Notas iniciais
Atenção, Os primeiros capitulos passaram por revisão, mas precisaram novamente se suceder a um segundo trabalho. Portanto, é possível que se encontre erros gramaticais e de concordância até que eu possa atualizar a nova revisão.

Prólogo

O enorme cavalo negro relinchou feito um trovão, enquanto empinava e, ao bater com ambas as patas contra o solo, a terra tremeu perante seu poder. Seus olhos vermelhos e ferinos lançavam uma sombra fantasmagórica sobre suas feições esqueléticas, realçando a pele repuxada e os músculos estranhamente avantajados do pescoço. Porém, o mais chamativo de seu conjunto se encontrava sobre a garupa; era um cavaleiro gigantesco, trajava um manto roxo escuro que descia dos ombros até o dorso da montaria, escorrendo por sua lateral direita e quase tocando as gramíneas amareladas abaixo dos cascos. A armadura prateada e grossa, de incrível consistência maleável, cintilava com as chamas que devoravam a floresta atrás de ambos. Na cabeça, um capacete de ferro negro polido, cujas únicas aberturas tomavam o lugar da viseira. Alguns detalhes prateados e um vermelho, em forma de cruz, passavam sobre a região dos olhos e cruzavam a testa até a parte que protegia o queixo. Vários recortes de metal sobrepostos surgiam no topo do capacete e desapareciam na altura dos dois chifres metálicos que surgiam no alto das laterais do capacete.

E, por fim, um brasão de prata no formato de um dragão alado, segurando uma foice com a mão direita e uma espada com a esquerda, cruzando ambos os braços sobre o peito, estampava-se sobre o broche que prendia o manto na altura do pescoço protegido por uma gola alta e preta.

O cavaleiro apertou as rédeas com uma das mãos enluvadas e, com a outra, tocou as costas do animal.

O fogo ao redor deles ateava e tudo seria em breve destruído. O céu nublado variava nos tons ocre, preto, verde escuro, amarelo e toques avermelhados. Oliver, o homem que observava o que se sucedia, defendeu sua cabeça com o antebraço quando uma árvore próxima e engolida pelo fogo despencou ruidosamente e lançou faíscas para os lados. Oliver estava muito próximo do cavaleiro, mais precisamente ao seu lado, acompanhando a visão infernal do penhasco em que se encontravam.

Lá em baixo uma cidade ardia como uma fogueira. Labaredas altas escalavam os prédios executivos, explosões demoliam quarteirões inteiros e pareciam se alastrar muito além do horizonte, devorando as montanhas e até mesmo o céu. “Isso mesmo”, pensou o homem chocado, havia fogo entre as nuvens apodrecidas.

Era o fim do mundo... Disso ele tinha certeza. Não havia vida lá, nada que pudesse contar as histórias de quem um dia andara por aquelas terras.

O cavalo relinchou novamente e virou o tronco em direção ao homem, batendo a pata dianteira direita com força em forma de aviso. De sua respiração emanava uma fumaça de enxofre extremamente quente.

Oliver recuou um passo. O cavaleiro o analisava por baixo da viseira escura, escondendo as suas reais intenções.

- Hades – disse ele com uma voz fria e sussurrante. – Hades está vindo.

- Quem está vindo? – questionou o homem sem compreender.

Uma lufada poderosa de vento açoitou as costas de Oliver. A imensa criatura negra pousou sobre o morro acima deles. Apesar de estar a uma distância grande do humano, seu tamanho, superior a dez metros de altura, era capaz de proporcionar uma turbulência no ar ao seu redor. Oliver não conseguiu ver seus detalhes, mas se espantou quando ela abriu as asas envergadas e elas refletiram as chamas da floresta. Ela estendeu a pata musculosa em direção ao humano.

O chão tremeu e Oliver olhou para seus pés a tempo de ver seu apoio desaparecer enquanto a terra dividia-se ao meio. A escuridão o envolveu assim que começou a cair.

Oliver acordou segurando um grito e batendo com o rosto no carpete após cair da cama. O que sucedeu foi um pesadelo, apenas mais um de muitos que estava tendo. Ao seu lado o despertador tocava insistentes vezes sobre a cabeceira, anunciando a chegada das seis horas da manhã do dia 10 de fevereiro de 2009. Sentou na beirada da cama e passou as mãos sobre o peito empapado de suor. Desde que tinha quinze anos, aquela cena se repetia durante seu sono. Ele já perdia as contas de quantas noites foram interrompidas como aquela.

Olhou para fora através da janela; o céu escuro adquiria tons amarelados devido à aparição do sol sobre o topo dos prédios suburbanos. Não havia nenhuma cidade pegando fogo e, muito menos, um chão se dividindo ao meio. Uma brisa fresca adentrou o quarto e acertou seu pescoço suado. Ficou com um mau pressentimento a respeito desse pesadelo, mesmo que já o tivesse tido antes, principalmente com mais freqüência nos últimos meses. Antes tinha apenas uma ou duas vezes a cada trinta dias, mas agora ele acontecia três ou quatro vezes por semana. Talvez a loucura e a culpa o dominassem mais a cada dia, pensou consigo. Desligou o despertador enquanto admirava pesadamente suas mãos ásperas e grandalhonas.

Mais um dia começaria. “Correção”, pensou Oliver, “mais um dia de viagem cansativa a trabalho”.

Notas finais
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