Half Body — Interativa
11 A noite das danças.
Notas iniciais

Eleven.
11. A noite das danças.
Afonso definitivamente não queria fazer aquilo.
Ele achou que seria fácil, afinal, havia dançado com a própria Teresa, e ela o havia elogiado — mesmo ele não tendo certeza se foi por pura obrigação, ou se foi porque ela realmente achou que ele dançou bem, mas optou ficar feliz ao ser elogiado. De qualquer forma, era somente dançar com algumas meninas. Não seria grande coisa, certo?
Errado.
Totalmente errado.
Assim que a primeira Selecionada foi anunciada ele soube disso.
Averie era seu nome. Afonso não conseguiu prestar atenção no sobrenome, pois logo teve que dar passos confiantes até a menina e a puxar para dançar. O primeiro passo foi fácil. A mão da menina era macia, e delicada, e Afonso teve que botar aquele sorriso Arthur no rosto para ninguém desconfiar de que ele estava diferente.
O segundo passo que foi complicado. Afonso evitou ficar colado na menina, e sua mão não estava nem um pouco firme na cintura da garota. Entretanto, foi só dar uma breve olhada em Thomas, que estava com o braço entrelaçado com o de Joanna, que o garoto sabia que tinha de ficar colado na garota. Arthur nunca dançaria com centímetros de distância de uma garota.
E foi assim que Afonso teve que basicamente se aproximar mais da menina, e ficar cada vez mais desconfortável. A garota por sua vez, pareceu perceber isso, mas não mudou sua feição. Ela sorria. Afonso forjou o sorriso Arthur, e então a música começou a soar. Era um passo para um lado, um passo para o outro. Um passo para o lado, um passo para o outro.
Isso provavelmente durou uns quinze segundos, até Afonso girar a menina, e então eles colarem os corpos novamente. Só seja o Arthur, só seja o Arthur.
— Então... — Afonso começou, mas evitou olhar para a garota. Seus olhos percorriam o salão, olhando ora para a fila enorme de Selecionadas, ora para os convidados, que sorriam. — O que está achando do Castelo? — essa não é uma pergunta que o Arthur faria. Definitivamente não.
— Eu gosto daqui — a menina comentou. Sua voz era delicada, e Afonso se perguntou se ela cantava. — Ele é simplesmente esplêndido! — exclamou novamente, com uma nota maior de empolgação, e o garoto deu uma breve olhada na menina, que sorria animadamente. Logo depois voltou a olhar para o Salão. — Deve ser incrível morar aqui — comentou brevemente, e Afonso se permitiu dar uma risada breve.
— É, é incrível — comentou de volta.
Seus olhos pararam em Joanna — que sorria orgulhosamente, o que fez Afonso se perguntar se ela havia sido atriz anteriormente —, e depois em Thomas — que só faltava gritar para o garoto agir.
— Está gostando do Baile? — indagou novamente, e então sobre o olhar acusador de Thomas fitou a menina, que olhava para uma parte do salão também.
— Oh sim! Os docinhos estão maravilhosos! — Averie comentou num tom animado, e logo deu uma breve olhada para o menino, provavelmente surpresa com o fato de que ele a encarava. Afonso não deixou de olhá-la. Ela tinha uma expressão serena, calma, como se nem estivesse ansiosa em estar ali, dançando com o Príncipe. Isso talvez o deixou mais sossegado. — E as músicas estavam maravilhosas — comentou, ao perceber que o garoto continuava quieto.
Afonso colocou seu sorriso Arthur, e abriu a boca para falar, mas logo um sino soou, e Afonso soube que era o momento para trocar de Selecionada. Averie se separou do garoto, e então fizeram um cumprimento, antes da menina sair e ir em direção a Teresa, e Afonso se direcionar para a próxima Selecionada.
Demorou um pouco para a vez de Clarice chegar. Ela não estava nervosa. Na verdade, estava se sentindo confiante. Ele era só um garoto, certo? Era só esquecer-se um pouco do tratamento clichê e antiquado que a Família Real recebia, e pronto, ele era só um garoto.
Afonso foi buscá-la, assim como fez com todas as outras. Houve um pequeno cumprimento, antes dele colocar a mão nas costas dela, e juntarem seus corpos. Assim, a música começou, e eles começaram a se mover. Clarice percebeu que o garoto não encarava muito as meninas com quem dançava, e isso de certa forma a incomodou.
— Como está se sentindo? — indagou, fitando o rosto do menino, vendo pequenas sardinhas marrons.
Afonso fitou a garota surpreso. Era a primeira que perguntava como ele estava se sentindo. Ele se permitiu sorrir. Não como Arthur. Sorrir como Afonso.
— Bem — respondeu olhando para a menina, que sorria docilmente. — E você? Como está se sentindo?
— Bem também — deu de ombros, e Afonso a girou, logo juntando os corpos. — O que está achando do Baile? — indagou novamente quando o menino olhou para o salão. Afonso se permitiu rir, e Clarice forçou um riso. — O que houve?
— Nada. É só que eu deveria estar fazendo as perguntas por aqui — admitiu, voltando a olhar para Clarice, que sorriu divertidamente.
— Eu só estou tentando te conhecer melhor — falou, ainda com o sorriso divertido — Vossa Alteza — acrescentou, com um tom diferente do usual que Afonso já havia conhecido. Não era sarcasmo, mas não era formal. — Espero que isso não seja um crime — disse logo em seguida, um pouco mais séria, e Afonso se permitiu a rir.
Provavelmente Arthur não faria isso.
— Certamente não é, senhorita — falou sorrindo, e a menina sorriu novamente. — Mas eu acredito que eu devo lhe conhecer melhor também — acrescentou, e logo colocou o sorriso Arthur no rosto. Poxa, estava ficando bom naquilo.
— Okay, o que quer perguntar? — indagou ainda sorrindo, e Afonso a rodopiou novamente antes de puxá-la para perto de si.
— O que está achando do Castelo? — esta era uma coisa sobre Afonso: ele não tinha criatividade. Havia perguntado isso a todas as outras meninas. E basicamente haviam respondido a mesma coisa.
— O que todas acham — Clarice respondeu, e Afonso arqueou uma sobrancelha. Ela estava falando sério? — Ele é lindo, ninguém pode mudar isso. É maravilhoso, enorme, não quero nem imaginar a conta de luz dele — completou, e Afonso riu novamente. Ele provavelmente havia rido mais com ela do que com todas as outras. — Eu não sou tão engraçada assim — comentou num muxoxo.
— O que você fala é — Afonso respondeu, e então escutaram o sino. Clarice sorriu, e se separaram, fazendo o devido cumprimento, e Afonso partindo para a outra menina, com o sorriso Arthur que basicamente já estava se tornando seu.
Afonso dançou com Eleanor antes de se dirigir até Evellyn, que fora a primeira menina que Afonso via usando um decote... Decote mesmo. Não que ele estivesse reclamando, muito pelo contrário, ele só não estava acostumado com aquilo. Por isso não sabia disfarçar tão bem — quanto seu irmão.
E Evellyn percebeu isso, pois logo soltou uma risadinha enquanto pegava na mão estendida de Afonso, o qual ouviu a risada da menina e retirou seus olhos do busto da garota para os olhos da menina, virando a cabeça, sentindo-se levemente envergonhado. Porra, Afonso, não vá estragar tudo, seu cabeça oca! O rapaz rapidamente se ajeitou, olhando sempre ao redor, e Evellyn percebeu isso.
Afonso conseguiu avistar Thomas fazendo pequenos e discretos gestos para ele se aproximar mais da garota, e o menino basicamente queria gritar que não dava, mas ao invés disso, apenas se aproximou mais da garota, colando seus corpos. Assim que a música começou a tocar, Evellyn partiu para o ataque.
Ela não poderia simplesmente ficar parada. Pelo o que sabia, Arthur não se apaixonava pelo caráter da garota — na verdade, nunca ouvira falar que ele havia se apaixonado — e sim pelo físico dela. Evellyn sabia que tinha um físico excelente, só tinha que saber jogar a favor disso.
A menina percebeu que o Príncipe olhava ao redor, como se controlando para não olhá-la; então num pequeno gesto delicado, Evellyn afirmou sua mão no ombro do rapaz. A ruiva deu uma breve olhada para o rosto do menino, mas este não esboçava nenhuma reação, estava sério.
Com cuidado, desceu um pouco sua mão, chegando até a parte superior do braço do menino, e este se mostrou levemente desconfortável, talvez até surpreso, o que fez a menina soltar uma pequena risada, recebendo um olhar carrancudo do rapaz logo em seguida.
Evellyn ficou séria rapidamente, mas não desviou o olhar.
— Desculpe, Vossa Alteza — pediu, ainda fitando Afonso, que logo se segurou para não engolir em seco.
Eu tenho que ser o gostoso desejado por todas, não ela que tem que ser a gostosa desejada por mim.
Seja Arthur.
— Não foi nada — colocou o melhor sorriso que tinha, e então afirmou a mão nas costas da garota. Afonso não sabia como ser sedutor, como ser sexy, como Thomas queria que ele fosse. Caramba, ele só chegou a dançar com sua mãe, e depois com Teresa para treinar, e depois com Joanna sendo obrigado.
Afonso anotou mentalmente pedir algumas dicas depois para alguém. Elliot, talvez. Ou até mesmo aquele tal de Joe, que era amigo de Arthur — se bem que seria extremamente estranho Arthur pedir dicas que ele já sabia para Joe. Elliot, vou pedir dicas para Elliot.
Concluindo seu pensamento, Afonso sorriu e então fitou Evellyn que lhe olhava intensamente. O sino soou, eles se separaram, cumprimentaram, e então cada um foi para um lado.
Não demorou muito para a vez de Kamille chegar, e quando chegou a menina quase agradeceu aos céus por isso. Entretanto, ela se controlou, e ficou quieta, enquanto o Príncipe se dirigia em sua direção, com um sorriso cativante. Afonso, por outro lado, já estava começando a sentir dor nos pés. Não sabia que dançar poderia doer.
Pegou na mão da menina, e então se aproximaram, ou pelo menos tentou, o vestido da menina era cheio demais — Afonso se perguntou qual era a necessidade daquilo, mas logo ignorou. Era apenas um caipira no castelo. Por isso apenas ajeitou sua mão nas costas da menina, e começaram a dançar.
Após um minuto de dança, Kamille se irritou com o silêncio. Ela havia reparado que ele tinha conversado com todas as garotas, por mínimas que fossem a conversa, mas no momento ele parecia estar distante.
— Você está quieto — comentou — Vossa Majestade — acrescentou rapidamente, basicamente bufando por ter que usar essa formalidade toda. Afonso percebeu que ela não gostava de chamá-lo de Vossa Majestade, e até quase a pediu para chamá-lo de Arthur. Mas segundo Thomas, Arthur adora ser lembrado de qual é o seu nível. — Aconteceu alguma coisa?
— Oh, não é nada — Afonso rapidamente falou, e Kamille apenas assentiu, não acreditando muito no rapaz, mas achou melhor não comentar. Sabia que perto da realeza era melhor ficar de boca calada, por isso apenas continuou dançando até o sino tocar.
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