Half-life: o Enigma de Nihilant
2 Capítulo 2 - No laboratório de Materiais Anômalos
GORDON OLHOU EM VOLTA. Tudo estava no lugar de sempre. Provavelmente ele apenas tivera uma vertigem por causa da noite mal dormida. Continuou a andar pelo corredor de paredes brancas até chegar à porta de uma sala, onde um oficial o aguardava.
-Olá, Dr. Freeman, bom dia! — exclamou ele com cordialidade.Gordon retribuiu o cumprimento, aguardando que o oficial abrisse a porta de aço.Do outro lado da porta, uma parede inteira revestida de botões e telas de computador brilhavam em várias cores.Um homem trajando um jaleco branco e espessos óculos com aro de tartaruga olhava incansavelmente para uma área que exalava uma fumaça preta.-Algum problema, Dr. Morris? — perguntou Gordon tentando descobrir o que acontecera.-Eu não sei. — respondeu ele com a voz tremida. -Eu dei as costas para cortar o fluxo de xenônio daqueles tanques e de repente esta parte do controle geral começou a faiscar e parou de funcionar.-Hum... — Gordon lembrara de uma coisa. -Dr. Morris, vou fazer uma incisão de pedras de Besânimo no gerador de estática. Isso não vai interferir?-Acredito que não, Dr. Freeman. Pelas análises preliminares que eu fiz, nenhum setor foi avariado. Mas fique tranqüilo. Se a estação falhar, o Laboratório de Materiais Anômalos (LMA) tem controle próprio.-Tudo bem então. Assim fico mais tranquilo. Boa sorte ai, Dr. Morris.-Bom trabalho pra você também, Gordon. — respondeu o Dr. Morris voltando a encarar o painel defeituoso.Gordon atravessou a sala e entrou no segundo elevador. Este fazia uma descida vertical e bem mais suave. Mais alguns metros adiante e a porta do LMA podia em fim ser vista. Do outro lado da porta, Gordon avistou Isaac e Eli.-Você lembra dos protocolos, não é Gordon? — indagou Isaac.-Dr. Kleiner, Freeman já não é mais o nosso jovem estagiário. — resmungou Eli.-Acalmem-se vocês dois. — retrucou Gordon. -Isaac, pode repassar pra mim, por favor?-Com toda certeza! — respondeu Dr. Kleiner com animação.“Hoje daremos um grande passo nas pesquisas com a energia quântica. Conseguimos finalmente estabilizar as células de energia produzidas pela infusão do cristal de Besânimo, uma pedra energética composta de quase todos os minerais do ambiente ligados e combinadas de maneira idiopática, na Máquina de Raios Gama Geradora de Estática (MRGGE).”“Sua tarefa, Gordon é manipular o cristal de Besânimo até a caldeira receptora da MRGGE, controlar o fluxo de energia e armazenar as células produzidas no interior do receptáculo de chumbo, acoplado ao MRGGE.”“A sala estará totalmente isolada do resto do complexo. Ninguém poderá entrar ou sair durante o processo. Certifique-se de que cada componente está funcionando perfeitamente, caso contrário, nos comunique pelo rádio.”Gordon acenou positivamente com a cabeça e se dirigiu para a entrada do laboratório. Lentamente as portas foram se abrindo e seu interior, começando a ficar exposto.Era uma sala enorme, totalmente revestida de um tipo de metal estranho, que produzia uma constante luz laranja, tornando o ambiente altamente enjoativo. Bem no centro, estava a MRGGE. Um caldeirão enorme acoplado ao chão, com uma estrutura gigante suspensa no ar, com uma turbina e unidades geradoras de raios UV ao redor de uma cúpula no meio. Do outro lado da sala, uma escadaria vertical terminava em um patamar estreito, onde havia um pequeno painel eletrônico.Um pequeno estalo cortou o silêncio do ambiente, na mesma hora que a porta se fechava atrás dele. Outro barulho choco irrompeu no ar.-Alô... testanto... — disse Isaac com uma voz esganiçada. -Gordon, você está me ouvindo?Gordon elevou o braço e acenou positivamente para a janela de vidro, onde Isaac e Eli estavam.-Certo Gordon, por causa de um problema na estação central, o Dr. Morris me advertiu para iniciar o processo usando o gerador interno. Você pode ativá-lo, através do painel, no patamar acima de você. — disse Dr. Kleiner pelo rádio.Gordon subiu pela escada, um frio passando pelo seu estômago à cada degrau subido. Ele já estava numa altura de trinta metros quando o patamar finalmente chegara.Ele caminhou pela passarela de lado, para não esbarrar em nenhum controle. O painel era cheio de botões coloridos e que piscavam rapidamente. Gordon pressionou o botão vermelho apagado e de repente, um barulho ensurdecedor começou.As unidades de raios da MRGGE começaram a disparar feixes luminosos no centro do caldeirão, onde se formou uma nuvem brilhante. Gordon desceu a escada agradecendo que o barulho da máquina não era tão forte no solo.-Certo Gordon, vou liberar a sonda com o cristal, aguarde uns minutos sim! — disse a voz de Eli pelo rádio.Os minutos pareciam não passar. Aquele barulho era estranho e ameaçador. E a impressão era de que o barulho aumentava cada vez mais.Então Gordon sentiu suas pernas tremerem novamente, sua cabeça latejar e o mundo à sua volta girar, fazendo-o perder o equilíbrio. Então uma imagem horrorosa, de alguma coisa marrom pálido apareceu na sua mente, encarando e gerando mais dor.
-A sonda está pronta, Gordon! — disse Eli pelo rádio.Gordon despertou e se viu em pé, tal como estava antes de se sentir mal. Começou a ponderar se estava apto para realizar sua tarefa. Mas afinal, não era nada de mais, ele tinha apenas que liberar o cristal e seu trabalho estava terminado.Ele se recompôs, segurou a sonda com os braços e lentamente caminhou até a abertura da caldeira. Ele não poderia chegar muito perto ou os raios iriam fritá-lo vivo. Quando a sonda tocou na superfície da caldeira, algo estranho e inesperado aconteceu. A massa de raios sugou o cristal violentamente para dentro da caldeira. Com isso, uma força repulsiva jogou Gordon longe, fazendo-o bater contra a parede.O chão começou a tremer e a massa de raios tomou uma coloração verde.-Gordon, o que está acontecendo! — gritou Isaac assustado. -O que foi que...Bum!Um lampejo verde disparou na direção da janela, fazendo toda a sala explodir.-ISAAC! ELI! VOCÊS ESTÃO BEM? — berrou Gordon pelo comunicador do traje.O tremor aumentava exponencialmente, e Gordon já não conseguia mais manter o equilíbrio. Então a massa de raios verde foi se condensando, e disparando raios para todos os lados. A estrutura do laboratório começava a ceder, as paredes a ruir, e muitas explosões acontecendo ao mesmo tempo. A massa verde se transformou numa esfera maciça de energia e explodiu.Zap!Gordon sentiu uma fisgada no umbigo que o projetou pra frente em meio à uma escuridão total. Ele não conseguia ver nada. Apenas seus ouvidos sentiam uma respiração rouca e descompassada. Ele tentou se apoiar em alguma coisa, porque o chão parara de tremer. Procurou a lanterna no brado esquerdo, tentando ascendê-la, mas o traje estava sem força. Provavelmente devia ter sido descarregado com a explosão energética. Gordon tentou se mecher, mas logo outra fisgada o jogou para a frente.Zap!Gordon sentiu algo molhado, mas quente. O ambiente escuro exalava um cheiro doce e úmido. Ele se firmou nos pés. Ensaiou um passo, depois outro e outro. De repente, o lugar onde ele estava cedeu, e seu corpo agora caia numa espécie de queda livre. Gordon não sabia o que fazer, seu coração batia acelerado, um vento adocicado acompanhando sua queda. Ele fechou os olhos, mesmo sem poder enxergar nada, aguardando o impacto. Então outra sensação estonteante, surgiu no último segundo.Zap!
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