Hakanaidesu
1 Prólogo
Notas iniciais
Na borda de um penhasco, cujo nome fora há muito esquecido, ele se prostrou de joelhos, lançando o seu pálido olhar sobre as nuvens do céu. Somente naquele instante é que ele finalmente percebeu que não havia e nunca houve cores na sua vida, nem nas suas vestes manchadas pelo líquido escarlate, que outrora ostentavam o azul do seu grande ego, nem mesmo nos cortes profundos em seu frágil peito.
Seus fios de cabelo são loiros e seus olhos são azuis como os mares.
O vermelho do seu sangue, que lentamente escorria sobre o seu peito por fim, acabou por tomar conta do solo a sua volta. Levando-o há se questionar, se aquela era realmente a sua recompensa após vários anos de serviço em nome de sua vila.
Agora, seu sonho não era o de que sua arte fosse reconhecida como a melhor de todo o mundo, mas sim mergulhar no total esquecimento.
Desde os primeiros anos da sua adolescência almejava ser conhecido por todos, e após vários anos de trabalho árduo conseguiu que fosse integrado no esquadrão de demolição de sua vila, Iwagakure, mas este objectivo infelizmente só preencheu metade do vazio que havia em seu coração.
E depois de lhe ser confiado um segredo pelo seu mestre, lentamente acabou por despertar sentimentos gananciosos que sem se aperceber acabaram por levá-lo a cometer o maior dos seus crimes, o que inevitavelmente o levou a ruína.
Enquanto lutava em nome de sua vila, ele já foi chamado de assassino. Ele já foi chamado de demónio. Ele já foi chamado de herói e de monstro ao mesmo tempo.
Seu nome é Deidara, e ele realmente sabe o que é a verdadeira arte.
Seus braços e músculos que outrora se mostraram fortes são inúteis agora. Suas mãos agora se encontravam revestidas de tanta sujidade que soltavam o cheiro de pele queimada, depois do uso excessivo de argilas explosivas.
Mesmo sabendo que não era um facto relevante, lançou o seu pálido olhar para as palmas de suas mãos enxergando por fim, o motivo que o levou a ser conhecido por todos de sua vila como traidor.
Lentamente sua consciência o pesava por ter usado até agora erroneamente a arte que tanto apreciava, adorava e idolatrava. — Retroceder no tempo era algo que estava fora de questão -, pensou Deidara enquanto olhava sutilmente ao redor, procurando por imagens dignas o suficiente de ficarem gravadas em sua memória.
Descartou dessa ideia ao ver vagarosamente a chegada de três ninjas carecas, cujas vestes lhe era mais do que familiar. Os ninjas trajavam a veste padrão de Iwagakure, o que consistia em um uniforme vermelho sem manga direita e colete marrom, as cores das suas bermudas eram distintas como um deles usava uma de cor azul, outro preta e o último verde-marinho.
Houve uma pequena contracção dos seus músculos, quando tentou mover os seus braços a fim de os fazer alcançar sua bolsa ninja mas, os seus movimentos foram completamente rejeitados pelo seu enfraquecido corpo.
— Pessoal, e se nos divertirmos um pouco antes de acabar com a vida desse traidor? – Um dos ninjas olhou para os seus companheiros, e lentamente se formou um pequeno sorriso em seu rosto ao vê-los o acenando em consentimento.
Os seus perseguidores em sintonia fizeram rápidos selos de mão, e ao terminarem a sequência de selo pronunciaram em conjunto – Raiton Gyan (elemento trovão— falsa escuridão) – ao impulsionaram suas mãos sobre o solo, em segundos se formou uma forte onda de relâmpagos que iam na direcção de Deidara.
Deidara, totalmente indiferente, mostrando o seu rosto sem expressão não soltou nenhum grunhido e nem trincou seus dentes depois de ser atingido pela onda de relâmpago, apenas se limitou a olhar para o rosto daqueles ninjas, que outrora quase chegou a chamar de irmãos e de dar a sua vida para os proteger.
Ele bem sabia que mostrar sentimentos como dor, tristeza e arrependimento diante daqueles que anseiam tirar sua vida não é a melhor coisa a se fazer, porque indica apenas que é puro sinal de fraqueza.
Mesmo depois de vários minutos vendo os sorrisos estampados no rosto daqueles ninjas que torturam, humilhavam e desprezavam tanto ele como a sua arte, trouxe em sua consciência um único e forte sentimento – a vingança—.
Ele amaldiçoou os céus e a terra não só por sua vida estar na miséria total, mas também ao ver como os seus antigos companheiros se divertiam durante os últimos momentos de sua existência, o que apenas o fez desejar ter a chance de se vingar de todos os habitantes de sua antiga aldeia, que tanto odiavam ele e sua majestosa arte.
Os três ninjas de Iwagakure cansados de tanto torturar alguém que pouco se importava com o que faziam com seu corpo, que não soltava nem um grito de dor, e com um rosto que não mostrava expressão, decidiram então por um ponto final a missão que lhes foi destacada.
E foi assim que, Deidara assistiu vagarosamente a aproximação do ninja que possuía um maléfico sorriso estampado em seu rosto, que há segundos atrás havia sacado uma kunai em sua bolsa ninja.
Cada passo dado pelo ninja o fazia mergulhar em sua consciência relembrando-o de cada conquista, derrota e vinganças alcançadas sem honra.
A única coisa que o magoou por dentro é que seu verdadeiro propósito para com o mundo ninja ainda não havia sido concretizado, e que também seria eliminado por ninjas que somente rebaixavam sua tremenda reputação de assassino, tudo isso por culpa do seu pequeno deslize enquanto enfrentava seu antigo mestre antes de começar a sua fuga.
Se ele realmente estivesse no seu auge, com certeza eliminaria aqueles ninjas idiotas em menos de 5 segundos, mas fazer o quê… a vida é tramada.
Agora, ele olhava nos olhos do ninja que o levaria ao esquecimento eterno da sua existência.
— Últimas palavras, traidor? – Questionou o ninja, que parecia estar esperando por uma resposta da parte do loiro, e vendo que não obteria nenhuma elevou sua kunai e quando estava prestes a desferir o golpe final, recuou instintivamente devido à chuva de shurikens que vinha em sua direcção.
Em fracções de segundo, em frente do corpo do loiro surgiram três ninjas, sendo que cada um deles trajava uma capa preta e os seus rostos se encontravam ocultos por máscaras, o que tudo indicava que eram ninjas pertencentes a raiz da ANBU da vila da folha.
— Como se atrevem, a tentar tirar vida em nosso território? – Questionou um dos ANBU.
— Tsc, não se metam, vermes da folha este é um assunto que não vos diz respeito. Por isso, agradeceria se esquecêssemos por uns minutos que somos inimigos, e nos simplesmente deixassem concluir a missão que nos foi dada. –
Os ninjas pertencentes a raiz da ANBU se entreolharam, e em sintonia sacaram kunais.
— Se desejam tanto morrer podem vir. –
Os ninjas da vila da pedra morderam a língua de tanta irritação, se não tivessem gastado grande parte dos seus chakras durante a perseguição e a tortura não hesitariam um segundo sequer em travar uma luta em solo inimigo mesmo sabendo que isso daria origem a uma outra guerra.
Enfim… mas decidiram jogar pelo seguro e recuaram.
Assim que finalmente foi confirmada a retirada dos seus inimigos, os ANBUs lançaram o seu olhar ao ninja que agora estava desmaiado em cima de sua própria poça de sangue com um pequeno sorriso estampado no rosto, como se a intervenção deles havia alegrado o loiro.
Os ANBUs olhavam detalhadamente em cada parte e zona do corpo do ninja, e acabaram por descobrir um facto deveras interessante que sem sombras de duvidas faria o seu terrível líder feliz.
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