[HIATUS] Caindo do céu
8 Minhas flechas vs O portão e o maldito cadeado - Mérida
Notas iniciais
Mérida tem sonhos e ela não os esconde.
Eu não os escondo.
Adrenalina, aventura e liberdade, apenas isso. É só isso que eu quero e não vou mais descansar até conseguir... Mentira, provavelmente eu irei, minha preguiça consegue ser maior do que eu de vez em quando, mas eu vou me esforçar para conseguir o que quero. Construir minha nave e me mandar daqui; um sonho que se aproxima cada vez mais. Eu já tenho um local para construí-la e acabei tendo algumas ideias para o projeto durante a caminhada.
Por que às vezes eu saio correndo por aí e em outras horas eu fico cansada só de andar por alguns minutos? Eu já caminhei distâncias bem maiores do que essa e nem fiquei cansada, talvez seja o calor da Terra. Em todo casa, eu não tenho sentido mesmo, eu estou aprendendo a ser maluca com o Frost.
— É aqui. – Jack falou ao chegarmos ao tal celeiro/ depósito – Aqui está o velho armazém do Senhor North.
Agora é um armazém também? Decida-se porque eu não sou sua idiota, você, Jack Frost, que é o meu.
— Ele parece um pouco acabado, mas vai ter que servir. – ele continuou
Observei melhor o local. Não havia absolutamente nada por perto, com certeza não seriamos ouvidos, então isso já é muito bom. Boa localização: confere. A pintura já era quase inexistente e o pouco que restava já estava muito desbotado, nem dava para saber qual era a cor, mas eu não sou decoradora, então que se dane isso tudo aí que eu disse. Já a estrutura parecia estar em ordem, não tinha nada que indicasse que o prédio fosse cair sobre nossas cabeças.
— Construir uma nave vai ser a coisa mais nerd que eu vou fazer na minha vida. – comentou — Eu não costumo ser muito... Desse jeito aí.
— Bem especifico. – ironizei
— É que eu ainda não me acostumei com essa história de construir naves, a coisa mais nerd que eu já fiz na minha vida foi me viciar em Ultimate Bleach há alguns meses.
— Ei! Não era aquela coisa que eu jogava com você?
— O próprio.
— Então eu sou nerd?
— Mais do que eu, afinal, você me disse que sabe construir naves. – já sei onde isso vai parar, já que esse aí adora me provocar (e eu adoro bater nele, então fica justo) – Ou você não sabe?
— Você gosta de duvidar de mim, não é?
— Não, mas eu adoro te deixar irritada. – Jack admitiu na maior cara de pau
— Eu vou te dar uma flechada.
— Nossa, eu estou morrendo de medo.
Esse aí está perdendo completamente a noção do perigo. Sorte a dele que, por um milagre, hoje eu estou calma. Calma não, satisfeita. Pronto, já decidi, mas só por hoje eu estou satisfeita.
— Vamos ver como poderemos entrar. – orientei
— Pela porta. – não? Isso é sério? – Ou pelas janelas se você preferir.
Revirei os olhos, já não estava mais tão “satisfeita” quanto a quinze segundos atrás.
Andei até o portão, vendo logo um grande e enferrujado cadeado. Só isso de segurança? Eu já passei por coisas bem mais elaboradas do que essas.
— Sai da frente. – alerto a Jack, dando alguns passos para trás – Talvez eu destrua mais do que devo.
Começo a transferir a energia para minhas mãos, formando meu arco e flecha.
— É melhor não destruir o celeiro depósito armazém inteiro. – ele me advertiu, correndo um pouco na direção oposta ao meu arco e flecha.
— Ah, relaxa aí, eu não vou destruir tudo. – sorri – Talvez só o portão e parte da parede.
Me concentrei ao máximo e me preparei para atirar, mantendo meus olhos fixos em meu alvo, o cadeado. Dei um leve impulso e disparei. Minha flecha voou na direção para qual eu a enviei e o atingiu com sucesso, causando uma “considerável” explosão no local.
— Funcionou! Funcionou! – comemorei ao ver a fumaça causada pela explosão. Eu sou a melhor arqueira que já existiu em todo o universo ou não sou? – Jack! Já pode sair! Eu consegui!
— Eu espero que tenha sobrado alguma coisa. – ele andou até mim – É assim que são arco e flecha em Dunbroch? No meu planeta isso se chama terrorismo mesmo.
Ele já está me provocando de novo? Ainda bem que passei de “satisfeita” para “muito feliz”.
— Para de reclamar. — revirei os olhos – Vamos esperar a fumaça sumir para vermos o estrago que eu fiz.
— Então eu vou poder reclamar depois?
— Ah, claro! Vai nessa...
Não demorou muito para que isso acontecesse, mas o que eu vi me deixou muito surpresa e decepcionada. O portão estava inteiro, completamente igual à antes, ele saiu intacto da minha explosão.
— Isso não está certo, não está mesmo.
Como é que pode? Corri até lá para ver o cadeado.
— Não! Não! Não! Não pode ser!
Ele também estava sem um arranhão se quer.
— Isso não tá acontecendo!
— Mérida. – Jack colocou a mão no meu ombro com a intenção de me acalmar – Não deu para abrir e pronto, a gente tenta entrar de outro jeito.
— Não, Jack! – recusei sua proposta – Eu devo ter feito alguma coisa errada e não percebi, se eu tentar de novo vai funcionar.
— Mas você é teimosa, porra!
— Pelo menos eu estou fazendo alguma coisa aqui, ok? Você deveria se preocupar em me ajudar ao invés de reclamar de tudo.
— Então eu sou um inútil que só sabe reclamar?
— É! É isso mesmo!
Jack andou até uma árvore, subiu nela e ficou sentado em dos galhos.
— O que você tá fazendo em cima da árvore? – perguntei já sem paciência
— Você não disse que eu sou inútil? Resolvi me assumir.
— Você está brincando com minha cara, não é?
— Nunca falei tão sério na minha vida. – o garoto encostou-se ao tronco da árvore, parecendo estar em uma posição bem confortável para “apreciar o show” – Você pode ir tentando aí, eu quero saber até quando você vai aguentar.
— Eu derrubar aquele portão antes do que você imagina.
— Ah, é? Digo nada, só observo.
Dei alguns passos para trás e repeti o processo de transferência de energia. Está tudo em minhas mãos, é só eu me concentrar um pouco mais, eu não posso tirar os olhos do meu alvo nem por um segundo.
Disparei e vi outra explosão acontecer.
— Agora deu certo! – gritei para ele
— Quem garante?
— Eu!
— Isso faz uma diferença, hein?
A fumaça baixou.
— Eu não acredito!
O portão resistiu a mais uma explosão... E aquele maldito cadeado também.
— Já acabou, Mérida? – ele colocou uma das mãos na cintura e me lançou um olhar de desprezo
— Eu mal comecei, eu posso fazer isso o dia todo.
— Você quem sabe. – deu de ombros — Pelo menos a árvore está me servindo bem, ela não é inútil como eu e nem fracassada como você, nós temos muito o que aprender com ela.
Agora virou questão de honra:
— Esse portão ainda vai cair! – anunciei
Preparei mais um tiro, eu sentia que esse daria certo. Vai dar certo! Vai dar certo! A fumaça baixou e revelou o resultado da explosão: absolutamente nada.
— Eu não vou parar até conseguir! – falei antes que ele pudesse vir com uma de suas provocações
— Então morra tentando!
Atirei mais uma vez... Nada.
Tentei outra vez... Nada de novo.
Eu já estava ficando cansada... Não foi dessa vez, mas vou conseguir na próxima.
E mais uma vez... Não funcionou.
Mais uma... Não!
Não sei se tenho mais energia para as flechas... NÃO!
Eu vou continuar tentando... Eu já perdi a paciência!
Eu não estou me sentindo muito bem... Droga!
Eu não preciso de energia agora, o que importa é destruir o portão ou ao menos aquele maldito cadeado.
XX XX
XX XX
Abri meus olhos e dei de cara com a baba em meu travesseiro. COMO ASSIM? E- Eu apaguei? O que aconteceu?
— Achei que não fosse acordar hoje. – ouvi uma voz conhecida
— Hm, Jack. – gemi enquanto me enrolava um pouco mais nas cobertas – Eu consegui derrubar o portão?
Ele balançou a cabeça negativamente, estralando a língua.
— Fala que eu consegui pelo menos quebrar o cadeado.
— Não passou nem perto.
Merda!
— Você tentou tanto que acabou desmaiando. – ele contou
— Eu devo ter transferido energia demais. – concluí, por isso que eu me sinto tão exausta
— Essas flechas não surgem do nada?
— Elas são feitas com a energia do meu corpo. – expliquei – Quanto mais energia eu gasto nelas, menos eu tenho para mim.
— Ah, saquei. É um poder bem louco.
— Não tem nada demais, todos de Dunbroch podem fazer isso se treinarem.
— Mas ninguém da Terra consegue. – Jack colocou as costas mão em minha testa – Você não está com febre, mas é melhor descansar.
— Achei que você fosse me largar ali. – deixei escapar
— Eu gosto de te irritar, mas não quero que você fique mal de verdade, nem que você “morra tentando”.
Não respondi.
— Agora vou ter uma conversa com o velhote, se precisar de alguma coisa é só me chamar.
— É sobre o portão indestrutível? — quis saber
— É. — Jack confirmou — Algo errado não está certo nessa história aí, aquele velho está escondendo alguma coisa de mim.
— Ei! Mas você não pode falar sobre a nave.
— Projeto de nave. — me corrigiu — Mas pode deixar, eu não vou.
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