Hamártia
3 Aomine, a Besta Selvagem
Notas iniciais
Ele era o mais forte. Era imbatível, invencível. Ninguém além dele mesmo poderia derrota-lo. Para Aomine, as coisas eram simples. O desafio não existia. Então, por que continuar a jogar basquete se ninguém nunca poderia vencê-lo?
(Porque queria ser vencido)
Tudo era um tédio, a vida era um tédio. Por que ninguém podia ser forte?
Ele via tudo de maneira simplista, jogava basquete talvez há mais tempo do que podia se recordar. Tinha um instinto primitivo que despertava sempre que o jogo se tornava divertido. Basquete era divertido.
Ao lado da Teiko, ao lado de Tetsuya.
Quando foi que deixou de ser?
Aomine não recordava, mas um dia não quis pegar na mão de Kuroko. Um dia as coisas simplesmente não encaixavam, não faziam mais sentido. Porque todas as vitórias vinham facilmente, ele poderia fazer isso de olhos fechados.
Ninguém poderia derrota-lo além dele mesmo.
“Eu não preciso mais de você, Tetsuya.”
Ele nunca havia precisado. Sozinho era o suficiente, que todos ficassem parados durante os jogos. Ele era Aomine, a Besta Selvagem. Aomine, o imbatível.
Mas um dia se deparou com uma muralha.
Atrás dela, havia um tigre que despertou os mesmos sentidos que ele. Foi preciso garra e esforço, e de uma sombra para apoiá-lo, mas eles venceram.
Naquele dia, Aomine pôde voltar a tocar na mão de Tetsuya.
A derrota era tudo o que queria, mas nada parecia ser o suficiente para ele.
– Encontrou o que procurava? – Satsuki perguntou, sentada ao seu lado depois do jogo, quando todos já haviam ido embora.
Ninguém havia falado nada, mas ela estava ali.
– Heh, eu não preciso de ninguém, Satsuki. – ele respondeu de maneira séria, sentindo-a enxugar os seus cabelos com a toalha.
– Se eu não estiver por perto você é um perdido, Dai-chan. – ela deu um riso, olhando-o nos olhos naquele momento.
Havia um quê de cumplicidade naquele olhar, naquele sorriso que trocaram infimamente.
– Satsuki?
Ela não desviou o olhar do dele quando Aomine lhe segurou o queixo.
– Você é minha sombra e eu nunca mais vou perder.
Ela sorriu sabendo que ele dizia a verdade.
– Você vai me levar pras compras hoje, Daiki.
– Eu odeio compras.
– Eu sei.
A harmátia de Aomine era se deixar levar pelos instintos. Acreditar que era o topo, que ninguém nunca o venceria. Mas no fim das contas, ele já havia sido vencido. Dentro daquele pequeno espaço onde somente ele e Momoi existiam. Ela era a corrente que segurava a sua fúria.
E no dia que se partisse, ele não seria mais um homem. Seria apenas uma besta selvagem, destroçando tudo em seu caminho até que não restasse mais nada.
Felizmente para o mundo ela jamais o abandonaria. Estavam todos seguros por enquanto.
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