Guerra Elemental
9 Guerra interrompida. - O usuário de cristal
Notas iniciais
“Com grandes poderes, vem grandes responsabilidades”
Homem-Aranha
Último capítulo
–Bem, achei que seria injusto lutar dando tudo de mim. – Marcos respondeu se levantando do chão. – Mas, já que você insisti. – Ele também começou a liberar sua aura, dando inicio a um conflito de poderes.
–Eles vão usar! – Davi falou tampando um pouco do rosto.
–Sim... As armaduras! – Matheus disse concentrado na luta.
Agora
–Qual é a novidade nisso? – Yuri perguntou. – Os outros anos já usaram esse mesmo poder.
–É, mas não o meu irmão. A única vez que eu o vi usando esse poder foi na nossa luta, e mesmo assim foi muito rápido. – Matheus pôs a mão no nariz se lembrando do machucado. – E pensar que era tão forte assim. – Ele cobriu o rosto com uma das mãos, e uns minutos depois o vento parou. – Parou?
–Pus uma barreira para impedir o vento! – O diretor afirmou e Davi, Yuri e Matheus olharam para ele. – Estamos seguros aqui! – Richard sorriu voltando a atenção para a batalha.
–Está pronto? – Marcos perguntou.
–Quando quiser.
Marcos fez um pássaro de fogo e seu oponente criou uma bola de gelo, formando vários espinhos nela. Eles atiraram e nem se deram o trabalho de desviar, pois cada um confiava em suas habilidades. E é essa a função da armadura. Ela te protege dos danos como uma armadura mesmo, mas claro, o poder do adversário também é um fator importante! Para o azar de Anderson seu ataque foi vencido, fazendo o de seu oponente o acertar.
–Você não me fez gastar poder para isso, não é? – Marcos perguntou e irritado Anderson atirou uma bola, seguido de um jato de gelo, que ao tocar na bola aumentou seu tamanho e força. Marcos levantou a mão em direção do ataque e uma pequena fumaça se formou pelo impacto.
–Acertei? – Anderson perguntou.
–Acho que não. – Marcos falou. Os olhos de Anderson tremeram. “Como alguém pode ser tão forte assim?”. Era o que se passava na cabeça dele.
–V-Você é algum tipo de monstro? – Anderson gritou.
–Tsc tsc tsc, lembre-se, você pediu. – A aura de Marcos começou a ficar mais visível e sua energia cada vez mais ia se acumulando. Ele passou toda essa energia para a mão e criou uma grande bola de fogo. – Ah, e eu prefiro o termo, poderoso! – Ele arremessou e acertou Anderson que gritou de dor.
–A vitória é de Marcos. Essa foi a última batalha de hoje e os pontos ficaram 90 para a equipe de fogo e 80 para a de gelo. – O professor anunciou. – Boa luta todos. Espero que sejam assim amanhã.
Todos começaram a se levantar e ir se preparar para o jantar.
–Eu não esperava que o Marcos fosse tão forte assim! – Matheus admitiu.
–Ainda pretende lutar contra ele? – Lucas perguntou se juntando ao grupo.
–Claro que sim. – Matheus respondeu e Lucas sorriu.
–O mesmo Matheus de sempre. – Lucas pensou.
O que concluímos desse dia? – Matheus perguntou.
–Que as aparências enganam! – Lucas falou.
–Que eu sou mais forte que o Lucio! – Ela falou.
–Que eu sou mais do que um garoto bonzinho! – Agora foi Davi.
–Que eu aprendi a controlar minhas duas habilidades! – Matheus falou. – E que o meu irmão é muito mais forte do que todos esperávamos. – Eles refletiram por um minuto.
–É aqui que nos separamos. Vejo vocês no jantar. – Lucas virou a direita indo para seu dormitório.
–Até. – O grupo respondeu.
–Bom meninos, eu vou tomar um banho que estou precisando. Nos vemos depois. – Ela acenou indo para o quarto dela e os meninos subindo.
Dias depois – 8h da manhã
As batalhas foram se passando e a cada dia Matheus e os outros estavam mais perto das finais. Hoje é o quarto dia: A segunda parte das eliminatórias.
–Ainda com aquela sensação? – Davi perguntou vendo que a mente do amigo estava longe. Ele já estava pronto só esperando Matheus terminar de se vestir.
–Não sei porquê, mas é como se algo dentro de mim falasse para eu ficar alerta! – Matheus terminou de se vestir, fazendo um gesto para que eles irem. – Não é só ansiedade, como você disse que devia ser, parece... Algo maior!
–Então eu não sei, amigo. Eu só espero que esse “algo maior”, não seja ruim! – Davi falou.
–hmm.
–Que isso cara, animo. Está um dia lindo para ganharmos, fora que já estamos na frente! – Disse Davi.
–Acho que você tem razão.
–“Acha”? Eu tenho! – Davi jogou o braço no pescoço de Matheus. – Você só precisa ver sua namorada, irmão e amigo para melhorar o humor.
–Sabe, eu fico imaginando: E se eu não fosse seu amigo e estivesse na equipe de fogo?
–Seria estranho! – Davi soltou uma risada. – Imagina só, você dividindo o quarto com o Lucio e no caso me odiando. – Matheus fingiu um calafrio.
–Vamos antes que eu acabe pensando mais nisso.
Na arena
–Eu sou o primeiro. – Matheus disse de uma maneira meio infantil.
–Diverta-se, e lembre-se aqui é mais difícil do que na primeira parte. – Yuri falou.
–Eu sei, mamãe. – Matheus brincou.
Os competidores foram para o centro da arena.
–Comecem.
Matheus começou atirando uma bola de gelo que sua oponente desviou. Ele pôs as suas mão juntas pronto para usar seu ataque conjunto, mas foi impedido por um ataque de Jasmin.
–Eu não gosto do fato de lutar contra uma mulher! – Ele falou enquanto esquivava dos ataques e contra-atacava.
–Você pode simplesmente ficar parado e perder. – Ela falou aumentando a velocidade.
–Boa tentativa, mas eu prefiro ser covarde. – Matheus juntou as mãos, porém levou uma bolada e caiu sentado, já desviando dos outros ataques. – Segura. – Ele criou uma bola de fogo e arremessou. Depois criou uma de gelo e fez o mesmo. Enquanto Jasmin se concentrava em desviar, ele juntou as mãos e se concentrou. – Aqui. – Ele primeiro atirou as de gelo. Jasmin ficou parada esperando o ataque, provavelmente... – Barreira! – Matheus inverteu a posição das mãos e começou a lançar bolas de fogo.
–Não adianta. – Ela falou. – Enquanto eu mantiver a barreira forte o bastante, eu posso defender seus ataques. – Matheus sorriu de canto. – O que é tão engraçado?
–Se você se concentrar demais, não poderá se mexer direito, e eu vou poder chegar perto de você e vencer. Mas, temos a opção número dois! Eu continuar atacando assim e minhas bolas de gelo colidirem com o seu fogo, fazendo uma pequena anulação, e depois o meu fogo terminar o serviço. – Matheus explicou. – Se você reduzir sua barreira, meus ataques te acertam e se não reduzir, eu te acerto, o que vai ser?
–Tsc. – Jasmin reclamou baixo. Ela sabia que ele estava certo, mas não podia admitir derrota assim. Ela abaixou a barreira e esquivou, mas foi pega por Matheus que a jogou no chão e ficou em cima dela com uma bola de gelo na mão. – Como?
–Desiste? – Ele perguntou. Ela ainda tentou se mexer um pouco, mas ele era mais forte e pesado. – Não vou perguntar de novo? – Ele levantou a mão ameaçando atacar.
–Desisto. – Ela admitiu fechando a cara para o lado.
–Ouviu professor? – Matheus perguntou.
–Sim. A vitória é do aluno Matheus. – O professor anunciou.
–Agora saía de cima de mim antes que... – Jasmin não pôde terminar a frase, pois antes que o fizesse uma bola de gelo acertou Matheus o jogando longe. Todos os presentes seguiram o movimento da bola e viram a Yuri sentar de braços cruzados e bufando, e na direção oposta um Matheus caído.
–Isso deve ter doido. – Lucas comentou.
–Bastante! – Marcos acrescentou.
Davi que estava ao lado de Yuri sorriu um pouco bobo.
Matheus, assim como Jasmin, saiu da arena e voltou para seu lugar.
–De novo, diretor? – Matheus perguntou se sentando.
–Sim, sim.
–Por que o senhor não escolhe o lado do seu elemento para poder ficar, ou então na parte dos professores? – Perguntou apontando para a parte.
–Assim não teria graça! – Ele afirmou. – É bom ver a luta de vocês de ângulos diferentes.
Yuri Vs Marcele
–hmm, alguém para eu descontar a raiva. – Yuri sussurrou.
–O quê? – Davi perguntou desconfiado.
–Nada. – Yuri saiu saltitando até a arena.
–Podem começar! – O professor gritou.
Yuri de primeira já criou uma bola e atirou na direção de Marcele que desviou já contra-atacando. Elas continuaram assim um bom tempo: atacando, desviando e contra-atacando. Em uma luta de força, Yuri tinha certeza de que ganharia, mas Marcele estava contando com uma de resistência.
–Boa tentativa, – Yuri aumentou o ritmo – mas eu não vou cair nessa.
Marcele praguejou baixo e teve que começar a desviar mais, quase não tendo tempo para atacar. Yuri chegava cada vez mais perto, o que só piorava a situação de Marcele que já começava a ser atingida. Yuri também não escapava de uns ataques, mas tentava ao máximo não cair para não perder o ritmo. Em pouco tempo Yuri já havia conseguido ficar a alguns metros de Marcele, metros o bastante para que o próximo ataque, dependendo da força e de onde acertado, decida a luta.
–Que acabar logo com isso? – Marcele perguntou arfando.
–Claro. – Yuri respondeu na mesma situação.
Elas criaram uma bola e arremessaram. Quando os ataques colidiram fizeram uma disputa de poder, até o gelo vencer e acertar Marcele que caiu no chão sem forças para continuar.
–A vencedora é Yuri, computando mais um ponto para a equipe de gelo.
Yuri andou até a direção de Marcele e parou ao seu lado estendendo a mão.
–Não acredito que vou dizer isso para minha oponente, mas... – Ela abriu um sorriso amigável. – Boa luta. – Marcele ficou estática ao ouvir aquelas palavras, mas também sorriu e pegou a mão estendida levantando.
Elas saíram da arena, cada uma para um canto, e o telão voltou a mostrar os nomes, parando em dois.
Davi Vs Lucas
–Para ser sincero, não esperava isso. – Davi admitiu.
Lucas desceu da arquibancada e foi até Matheus pela arena.
–Já vi tudo. – Yuri falou.
–Ei, Matheus, para quem você vai torcer? – Lucas perguntou.
–Ele tem razão. – Davi se levantou e ficou do lado de Lucas. – Você vai torcer para seu novo amigo...
–…Ou para seu antigo amigo? – Lucas completou.
–Bem...
–Hã? – Os dois pressionaram mais ele.
–Para os dois. Ambos são meus melhores amigos! – Matheus afirmou e os dois sorriram.
–Resposta certa. – Davi foi para o centro da arena sendo acompanhado de Lucas.
–Estão prontos garotos? – O professor perguntou.
–Estamos. – Eles já levantaram a mão se preparando para atacar.
–Comecem.
–O-O que é isso? – Matheus perguntou pondo as mãos nos braços e jogando seu corpo para frente com medo.
–Matheus? – Yuri o chamou, mas ele não esboçou reação.
O diretor se levantou e olhou para o alto, fazendo com que todos os alunos fizessem o mesmo. Lá em cima uma menina, que deveria ser uma adolescente, voava olhando para todos lá em baixo, quando uma grande bola de fogo foi na direção dela. O barulho de algo sendo atingido se fez presente e antes da poeira poder baixar, várias pedras caíram e a medida que o faziam dissipavam a poeira, mostrando que a menina havia sido protegida por uma pedra. Ao olhar a direção contrária da mulher, puderam ver Marcos em cima do telhado do colégio com o cabelo vermelho.
Os que estavam na arena procuraram um lugar para se abrigar e proteger das pedras.
–Ei, Matheus, tudo bem? – Yuri ficou na frente dele para poder vê-lo melhor, mas se assustou ao ver que os olhos dele estavam vermelhos. – Matheus? – Ela sussurrou.
–Todo esse poder! – Ele afirmou, preocupando ainda mais a Yuri.
–Você não aprendeu bons modos pela última vez? – Ela se dirigiu ao Marcos. Ele não respondeu, só criou outra bola de fogo que foi parada da mesma maneira.
–Tsc.
–Não tenho mais assuntos com você, usuário do fogo. – Uma rajada forte de vento jogou King para o alto. Ele liberou seus poderes e criou a armadura a tempo de se proteger antes de cair no chão. – Já faz muito tempo, Richard
–O que quer aqui, Dark? – O diretor perguntou.
Ela possuí longos cabelos loiros encaracolados, usa um vestido rosa, uma venda no olho esquerdo e seu olho é da cor azul-claro.
–Tsc tsc tsc tsc tsc. – Ela balançou a cabeça enquanto fazia o som. – Agora eu me chamo Light!
–Quer irônico. – Ele falou. – Como está seu olho esquerdo? – Perguntou.
–Vai ficar melhor quando eu me livrar de você! – Ela começou a emanar uma aura azul.
–Isso é mal. – O conselheiro Jin falou e correu na direção do diretor.
–Usuários do quarto ano. – Juan gritou e todos já sabiam o que fazer. Os alunos começaram a elevar sua aura e ao mesmo tempo que Light jogou uma esfera na direção do diretor, os usuários de fogo jogaram uma para contra-atacar.
–NÃO ME ATRAPALHEM! – O poder dela venceu e continuou caindo na direção de Richard.
–Ache Sílf... – O diretor falou chamando a atenção de Matheus, que só ouviu o final. Ele olhou para o diretor, mas, já era tarde. O poder de gelo havia congelado o tempo dele. Marcos caído no chão viu tudo sem poder fazer nada. Seu cabelo começou a voltar ao normal a medida que ia desfazendo seus poderes. Gradativamente os olhos de Matheus também foram se restaurando ao castanho escuro.
–Ahhhhh. – Os alunos começaram a gritar.
20 minutos depois
–Diga “Ah”.
–Ah. – Matheus abriu a boca obedecendo a médica. Ele fechou a boca e ela foi até os olhos dele com uma lanterna.
–Parece normal. – Ela disse parando de analisá-lo.
–Então por que aquilo aconteceu com ele? – Yuri perguntou.
–Você disse que o irmão dele estava com o cabelo vermelho, certo? Pode ser pelo parentesco! – Ela afirmou e os dois pareceram não entender bem. – Por serem irmãos, herdaram as habilidades dos pais, então os poderes dele ressonaram com os seus.
–Mas não herdamos os nossos poderes! – Matheus falou. – Somos criados pela nossa avó, e ele descobriu os poderes antes de mim.
–Estranho. Não é muito comum membros de uma mesma família nascerem com poderes, exceto que tenham herdado.
–Bom, – Matheus desceu da cama – eu só vou saber quando perguntar a ele. Muito obrigado, professora.
–De nada. – Ele acenou e saiu acompanhado de Yuri.
–Quer que eu vá com você? – Ela perguntou.
–Não, eu quero ficar um pouco sozinho! – Ele deu um beijo no rosto dela e entrou no prédio da escola.
–Matheus. – Yuri sussurrou com a mão no coração. – Fique bem.
Matheus on
–O que foi aquilo? – Sussurrei parando de andar e pondo a mão em um dos olhos.
Poff's on
–Todo esse poder!
Poff's off
Após entrar na escola, ouvi o som de duas pessoas conversando. Subi as escadas e parei antes do corredor de onde saíam as vozes.
–Tudo bem? – Ouvi a voz do meu conselheiro.
–Tudo. – Davi? O que eles estavam conversando.
–Você sabe que na nossa situação atual vamos precisar de ajuda, né?
–Eu sou contra. Por que o senhor não fica no lugar dele? Ou então o conselheiro Juan? – Davi perguntou.
–O meu irmão está contendo os alunos, enquanto alguns do quarto ano de ambas as equipes colocaram uma barreira para impedir os repórteres, curiosos e outras pessoas de entrarem na escola. Como deve saber, a barreira sumiu e eu preciso providenciar uma nova! – Jin afirmou.
–Então que seja eu. Eu também sou filho do diretor, então também posso assumir o lugar dele!
O quê? O Davi é filho do diretor? Mas, por que ele nunca falou sobre isso?
–Infelizmente, você é muito novo.
Tentei chegar mais perto para poder ouvir melhor, porém perdi o equilíbrio e caí.
–Matheus? – Davi perguntou. – O que faz aqui?
–Quem perguntou sou eu. – Fui na direção dele. – Por que não me disse que era filho do diretor?
–Então você ouviu? – Ele perguntou mais por afirmação e confirmei com um som. – É verdade, eu sou filho dele. Nunca quis falar, pois tinha medo que os outros alunos achem que eu sou favoritado, por ser filho de quem sou.
–Que besteira. Ninguém tem nada a ver com o seu parentesco. E se falarem que você é favoritado, é só mostrar que não, com a sua própria força.
Mas isso explica o porquê dele saber tanto sobre magia, sobre a escola, ser conhecido pelos funcionários e a história de uma grande família de magos.
–Matheus. – Ele abriu um sorriso e confirmou com a cabeça.
–Então, por que o “também”? O que mais você não está contando?
–É sobre...
–Mim! – Ouvi uma voz no corredor e o barulho de passos. Davi pareceu não ter gostado muito daquela voz. – O primeiro filho de Richard, Felipe. – Ele parou na nossa frente. – Conselheiro.
–Ah quanto tempo. – Eles se cumprimentaram.
Ele aparenta não ter mais de vinte e cinco anos. Branco, alto, olhos castanhos escuros, cabelo moreno. Está usando um casaco preto e cinza aberto, uma camisa branca e a calça combinando, e de tênis.
A única coisa em comum é a cor do cabelo!
–Por que nunca me contou sobre ele? – Perguntei.
–Porque nem todos tem uma relação boa de irmandade como você e o Marcos. – Davi respondeu. – O que quer aqui?
–Isso são modos de tratar o seu irmão mais velho? – Felipe perguntou arqueando uma sobrancelha e Davi não respondeu. – Ele me chamou aqui antes da Batalha começar.
–Então ele já sabia o que aconteceria? – Jin perguntou.
–Eu não sei. Ele pode ter me chamado aqui só para eu poder assistir a Batalha Elemental ou ele realmente já esperava o pior.
–Ei, Davi. – O chamei em um canto um pouco afastado dos outros dois. – Por que você e seu irmão não se dão bem? Digo, ele parece ser uma pessoal legal.
–Lembra daquela história que eu te contei no primeiro dia de aula, sobre o diretor ter feito um contrato? – Fiz um som concordando. – Eu herdei um pouco desse poder.
–Então você também pode fazer feitiços?
–Não exatamente. Eu só herdei um tipo de poder! – Ele explicou. – É por isso que brigamos, o meu pai gostava muito de mim por ter os poderes dele, o que deixou o Felipe com inveja, pois não herdou.
–Você está meio certo. Mas só meio só. – Um eco se fez no corredor e olhamos para o dono da voz, que estava com a mão no pescoço. – Já faz muito tempo que descobri meus poderes. – Ouvimos o que ele disse direto nas nossas cabeças e ele tirou a mão do pescoço. – Os meus poderes permitem que eu fale e se ouça aonde eu quiser, seja por todo o corredor, por toda escola e até mesmo na cabeça de vozes.
–Nossa. – Falei. – É como se o diretor quisesse... – Parei de falar em consideração ao Davi.
–... Que você o substitui-se! – Ele terminou um pouco contragosto. – Se esse for o caso, eu não posso interferir!
Marcos on
Depois de ter caído no chão permaneci ali até agora. Me levantei e caminhei até o diretor que havia sido congelado pelo poder do inimigo.
–Desculpa. – Coloquei a cabeça no corpo dele.
–Você não teve culpa. – Ouvi a voz do meu conselheiro, entretanto não me movi. – Todos os alunos do quarto ano juntos não puderam parar o poder dela.
–Mas se eu não tivesse caído antes, ainda poderia ter feito algo. – Falei.
–Se quer se culpar vá em frente, mas mesmo com o seu poder sozinho, não conseguiremos trazê-lo de volta! – Dito isso ele saiu e deixei uma lágrima cair.
Matheus on
Felipe nos contou o que sabia sobre essa tal de Light. Ele disse que não sabia dos detalhes, só que ela foi aluna do pai dele e por algum motivo eles lutaram e ela perdeu a visão do olho direito.
–Atenção sargento. – Ouvimos uma voz vindo da escada e Felipe ficou em posição militar. O conselheiro Juan parou na frente dele, levou a mão até a cabeça e fez um comprimento militar, que Felipe repetiu. – É uma honra ter um diretor com os poderes de fogo como você. – Ele falou.
–A honra de estar neste posto é minha, senhor! – Felipe respondeu. Então ele é usuário do fogo. – Bem, – eles pararam – como está o meu pai?
–É verdade, você ainda não foi vê-lo. – Juan observou. – Ele está lá na arena.
–Então irei lá. Jin, poderia cuidar da barreira para mim?
–Pode deixar. – Ele respondeu.
–Conselheiro, eu pedirei para todos os professores do elemento fogo se unirem na quadra. Precisamos ver como está a situação do meu pai.
–Pera, pera. – Falei. – Como é que o conselheiro Jin vai cuidar da barreira? Ela não era sustentada pelo poder do diretor?
–Isso mesmo. E por isso nada melhor do que o usuário de cristal para esse trabalho! – Felipe disse já andando e o seguimos.
–Usuário de cristal? – Perguntei.
–Deixa eu explicar usando a neve como ponto de raciocínio. – Jin falou. – Cada floco de neve é composto por água congelada em uma forma cristalina que, devido à sua grande capacidade de refletir a luz, adquire aparência translúcida e coloração branca. O meu cristal segue esse mesmo esquema. Se eu levantar uma barreira com o meu poder eu posso fazer o que está atrás dessa barreira “desaparecer”, mas na verdade o cristal que está refletindo a luz do sol, impedindo que ela entre e as pessoas vejam. Entenderam?
–Mais ou menos. – Admitimos.
–Atenção a todos os funcionários usuários de fogo. Sou o primeiro filho do diretor, Felipe e o substituirei por um tempo. Peço que todos os senhores assim como o aluno King, dirijam-se a arena, por favor.
–Venham. Vou amostrar para vocês! – Saímos do prédio da escola e, o Felipe e Juan foram para a quadra, enquanto nós para a entrada.
Continua...
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