Gêmeos Potter e a Pedra Filosofal.

3 Capítulo 3 - As cartas de ninguém.


Notas iniciais
Estou postando um capítulo por dia, mas quando Harry e Maggie virem a Hogwarts posso ter que demorar mais tempo. Boa leitura!

A fuga da jiboia brasileira rendeu a Harry e Maggie o seu castigo mais longo. Na altura em que lhes permitiram sair do armário, as férias de verão já haviam começado e Duda já quebrara a nova filmadora, acidentara o aeromodelo e, na primeira vez que andara na bicicleta de corrida, derrubara a velha Sra. Figg quando ela atravessava a Rua dos Alfeneiros de muletas.

Os gêmeos ficou contente que as aulas tivessem acabado, mas não conseguiam escapar da turma de Duda, que visitava a casa todo dia.

Pedro, Dênis, Malcolm e Gordon eram todos grandes e burros, mas como Duda era o maior e o mais burro do bando, era o líder.

Os demais ficavam bastante felizes de participar do esporte favorito de Duda: perseguir Harry e Maggie.

Por esta razão, os gêmeos passavam a maior parte do tempo possível fora de casa, perambulando e pensando no fim das férias, no qual conseguia vislumbrar um raiozinho de esperança.

— Você acha que vai ser legal? — Perguntou Maggie, no balanço do playground em que os dois estavam.

— Na escola secundária? — Emendou Harry, no balanço ao lado. — Sem o Duda, espero que sim.... talvez, façamos até amigos.

— Eu não sou sua amiga? — Perguntou Maggie indo até a gangorra, Harry a seguiu.

— Claro que é, nós vamos fazer amigos juntos, não vamos nos separar, Ok?

— Ok.

Quando setembro chegasse, eles iriam para a escola secundária e, pela primeira vez na vida, não estaria em companhia de Duda. Duda tinha uma vaga na antiga escola de tio Válter, Smeltings. Pedro ia para lá também. Harry e Maggie por outro lado, iam para a escola secundária local. Duda achava muita graça nisso.

— Eles metem a cabeça dos garotos no vaso sanitário no primeiro dia de escola — contou ele aos gêmeos — querem ir lá em cima praticar?

Os gêmeos deram sorrisos maliciosos.

— Não, obrigado — respondeu Harry.

— É, O coitado do vaso nunca recebeu nada tão horrível quanto a sua cabeça, é capaz de passar mal — completou Maggie.

E correram antes que Duda conseguisse entender o que disseram.

Certo dia de julho, tia Petúnia levou Duda a Londres para comprar o uniforme da Smeltings e deixou Harry e Maggie com a Sra. Figg.

A Sra. Figg não estava tão ruim quanto de costume. Afinal, fraturara a perna porque tropeçara em um dos gatos e não parecia gostar tanto deles quanto antes. Deixou Harry e Maggie assistirem a televisão e lhes deu um pedaço de bolo de chocolate que pelo gosto parecia ter muitos anos.

Naquela noite, Duda desfilou para a família reunida na sala de estar vestindo o uniforme novo da Smeltings. Os alunos da Smeltings usavam casaca marrom-avermelhada, calções cor de laranja e chapéus de palha. Carregavam também bengalas nodosas, que usavam para bater uns nos outros quando os professores não estavam olhando – isto era considerado um bom treinamento para o futuro.

Ao contemplar Duda nos calções laranja novos, tio Válter disse com a voz embargada que aquele era o momento de maior orgulho em sua vida. Tia Petúnia rompeu em lágrimas e disse que não podia acreditar que era o seu Dudinha, estava tão bonito e adulto.

— Estou sem palavras — comentou Maggie a Harry.

Harry não confiou no que poderia dizer. Achou que duas de suas costelas talvez já tivessem partido só com o esforço para não rir.

Havia um cheiro horrível na cozinha na manhã seguinte quando Harry e Maggie entraram para o café da manhã. Parecia vir de uma panela de metal dentro da pia. Eles se aproximaram para espiar.

A tina aparentemente estava cheia de trapos sujos que boiavam na água cinzenta.

— O que é isso? — perguntou Harry à tia Petúnia.

Os lábios dela se contraíram como costumavam fazer quando ele se atrevia a fazer uma pergunta.

— Os seus uniformes novos de escola — respondeu.

Harry espiou para dentro da tina outra vez.

— Ah — comentou — eu não sabia que tinha que ser tão molhado.

— Por favor, Harry... — Maggie revirou os olhos.

— Não seja idiota — retorquiu tia Petúnia com rispidez. — Estou tingindo de cinza umas roupas velhas de Duda e das doações para vocês. Vão ficar iguaizinhas às dos outros quando eu terminar.

Os gêmeos tinha sérias dúvidas, mas achou melhor não discutir.

Sentaram-se à mesa e tentou pensar na aparência que teria no primeiro dia de aula – como se estivesse usando retalhos de pele de elefante velho, provavelmente.

Duda e tio Válter entraram ambos com os narizes franzidos por causa do cheiro do novo uniforme dos gêmeos. Tio Válter abriu o jornal como sempre fazia e Duda bateu na mesa com a bengala da Smeltings, que ele carregava para todo lado.

Ouviram o clique da portinhola para cartas e o som da correspondência caindo no capacho da porta.

— Apanhe o correio, Duda — disse tio Válter por trás do jornal.

— Mande os gêmeos apanharem.

— Apanhe o correio, vocês dois.

— Mande o Duda apanhar — responderam os dois prontamente.

— Cutuque eles com a bengala da Smeltings, Duda.

Harry puxou Maggie para se esquivar da bengala da Smeltings e os dois foram apanhar o correio. Havia três coisas no capacho: um postal da irmã do tio Válter, Guida, que estava passando férias na ilha de Wight, um envelope pardo que parecia uma conta e uma “carta para Harry e Margareth”.

Harry apanhou-a e ele e a irmã ficaram olhando, o coração vibrando como um elástico gigante. Ninguém, jamais, em toda as suas vidas, lhe escreveram. Quem escreveria? Eles não tinham amigos, nem outros parentes, não eram sócios da biblioteca, de modo que jamais receberam sequer os bilhetes grosseiros pedindo a devolução de livros. Contudo, ali estava, uma carta, endereçada tão claramente que não podia haver engano.

Sr. H. Potter e Srta. M. Potter.

O Armário sob a Escada

Rua dos Alfeneiros, 4

Little Whinging Surrey

O envelope era grosso e pesado, feito de pergaminho amarelado e endereçado com tinta verde-esmeralda. Não havia selo.

Quando virou o envelope, com a mão trêmula, Harry viu um lacre de cera púrpura com um brasão – um leão, uma águia, um texugo e uma cobra circulando uma grande letra “H”.

— Andem depressa, moleques! — gritou tio Válter da cozinha. — Fazendo o quê, procurando cartas-bombas? — E riu da própria piada.

Harry e Maggie voltaram à cozinha, ainda de olhos fixos na carta. Harry entregou a conta e o postal ao tio Válter, sentou-se com Maggie ao seu lado e começou a abrir lentamente o envelope amarelo.

Tio Válter rasgou o envelope da conta, deu um bufo de desdém e virou o postal.

— Guida está doente — informou à tia Petúnia. — Comeu um marisco suspeito...

— Pai! — exclamou Duda de repente. — Pai, os gêmeos receberam uma carta!

Harry ia desdobrar a carta, escrita no mesmo pergaminho que o envelope, quando tio Válter arrancou-a de sua mão.

— É nossa! — disse Harry e Maggie, tentando recuperá-la.

— Quem iria escrever para vocês? — zombou tio Válter, sacudindo a carta com uma das mãos para desdobrá-la e percorrendo com o olhar.

Seu rosto passou de vermelho para verde mais rápido que um sinal de tráfego. E não parou aí. Segundos depois ficou branco-acinzentado, cor de mingau de aveia velho.

— P-P-Petúnia! — ofegou.

Duda tentou agarrar a carta para lê-la, mas tio Válter segurou-a no alto fora do seu alcance. Tia Petúnia apanhou-a cheia de curiosidade leu a primeira linha. Por um instante pareceu que ela talvez fosse desmaiar. Levou as duas mãos à garganta e produziu ruído de engasgo.

— Válter! Ah, meu Deus, Válter!

Eles se encararam parecendo ter esquecido que Harry, Maggie e Duda continuavam na cozinha. Duda não estava acostumado a ser desprezado. Deu uma bengalada forte na cabeça do pai.

— Quero ler esta carta — falou alto.

— Quer ler o que? — cortou Maggie — As únicas pessoas que tem o direito de ler esta droga somos Harry e eu!

— Queremos lê-la — disse Harry furioso para tio Válter — porque é nossa...

— Saiam, os três — ordenou com voz rouca tio Válter, enfiando a carta no envelope.

Harry e Maggie não se mexeram.

— QUERO MINHA CARTA! — Gritaram os dois.

— Me deixa ver! — exigiu Duda.

— Fora! — berrou Tio Válter, e agarrando os dois, , Harry e Duda, pelo cangote, atirou-os no corredor, depois trouxe Maggie pelo braço, lhe dando pontapés, a largou no chão como se fosse um trapo e fechou a porta com força.

Harry, Duda e Maggie na mesma hora tiveram uma briga furiosa, mas silenciosa, para saber quem ia escutar à fechadura. Duda ganhou, por isso Harry, os óculos pendurados em uma orelha, deitou-se de barriga no chão para escutar pela fresta entre a porta e o chão, Maggie fez a mesma coisa ao seu lado.

— Válter — disse tia Petúnia com voz trêmula — olhe só o endereço. Como é que eles poderiam saber onde eles dormem? Você acha que estão vigiando a casa?

— Vigiando, espionando, talvez nos seguindo — murmurou tio Válter enlouquecido.

Harry e Maggie viram os sapatos pretos lustrosos do tio Válter andando para cá e para lá na cozinha.

— Não — disse ele decidido. — Não, vamos ignorá-la. Se não receberem uma resposta... É, é o melhor... Não vamos fazer nada...

— Mas...

— Não vou ter um deles em casa, Petúnia! Nós não juramos quando o recebemos que íamos acabar com aquela bobagem perigosa?

Aquela noite, quanto voltou do trabalho, tio Válter fez uma coisa que nunca fizera antes, visitou os gêmeos no armário.

— Cadê nossa carta? — perguntou Harry, no instante em que tio Válter se espremeu pela porta. — Quem nos escreveu?

— Ninguém. Endereçaram a vocês por engano — disse tio Válter secamente. — Queimei a carta.

— Não foi um engano — retrucou Maggie com raiva — tinha o endereço do nosso armário.

— CALADA! — gritou tio Válter e algumas aranhas caíram do teto. Ele inspirou algumas vezes e então fez força para produzir um sorriso que pareceu bem penoso. — Hum, sim, Harry, Maggie, sobre este armário. Sua tia e eu estivemos pensando... Você realmente estão ficando grande demais para ele... Achamos que seria bom se vocês se mudassem para o segundo quarto de Duda.

— Por quê? — perguntou Harry e Maggie ao mesmo tempo.

— Não façam perguntas — disse com rispidez o tio. — Leve essas coisas para cima agora.

A casa dos Dursley tinha quatro quartos: um para tio Válter e tia Petúnia, um para hóspedes (em geral a irmã de tio Válter, Guida), um onde Duda dormia e um onde Duda guardava todos os brinquedos e pertences que não cabiam no primeiro quarto. Os gêmeos precisaram de apenas uma viagem para mudar tudo o que tinha do armário para o quarto no andar de cima.

Sentaram-se na cama e deram uma olhada à sua volta. Quase tudo ali estava quebrado. A filmadora com apenas um mês de uso estava jogada em cima de um pequeno tanque com que certa vez Duda atropelara o cachorro do vizinho, no canto estava o primeiro televisor de Duda, no qual ele enfiara o pé quando seu programa favorito fora cancelado, havia uma grande gaiola de pássaros, antigamente habitada por um papagaio que Duda trocara na escola por uma espingarda de ar de verdade, e que estava guardada numa prateleira com a ponta dobrada porque Duda se sentara em cima dela. Outras prateleiras estavam cheias de livros. Eram as únicas coisas no quarto que pareciam nunca ter sido tocadas.

Lá de baixo veio o barulho de Duda gritando com a mãe:

— Eu não os quero lá... Eu preciso daquele quarto... Mande-os sair!

Maggie revirou os olhos e começou a tirar toda aquela tralha de Duda e corajosamente os chutou para seu quarto, aproveitando sua ausência, deixando apenas os livros. Quando voltou, largou-se novamente na cama a frente de Harry, seus pés apoiados na cabeceira.

Harry suspirou e se esticou na cama, suas cabeça se encostou com a da irmã, Maggie fungou. Ontem os gêmeos teriam dado qualquer coisa para estarem ali. Hoje, preferiam estar no seu armário com aquela carta do que ali em cima sem ela. Na manhã seguinte, no café, todos estavam muito quietos. Duda estava em estado de choque.

Berrara, batera no pai com a bengala, vomitara de propósito, dera pontapés na mãe e atirara sua tartaruga pelo teto da estufa de plantas e nem assim conseguira o quarto de volta. Harry e Maggie pensavam no dia anterior àquela hora, desejando com amargura que tivesse aberto a carta no hall. Tio Válter e tia Petúnia se entreolhavam, ameaçadores.

Quando o correio chegou, tio Válter, que parecia estar tentando ser agradável com os gêmeos, fez Duda ir buscá-lo. Eles o ouviram bater nas coisas do corredor com a bengala da Smeltings. Então ele gritou:

— Chegou outra!

Sr. H. Potter e Srta. M. Potter

O Menor Quarto da Casa

Rua dos Alfeneiros 4...

Com um grito sufocado, tio Válter saltou da cadeira e saiu correndo pelo corredor, os gêmeos se olharam, pularam da cadeira e vieram logo atrás. Tio Válter teve que lutar e derrubar Duda no chão para lhe tirar a carta, o que foi dificultado por Harry, que agarrara o pescoço do tio Válter por trás e Maggie que se pendurou em seu braço e o mordeu.

Depois de um minuto confuso de luta, em que todos levaram varias bengaladas, tio Válter se endireitou, ofegante com a carta de Harry apertada na mão.

— Vão para o seu armário, quero dizer, para o seu quarto — chiou para Harry e Maggie — Duda, saia, saia logo.

Harry deu voltas e mais voltas no novo quarto, Maggie o observou tonta.

— Harry! Para com isso, estou ficando tonta!

— Você viu? — Harry virou-se para irmã triste — Eles sabem que nós não lemos a primeira carta...

— E também não vão saber que nós não lemos a segunda — completou Maggie.

De repente os dois pararam e olharam-se eufóricos.

— Você está pensando o mesmo que eu? — Maggie perguntou.

Harry assentiu.

— É um bom plano não é?

— Não é um dos melhores que já tivemos... — Maggie largou-se na cama — Mas, vai funcionar, acho...

Tinham um plano.

O despertador consertado tocou às seis horas na manhã seguinte. Harry e Maggie desligaram-o depressa e se vestiram em silêncio.

Não podiam acordar os Dursley. Desceram as escadas sorrateiros sem acender nenhuma luz.

Iam esperar pelo carteiro na esquina da Alfeneiros e receber primeiro as cartas endereçadas ao numero quatro. Seus corações batiam com força quando atravessaram sem ruído o corredor escuro até a porta de entrada.

— AAAAAIIIIIEEE!!!

Maggie deu um salto no ar e esbarrou no irmão que por pouco não caiu, pisara em alguma coisa grande e mole no capacho, uma coisa viva!

As luzes se acenderam no primeiro andar e, para seu horror, Maggie percebeu que a coisa grande e mole tinha a cara do tio Válter estava dormindo junto à porta de entrada em um saco de dormir para impedir que Harry e Maggie fizesse exatamente o que estava tentando fazer. Gritou com os gêmeos quase meia hora e depois lhe disseram para ir preparar uma xícara de chá. Harry e Maggie foram para a cozinha, arrastando os pés, infelizes, e quando conseguiram voltar, o correio tinha sido entregue, bem no colo de tio Válter. Os gêmeos viram três cartas endereçadas em tinta verde.

Tio Válter não foi trabalhar naquele dia. Ficou em casa e pregou a portinhola para cartas.

— Entende — explicou à tia Petúnia por entre os lábios cheios de pregos — se eles não puderem entregar, então terão de desistir.

— Não tenho muita certeza de que isto vai dar certo, Válter.

— Ah, a cabeça dessa gente funciona de maneira estranha, Petúnia. Eles não são como você e eu — disse tio Válter, tentando bater um prego com um pedaço de bolo de frutas que tia Petúnia acabara de lhe trazer.

Na sexta-feira chegaram nada menos que doze cartas para Harry e Maggie. Como não passavam pela portinhola da correspondência, tinham sido empurradas por baixo da porta, metidas pelos lados e algumas até forçadas pela janelinha do banheiro no térreo. Tio Válter ficou em casa de novo. Depois de queimar todas, apanhou martelo e pregos e fechou com tábuas as frestas das portas da frente e dos fundos, de modo que ninguém podia sair.

Cantarolou “Pé ante pé no campo de tulipas” enquanto trabalhava, e se assustava com qualquer ruído.

No sábado as coisas começam a fugir ao seu controle. Vinte e quatro cartas acabaram entrando em casa enroladas e escondidas em duas dúzias de ovos que o leiteiro, muito confuso, entregara à tia Petúnia pela janela da sala de estar. Enquanto tio Válter dava telefonemas furiosos para o correio e a leiteria tentando encontrar alguém a quem se queixar, tia Petúnia picava as cartas no processador de alimentos.

— Mas quem é que quer falar tanto assim com vocês? — Duda perguntou espantado aos gêmeos.

Na manhã do domingo, tio Válter sentou-se à mesa do café parecendo cansado e um tanto doente, mas feliz.

— Não tem correio aos domingos — lembrou a todos, contente passando geleia nos jornais — nada de cartas idiotas hoje...

Alguma coisa desceu chiando pela chaminé do fogão enquanto ele falava e bateu com força em sua nuca. No instante seguinte, trinta ou quarenta cartas saíram velozes da lareira como se fossem tiros. Os Dursley se abaixaram, mas Harry e Maggie deram um salto no ar para apanhar uma...

— Fora! Fora!

Tio Válter agarrou o braço de Harry e tia Petúnia agarrou Maggie pela cintura por trás, a menina se sacudiu e tentou se soltar em vão, os dois arrastaram os gêmeos para fora da sala.

Depois que Duda tinham corrido para fora protegendo o rosto com os braços, tio Válter bateu a porta. Eles podiam ouvir as cartas disparando para dentro da cozinha, ricocheteando nas paredes e no chão.

— Já chega — disse tio Válter, tentando falar com calma, mas ao mesmo tempo, arrancando tufos de pelos dos bigodes. — Quero vocês aqui de volta em cinco minutos prontos para sair. Vamos viajar. Ponham apenas algumas roupas nas malas. Não quero discussão!

Ele parecia tão perigoso com metade dos bigodes arrancados que ninguém se atreveu a discutir. Dez minutos depois eles tinham retirado as tábuas para passar nas portas e estavam no carro, correndo em direção a estrada. Duda fungava no banco traseiro, o pai tinha lhe dado um tapa na cabeça por atrasá-los tentando empacotar a televisão, o vídeo e o computador na mochila esportiva.

Eles viajaram no carro. E viajaram. Nem tia Petúnia se atrevia a perguntar aonde iam. De vez em quando tio Válter fazia uma curva fechada e seguia na direção oposta por algum tempo.

— Para despistá-los... Despistá-los — resmungava sempre que fazia isso.

Maggie lançou um olhar de esguelha a Harry que dizia com todas as palavras "Esse cara ficou maluco de vez" que Harry devolveu com um " O que será que tem naquela carta afinal?". Maggie deu de ombros e balançou a cabeça desanimada.

Não pararam para comer nem beber o dia inteiro. Quando a noite caiu, Duda estava uivando. Nunca tivera um dia tão ruim na vida. Estava com fome, sentia falta dos cinco programas de televisão que queria assistir e nunca levara tanto tempo sem explodir um alienígena no computador.

Tio Válter parou finalmente à porta de um hotel de aspecto sombrio na periferia de uma grande cidade. Duda, Harry e Maggie dividiram um quarto com duas camas iguais e lençóis úmidos que cheiravam a mofo. Duda roncou, mas Harry e Maggie, ficaram acordados, sentados no peitoral da janela, espiando as luzes dos carros que passavam.

— O que será que eles querem nos esconder? — Maggie sussurrou amargurada.

— Não sei Maggie, não sei....

A irmã descansou a cabeça em seu ombro e Harry passou o braço pela sua cintura.

Comeram cereal velho e torradas com tomates enlatados frios no café da manhã do dia seguinte. Tinham acabado de comer quando a proprietária do hotel aproximou-se da mesa.

— Com licença, mas um dos senhores são o Sr. e Srta. Potter? É que eu tenho umas cem dessas na recepção.

E ergueu uma carta para eles poderem ler o endereço em tinta verde:

Sr. H. Potter e Srta. M. Potter

Quarto 17

Railview Hotel Cokewrth

Maggie tentou pegar a carta, mas tio Válter afastou sua mão. A mulher ficou olhando.

— Eu recebo as cartas — disse tio Válter, levantando-se depressa e seguindo a mulher que se retirava do salão de refeições.

— Não seria melhor simplesmente irmos para casa, querido? — tia Petúnia sugeriu timidamente horas depois, mas tio Válter não parecia ouvi-la.

Exatamente o que andava procurando ninguém sabia. Ele os levou até o meio de uma floresta, desceu do carro, espiou a volta, sacudiu a cabeça, tornou a embarcar no carro e partiram outra vez. A mesma coisa aconteceu no meio de um campo arado, no meio de uma ponte pênsil e no alto de um edifício garagem.

— Papai enlouqueceu, não foi? — Duda perguntou, cansado, à tia Petúnia no fim daquela tarde.

Tio Válter estacionara no litoral, passara a chave no carro com todos dentro e desaparecera.

Começou a chover. Grandes gotas batiam no teto do carro.

Duda choramingou.

— É segunda-feira — falou à mãe. — O Grande Humberto vai se apresentar hoje à noite. Quero estar em algum lugar que tenha televisão.

Segunda-feira. Isto lembrou aos gêmeos uma coisa. Se era segunda-feira e em geral podia-se confiar que Duda soubesse os dias da semana, por causa da televisão, então o dia seguinte, terça-feira, era o décimo primeiro aniversário dos

Naturalmente seus aniversários não eram lá muito divertidos, no ano anterior, os Dursley tinham-lhe dado um cabide e um par de meias velhas do tio Válter. Ainda assim, não se fazia onze anos todos os dias.

Tio Válter voltou sorrindo. Carregava um pacote comprido e fino e não respondeu à tia Petúnia quando ela perguntou o que comprara.

— Encontrei o lugar perfeito! — falou. — Vamos! Saiam todos!

Fazia muito frio do lado de fora do carro. Tio Válter apontou para o que parecia ser um grande rochedo no meio do mar.

Encarrapitado no alto do rochedo havia o casebre mais miserável que se pode imaginar. Uma coisa era certa, ali não havia televisão.

— Estão anunciando uma tempestade para hoje! — disse tio Válter alegre, batendo palmas. — E este senhor teve a bondade de concordar em nos emprestar seu barco!

Um homem desdentado vinha descansadamente em direção a eles, e apontava com um sorriso muito maldoso para um barco a remos velho que subia e descia nas águas cinza-grafite lá embaixo.

— Já comprei algumas rações para nós — disse tio Válter — portanto, todos a bordo!

Fazia muito frio no barco. Salpicos de água gelada do mar escorriam pelos pescoços deles e um vento cortante fustigava seus rostos. Maggie encolheu-se perto do irmão, tremendo, os dois abraçaram-se, Maggie com a cabeça colada em seu peito.

Depois do que pareceram horas, eles chegaram ao rochedo, onde tio Válter, escorregando, levou-os ate a casa em ruínas.

O interior era horrível, cheirava a algas marinhas, o vento assobiava pelas frestas nas paredes de tábuas e a lareira estava úmida e vazia. Havia apenas dois quartos.

Afinal as rações de Tio Válter eram uma embalagem de cereal para cada um e quatro bananas. Ele tentou acender a lareira, mas a embalagem de cereal apenas fumegou e carbonizou.

— Aquelas cartas viriam a calhar agora, hein? — disse ele animado.

Estava de muito bom humor. Obviamente achava que ninguém teria chance de alcançá-lo ali, durante uma tempestade, para entregar cartas. Os gêmeos concordava intimamente, embora este pensamento não os animasse nem um pouco.

Quando a noite caiu, a tempestade prometida desabou ao redor deles. A espuma das altas ondas chapinhava nas paredes do casebre e um vento ameaçador sacudia as janelas imundas. Tia Petúnia encontrou uns cobertores mofados no segundo quarto e preparou uma cama para Duda ao sofá comido pelas traças. Ela e tio Válter foram se deitar na cama cheia de calombos ao lado e deixaram Harry e Maggie procurarem a parte mais macia do assoalho e se enrolar no cobertor mais rasgado e ralo.

A tempestade rugia cada vez com maior ferocidade à medida que a noite avançava. Os gêmeos não conseguia dormir. Tremiam e reviravam, tentando encontrar uma posição confortável, seu estômago roncando de fome. Maggie abraçou o irmão para manter ele e a si mesmo quentes, funcionou, mas era ainda muito desconfortável, encostou a cabeça em peito e dobrou o braço para servir de apoio para cabeça do irmão, pouco importando que amanhece-se dolorido, Harry assentiu em agradecimento. Os roncos de Duda eram abafados pela trovoada que começou por volta da meia-noite. O mostrador luminoso do relógio de Duda, que estava pendurado para fora do sofá em seu pulso gordo, informava a Harry e Maggie que dentro de dez minutos eles completariam onze anos. Deitados, eles viram seu aniversário se aproximar, perguntando-se se os Dursley se lembrariam, perguntando-se onde estaria o remetente das cartas agora.

Faltavam cinco minutos. Os gêmeos ouviram alguma coisa estalar lá fora. Desejaram que o teto não caísse, embora quem sabe conseguissem se esquentar se isto acontecesse. Quatro minutos.

Talvez a casa na Rua dos Alfeneiros estivesse tão abarrotada de cartas que quando voltasse, eles pudessem surrupiar uma.

Três minutos. Seria o mar batendo tão forte na rocha? E faltavam dois minutos, que barulho esquisito de trituração era aquela? Será que a rocha estava se desintegrando no mar?

Mais um minuto e eles completariam onze anos. Trinta segundos... Vinte... Dez... Nove... Talvez acordassem Duda, só para aborrecê-lo... Três... Dois... Um...

O casebre todo estremeceu e Harry sentou-se reto, arregalando os olhos para a porta, Maggie ficou de quatro e engatinhou para trás do irmão. Havia alguém lá fora, que batia querendo entrar.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.