha de algum casal magnata. Mas tudo bem, não é como seu eu não soubesse lidar com ela e com três crianças, seriam apenas eu e eles. Tudo sobre controle.
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