Hand Grenade
3 Capítulo 3 - ask me, I won't say no, how could I ?
Eu, ainda meio estranha devido ao acontecimento anterior, fui para casa dirigindo rapidamente. Cheguei em casa, coloquei minha bolsa de cima da pequena mesa de madeira e me sentei no sofá, legando a televisão em um filme antigo qualquer.
Comecei a refletir sobre tudo o que havia acontecido hoje. Eu teria minha própria coluna na revista! Isso será muito bom, além do salário fixo que vai ser uma beleza também. Ponto ruim: Judith avisou que seu filho deveria me ajudar com o que eu precisasse e que — se eu pudesse, ela disse, mas não é simplismente algo que se possa recusar — eu deveria ajudá-lo a se acostumar com a revista E integrá-lo em minha roda social, afinal ele é calouro em minha universidade, mesmo sendo um ano mais velho que eu, e acabou de voltar de Glasgow, ou seja, não conhece ninguém em Londres e claro, é filho da minha chefe, por isso tenho que fazer tudo isso.
Eu não sentia a mínima simpatia por ele, não é por nada, mas não gosto de ser encarada e também não gosto de sorrisinhos sarcásticos e, durante todo o tempo em que eu conversava com sua mãe, ele me encarou e dava sorrisinhos de lado, tentando se achar o galã, o que reduziu toda a aparência entediada e legal de antes.
Tomei um banho demorado, coloquei uma velha camiseta do The Smiths, me joguei na cama e liguei o rádio. Logo as músicas do Beirut ecoavam pelo meu quarto, me deixando bem mais relaxada. Eu não conseguia dormir nem fazer coisa alguma no completo silêncio, sempre precisava de trilha sonora pra tudo, digamos assim, por isso eu possuía um belo número de CD\'s e até LP\'s em casa.
Acordei mais cedo do que no dia anterior, com vontade de preparar um café antes de ir para a universidade, então o fiz, preguiçosamente. Fui me arrumar para sair, nunca demorava mais do que 20 minutos escolhendo minhas roupas, o que era uma vantagem. Me olhei no espelho e percebendo que minha maquiágem e minhas roupas estavam impecáveis, saí do apartamento.
Chegando à faculdade, fui direto falar com Ashlee, que estava saindo de seu carro, para contar as novidades.
-Ash! Você não sabe o que aconteceu ontem, amiga! — falei, alegremente a ela.
-O que, garota? Viu um passarinho verde? — ela ria da minha alegria não habitual.
-Bom, sua amiga é a nova colunista da Paradise Kiss, ok? Chega de bicos, garota! — fiz cara de nogenta convencida e ela arregalou os olhos, surpresa.
- Sooooph, que lindo isso! Agora aposto que vai ficar toda metida, hahaha. — ela disse e nós rimos.
-Problema: o filho da chefe estuda aqui e acaba de chegar de Glasgow então vou ter que ajuadá-lo a se acostumar com Londres e ser amiguinha e babá dele. — virei os olhos e Ash riu de mim.
-Puts, claro que tinha que ter algo por trás de tudo isso. Mas então, ele é bonito?
-Hm, ele não é feio, é até interessante, mas é meio jacuzinho e parece ser muito irritante. — falei, rindo do pobre garoto.
-Ai, Soph, como você é má. Mas me mostre quando o achar, quero ver seu novo \"amiguinho\". — ela fez aspas com os dedos, ainda em tom de riso.
Nós fomos para a primeira aula, que passou se arrastando, porque o professor tem voz de narrador de rádio política. Nós saímos no intervalo, indo até a lanchonete da faculdade e nos sentando na mesa do canto, como sempre.
Eu e Ash conversávamos normalmente, quando eu percebi, John estava vindo em nossa direção, com aquele sorriso idiota estampado na cara e suas roupas nada combinando, claro.
- Ash, me esconde! Ele está vindo para cá, me esconde! — tentei cobrir meu rosto com po copo do café, mas não deu muito certo, afinal ele já estava do meu lado.
-Oi, Soph, certo? — ele perguntou, até que simpático. Ashlee o olhou com sorriso simpático forçado e depois olhou para mim, tossindo ironicamente, como sempre fazia.
-Sophie. — falei meio rude, talvez demais — Esta é Ashlee, — falei a ele, apontando para minha amiga, indiferentemente. — Ash, este é John, filho da chefe. — John sorriu para ela, a cumprimentando, e ela retribuiu, claro.
- Han, posso me sentar com vocês? — ele perguntou e eu assenti, tirando minha bolsa da cadeira ao lado para que ele sentasse. O clima ficou meio estranho depois disso, afinal eu não tinha nada para falar com ele e nem estava muito afim de fazê-lo. Na verdade eu estava começando a ficar confusa quanto a isso, porque eu o achava interessante, por algum motivo desconhecido por mim, e ele não tinha exatamente feito nada para mim, mas eu não conseguia ser legal com ele. Na verdade eu acho que ser legal com desconhecidos não faz parte da minha natureza, bloqueio de pessoas que viveram a vida inteira em uma cidade grande, talvez.
- John, nós temos que ir, termos aula agora. — falei, já me levantando, Ash fez o mesmo.
- Ok, nos vemos na revista, mais tarde. — ele disse enquanto colocava grandes fones no ouvido e eu sorri falsamente, dirigindo-me à sala de minha próxima aula.
Durante a aula, eu pensei que John devia ser bipolar, afinal eu ainda não conseguira definir sua personalidade. A primeira vez que o vi, ele estava parecendo extremamente entediado e até meio blasè, depois, no café, ele sorriu de um jeito sarcástico e meio metido, foi igual no prédio da revista e agora, do além, ele está tendando dar uma de simpático para cima de mim. Maluco.
Depois das aulas, fui conversando com Ash e Yuki, nosso outro amigo, até chegarmos ao estacionamento. Os dois entraram no carro de Ash pois iriam a uma exposição juntos e eu, como precisava ir para meu primeiro dia de trabalho fixo na revista, entrei em meu carro e já ia dar partida, quando senti uma batida em minha janela, meio abafada pelo frio que fazia.
- Soph, você vai pra revista? — John batia em minha janela, como uma criança. Tentei ignorar e coloquei um cd para tocar, ele insistiu, batendo novamente. — Pode me dar uma carona? Estou sem carro e tenho que chegar na revista logo. — virei os olhos. Agora eu tenho que dar carona também? Abri as janelas do Russ, — meu carro, como disse antes — olhando para ele.
-Ok, pode entrar, mas eu vou passar em um lugar antes. — falei, secamente, destravando as portas. Ele entrou no banco do carona, colocando o cinto.
-Obrigado. — disse, olhando para fora da janela.
-Disponha, mas não pense que vai ganhar carona todos os dias. — falei, arrancando o carro e me dirigindo ao café habitual.
-Não precisarei de caronas todos os dias, obrigado. Mas você tem que me ajudar, afinal foi pedido da minha mãe. — ele disse, mostrando um outro lado de sua estranha personalidade: a criança mimada. Olhei para cima, tentando renovar minha paciência e apenas ignorei, partindo com o carro.
Antes de irmos para a revista, eu passei para comprar café, claro. John estava um tanto calado, o que era ótimo, na verdade. Cafés comprados, entramos no carro novamente e como nada é perfeito..
- Belle & Sebastian? — ele perguntou, quando eu liguei o rádio e mudei o cd. Ah tá, agora vai implicar com as músicas que eu toco no meu carro?
- Sim, por que? — respondi, prevendo alguma crítica.
- Por nada, é que eu também gosto. Another Sunny Day é uma música ótima. — ele olhou para mim e sorriu, agradável e sinceramente desta vez, o que me gerou uma estranha vontade de sorrir também, vontade que reprimi, óbvio.
-Hm, você faz mais o estilo de músicas eletrônicas feitas por nerds de computador, se é que se pode chamar aquilo de música.
-Você é alguém bem esnobe, sabia? — ele disse, me olhando interrogativamente. O QUE? Ele está pensando que é quem, o filho da minha chefe? Ok, sim. E sim, talvez eu seja meio esnobe, mas olha o tipo dele!
- O que? Garoto, não sei se você sabe, mas quando você está no carro de alguém, você não tenta agredir verbalmente a pessoa que está dirigindo. — falei, olhando incrédula para ele, voltando meu olhar para a estrada logo depois.
-Me desculpe, mas é verdade. Eu vi você me encarando ontem, eu não conheço ninguém aqui e estava tentando ser simpático com você e sua amiga, mas estou percebendo que simpatia não faz muito o seu estilo. não é mesmo? — ele falava tudo como se fosse algo do tipo \'e a família, vai bem?\', era definitivamente maluco.
- Olha aqui, Nolan, — comecei com um tom de voz nada agradável, na verdade tinha um tom de riso perplexo, mas não era agradável mesmo assim. Ajeitei meus óculos e continuei. — eu realmente não sei se você é maluco ou coisa assim, mas eu não deveria nem responder a isso, eu sei que as vezes não sou muito simpática, mas não é você que vai me fazer começar a ser. Sou legal apenas com quem eu quero e, com esse seu jeito, você não precisa esperar simpatia minha. — falei, parando o carro no estacionamento do prédio e saindo dele rapidamente. Ele ficou no carro, parado, como um boboca. — Não vai sair? — perguntei, ríspida, fechando a porta. John saiu do carro e eu o tranquei, andando apressadamente até a entrada, sem esperar por ele.
Pegamos o elevador juntos, algo sempre infeliz. O engraçado é em filmes de ação onde os inimigos ficam juntos em um elevador, com aquela musiquinha de fundo constrangedora.
Quando chegamos ao andar certo, eu fui direto falar com Judith, afinal era meu primeiro dia e eu precisava saber onde eu iria ficar.
John e eu entramos na sala de sua mãe e ela nos cumprimentou, sorrindo.
- Pronta para o primeiro dia, Sophie? — ela perguntou, simpática e normal. Nada parecida com o filho.
- Claro, sempre pronta. Onde eu vou ficar? — mudei totalmente minha expressão carrancuda e perguntei, simpaticamente, olhando em volta.
- John já te mostrará sua mesa. E, falando nisso, vocês dois se deram bem hoje? — Judith, Judith, você nem sabe o quão agradável é seu filho.
- Claro, mãe. Sophie é uma garota muito simpática e acolhedora. — falou ele, com um sorriso extremamente falso estampado em seu rosto. Ele olhou para mim, perguntando. — Nos demos super bem, não é mesmo?
-Claro! — usei o mesmo tom irônico que ele havia usado, mas que parecia enganar a pobre Judith. — Nós viemos conversando coisas muito interessantes no caminho para cá, até almoçamos juntos! — eu estava surpresa e feliz comigo mesma, afinal eu era uma ótima atriz.
- Que bom que se deram bem, afinal vão trabalhar bastante juntos, não é mesmo? — ela disse, animada. — Agora, filho, mostre à Sophie a mesa onde ela poderá trabalhar, ok? — Ele assentiu e saiu da sala, eu o segui, com o sorrio falso ainda estampado no rosto.
Ele parou diante de uma mesa com algumas gavetas e um computador, olhando para mim.
-Bom, é aqui, espero que trabalhe bem, tão bem quanto consegue fingir simpatia. — ele disse, sarcástico e eu sorri ironicamente.
- Claro, amigo, trabalharei muito bem, obrigada. — Ele olhou, perplexo com minha falsidade e saiu, virando os olhos. Eu desfiz meu sorriso forçado, que estava quase doendo em minhas bochechas, e me sentei na cadeira, ligando o computador e suspirando, irritada.
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