H.a.c.k

1 Capítulo 1- Dead End


Notas iniciais
A história se passa em 2154 na Rússia, então algumas coisas podem ser estranhas... Tá, a história é narrada em POV, mas não é cada capítulo para um personagem, vários podem narrar num capítulo só. Espero que gostem!

POV- J.K

Sem saída, estamos num beco sem saída. Milhares de pessoas morrendo, pessoas sofrendo, e agora tudo isso pode mudar. Só depende de... Mim.

Eu estava descendo de rapel pela grande barreira de Gorod, estava quente, não sentia uma brisa há muito tempo. Estava noite, porém, os prédios e os grandes holofotes iluminavam a gigantesca Cidade e seria mais um motivo para ser discreto.

Enquanto descia, dois guardas passavam bem debaixo de mim.

–Ouvi dizer que “aqueles caras” estão querendo invadir Gorod novamente. — Disse um deles.

– Hah!-Riu o outro — E com certeza vão falhar outra vez. Se eu ver um daqueles ratos, não vou hesitar em estourar seus miolos- disse o outro mirando a arma num arbusto.

“Falhar outra vez.”. Eles têm razão. Não é nossa primeira vez tentando bancar umas de heróis...

–J.K!- Gritou.

Eu me assustei, depois fiquei atordoado, era minha parceira gritando no meu ouvido, a Rei. Bom, ela não é bem minha parceira, só fica sentada em um lugar seguro e me diz para onde ir... É.

– O quê? — Respondi com medo de que os guardas tivessem ouvido o grito dela.

– Continua! — Gritou novamente- Vai ficar parado pensando na morte da bezerra?

– A-ah... – Gaguejei percebendo que os guardas já tinham passado- Estou descendo.

Não estava muito longe do chão, acho que uns três metros de distância. Quando desci, soltei o equipamento e perguntei a Rei para onde deveria ir.

– Siga reto e entra na sua primeira esquerda, mas toma cuidado, há câmeras e guardas espalhados. — Respondeu.

– Como assim? — Perguntei olhando para os lados- Não vou conseguir desse jeito.

De repente ouvi uma interferência e uma risada no fundo.

– Heh, quem é o machão agora?

– Heinz... — Disse num tom bravo.

Heinz é um cara que consegue me tirar do sério.

– Agora você precisa de mim, né? — Gabou.

– Não tenho tempo pra isso, Heinz, me fale onde estão as câmeras e os guardas.- Mandei seriamente.

– Acha que não pensei nisso?

Ouvi um pequeno barulho pelo meu fone, um barulho de tecla de computador, e em menos de um segundo, as luzes que rodeavam a pequena parte que eu estava se apagaram.

– Voilà! — Disse o idiota.

– Mas... Os guardas não vão checar por que isso aconteceu? — Perguntei perplexo.

Houve alguns segundos de silêncio.

– Cara, eu só sou o hacker, o resto é com você. — Comentou o alemão.

Ouvi um barulho de porta se abrindo. Um guarda estava saindo para ver o que causou a falta de luz. Por algum motivo, comecei a tremer, meu coração acelerou, mas... Não era medo, já tinha passado por isso antes, porém, senti que poderia não conseguir fugir dessa vez. Ouvi passos, o barulho estava cada vez mais perto, eu não conseguia me mexer. Talvez todos tivessem razão, eu nunca conseguiria salvar a humanidade...

– Não é hora de amarelar, seu pedaço de merda!

–Ahhhh! — Gritei assustado.

O grito foi tão alto que tive que tirar o fone, nem tinha percebido que o berro era da minha chefe, Aidê.

– Seu idiota! — Xingou — Corre!

Não tive nem tempo para pensar, ela me dava medo. Os passos vinham do lado oposto de onde eu deveria ir, então comecei a correr. Sem olhar pra trás, percebi que algo estava me perseguindo.

–Cara, não quero te assustar não, mas... Não olha pra trás...– Alertou Heinz.

O tom de voz dele não me alegrava muito, o calor que eu sentia rapidamente se transformou em frio. Os poucos metros que eu precisava correr para chegar, pareciam se transformaram em quilômetros e eu estava me cansando, uma coisa muito difícil de acontecer. Fiquei curioso em olhar pra trás, quando ia virar minha cabeça, ouvi um barulho de arma. Alguém estava carregando-a.

– Te peguei, seu desgraçado — Mirou a arma.

Minha boca secou. Meu coração acelerou. Não tinha mais pra onde fugir. Acabou... Né?

– J.K. — Avisou Rei — Com calma, vire para sua esquerda, essa é a porta.

Olhei para o local indicado rapidamente, não podia tirar os olhos do guarda.

– Onde você pensa que vai? — Disse apontando a arma em direção do meu peito.

Percebi que o guarda estava se aproximando, vi que a porta se abria com digital.

–H-Heinz! — Gritei gaguejando.

– Eh?!- Surpreso — E-era para estar destrancada.

– Outra alternativa, Rei? — Perguntei tentando manter a calma.

–... Foi bom trabalhar com você, J.K- "Lamentou" secamente.

Enquanto o guarda se aproximava de mim, senti uma sensação... Me senti mais forte, forte o bastante para fazer qualquer loucura... Forte o bastante para matar alguém.

– O que foi? — Perguntou — Que tal paramos com essa brincadeirinha idiota e vem comigo? Acabou.

–Cara... — Falei sacando minha arma — Você parece até minha ex-namorada, não sabe quando realmente acaba.

Ele ficou alguns segundos parado, não sabia o que estava acontecendo. E eu também não. Quando ele percebeu, pois a mão no gatilho e mirou mais precisamente. Eu não sabia se fugia ou atirava e de repente ouvi o tiro.

Não sentia minhas pernas, a arma caiu da minha mão, não conseguia mais senti-la. Minha visão ficou embaçada, minha respiração fraca. Ouvi um barulho bem semelhante de quando minha arma caiu. Era a arma do homem, ela tinha caído no chão. Em seguida o dono da arma caiu também. O sangue se espalhou lentamente pelo chão branco e brilhante daquele lugar.

Não muito depois, também caí. Não aguentava o meu próprio peso. Não aguentava saber que matei uma pessoa da minha própria cidade.

Me senti tonto, parecia que estava girando por horas e horas, estava tudo escuro, frio e solitário. Não sabia o que e por que tinha acontecido. Não era a primeira pessoa que eu tinha matado, então... Por quê? Senti uma alguma presença, a luz que refletia nas minhas pálpebras, sumiu e resolvi abrir os olhos.

–Ah! — Surpreso — Ele acordou! Acho que está bem...

Era Heinz. Eu nunca fiquei tão feliz em vê-lo. Aqueles olhos azuis. Não sei se foi impressão minha, mas... Eles estavam brilhando quando acordei. Por algum motivo, eu o abracei.

–E-ei! — Exclamou tentando se soltar — Não! Ele não está bem!

Ele tem cabelos loiros, chegam a ser brancos, sua pele é bem clara. Pergunto-me como ele consegue ter uma pele tão clara embaixo desse Sol?

–Me solta, idiota! — Gritou bravo.

Nem percebi que estava segurando-o por tanto tempo, achei melhor soltá-lo.

–Esse cara tá muito estranho! — Reclamou o loiro — Acho que foi ele que levou o tiro.

Realmente foi muito estranho o que eu acabei de fazer. A Rei e a Aidê nem prestaram atenção no que acabara de acontecer, elas estavam ocupadas bolando outro jeito de invadir Gorod.

Eu me sentei lentamente no que restara de uma cama, minha cabeça ainda doía. Heinz se juntou às meninas. Ele estava usando um casaco grande azul e desgastado. Ele usava uns broches de mau gosto, eram de carinhas felizes e relacionadas à tecnologia. Por debaixo do casaco, tinha um short cinza... Não me pergunte como sei, só sei! Um de seus All Star é de cano alto. Também usa suspensórios pretos e meias compridas, uma delas é 7/8 e outra 5/8 e são listradas... Algumas vezes... Sinto pena desse cara.

Os três estavam cochichando sobre mim, quando perceberam que eu estava olhando. Senpai, digo, Aidê se aproximou de mim.

– Como está sua cabeça? — Perguntou sentando do meu lado.

– B-bem. — Respondi nervoso.

Eu sei que nunca é coisa boa quando a Aidê parece se preocupar, então já esperava o pior.

A Aidê usa roupas bem... Chamativas... Ela usa um espartilho listrado nas cores vinho e marrom, suas meias eram seguradas por presilhas da cor preta. As botas pretas de cano longo eram o que chamava menos atenção comparado ao que tinha em cima. Seu cabelo tem uma cor castanha avermelhada e quase nunca está solto, ela usa uma franja na altura dos olhos e raramente podemos vê-los.

– Me desculpa pelo que aconteceu mais cedo. — Desculpou-se de cabeça baixa.

Algo realmente não está certo. Ela nunca falaria isso.

–Senpai — Reclamou Rei — Fala logo, não temos muito tempo.

Nessa hora, minha fixa caiu. Eles não me queriam mais no grupo.

– J.K, todos nós sabemos que não é a primeira vez que você falha nessa missão. — Disse olhando para mim.

– E não queremos que você morra. — Acrescentou Rei Aidê.

– Vocês... Vocês acham que sou fraco? — Perguntei olhando para todos.

Eles ficaram quietos.

– Olha... — Disse Rei de um modo sarcástico.

– Eu não sou fraco. — Interrompi — Eu quero salvar todos, quero salvar minha família!

– Nós somos sua família, J.K — Confortou Heinz apoiando sua mão em meu ombro.

Eu não pensei nem duas vezes. Empurrei sua mão. Todos ficaram surpresos, mas logo, Heinz mudou sua expressão.

– Algumas vezes você fica insuportável, sabia? — Perguntou bravo.

– Falou o garoto que usa shorts e meias 7/8. — Ofendi-o me levantando.

Ele ficou vermelho, seus olhos pareciam que iam pegar fogo. Eu sabia que Heinz não é de lutar, mas naquele momento, senti o ódio dele se espalhando. Fechou os punhos, ia começar.

– Retardados! — Gritou batendo com uma vareta em nossas cabeças.

Rei. A menininha do grupo... Ou não. Poucos sabem dela, na verdade, eu sou o único que a conheço mais. Ah, como eu não queria conhecer. Ela guarda um pequeno segredo, um minúsculo detalhe, e acho melhor não comentar, me dá arrepios só de lembrar. Sempre mudando de roupa, não é muito difícil descobrir se é a Rei. Dessa vez ela usava uma blusa sobreposta, uma sem manga e outra com mangas laterais. Também usava um grande laço amarrado em seu pescoço, nem queira saber o que tem debaixo. A saia rodada era curta, bege, e usava uma meia-calça preta rasgada. As botas estavam mal amarradas e sujas, mas o que chamava mais atenção era seu cabelo. Ele estava preso de maria-chiquinha, a cor era vibrante. Verde. Mas tem uma coisa muito interessante, ela é lisa, não tem curvas que nem a Aidê, ( ͡°͜ʖ͡°) se é que você me entende.

A pancada doeu. Minha cabeça nunca doeu tanto, tive que deitar de novo.

–Viu? — Apontou Aidê — Nós precisamos de outra pessoa.

–Eu estou bem! — Protestei deitado.

–Você não vai sair do grupo, só queremos que você descanse. — Comentou impaciente.

Encostei minha cabeça no travesseiro, cheirava mofo e suor. Fechei meus olhos querendo descansar, mas um tempo depois o silêncio foi quebrado.

– Heinz, quero que encontre outra pessoa. — Ordenou a morena.

– O-o quê? — Gaguejou o loiro — Nós vamos substituir o J.K?

– Não... — Suspirou — Quero que saia por aí a procura de uma pessoa que conheça esse distrito tanto quanto nós. Se juntarmos uma pessoa que conheça aqui e uma pessoa que conheça Gorod, teremos uma chance maior.

–Mas...

– Não deve ser tão difícil assim. Nosso distrito é conhecido por ter mais soldados do que qualquer outro, você só tem que encontrar um francês. — Interrompeu Aidê.

– S-sim, senhora — Concordou.

– Ah, e vista calças. — Lembrou Rei.

Depois disso, ouvi o barulho da porta se abrir e fechar. Heinz partiu. Percebi que tinham falado de Gorod, minha cidade natal. Fugi de lá na minha adolescência, não podia acreditar que minha sociedade e até mesmo eu, somos os responsáveis por tudo o que está acontecendo. Isso é tudo culpa minha.

POV-J.K

–Fim

Notas finais
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