Half Body — Interativa

4 Aquelas que podem conquistar Afonso.


Notas iniciais
Olá, minhas amoras! Eu sei, eu sei, eu sei, eu demorei pra caramba, buttttt, eu tenho uma explicação plausível. Em novembro eu fiquei super preocupada com um trabalho que eu tinha que entregar para a escola, então, eu mal entrei no computador, e ai depois que eu entreguei o trabalho, fiquei preocupada com a Unesp e a Unicamp, e com a minha formatura de 3º (que eu achei que choraria rios, mas nenhuma lágrima saiu, ok). Ai, depois da formatura eu tive que estudar pra 2ª fase da Unesp (que eu acho que me fodi um pouco no primeiro dia); e cá estou eu! E, ah, gente estou tão decepcionada comigo, porque eu tinha quase certeza de que tinha conseguido passar pra 2ª fase da Unicamp, e eu não passei. Ou, eu tô muito bad com isso, mesmo não demonstrando, mas ok. Quem sabe eu ainda tenho chances com a Unesp e com o Sisu, hu? Mas enfim, vocês agora sabem o motivo da minha demora pra postar, espero que não fiquem muito bravas comigo. Mas bem, neste capítulo serão apresentadas quatro Selecionadas, em suas devidas casas, e enfim, enfim, enfim, espero que goste! E, irei reforçar aqui: leitoras que criaram as Selecionadas a seguir, caso vocês não gostem do modo que eu irei retratar suas Selecionadas, por favor, falem, ok? Não tenham medo de parecer grossa ou qualquer outra coisa, certo? FALEM, ok? Okay. Um dos recados dados, vão pro capítulo! Ah, o capítulo ficou grandinho, so.... sorry!

Four.

Work Song

4. Aquelas que podem conquistar Afonso.

Clarice ‘Lily’ Victoria Otsberg, 19 anos.

“Não tenho tudo que amo, mas amo e valorizo tudo o que tenho”

Haviam duas coisas que Clarice mais gostava em trabalhar na biblioteca: organizar os mais diversos livros na prateleira, e poder observar as mais diversas pessoas com seus gostos e hábitos diferentes. Mas, naquela noite, ela foi dispensada mais cedo. Na verdade, todos foram dispensados mais cedo.

Afinal de contas, a família real iria dar um grande anúncio no Jornal Oficial, e todos, sem qualquer exceção, deveriam estar presentes assistindo àquele anúncio. Não que Clarice estivesse reclamando, entretanto, não via tanta necessidade assim. Conseguia avistar lojas fechadas, e pessoas caminhando apressadamente pela rua em direção as suas casas. Até parecia um feriado! E ela, definitivamente, não via tanta necessidade para isso.

Era só um anúncio.

Como qualquer outro que a família real daria na televisão.

Não que não estivesse curiosa, tudo bem, até estava curiosa, já que era muito bem o anúncio das escolhidas para participar da Seleção Real. Clarice não havia se inscrito, mas sua melhor amiga, Kelly havia, e Clarice realmente queria ver se a menina seria sorteada. Kelly era bonita, e extremamente simpática, ela definitivamente seria sorteada.

— Você demorou — Karen comentou assim que a menina abriu a porta da lanchonete da família, esta, recém fechada também.

— Eu vim andando — comentou dando um breve sorriso e recebendo um beijo, de sua mãe, na testa. — Os garotos estão lá em cima? — indagou referindo-se ao pai e irmão.

Karen deu uma leve assentida.

— Eu já estou subindo — falou a filha mais velha, que sorriu e resolveu esperar a mãe. — Acho que quero saber quem são as escolhidas — comentou dando um meio sorriso.

— Agradeço por não ter me inscrito — Clarice comentou, e sua mãe lhe deu uma breve olhada com um sorriso de canto, enquanto passava um pano com álcool na mesa vermelha.

— Por quê? — a mulher com um sorriso, guardou o pano e foi em direção a cozinha, Clarice a seguiu. — Não seria esplendido se você morasse no castelo?

— Aham, claro mãe — a menina foi irônica, deixando a mãe dar uma risada bem longa enquanto lavava as mãos. — Agora vamos, quero saber se a Kelly foi escolhida!

— Calma ai apressadinha! — Karen resmungou sendo puxada pela menina, que sorria divertida.

Clarice definitivamente tinha a melhor mãe do mundo! Karen era tudo e um pouco mais. A menina sempre se sentia a garota mais sortuda da face da Terra por tê-la como mãe, na verdade por ter a família que tinha. Não eram ricos, mas sinceramente? Dinheiro não era um grande problema para a menina. Sim, a menina precisava de dinheiro para a bolsa da universidade, mas nada que um bom trabalho na biblioteca ajudasse.

— Enfim, chegaram! — Kenneth, o pai da menina, falou ao perceber as duas entrando na sala. — Eles já entraram — comentou fitando a televisão. Clarice se sentou ao lado do pai, bagunçando os fios de seu irmão mais novo, John, que resmungou e bateu no braço da menina, que apenas riu.

— É o anúncio das selecionadas? — Karen perguntou sentando-se em uma poltrona e colocando seus olhos sobre a televisão. Kenneth apenas assentiu, e Clarice então fitou a televisão.

— É uma grande noite — o Rei, Thomaz, com um terno preto, e a coroa na cabeça, sorriu, aquele sorriso que provavelmente estaria derretendo milhares de garotas por toda a Inglaterra (e pensar naquilo fazia Clarice rir). — Não só para nós, mas para toda a Inglaterra.

Sim, estamos iniciando outra Seleção, e eu sinto-me honrado em estar presenciando esse momento — o apresentador de cabelos grisalhos falou com um sorriso orgulhoso. — Lembro-se de quando Vossa Majestade estava no lugar do Príncipe Arthur — e ao dizer isso, a câmera focou num Thomaz sorrindo nostálgico, e logo em seguida no Príncipe Arthur, que olhava para o chão com um olhar pesado. Ele provavelmente bebeu muito, Clarice concluiu consigo mesma.

Ao perceberem que Arthur não mudaria de posição, a câmera focou novamente no Rei Thomaz, que sorriu novamente.

Vamos dar início!

E então começou. Arthur, depois de um grande cutucão da Rainha Joanna, foi em direção a urna. Segundo as palavras do apresentador — que, a propósito Clarice não sabia o nome — haviam cinco urnas com as finalistas de várias provas que foram feitas apenas olhando a ficha das garotas.

— Ah, como o nosso sistema é fraudado — Kenneth comentou num suspiro, e Karen concordou com a cabeça.

O Príncipe esperou alguns segundos antes de colocar a mão na urna e retirar um papel. Abriu com cuidado, e então mostrou para a câmera. Clarice percebeu que ele tremia, e teve dó do garoto. Estava nervoso. Quem não estaria? Ele estava sorteando várias meninas e uma delas seria sua esposa! Clarice não conhecia o nome, nem a pessoa na foto que colocaram ao lado, provavelmente sem o Príncipe ver.

O segundo papelzinho foi exatamente como o primeiro, e os dedos de Clarice estavam cruzados para sua amiga ser sorteada.

O terceiro papelzinho que assombrou a todos naquela sala. Assim que a câmera pegou foco do papel, os quatro leram o nome de Clarice. Clarice Victoria Otsberg. E, como se não fosse suficiente, a foto da menina apareceu ao lado. Ela estava sorrindo. Era um dia no parque. Seu aniversário. Ela se lembrava daquele dia!

— Lily — seu pequeno irmão a chamou pelo apelido. — Você se inscreveu? — a ruga na testa de John faria Clarice rir, mas naquele momento ela estava abismada demais para sequer abrir a boca.

— Clarice — Karen chamou-a, desta vez mais forte. O nome e a foto haviam sumido. Arthur estava escolhendo a quarta Selecionada. Mas mesmo assim, Clarice não conseguia desviar os olhos da tela. — Você se inscreveu escondida?

— Não! Eu não... Não! Eu nunca... — as palavras não saiam. Ela nem sequer havia cogitado a ideia. Assim que recebeu a carta, rapidamente a tacou no lixo. Não queria, e não poderia em hipótese alguma abandonar sua família para se dar ao luxo de viver num castelo. — Eu não...

— Clarice, achei que você não se inscreveria nisso — foi a vez de Kenneth se pronunciar ao lado da menina.

— Mas eu não... Eu não... Eu nunca sequer cogitei a ideia! — seu tom de voz aumentou conforme ela levantou-se do sofá. A respiração acelerada, as mãos suando. Não, não, não, isso definitivamente é um pesadelo.

— Então como você foi Selecionada? — John indagou como se fosse óbvio que ela estivesse mentindo.

E então tudo fez sentindo na cabeça da jovem garota. Kelly nunca havia se inscrito. Ela havia inscrito Clarice, e pego a foto onde ela sorria, mostrando que sim, estava feliz em entrar naquela competição fraudada. Uma raiva enorme atingiu-lhe o peito. A respiração ficou mais forte, e agora pouco se interessava em conhecer as outras Selecionadas.

— Kelly — sussurrou, e pegando sua mochila saiu dali o mais rápido possível.

Precisava — urgentemente — ter uma pequena conversa com sua melhor amiga.

[...]

Kamille ‘Kams’ Dandara Alencar, 17 anos.

"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade."

A garota de olhos claros sorriu.

Não um sorriso bobo, ou um sorriso divertido. Um sorriso forçado. Aqueles sorrisos que você simplesmente tem que dar para que qualquer pessoa ao seu redor esqueça que você está triste, com raiva ou qualquer outro sentimento que não pede por um sorriso. E naquele momento, Kamille realmente não estava querendo sorrir.

Liara cruzou os braços esperando uma resposta da filha. A menina engoliu em seco, fitando qualquer outro ponto menos o homem a sua frente. Oh, como tinha vontade de esmagá-lo com suas mãos! Queria apenas que ele fosse embora dali, mas não, ela tinha que ser delicada, simpática, um anjo, uma princesa!

— Claro... Porque não? — respondeu sorrindo, e então encarando a mãe, que sorriu satisfeita. Kamille queria esmagá-la também, mas contando que ela que pagava as suas contas, deixou pra lá.

— Ótimo, então amanhã eu venho aqui para conferir os seus primeiros traços, certo? — o moreno de fios brancos falou sorrindo e estendendo a mão para a menina, que sorriu de volta e o cumprimentou devidamente. Tinha que ser simpática, delicada.

Mas assim que ele deu-lhe as costas conversando sobre pinturas com sua mãe, Kamille lhe deu o dedo do meio.

— Não faça isso, Kams, um dia alguém pode virar e ver — Jason, seu irmão mais velho falou. Um sorriso maroto brincava nos lábios do rapaz, que por mais que Kamille amava, estava sem paciência, então apenas virou-se para o menino e caminhou até a sala, onde a televisão estava ligada, mostrando um apresentador grisalho falando sobre o anúncio da Seleção.

Ela estava ansiosa para o anúncio das Selecionadas.

Desde quando se inscrevera, Kamille não conseguia tirar da cabeça que poderia ser Selecionada. Tudo bem que ela sabia que as Selecionadas passavam por um processo um pouco corrupto demais para ser escolhida na sorte pelo Príncipe, mas ela estava confiante de que talvez conseguisse passar esses processos. Tudo bem, que no sorteio ela poderia não ser escolhida, mas no momento ela não estava pensando nisso.

De certa forma, estava otimista demais.

— Eu só quero ser Selecionada e ir pra longe daqui — sussurrou ao constatar que o irmão estava atrás da garota.

A morena ouviu seu irmão dar um suspiro e então o observou sentar-se ao seu lado. Kamille sabia que Jason poderia ser muito realista quando quer, por isso tratou de focar os olhos na televisão ligada a sua frente. O — provável — apresentador de fios grisalhos anunciou a família real, e Kamille viu Thomaz entrar acenando, Joanna andando cuidadosamente com um sorriso, e Arthur parecendo meio... Perdido.

— Liam falou que viria nos visitar amanhã — Jason falou após a família real entrar.

Kamille arqueou uma sobrancelha.

— Qual é a ocasião da vez? — sua voz era sarcástica. Liam era o mais velho dos três irmãos, e já não morava na mesma casa que eles moravam. Afinal, ele tinha sua própria família, e raramente os visitavam. Era mais fácil eles irem visitá-lo, do que ao contrário. Da última vez que Liam foi visitá-los foi por conta do aniversário da mãe, que houve festa.

— Nada, ele só quer nos visitar — Jason deu de ombros ao lado da irmã, que o fitou com os olhos duvidosos. — É sério, Kams! Ele falou que estava com saudades — o irmão da menina argumentou, mas mesmo assim a menina não acreditou, desviando seus olhos para a televisão, onde Thomaz falava algo sobre a sua Seleção. — Porque você sempre tem que dar-lhe o benefício da dúvida?

Kamille suspirou, desligando-se da televisão novamente.

— Jason, porque você sempre tem que confiar nele? — respondeu com uma pergunta.

O rapaz passou a mão pelo rosto, e Kamille engoliu em seco. Odiava quando discutia com Jason. Qual é, ele era seu irmão, seu melhor amigo, não poderia ficar brigando o tempo todo.

— Só o trate bem, Kams, por favor — pediu fitando a morena, que apenas assentiu pegando na mão do irmão, que sorriu.

— Juro que vou tentar — prometeu com um lindo sorriso no rosto que logo foi desmanchado ao ver sua mãe adentrar a sala.

— Kamille não se esqueça da pintura amanhã — falou a menina, que a ignorou. Ah, se ao menos a sorte estivesse ao seu favor e ela fosse Selecionada. — E não me ignore — ordenou, mas Kamille continuou com os olhos fixos na tela, agora via o Príncipe Arthur tirar um papel de uma das urnas. — Kamille!

— Shiu, Liara! — Kamille ordenou fitando a mulher que a encarava indignada. — Eu estou tentando prestar atenção, ok?

— Olhe, menina, não se atreva a erguer a voz comigo — Liara ordenou, mas a menina voltou a fitar a tela, onde viu Arthur retirar mais um papel. — E não me ignore, Kamille, você sabe muito bem o que eu posso fazer.

Mas naquele momento a menina nem estava prestando atenção na mulher, e sim no seu nome no papel branco. E logo em seguida a sua foto para confiar que era mesmo a menina. Kamille sorriu.

— Você foi escolhida! — Jason gritou abraçando a irmã, que sorriu ainda mais, não conseguindo concentrar-se em uma coisa, já que vários pensamentos estavam em sua mente naquele momento. Havia sido escolhida! Melhor que ter sido escolhida, Kamille poderia finalmente sair daquela casa para talvez nunca mais voltar.

[...]

Lysanna ‘Lysa’ Arken Silverling, 19 anos.

“A recordação da felicidade já não é felicidade; a recordação da dor ainda é dor.”

Lysanna soltou um suspiro longo e prolongado, alto o suficiente para que qualquer um ao seu redor pudesse escutar. E acreditem, foi totalmente de propósito. Aquilo estava a incomodando, ou melhor, deixando-a no maior tédio que sua vida poderia oferecer. A garota observou sua mãe cruzar os braços com o olhar de desgosto, mas aquilo não a intimidou, muito menos a deixou chateada.

Lysanna conhecia muito bem sua mãe, e também já estava acostumada com aquilo. Mas, naquele momento ela realmente não queria nada daquilo. Só queria poder subir para o seu quarto, e escrever alguma coisa. Precisava mandar uma nova poesia pro jornal londrino logo, e ainda não havia escolhido qual poesia mandaria.

Mas, é claro, sua mãe tinha que estar ali para interromper seus planos.

— Lysanna — Elisa forçou a voz, e Lysanna a fitou com tédio nos olhos. A mulher baixou a cabeça, fazendo leves movimentos de um lado para o outro. — Quantas vezes eu vou ter que te pedir, menina? Não se sente torta no sofá, além de estragar sua coluna, você provavelmente irá passar uma má impressão em qualquer um que chegar aqui!

— Entendi, entendi — respondeu pedindo a Deus para que aquela discussão bobona acabasse. Lysanna sabia muito bem que se rebatesse a mulher, ou até mesmo se falasse algo fora do que ela exigia, Elisa continuaria ali, dando-lhe mais e mais broncas, e isso era algo que Lysanna definitivamente não queria.

— Eu espero que sim — a mulher deu um olhar sério sobre a menina, que apenas desligou a televisão, e levantou-se dali, indo em direção ao seu quarto. Fato é, nem queria ficar ali mesmo. Só queria saber se seria uma das Selecionadas da Seleção do Príncipe Arthur, mas poderia ficar sabendo disso no outro dia.

A menina subiu as escadas sentindo os olhos de sua mãe nas suas costas, e isso a deixou mais irritada. Por isso, apressou os passos e logo estava no corredor indo em direção ao seu quarto. Passou pela porta de Violet, e observou a menina sentada em sua cama e lendo algo. Lysanna estranhou Violet ter deixado a porta aberta, já que a mesma sempre ficava fechada e algumas vezes, trancada.

Lysanna pensou muito antes de dar duas batidinhas na patente da porta do quarto. Violet, que parecia estar muito concentrada no livro, deu um pulo na cama ao escutar o barulho.

— A intenção não foi te assustar — Lysanna rapidamente acrescentou quando percebeu o olhar de Violet sobre si. A menina assentiu, ainda com o livro aberto em seu colo. — Eu só queria saber se está tudo bem — acrescentou ainda fitando a meia-irmã. A menina apenas assentiu, sem qualquer demonstração.

Lysanna, percebendo que Violet não queria bater um papo, apenas saiu dali, sem fechar a porta, já que a encontrou aberta. Caminhou até seu quarto no mais puro silêncio, e se perguntou onde Noah estaria naquele momento. Lysanna gostava da companhia do irmão mais novo, e adorava acobertar as traquinagens dele. De certa forma, fazia-a sentir-se mais viva.

Assim que entrou em seu quarto, viu um monte de papel sobre sua cama, e lembrou-se que ainda tinha que escolher a poesia que mandaria para o jornal. Escrever era um passatempo seu. Mandá-lo para o jornal, nem tanto. Lysanna não gostava de ser cobrada, e de certa forma, gostava de escrever poesias mais íntimas, mas raramente as escrevia, considerando que alguém a leria depois.

Sentou-se na cama fitando todos aqueles papéis bagunçados, e então começou rapidamente a selecionar algumas poesias para colocar em uma pasta e poder mandar para o jornal, uma de cada vez, sem se preocupar em revirar todas as suas poesias.

— Lysa... — escutou a voz de Noah, e isso a fez dar um fino sorriso e erguer a cabeça, encontrando o irmão mais novo com somente a cabeça para dentro do quarto da menina.

— Fala — exigiu segurando algumas poesias, e guardando outras.

— Nada, eu só queria saber se você não vai descer para ver o anúncio — o rapaz respondeu, e Lysanna soltou um suspiro encostando a cabeça na cabeceira de sua cama, e fechando os olhos. — Se você for Selecionada, eu não quero ter que subir todos os degraus da escada para vir comemorar com você — concluiu dando um sorriso sapeca, que Lysanna nem reparou.

A menina suspirou e então fitou o menino a sua frente.

— Ah, Noah, eu não estou muito a fim de descer não — comentou voltando as suas poesias. — Eu preciso selecionar algumas poesias e além do mais, preciso escrever mais algumas para o futuro — sua voz saiu firme, ordenando que o irmão não insistisse, mas era Noah, e Lysanna tinha que aprender que o rapaz era teimoso.

— Qual é, Lysa! Olha, eu posso pedir para a Suzanne preparar algo bem gostoso para comermos enquanto assistimos! — falou rapidamente gesticulando com os braços. — Posso pedir pipoca! Ou melhor, algum chocolate, ou até mesmo torta!

— Noah, eu tenho que-

— Ir assistir ao anúncio das Selecionadas — o menino sorriu ao interromper a irmã mais velha. — Sim! Vamos Lysa — ordenou puxando o braço da menina, que revirou os olhos, derrotada e então desceu com o pequeno, escutando-o falar sobre como seria horrível se ela fosse escolhida e ele ficasse sozinho, mas como ele queria que ela fosse escolhida para ir até o castelo e ver pessoalmente a família real.

Assim que chegaram à sala, Lysanna viu sua mãe sentada no sofá com uma revista em mãos, mas não avistou seu pai, o que a fez agradecer mentalmente. Noah sentou-se no meio do grande sofá, e Lysa sentou-se na ponta oposta de sua mãe, já conseguindo visualizar o Príncipe Arthur retirando um papelzinho de uma urna de vidro.

Lysanna não estava com vontade de ir para a Seleção. Em verdade, só aceitou participar daquilo para demonstrar que era uma boa menina perante aos olhos de todos. Claro, após a inscrição, se entusiasmou com a emoção que a Seleção lhe daria. Conhecer um lugar novo, um castelo, participar de provas, e ainda por cima se ver longe de seus pais. Bem, ela talvez tenha ficado muito feliz com essa última probabilidade. Lysanna não estava indo para competir pelo Príncipe, não, afinal, achava-o arrogante, e não conseguia enxergá-lo como uma boa pessoa.

Assim que fechou os olhos e basicamente encostou-se mais no sofá, quase deitando, escutou Noah gritar de felicidade, e então pegar na mão da menina, deixando-a assustada, mas com um bom pressentimento. Lysanna rapidamente olhou para a televisão onde viu seu nome no papel branco, e sua foto ao lado. E, aquilo — por mais que não admita — deixou-a extremamente feliz.

[...]

Peregrina ‘Peg’ Áster Elevine Roux, 17 anos.

“Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não quero uma verdade inventada.”

— Peg, porque você não se inscreveu num concurso de talentos ao invés da Seleção? — Pep indagou vendo a menina sorrir pro garoto e retirar os dedos das teclas do piano. O rapaz sorriu pra irmã.

— Bem, porque se eu for selecionada, posso ir pra longe daqui — sua voz saiu num sussurro, mas o irmão escutou perfeitamente. E aquilo, de certa forma, deixou-o chateado. — Quem sabe eu até me torne a Rainha? — Peregrina arriscou dando de ombros e sorrindo.

Pep sentou-se ao lado da menina e colocou sua mão nas costas da garota, dando um sorriso confortante a ela.

— Peg...

— É verdade, Pep, é a pura verdade, sabe? — a menina continuou seus olhos nas teclas do piano, seu coração apertado. — Se eu não tivesse sido burra o suficiente-

— Ele está vindo — Pep anunciou, interrompendo sua irmã, que rapidamente levantou-se e correu para trás da escada, segurando a respiração e fechando os olhos fortemente.

— Com quem está falando, Arnold? — John, o pai dos dois, perguntou com o tom de voz forte. Peregrina definitivamente não gostava de ouvir aquele tom, nem mesmo aquela voz. Aquilo doía em seu peito de certa forma. Tudo bem, havia passado algum tempo, mas... Não era fácil esquecer quando foi desertada pelo próprio pai.

— Com uma amiga — Pep respondeu, e Peregrina pode imaginá-lo fazer careta ao ouvir o nome do meio. — Ela me ligou, pedindo alguns conselhos — acrescentou. Peregrina sorriu ao escutar a voz de seu irmão. Adorava ouvi-lo inventar mentiras para ocultá-la de seu pai. Como não há outro jeito, Peregrina às vezes até achava engraçado as desculpas que Pep dava.

— Aham, é essa a mesma amiga que você estava transando? — John perguntou, e Peregrina pode sentir a malícia e o álcool no ar. A menina segurou o suspiro que queria soltar, mas teve certeza de que seu irmão estava corando.

— Não — o rapaz respondeu. Peregrina abriu os olhos e fitou a parede branca a sua frente, mordendo fortemente o lábio inferior.

— Você não precisa esconder nada de mim, Pep — o homem falou novamente, e desta vez Peregrina pode sentir o álcool cada vez mais forte. — Sabe, eu sou seu pai — prosseguiu com aquela voz horrível.

— Está tudo bem — Pep falou rapidamente, e Peregrina pode ouvir passos. Deduziu que o rapaz estava levando seu pai para longe dali.

Ah, era sempre assim. Toda a vez que seu pai aparecia, Peregrina tinha que se esconder, e seus irmãos — em especial, Pep — sempre dava um jeito de inventar desculpas sobre com quem estava falando e então retirar o pai do cômodo onde estavam. Esse era o modo novo de viver da menina. E ela já estava cansada daquilo.

Por isso havia se inscrito na Seleção. Para sair daquela casa, onde não podia sequer andar confortável e sem medo pelos cômodos, onde vivia com medo de que seu pai a visse, onde tinha de comer sempre o que sobrava das refeições, e em seu quarto, ou qualquer outro lugar onde o pai não estava. Peg odiava aquele jeito de viver, e nem mesmo os trabalhos voluntários estavam fazendo a menina sorrir como sorria.

— Hei — Pep subitamente apareceu ao lado da garota, fazendo-a levar um susto. O rapaz riu da situação da garota, e esta lhe bateu no ombro.

— Qual é, Pep! — resmungou num tom de voz baixo. Peregrina estava com medo agora, por isso nem ousou erguer o tom.

— Ele já foi — Pep falou para a menina, que apenas deixou aquele suspiro entalado sair, e então se virou para o irmão.

— Entendeu porque eu me inscrevi na Seleção? — indagou com a voz amargurada.

— O que vocês estão fazendo aqui? — Tyler apareceu ali, assustando aos dois, e causando pequenas gargalhadas em Peregrina ao ver Pep basicamente saltar de onde estava.

— Puta que pariu, Tyler! — Pep deu um soco no braço do irmão, e logo se levantou, esticando a mão para a irmã mais nova, que aceitou de bom grado.

— O anúncio das Selecionadas já começou — anunciou, mas com a voz baixa. — Mas ele está na sala — sua voz tinha um pesar, e Peg chegou a estranhar, até porque não estava acostumada com esse pesar.

— Eu fico no quarto — Peregrina se pronunciou ao perceber os olhares tristes em sua direção. — Quando terminar vocês me avisam — falou forçando um sorriso. — Eu vou ficar bem — acrescentou ao reparar o olhar de Pep em sua direção. — Não se preocupe.

Deu um sorriso aos dois e correu em direção ao quarto. Subiu as escadas rapidamente e foi em direção ao seu quarto, fechando e trancando a porta atrás de si. Seu coração levemente deu uma pulada, e então a menina pode suspirar tranquilamente andando em direção a sua cama e se tacando ali.

Encarou o teto branco e então fechou os olhos, pensando no que aconteceria caso seu nome aparecesse lá na televisão, caso fosse selecionada. Como seu pai reagiria? Ele ficaria feliz por ter sua filha indo embora? Ficaria animado? Torceria pela menina? Não, provavelmente não, concluiu rindo da imagem criada de sua mente de seu pai segurando uma bandeira com a imagem da filha e gritando seu nome.

— O que você acha mãe? — murmurou ainda com os olhos fechados. Sua mãe havia morrido há muito tempo, quando Peregrina tinha apenas os seus cinco anos. Peregrina não se lembrava muito bem da mulher, afinal, só conviveu cinco anos com ela, e era pequena demais para lembrar-se dos pequenos detalhes. Mas lembrava-se das histórias que seu pai costumava contar para os filhos.

Desde então, conversar com ela tem sido uma escapada para os problemas que a cercavam. Obviamente, ela nunca respondia, e mesmo estando de olhos fechados, Peregrina não conseguia imaginá-la. E isso a deixava chateada.

A garota esperou mais alguns minutos antes de ouvir constantes batidas na porta com uma velocidade incrível. Levantou num pulo, e esperou um pouco antes de abrir. Poderia ser muito bem seu pai querendo bater na filha por fazê-lo passar vergonha.

— Peg, anda, sou eu, Pep — a menina ouviu a voz do irmão, e deu um sorriso, abrindo a porta rapidamente.

— Já acabou?

— Não, mas — o rapaz adentrou ao quarto com um sorriso enorme, e fechou a porta atrás de si. — Você foi escolhida!

— O que? — indagou um pouco assustada, ainda desacreditando naquilo. — Pep, se isso for alguma brincadeira de mau gosto-

— Não é! Você foi Selecionada! Eu vi seu nome, eu vi sua foto! — falou e logo em seguida abraçou a irmã, que estava ainda desacreditada. — Você vai pro castelo!

E então ela pode sorrir ainda sendo abraçada pelo irmão.

Finalmente, se veria livre de seu pai.

Notas finais
Geeeeeente, gostaram? Caso vocês não consigam abrir os links: Clarice: http://38.media.tumblr.com/ad8ef2d189603af25b7759a17c338a9b/tumblr_inline_mh7rgm2T4Y1qz4rgp.gif Kamille: http://images6.fanpop.com/image/photos/34200000/Alexandra-Daddario-gifs-tumblr-xxhybrid-34289876-500-220.gif Lysanna: https://31.media.tumblr.com/3c22f1f87cf5c6580ec461de0cea28da/tumblr_mwum9l181U1t3g3gao4_500.gif Peregrina: http://38.media.tumblr.com/86b66301fc5a6f3c3786362562c431f6/tumblr_inline_nqwdkwtWm11tsku2a_500.gif —————————————————————— GENTE, AVISO IMPORTANTE! Eu peço a todas as meninas relerem minhas respostas de reviews, ou MP's. "Ah, mas por que?" Porque, gente, eu acho que tem gente que esqueceu de enviar alguma informação importante, ou algo do gênero, e tem gente que não enviou a opinião da sua Selecionada sobre o Príncipe Arthur, então prestem atenção nisso, ok? Por favor, quem deixou de enviar alguma informação, por mínima que seja, envie, tá? Por favor, isso irá ajudar a melhorar o perfil da sua personagem. Hum, outra coisa: vocês que falaram que enviariam uma ficha, ou que desejam enviar uma ficha, só tem até o próximo capítulo. Eu não sei quando o próximo capítulo sai, mas juro que não demorará tanto. Então, se você tem em mente enviar uma ficha, manda até o próximo capítulo. Quando o próximo do próximo capítulo sair (que é o último das Selecionadas), ninguém pode enviar fichas, porque eu não aceitarei mais. Ok? Ok. Sobre o trailer: ele ainda não está pronto. Eu já cortei todos os vídeos, mas eu ainda estou colocando-o certinho e tudo mais. Ele provavelmente irá sair com o próximo capítulo. E, juntamente dele um tumblr! Sim, mas não vai ter nada demais no tumblr. Apenas as Selecionadas, com um pouco da personalidade da family real. Enfimmmmm, acho que é só isso que eu queria falar mesmo. Oh, e claro: leitoras criadoras das Selecionadas deste capítulo, falem o que vocês acharam delas. Se gostou do jeito que foi retratada, se quer que muda alguma coisa, enfim, qualquer coisa, SEM MEDO, OK? OKAY! É isso minhas amoras, beijos no heart, e até mais!