Hankei no Gifuto - 半径のギフト
9 Filosofia de cão e gato
Notas iniciais
Espere aí... Antes tenho que apresentar os Dolas.
Hajime o/
Dois animais, um gato e um rato, caíram do portal que Kin criara com sua espada no teto.
– Satisfeito? Não vai mais me alvejar de tantas questões e “porém”?
– Sim, sim. Já posso me sentir seguro. Um gato e um rato, sustentando minha vida em suas patas. Claro! –dizia Nekomura com um tom de sarcasmo.
– Não caçoe deles. Eles são fortes e leais, isso eu posso garantir. Apresentem-se ao Nekomura.
O gato e o rato começavam a crescer, tomando forma humanóide e cada vez mais se assemelhando a um homem. Não exatamente “homens”. Era uma garota e um garoto.
O garoto tinha uma cicatriz abaixo do olho direito e dentes caninos avantajados, assim expondo-os fora da boca. Tinha uma jaqueta de explorador e o que mais chamava a atenção era a inocência presente em seus olhos azul-celeste.
A garota era um pouco mais animada, extrovertida. Tinha os olhos vermelhos, um cabelo curto com coloração negra e orelhas de rato no topo da cabeça. Portava um jogo de facas na cintura e um sorriso sem jeito nos lábios, mostrando que sua característica principal era a modéstia. Suas mãos estavam enfaixadas, isso era sinal de treino, treino pesado.
– Por que você nos chamou aqui, deusa Dolja? –disse o rapaz que momentos atrás era um siamês.
– Não me chame assim, se acostume a me chamar de Kin, meu nome de Yav’. –advertia Kin. – Preciso que vocês cuidem do Nekomura enquanto eu não puder acompanhá-lo.
– Nekomura? Quem é esse Nekomura? Um novo aliado em seu plano? –dizia empolgada a garota que era um rato.
– Eu... Sou o Nekomura...? –tentava levantar a mão, um pouco acanhado.
– Neko Neko Neko Nekomuraaa! Bem vindo ao time, rapazinho! –dizia ela enquanto o abraçava toda animada.
– Nezumi, assim você vai deixar o garoto sem jeito. –falava o menino.
– Não me enche, Hiroto! Deixe-me dar boas vindas ao Nekomura! –dizia Nezumi, afogando o pobre rapaz em seu busto.
Hiroto passava a mão na testa, conformado com a natureza dócil de Nezumi.
– Me perdoe, Nekomura. Ela tem esse comportamento um tanto “alegre demais”.
– Não esquenta, Hiroto. Se ela é assim, eu não posso fazer nada.
Kin pega Nezumi pelo capuz e a joga para longe de Nekomura.
– Pa-pare com isso, Nezumi! Controle esse ânimo. –dizia Kin um pouco corada.
– Nyaaaa! Então está bem.
– Nekomura, já que você tem posse do caderno, você pode invocar eles usando a palavra “Piesaukt”. Faça um círculo com o dedo e você já sabe o resto. –explicava Kin.
– Mas não nos invoque para coisas inúteis, já vou avisando! –falava Nezumi.
– Que os Deivai te protejam. –dizia Kin enquanto mostrava um sorriso.
(Deivai era o coletivo de deuses que protegiam as casas, campos e estábulos do povo letão*)
– Então... A minha força se esgotou toda agora que eu invoquei eles. Hehe. –dizia Kin, sem jeito. – Você poderia me acompanhar até em casa?
– Primeiro eu tenho que perguntar à minha mãe. Ah... Minha mãe... –Nekomura se lembrara da forma que ele tratara a sua mãe. As lágrimas que lhe escorriam na face e a tristeza em ver que não merecera ser tratada daquela forma, sem motivo.
A culpa que Nekomura carregava em tratá-la daquele jeito pesava.
Ele desceu as escadas, até chegar à cozinha. Lá viu a sua mãe lavando a louça do lanche de hoje.
– Mãe... Desculpe-me pela forma que te tratei naquele momento. É que eu estava muito apressado para um importante compromisso. –falava Nekomura, meio envergonhado.
– Eu sei que você tem seus compromissos, filho. Mas eu não te fiz nada pra merecer aquele tratamento. Eu fiz um pequeno encontro, chamei seus melhores amigos para relembrarem a época em que você era tão vivo, tão radiante.
– Eu sinto muito pelo que você sentiu no momento...
– No momento, não. Eu sinto até agora o peso daquele grito. –dizia a Sra. Natsuyava, observando a água percorrer os pratos. – Mas eu irei te perdoar só se você justificar o motivo de tanta emergência.
Naquele instante, Kin desce as escadas e se dirige à mãe do Nekomura.
– Me desculpe, Sra. Natsuyama. O Nekomura foi me socorrer, eu tinha caído da escada na minha casa e a forma mais rápida de socorro foi o número do Nekomura.
– De onde veio essa menina, Nekomura??? –dizia assustada a mãe de Nekomura.
– Er... Eh... Ela veio pegar a tarefa de ontem, da escola.
– Mas eu nem vi ela entrar... Eu nem vi VOCÊ entrar! Como é possível... Ah, esquece.
– Me perdoa, mãe?
– Agora sim, eu te perdôo. –em seguida deu um abraço no filho.
– Posso levá-la para casa? Ela tem medo de caminhar pela rua nesse horário.
O sol havia se passado tão rápido, com tanto assunto e tantas novidades, apresentações, que o senso de tempo havia sumido para Nekomura.
– Pode, filho.
Enquanto Kin ia na frente pela porta, a mãe de Nekomura sussurrou para ele:
– Que garota bonita, não é? Seria ela minha nora? –dizia ela com uma risada.
– Que-que-Quê??? Não devaneie, mãe! –retrucou Nekomura ao ver a risada de deboche de sua mãe.
No caminho, Nekomura acompanhava Kin, e Hiroto fazia guarda.
– A essas horas a Nezumi deve estar revirando sua gaveta de cuecas, Nekomura. –alertava Hiroto.
– Mas o que...?! Eu disse pra ela que só podia deitar na cama enquanto nos espera!
Kin ria com a reação de Nekomura, quando de repente um rosnado é ouvido naquela esquina.
Um lobo de pelagem cinza, mostrava suas presas e rosnava para aqueles três.
– Essa hora chegaria... Um Lobo* foi mandado até nós. Creio que seja meu pai o mandante. –dizia Kin mostrando preocupação.
– Minha senhorita, deixe-me enfrentar essa fera para ti. –adiantava-se Hiroto a um possível confronto.
Notas finais
Comentem, comentem, comentem! Muitas opiniões, por favor.
Ja nee o/
Fale com o autor