Guerra das Duas Faces
19 Tempos de paz...
Notas iniciais
Todos estavam reunidos no grande coliseu, após a guerra santa, que ficou conhecida por Guerra do Sangue Divino.
Sãos e salvos. Pelo menos a maioria. Toda aquela tormenta havia terminado e a paz enfim reinaria. Por um tempo, eles estariam seguros, mas sabiam que esse periodo iria durar pouco, já que Hypnos e Ana Luísa fugiram, e ninguém sabia da existência de Leonardo.
– Meus guerreiros.- Gaia começou.- Meus queridos Tenmas e minhas estimadas Ninrohs. Realmente, não sei como começar esse discurso de agradecimento. Vocês não merecem apenas um discurso por me salvar, merecem muito mais do que até uma deusa como eu poderia lhes dar! Sei que muitas vidas foram perdidas nesta guerra.- Flávia abaixou a cabeça sobre isso.- Inocentes ou não, eram vidas. Vidas preciosas que foram tomadas pelo mal, em todos os sentidos. Também tivemos dois atores nestes combates.- Risos percorreram a multidão e Nicole e Vinicius se tornaram o centro de olhares.
Gaia prosseguiu.- Que agiram como traidores, recebendo todo o tipo de insultos, mas permaneceram até o fim ao lado do bem e da paz. Mas o que mais me deixa feliz nisso tudo, é saber que essa guerra contribuiu pra uma coisa. A rivalidade entre Tenmas e Ninrohs já não existe mais, e a amizade ronda a todos aqui. Então que vocês tenham seu merecido descanso!
Depois da reunião, os guerreiros se encontraram para descansar na mansão onde Gaia vivia.
Ana Laura, em passos baixos, se dirigiu até a deusa, que se encontrava na varanda, gozando de uma xícara de chá.
– Eu sabia que você viria.- A deusa falou calmamente ao perceber a presença da Ninroh.
– Srta. Gaia. Eu quis me dirigir diretamente a senhora, pra lhe perguntar o por quê de eu não me lembrar dos ataques que fiz a Lucas e ao juiz do Inferno...
– Sente-se.- Gaia apontou a cadeira e Ana se acomodou.
– Pois essa é a grande maldição da sapuri de Cavalo-Marinho. Ela não lhe permite saber qual golpe você usou. Afinal, você não é uma Ninroh de Quartzo e sim de Cristal. Nem as meninas que estavam em volta de você se recordarão do acontecimento. Infelizmente eu não vou poder te ajudar, pois essa é uma guerra que você vai travar sozinha contra sua sapuri.
–Por que minha sapuri é amaldiçoada?- Ana Laura indagou.
– Dizem que antigamente, a Sapuri de Cavalo-Marinho era uma armadura de Diamante, e representava o elemento água, em vez da Sapuri de Golfinho. Mas a Ninroh de Golfinho, com inveja da Ninroh de Diamante de Cavalo-Marinho, lançou essa maldição para que ela nunca mais pudesse ser usada. A única opção que a mestra teve naquela época, foi reivindicar a Sapuri de Golfinho e sua dona para Ninrohs de Diamante e rebaixar a de Cavalo-Marinho para Cristal. Como desfazer isso, você terá de descobrir.
– Entendo...muito obrigado, minha deusa.
– Não tem de quê.
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– Você foi uma boa atriz, loba.
– Obrigado, João Victor. Uma pena não ter mais que fingir ser aquela garota ingênua que não sabe de nada.- Nicole murmurou.
– E porquê, não?- Bia que estava sentada na sala com eles perguntou.
– Eu sei coisas demais Bia, e coisas desse tipo não podem ficar escondidas.
– Credo, já está virando um papo sinistro aqui, viu!- Flavia repreendeu, encostada de maneira folgosa na porta.
– Falando em sinistro, alguém viu o Vinicius?- João indagou no meio da conversa.
– Agora a pouco, o vi tocando na sacada. Ele é tranquilo demais pro poder que têm, sabia?
– É até estranho ver que um Tenma de Cristal capaz de revelar uma Kamui, seja tão sossegado!
– Verdade João, mas as coisas que nós vimos nesta guerra, acho que pouco me impressiona...- Rafael diz, cético.
– Você se surpreenderia!- Nicole provocou.
– Isso é um desafio?
– Se a carapuça serve, Rafa.
– Apostado então! Se algo mais me surpreender, eu pago vinte reais pra você!
– Prepare a carteira, Órion, você vai ter muito que me pagar, começando por amanhã!
– Amanhã?!- Todos disseram em uníssono.
– Assim que o Emílio acordar, que comecem as surpresas!- Nicole deixou um mistério no ar.
– Mal posso esperar!- Maria Fernanda se entusiasmou.
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Ana Laura voltou para o seu quarto pensativa quanto a tudo que Gaia lhe dissera. Quer dizer que talvez fosse até perigoso ficar perto dela? Depois de descobrir que sua sapuri era amaldiçoada, ela se sentia uma bomba relógio. Era como se seus ataques fossem sair a qualquer momento e ela não se lembraria de nada depois.
Parando em frente a janela do quarto que Gaia lhe cedeu, ela ficou por um bom tempo fitando as estrelas que se erguiam nos céu da noite grega.
De repente, um vulto de ponta cabeça surgiu na janela, fazendo Ana Laura quase despencar pra trás com o susto:
– Harento! Harento? Mas que raios você faz aqui?!- Ela gritou, um tanto quanto nervosa.
– Desculpe, andei fazendo isso pelos quartos, mas todos estão vazios!
– Mas por quê você andou aparecendo do nada nas janelas dos quartos?- Ana Laura indagou confusa.
– Eu estava procurando Gaia...
– Pra quê?
– Pra pedir perdão a ela e ao pessoal por conta das mentiras...
Continua...
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