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5 Capítulo 5 - Um péssimo dia
Notas iniciais
Assim que saímos do colégio, fomos á cafeteria que ficava do outro lado da rua; para ser sincera, eu sempre odiei café, é amargo, sem graça e ruim.
Ryu pediu duas pequenas xícaras de café, antes que eu dissesse o quanto odiava aquilo, o pedido já estava no balcão. Ele direcionou aos seus lábios saboreando aquilo, como alguém iria gostar de café do jeito que ele demonstrava?
Ele pagou e esperou com que eu bebesse, eu levei á boca também, e senti-a queimar, estava quente e amargo, a balconista me deu um copo com água, então bebi demonstrando a minha sede.
– Pare de fazer cena, que vergonha...
– Eu odeio café, e estava queimando, isto não é um doce, é uma coisa horrível.
– Eu sabia que você é estranha e infantil, esqueci este fato.
Sabe quando você está radiante, e no mesmo instante sofre uma decepção que muda todo o seu humor? Eu me senti assim, fiquei vermelha por saber que não fui a única a ouvir aquilo, e sim todos que estavam ali. Realmente ele não era a mesma pessoa, ele sim parecia um CAFÉ!
– Se você é um adulto certinho, não deveria ficar perto de mim, eu não preciso de babá.
Sai daquele lugar rapidamente, percebi que ele estava atrás de mim, parei na esquina e encarei ele.
– Pare de me seguir.
Ele suspirou
– Nós seguimos o mesmo caminho.
– Tanto faz
Continuei seguindo, ele puxou o meu braço, havia uma bicicleta passando e ela poderia ter me atropelado de uma forma feia
– Você realmente precisa de uma babá.
– ... Ora, você não sabe nada sobre mim.
– Talvez.
Andamos juntos novamente, o silencio reinava ali.
– Ryu?
– O que foi?
– Por que você foi pra Austrália?
Ele parou por uns instantes, olhando para o lado, talvez estivesse procurando uma resposta clara.
– Isso realmente importa?
– Sim, você nos deixou sem dizer o porque.
– Foi porque eu quis, ás vezes a gente não pode deixar com que os outros nos levem para a ruína, eu fiz isso, eu estive bem até voltar pra cá e reencontrar tudo.
– Entendi.
– Mas isso não significa que eu odeie você.
– Eu não pensei nisso, mas agora que você disse... Eu tenho algo á perguntar.
– O que?
– Antes de você ir embora... — Fui interrompida por um grito, de Lola, que estava no ponto de partida do ônibus. — Esqueça.
Subimos no ônibus e ele sentou-se no canto da janela, antes que eu ficasse ao seu lado, Lola me empurrou e sentou no meu lugar. Fiquei em pé observando-os. Lola sabia interagir super bem, tinha grandes assuntos, uma boa família rica, e eu? Tudo ao contrário, mas sempre fui aceita daquela forma, talvez minha ingenuidade me cegue... ou não.
O ônibus parou de repente, e Lola havia saído, já estava perto de sua casa. Me sentei ao lado de Ryu, esperando-o dizer alguma coisa, enquanto esperávamos a chegada de nosso bairro.
Ryu não disse nada, não me olhava, parecia ter raiva de mim em algo, mas eu nunca o fiz nada. Eu já estava tão cansada de ficar ali, então me deitei minha cabeça em seu ombro, ele suspirou e abaixou sua cabeça, finalmente o ponto havia chegado, mas antes que eu avisasse, o motorista não parou, então rapidamente me levantei e apertei o botão, mas já era tarde.
– Ryu, passamos do nosso ponto.
– Você é realmente inútil. — Ele levantou-se
– Eu? Não acredito nisso, a culpa não foi só minha.
Discutimos até o motorista parar e nos expulsar por incomodar os outros ao redor, e por um grande azar estávamos longe de nossas casas.
– Você e sua cena novamente. Que vergonha...
– Cale a boca, idiota.
Continuamos andando.
– Estou tão cansada, meus pés doem.
– Sedentária. — Ele se abaixou — Vamos, pule nas minhas costas.
Subi em suas costas, então ele me carregou durante 30 segundos, até perder o equilíbrio e cairmos na rua.
– Você pesa...
– Você é fraco.
Novamente nos encaramos, meu rosto ficou tão vermelho, ao perceber isto o mesmo sorriu e se levantou, me ergueu e caminhamos.
Andamos por um bom tempo em silêncio, até chegar a minha casa, nos despedimos e entrei...
Ouvi gritos, vindo do quarto de meus pais, meu irmão estava sentado no sofá ouvindo uma música alta, e jogando video-game, joguei a minha bolsa em cima dele e fui ouvir o que meus pais discutiam.
– Eu não quero que você fique aí deixando sua empresa morrer enquanto fica se divertindo. Preste atenção, você tem filhos! – Era a voz de minha mãe. Divertindo? Como?
– Então suma daqui, e deixe meus filhos, nem pra cuidar deles você serve, até contratou uma babá pra eles, que tal sair daqui agora?
Me afastei dali, aquilo já era o bastante, todos os dias quando eles chegavam do trabalho, Tommy e eu éramos obrigados a ouvir a mesma discussão...
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