Hangleton: The Bloody Kingdom
2 A Floresta de Farwood
Notas iniciais
O céu daquele dia ficara cinza... A fumaça dos incêndios que ocorriam na cidade tomava-no por completo. Em meio a todo aquele caos, uma inocente criança perdia tudo que fizera parte de sua doce infância. Em meio à grande praça no centro da vila, estava Lothar e sua mãe, prestes a serem feitos de comida por um dos minotauros que atacava a cidade.
Katherin estava desesperada esperando que seu corpo fosse esmagado pelas mãos da criatura, mas algo aconteceu. Em um instante ela se via no chão, ainda presa entre os dedos da criatura, porém a mão do monstro não estava junto com seu braço, ou seja, havia sido cortada. Surpresa, ela olhou para traz e viu Axel frente a frente com o minotauro.
O minotauro fazia um som alto que parecia um mugido de sofrimento. Enquanto isso Axel dizia:
– Agora estamos quites, eu estou com meu braço direito desabilitado e você está sem mão.
– Idiotas! Vocês não escaparão daqui. – o minotauro respondeu deixando Lothar surpreso, pois não sabia que minotauros falavam, mas não deu tanta importância, apenas chorava nos braços da mãe.
– Eu vou acabar com você e quem aparecer no nosso caminho. – respondeu Axel seguindo em direção ao meio touro que levantou o machado de sua mão direita e tentou acertá-lo movendo-o de cima para baixo. Axel, que havia desviado para a esquerda, tentou cortar a cabeça do animal, mas o monstro já estava com o chifre esquerdo próximo a ele que foi obrigado a desviar, antes que pudesse mover sua espada.
Após isso, a criatura avançou em sua direção tentando-o furar com seus chifres, mas Axel inclinou-se para a esquerda e um dos chifres o deixou com uma pequena cicatriz na bochecha. Então finalmente Axel pode apunhalar sua espada na nuca do animal que após isso finalmente caiu.
– Nossa, foi tão legal! Você acabou com ele! – Lothar comemorou.
– Ainda não podemos comemorar, temos que sair da cidade. – Axel comentou.
– Mas e o papai? – perguntou confuso.
– Papai já deve estar fora da cidade, não se preocupe. – disse Katherin sorrindo, apesar de estar sofrendo demais por dentro já que sabia que o mais provável é que isso fosse mentira.
Axel levantou Katherin e estava preparado para guiá-los para fora da cidade quando um imprevisto surgiu.
– Você... não vai mais... cof cof... matar nenhum de nós. – Disse o minotauro que ainda não havia morrido e usava suas ultimas forças para falar e se mover.
Após tais palavras ele deu um mugido muito alto, como se estivesse chamando os outros para ir àquele local.
– Maldição! Ele esta chamando os outros minotauros, com todos eles vindo em nossa direção, daremos de cara com vários com certeza. Desse jeito...
– Não fale uma besteira Axel! Proteja o meu anjo.
– Mas Kath... – nesse momento foi interrompido.
– Faça, por favor. Não quero que nós três sejamos mortos. Fuja daqui com ele. Eu vou correr para a direita gritando. É provável que já não haja mais ninguém vivo na cidade. Logo se eu chamar a atenção para aquele lado, os minotauros vão reagrupar naquela direção. Enquanto isso vocês fogem.
– Mamãe, o que você esta falando? Eu não quero me separar de você! – disse Lothar que começou a chorar bem mais forte.
– Como vou me sentir um homem de honra deixando uma senhorita para traz? – perguntou Axel a ela.
– Se conseguir salvar meu filho, eu ficarei eternamente grata. É isso que importa.
Ele ficou olhando-a enquanto caiam lágrimas de seus olhos e dos dela e após um tempo ela disse:
– Por favor vá, estamos ficando sem tempo.
Axel baixou a cabeça, pegou a mão de Lothar e começou a correr. Para seu azar já tinham minotauros chegando na praça. Ele se escondeu com o garoto dentro de uma casa no entorno da praça e observou o que acontecia do lado de fora pela janela, sem ser percebido. O garoto tentava gritar e chorar pois queria sua mãe, mas ele tampava a boca do rapaz para que não fossem percebidos.
Em pouco tempo viu três minotauros passando em direção ao centro da praça, onde Katharin já não estava mais. Da janela das casas no entorno da praça central, podia-se ver o obelisco que havia bem no meio desta. Uma formação de cerca de 6 minotauros conversavam ali sobre algo mas parecia que mais ainda chegariam. De repente ouve-se um grito.
– Idiotas, eu estou aqui! – Era ninguém mais que Katharin. Os minotauros foram em direção oposta da praça a onde estavam os dois, seguindo os gritos. Ainda passara cerca de 5 minotauros além daqueles seis que ali já estavam. Axel esperou ainda um tempo e então finalmente saiu da casa segurando Lothar.
Em pouco tempo estavam fora da cidade e Lothar ficou chorando alto por um bom tempo. Gritava com Axel que olhava para ele com uma feição péssima. Ele o perguntava:
– Por que!? Por que você não foi ajudar minha mãe!? Por que!? – após essa pergunta, Axel abaixou-se próximo ao garoto, baixando sua cabeça e dando um soco no chão quase que soltando algumas lágrimas de seus olhos.
– Me desculpe. Eu... Não pude salvá-la. Eu... Ainda sou fraco.
– Vamos voltar lá, ainda dá tempo!
– Não, se formos lá, iremos morrer. Temos que sair daqui rápido. – Disse Axel pensando em sua promessa de proteger Lothar e puxando seu braço para que saíssem dos arredores da cidade.
– Não, eu vou salvar a mamãe! Me solta! – Lothar falava enquanto era levado a força para longe da cidade.
Em pouco tempo a noite chegava no reino de Hangleton. A densa chuva que ocorrera ao longo do dia havia cessado. Os dois seguiram a estrada em direção à leste de Telgen, onde se encontrava a floresta de Farwood, que não ficava muito longe. Era uma vila ainda menor localizada dentro da floresta. As duas vilas tinham fortes relações comerciais, onde Telgen fornecia carne de gado das vastas regiões abertas do entorno da cidade, e Farwood fornecia lenha de sua floresta.
– Lothar, vamos parar por aqui. A noite é perigoso sair andando por aí. Vamos acender uma fogueira aqui perto.
Em breve, Axel havia montado uma fogueira para os dois passarem a noite próxima à estrada. Ele não tinha pretensão de dormir, pois a qualquer momento poderiam ser atacados por lobos da floresta ou algo ainda pior. Lothar também não queria dormir e passava a maior parte do tempo chorando. Durante a noite ele ficou encostado em uma árvore com suas pernas dobradas e seus braços envolvendo-as enquanto sua cabeça ficava baixa. Axel tentou puxar algum assunto com o garoto:
– Se tudo der certo, nós iremos chegar amanhã mesmo em Farwood. Acho que lá conseguimos um transporte para atravessar o Monte Archane.
– Cala a Boca. – falou Lothar com um tom perturbado.
– Hey, olha como você fala. – o guerreiro respondeu indignado, mas também sentido.
– Eu te odeio. – o garoto disse, deixando Axel se sentindo péssimo.
Depois de tal incidente, eles não conversaram mais ao longo da noite, até ocorrer um certo infortuno. Lothar que acabara pegando no sono contra sua vontade havia sido acordado por Axel.
– Lothar, acorda. Lothar. – Dizia em voz baixa enquanto balançava o rapaz.
– O que foi agora?
– Fale baixo. Tem um grupo de Orcs vindo para cá e muito provavelmente viram a fumaça de nossa fogueira.
– Como você sabe disso?
– Experiência e instinto. Eu também consigo sentir o cheiro de sangue vindo deles a distância. Eu apaguei o fogo, mas eles com certeza virão para onde estamos. Temos que adentrar a floresta rápido.
Então os dois saíram do local, entrando na densa floresta. Estava completamente escuro e eles não conseguiam ver praticamente nada. Os dois ficaram sentados próximos a uma árvore, esperando a noite passar.
Finalmente amanhecia na floresta de Farwood. Axel preparou uma pederneira para a noite seguinte e foi a procura de alimento, com Lothar, estavam perdidos dentro da floresta. O jovem guerreiro temia pela sobrevivência dos dois. Ele preparou também uma lança de madeira para o jovem Lothar se defender, caso algum perigo surgisse.
O dia logo passou e eles não haviam conseguido muitos alimentos. Por sorte, encontraram uma caverna, onde poderiam passar a noite. Axel tentava esquentar um peixe que havia pegado em um pequeno lago para os dois comerem. Tirando isso, eles passaram o dia comendo maçãs.
– Axel, quanto tempo você acha que iremos ficar perdidos?
– Não sei, mas garanto que sairemos dessa. – confie em mim.
– Sobre ontem... – nessa hora, Lothar foi interrompido por uivos de lobos.
– Droga, isso não é bom, tem lobos por perto.
– Você acha que eles vão vir para cá?
– O som vem de fora da caverna, é provável que... – nessa hora Axel avistou um lobo que pulou em direção ao Lothar, mas antes que pudesse, já havia sido cortado por ele.
O garoto havia ficado com muito medo e parecia que iria começar a chorar. Axel então saiu da caverna dizendo:
– Espere aqui!
Ao sair deu de cara com um grupo de 3 lobos. Dois deles avançaram no homem, que procurou desviar. Um vinha pela direita com a intenção de morder sua barriga e o outro avançava direto no rosto. O homem recuou para traz e empunhou sua espada na garganta do que avançou pela frente. Enquanto isso o terceiro correu em alta velocidade e cravou seus dentes no braço de Axel. Este deu um grito bem alto. O segundo lobo então virou-se para ele e finalmente morderia seu pescoço, mas quando Axel notou o lobo já estava morto. Então ele acertou sua espada no terceiro que ainda estava mordendo seu braço e o matou.
O guerreiro viu Lothar se aproximar dele com uma feição péssima, parecia que iria vomitar.
– Garoto, foi você?
– Sim... Eu matei o lobo... – dizia ele com um olhar fixo para sua lança ensangüentada.
– Muito obrigado por me salvar.
– Mas Axel, seu braço está péssimo.
– Ah, um curativo e em algumas semanas meu braço esquerdo já estará perfeito. Mais importante, você está bem? É a primeira vez que mata.
– Eu vou ficar... Mas você não. Já estava sem movimentos no braço, agora ele esta completamente destruído. E não há como fazer um curativo, sua ferida irá infeccionar.
– Na verdade, há uma maneira de impedir a infecção, mas é muito perigoso...
– Qual é a maneira!?
– Me prometa que não vai se meter nisso primeiro.
– Prometo.
– Preciso achar uma caverna de aranha atroch e conseguir o veneno dela.
– Fala daquela aranha gigante que tem um veneno que te deixa tonto? Acha que eu vou deixar você ir atrás de uma sozinho? E tem mais, aonde podemos achar uma?
– Lembra daquela caverna que eu não permiti que entrássemos? Lá havia uma dessas.
– Então ao amanhecer, iremos lá. – Lothar fez uma cara animada e tentou ajudar Axel a levantar.
Os dois entraram na caverna e esperaram amanhecer. Teriam uma aventura mais perigosa ainda no dia seguinte. Além de estarem perdidos na floresta, terão que lutar contra uma feroz aranha mortal.
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