H.a.c.k
6 Capítulo 6 - O Plano B
Notas iniciais
POV- Heinz
– Pfff...! – Soltei sem querer.
Todos olharam para mim.
– Lá vem... – Reclamou Aidê impaciente.
Comecei a rir sem parar, minha barriga doía. Tive que dar uma pausa para segurar a mesma e recuperar o folego.
– O que eu disse agora? – Perguntou Scott indignado.
– “V-vamo botar...” Hahaha! “Vamo botar pra quebrar.” Hahahahah! – Imitei rindo.
Scott se encolheu lentamente quando percebeu que Rei estava rindo baixinho. Aidê pediu para que tirasse o uniforme e que todos nós fossemos dormir. Olhei pela janela e percebi que já estava completamente escuro. A lua estava lá longe, mas ainda nos observando.
Quando finalmente parei de rir, Aidê já tinha ido embora, J.K havia puxado uma cadeira e sentado ao lado de Rei e Scott. Então resolvi me juntar a eles. Puxei uma outra cadeira da mesa e sentei-me.
– Então? – Perguntei a Scott interrompendo a conversa – Como foi saber que seu primeiro beijo foi com um homem?
Scott congelou. Ele abaixou um pouco a cabeça e olhou discretamente para Rei, queria saber se levou a pergunta a sério. Rei suspirou meio envergonhado olhando para o lado. J.K manteve-se em silêncio. Me senti mal por ter perguntado, normalmente, não penso na maioria das coisas que falo ou faço.
– Descul...
– E-eu não o beijei! Ele me beijou! – Acusou Scott.
– Eh?! – Perguntou Rei aflito.
– Mentira, você fingiu ter um ataque de asma para roubar um beijo dele! – Acusou J.K.
– Ah, é. Eu esqueci que não fui o único a beijar um homem aqui... – Retrucou.
Os dois começaram a discutir, enquanto Rei se encolhia cada vez mais. Eu tentei parar a briga entrando na frente deles, mas não consegui. Scott levantou ameaçando J.K. Eles se xingavam em todas as línguas que se pode imaginar! J.K levantou em seguida, deixando Scott meio sem jeito.
– CHEGA! – Gritou Rei batendo na mesa.
Nós três nos sentamos rapidamente nas nossas cadeiras sem hesitação nenhuma. Rei encarou cada um de nós. Esperávamos algo após aquele grito, mas fomos interrompidos por um barulho. Um barulho muito estranho a ser ouvido, porém, eu o reconhecia.
– S-shhh...! – Reproduziu Rei com o dedo na boca mesmo sabendo que estávamos em silêncio.
A expressão brava de Scott mudou para a de desespero. Olhei lentamente pela janela sem fazer nenhum movimento brusco. Havia duas luzes brancas que vinham em direção a nossa casa. Era um carro. Ele se aproximava lentamente por causa dos entulhos que se encontravam na rua. Seu motor quase não fazia barulho algum, porém, quando passava por pedras e destroços, a lataria soava. Voltei-me para Rei, ia perguntar o que fazer, mas ele estava espantado olhando para Scott.
– O... O que foi? – Perguntei imóvel.
Rei tremulamente apontou para Scott. Olhei nervoso para o mesmo. Ele usava o uniforme branco de Gorod. Sem entender nada, Scott olhou lentamente para baixo engolindo a seco.
– O uniforme. – Avisei.
–...
Ele ainda não entendera o problema que aquilo poderia causar.
– Tira...! – Disse baixinho.
Olhei novamente para a janela. As luzes já estavam apagadas. Ouvi passos pesados em direção à porta. Ele já havia chegado.
– Eu não vou tirar aqui...! – Recusou Scott sussurrando.
– Tira agora! – Mandou Rei no mesmo tom perplexo.
Scott olhou para Rei e depois para J.K com uma cara de “não olha, tá?”. Eu não sei se J.K olharia, estava mais imóvel que uma pedra (se é possível).
Ouvi batidas fortes na porta. J.K deu um pequeno passo para trás em direção à escada. Ele não poderia ser visto por ninguém de dentro e nem de fora de Gorod, ninguém. Rei ajudou Scott a despir-se rapidamente. Pedi para que J.K descesse as escadas e que ficasse com Aidê. Falando em Aidê... Ela não estava lá. Isso não era bom...
J.K desceu os primeiros degraus lentamente, mas, em seguida, correu escada abaixo. A mesma fechou-se atrás dele. Voltei-me cauteloso para Scott, ele estava se cobrindo com os braços, pois só estava de cueca e meias. Rei guardava o uniforme no grande armário “falso”. Enquanto fechava lentamente o armário, a porta soltou um rangido alto. Incomodado, fechou a porta rapidamente, o que diminuiu o barulho.
“TOC! TOC! TOC!“. Outro barulho estrondeante na porta. Olhei para Rei, ele concordou nervoso com a cabeça. Segui até a porta, girei lentamente a maçaneta e finalmente a abri.
– B-boa noite... – Gaguejei.
– Noite. – Respondeu ríspido.
Era um guarda do distrito. Sua roupa tinha um tom amarronzado, mais para caqui. Ele usava calças longas e largas, suas botas eram pretas e ficavam sobre a calça. Em sua mão, um fuzil. Todos os guardas de todos os distritos usavam o mesmo uniforme, entretanto, todos tinham um pequeno detalhe que os diferenciava, pequenas bandeiras costuradas em cima de seus bolsos, representando cada distrito, nesse caso, era a bandeira da França. O guarda olhou para mim, mas depois passou direto, me dando um pequeno empurrão no ombro. Ele cheirava a suor.
Virei-me e percebi que o guarda olhava para Scott.
– Heh, vejo que está rolando uma festa aqui, né? – Perguntou sarcástico – Estão se divertindo?
Ninguém respondeu. Estávamos muito ocupados pensando no pior. O guarda cada vez mais se aproximava de Scott. No entanto, Scott não recuou, ele ficou parado de cabeça erguida.
– Eu sinto seu medo. – Ameaçou o homem.
– E eu, seu cheiro. – Respondeu nervoso.
Ele não fazia ideia do que acabara de dizer. Dava para ver o ódio nos olhos do guarda que acabou de ser desrespeitado. Normalmente, quando “violados”, militares podem prender qualquer pessoa, mas invés disso, ele queria resolver o problema de outro jeito. Percebendo que o guarda fechara os punhos, Rei o interrompeu.
– O... O que traz o senhor aqui?
– As luzes. – Respondeu virando-se – Elas estão acesas. Vocês deveriam estar dormindo para trabalhar amanhã.
– Agora virou nossa mãe para dizer quando temos que dormir? – Perguntou Scott.
O guarda virou a cabeça lentamente para ele. Scott engoliu a seco.
– E-ele quis dizer que... Que você fez muito bem em nos avisar. – Eu disse empurrando o Scott para fora da visão do militar – Obrigado, nós já vamos dormir.
– Espera aí... – Falou apontando para Scott – Você me lembra alguém...
Ficamos desesperados, contudo, tentamos não mudar nossas expressões.
– A-acho que não. – Gaguejou.
– E cadê aquela mulher...? Não. Cadê aquelas mulheres? – Perguntou.
Por um momento, senti meu coração parar de bater. E agora? O que iriamos fazer?! O único jeito de Aidê aparecer era se ela subisse as escadas, mas se subisse as escadas, as escadas iam aparecer e as escadas não podiam aparecer, entendeu?
– Estou aqui. – Respondeu.
Aidê entrou normalmente pela porta, como se nada estivesse acontecendo. Como ela estava ali?! Eu não era o único a estar surpreso com sua aparição.
– Heh, Aidê. – Falou o homem com um sorriso no rosto.
– Meu nome.
– Quanto tempo, né? Heh...
– O que você quer? – Perguntou puxando a alça de seu sutiã.
– Fiquei sabendo de uma festa que não fui convidado. Vim ver o porquê.
Ela olhou para cada um de nós, e cada olhar significava coisas diferentes. Nem imagine o olhar que ela mandou para mim. Era para nós estarmos na cama, mas não obedecemos. Aquilo era nossa culpa.
– Não tem festa nenhuma aqui. Pode ir embora. – Falou Aidê.
– Eu vou, mas com uma condição...
O cara pegou uma folha do bolso de sua calça e mostrou para ela. Sua reação foi de surpresa. Eu quis saber do que se tratava, então andei lentamente para trás de Aidê e me apoiei em seu ombro para poder enxergar o papel.
– É o J...! –
Fui imediatamente interrompido por uma cotovelada na barriga. A dor era tanta que tive que segurá-la e por pouco não caí no chão.
– Não o conheço. – Respondeu Aidê.
– Tem certeza? – Perguntou o cara.
Ela suspirou revirando os olhos e depois concordou com a cabeça.
– Mas... – Disse.
– “Mas”? – Perguntou o guarda curioso.
– Eu já vi esse cara passando por aqui. Ele é um fugitivo, não é?
– De Gorod. – Completou o homem concordando.
– Vem, vou te mostrar.
Aidê foi até a porta e ergueu seu braço para fora da casa convidando-o a sair. Rei, Scott e eu nos encaramos achando aquela situação estranha. O guarda deu uma última olhada em Scott e saiu, em seguida, Aidê saiu fechando a porta.
De repente escuto um barulho... Pancadas? Depois ouvi sussurros e parecia que alguma coisa estava sendo rastejada pelo chão. Nós nos encaramos novamente, só que dessa vez, com medo. Distanciei-me lentamente da porta, dando uns cinco passos para trás. Lembrei que o guarda estava armado e que Aidê estava totalmente vulnerável, fiquei tenso. Depois, ouvi o barulho do motor do carro sendo ligado e andando. Alguém estava o dirigindo.
De repente Aidê abre a porta e entra séria na casa segurando roupas dobradas em seus braços.
– C-cadê o cara?! – Perguntei nervoso.
– Digamos que... Digamos que ele foi dar uma voltinha... A pé. – Disse chacoalhando a chave do carro.
– O que você fez com o guarda, Senpai? – Perguntou Rei preocupado.
– Ah, relaxa, só botei ele pra dormir. – Respondeu descendo as escadas abertas por ela – Pra sempre.
– EH?! – Gritamos espantados.
Ela realmente matou aquele guarda?! E da onde ela surgiu?! São tantas perguntas não respondidas...
~*~*H.A.C.K*~*~
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