Half-Blood
1 #00 - O Destino faz sua Jogada (Prólogo)
Notas iniciais
CERTO E ERRADO...
...MORAL E IMORAL...
...BEM E MAL...
...BOM E RUIM...
...Não seria tudo isso uma questão de pontos de vista?
◆
Tudo isso começou em um mundo bem familiar, o Advento Puro. Grandes metrópoles, enormes campos gramados, florestas transbordando vida, dunas de areia, Oceanos gigantescos que cortam essas grandes porções de terra em que os humanos vivem... Por mais familiar que esse mundo seja, ele tem uma peculiaridade, um segredo que o difere do mundo que conhecemos...
Você se lembra das clássicas histórias de guerras entre anjos e demônios que muitos contam por aí? Nesse lugar isso é muito mais que uma história contada por avós.
Esse mundo tão familiar é uma porta de entrada para dois mundos não tão familiares assim…
◇O ADVENTO SAGRADO◇
—A Morada dos Anjos-
Um mundo claro e belo. Com florestas de árvores colossais, praias de areia macia e águas límpidas, campos de flores belas e vibrantes e grandes cidades feitas de pedras claras, lisas e detalhadas em ouro. Um lugar onde não existe a miséria e todos vivem em paz e até os animais compartilham e sobrevivem em harmonia. Um lugar que muitos chamariam de um verdadeiro Paraíso.
◆O ADVENTO INVERSO◆
—O Lar dos Impuros-
Onde habitam aqueles de sangue tão negro quanto piche. O Advento Inverso não é um lugar agradável, tudo ao seu redor é morto e vil. As árvores são quase todas secas, as poucas exceções tem suas folhas amareladas e a cair aos poucos. As únicas cores que vc pode esperar ver no céu são vermelho, cinza e uma desagradável mistura entre essas duas cores e marrom. Sua terra é infértil, e mesmo que não fosse, a falta de luz não deixaria nada florescer. A única fonte de alimento são os rios, que surpreendentemente carregam água potável, e a carne dos animais que ali habitam, vivendo em um frenesi desesperado pela sobrevivência. A horrenda morada dos demônios, um mundo podre que caminha lentamente ao seu fim.
Esse trio de mundos é guardado por uma organização chamada de "Os 7 Pilares", 7 pessoas que tratam das negociações de paz e guerra entre os 3 mundos. Essa organização é composta por 3 Demônios, 3 Anjos e 1 humano.
Além dos 7 Pilares, tanto o Advento Sagrado quanto o Inverso possuem Reis que reinam sobre tudo, Hadraniel no Advento Sagrado e Mephisto no Advento Inverso.
◆
Enquanto a Humanidade vivia em paz no Advento Puro, sem saber da existência dos outros dois adventos, Os anjos e demônios viviam em uma guerra constante e milenar. Apenas recentemente, a 200 anos atrás, que os anjos e os demônios entraram em trégua e acabaram com tudo, contanto que nenhum interfira na morada do outro. Os demônios claramente não gostaram da Idéia, mas tiveram que aceitar pois essa guerra estava pendendo demais ao lado dos anjos. Foi nesse dia, num domingo, o 7º dia de Julho, que Os 7 pilares foram criados. Eles são uma força neutra que não trabalha em prol nem dos demônios, nem dos anjos e muito menos da Humanidade. Juntos eles trabalham da forma mais justa possível para todas as raças.
Mas houve um dia que uma relação estritamente proibida nasceu. Leliel, um mero e comum demônio. Aerith, Filha de Hadraniel e princesa do Advento Sagrado.
Por mais proibida que sua relação fosse, o amor entre os dois era puro e verdadeiro, e desse amor surgiram duas crianças, gêmeos…
◆
Em uma noite comum, Isabel, uma viúva senhora que nunca teve filhos, teve um sonho um tanto incomum. Nele ela estava em um castelo em ruínas, e no meio dessas ruínas haviam dois berços. Um deles era feito de uma pedra lisa e brilhante ostentando detalhes em ouro e demais pedras preciosas. Dentro do berço dormia uma criança, seus poucos cabelos eram de um loiro vivo e belo. Sua pele era clara, porém, de alguma forma exalava vida, de certa forma ela lembrava um pêssego que ainda não amadureceu muito bem. O bebê sorria levemente e ver esse sorriso encheu o coração de Isabel de alegria. Lentamente o bebê acordou e exibiu lindos olhos num tom amarelo vibrante. Seu olhar era penetrante e belo. Em poucos segundos o bebê caiu em sono doce novamente.
Isabel deixou o bebê dormindo e se dirigiu ao outro berço. Esse era feito de uma madeira tão escura que seu marrom poderia facilmente ser confundido com preto. O berço possuía detalhes em uma espécie de mármore negro e liso e joias cinzentas.
Nesse berço também dormia uma criança, mas essa tinha uma expressão de perturbação em seu rosto, como se estivesse prestes a acordar em lágrimas de um pesadelo horrendo. Seus cabelos eram negros como a noite e sua pele era tão clara quanto a da outra criança, mas essa criança em questão parecia mais pálida do que viva, de certa forma ela era cinzenta. Então a criança começou a se debater e chutar o ar, sua cara foi ficando cada vez mais fechada e então ele acordou à chorar. O bebê acordou arregalando os olhos e mostrando o mesmo tom de amarelo vivo da outra criança.
A visão de Isabel começou a ficar turva até que tudo que ela enxergava era um lugar extremamente escuro, que tinha uma única fonte de luz que apontava para uma silhueta à sua frente. Então uma voz ecoou em sua cabeça, e de alguma forma ela sabia que essa voz vinha do vulto a sua frente.
"ASSIM QUE ACORDAR, DESÇA AS ESCADAS E ABRA SUA PORTA. O SEU NOME É DAMIAN E SEI QUE ELE PODE PARECER UM MENINO PROBLEMÁTICO, MAS AME-O VERDADEIRAMENTE E GARANTO QUE ELE TRARÁ À VOCÊ UMA ALEGRIA QUE VOCÊ NÃO SENTIA À DÉCADAS. TRATE-O COMO O FILHO QUE NUNCA TEVE. O LUGAR DE ONDE ELE VEM NÃO É SEGURO PARA ELE, POR ISSO ESCOLHI VOCÊ COMO MÃE E GUARDIÃ DELE. PROTEJA-O DE TUDO E O MANTENHA LONGE DOS... BEM, ACHO QUE SERÁ MELHOR PRA VOCÊ E ELE SE VOCÊ NÃO SOUBER SOBRE ISSO... EU O AMO MUITO E NÃO POSSO DEIXAR QUE O LEVEM... ATÉ UM FUTURO NÃO TÃO DISTANTE ISABEL"
Foram essas as últimas palavras que Isabel ouviu antes de acordar.
◆
Isabel desceu as escadas de sua casa e foi até a porta, como dito no sonho. Lá havia dois cestos. em um deles, feito de uma espécie de madeira negra entrelaçada, estava o pequeno garoto de cabelos negros de seu sonho. Ela sabia que aquele era Damian, o menino que o vulto havia mencionado. Ao seu lado, no outro cesto, este era como um desses cestos entrelaçados que se vê por aí, havia outra criança. Isabel imaginou que seria o outro bebê de seu sonho, mas se deparou com uma criança diferente. Em cima do cesto havia um bilhete:
"Que os deuses me perdoem por isso, mas não posso cuidar dessa criança. Não posso dizer quem sou, mas sou uma conhecida sua, e não conheço alguém melhor que você para cuidar desse filho. Sinto muito por ele não poder conhecer a pessoa que lhe deu a vida, mas ao menos uma coisa eu irei lhe deixar, um nome. Chame-o de Lars Allen, pode parecer um nome comum mas lhe garanto que é algo muito especial... Espero que acredite em mim e cuide dele como se fosse seu próprio filho que sei que sempre quis ter... Por favor, ame-o como eu o amo... Adeus."
Isabel estava confusa, como se o mundo estivesse pregando uma peça nela e o destino assitia ao lado enquanto ria de sua cara. Mesmo assim, Isabel sabia que cuidar daquelas crianças era a coisa certa a se fazer. E mesmo que não fosse, se ela não fizesse quem faria?
• • •
Fale com o autor