Guerra Elemental
26 Agonia. A dor da descoberta!
Notas iniciais
Matheus, que estava deitado, levantou com preguiça e, ao se dar conta das palavras “sala” e “secreta”, levantou na hora, com medo de que a mensagem tenha sido enviada para todos, e não só para ele. Porém, sentiu uma forte dor e parou por um minuto. Essa era a desvantagem de ficar deitado uma semana quase inteira.
Ao sair no corredor, estranhou ele estar vazio. Pensou um pouco e chegou a conclusão de que a maioria dos alunos que já se garantiram foram para suas casas. Tantos dias trancado no quarto realmente lhe fizeram mal. Se perguntou também o motivo de o chamar na sala secreta. Talvez algo que não pudesse ser dito na secretária, ou quem sabe só queriam fazer algo diferente.
Reparou vários quadros com um dragão de gelo, e um pequeno sorriso se formou em seus lábios. Mesmo com sua derrota, a equipe venceu. Quando chegou na entrada, lembrou que possuía um problema e que não conseguiria abrir a porta.
Enquanto pensava se gritar era uma opção, a porta se abriu e ele entrou. Todos estavam presentes ali. E com “todos” quero dizer desde Davi à Cauã, não esquecendo também o diretor, seu filho mais velho, os Conselheiros e...
–Vovó? – Matheus estranhou. – Ou devo dizer, Maria? – Perguntou com um misto de raiva e dúvida.
–MATHEUS. – Marcos, que estava sentado perto da mesa, se levantou e deu um soco na mesma, liberando sua aura. Foi a primeira vez que Matheus se sentiu tão ameaçado. Era como se, perto daquela aura, ele não fosse nada.
–Tudo bem. – A avó dos irmãos acalmou o mais velho.
–Por que me chamou aqui? – Olhou para Felipe.
–Você está cheio de dúvidas, então resolvemos esclarecê-las. – Explicou. Estava mais para um julgamento. Os amigos sentados no sofá ao lado esquerdo, Marcos sentado ao lado esquerdo da mesa, com a avó ao lado, do outro lado estavam os Conselheiros, sendo que Jin era o mais próximo da mesa, Felipe sentado em cima da mesma, ao lado deles e, por fim, mas não menos importante, o diretor sentado atrás da mesa. – Fora que sua depressão já estava me cansando!
–Bom, quem começa?
–Praticamente tem uma ordem, mas eu começo. – Disse Felipe. – Você deve estar se perguntando como passou tanto tempo desde que chegou aqui. Espíritos podem criar áreas especiais, onde o tempo passa mais rápido ou devagar. Por Terim estar sendo controlada, a área dela estava instável. Você sabe qual era a área, certo?
–O Grand Canyon. – Respondeu baixo, contudo, em um tom que ouvissem.
–Exato. O vale inteiro foi transformado, então se fizer as contas, verá que se passou tempo o suficiente entre a sua ida e sua volta.
–Quem é agora? – Olhou para os adultos, depois para os amigos.
–Eu acho que sou o único que não sei de nada! – Lucas afirmou.
–Somos dois! – Agora foi Lucio.
–Três! – Em seguida Yuri.
–Deixa eu. – Parris falou. – É uma história longa. Lembra o que eu lhe contei sobre a minha avó falar do “talento” da minha família? – Ele fez um pequeno esforço, mas assentiu ao lembrar. – É por aí que começarei.
Poff's on
Antes da minha avó falecer, ela me entregou uma varinha, que explico depois. Ela me disse para tomar conta dela e vir até aqui, a EE, para encontrá-lo. Após sair da minha casa, quando recebi a carta da EE, fui atacada por aquela mulher que enfrentamos. Depois de perder para ela, a mesma fez algo comigo e perdi minhas memórias. Só lembrava que devia vir para cá, porém o motivo era desconhecido.
Bem mais tarde, quando soube que vocês viajariam, senti que deveria ir também, então falei com o diretor, que me disponibilizou uma passagem. Ao cair com vocês e sermos afastados, passei por algo estranho que não sei explicar direito, mas serviu para reaver minhas memórias. Lembrei ser descendente das Magas de Salém. Daí meu nome: Parris Jordão Williams. Uma junção do nome das três magas.
Nossa inimiga errou quando disse que elas fizeram um contrato para continuar usando feitiços. Na verdade, eram três bruxas que fizeram um contrato para poder usar magia, porém, para usar os quatro elementos, elas teriam que dar a vida delas, o que seria inútil, então criou-se uma varinha. Logo depois de lembrar, derrotei Light e salvei Cauã!
Poff's off
–Ou, ou. Como assim, derrotou Light? – Yuri perguntou. – O Marcos não havia a matado ano passado? – Olhou para o professor, depois para o namorado.
–Posso explicar depois? – Pediu Matheus.
–Hum. – Na língua da Yuri, isso queria dizer: “Vamos ter uma conversa!”.
–Então qual é sua magia? – Perguntou. Parris estendeu a mão e criou uma bola de fogo. – Entendo. Fico feliz que tenha recuperado. Admito que achei que você ficaria diferente!
–Eu sou “normal” mesmo sem memória. Exceto, pelo que eu disse quando nos encontramos pela segunda vez. Minha avó sempre me falava sobre eu encontrar um Híbrido e me juntar a ele, porém eu nunca acreditei em destino, profecias ou coisas do tipo! – Afirmou, pondo sua mecha vermelha atrás da orelha.
–Jovens e inocentes. – Felipe disse. Ele conseguia deixar Matheus “pê” da vida. Talvez fosse por brincar com os outros, ou por ser chato, ou fosse uma implicância sem sentido mesmo. Apenas um incômodo perto dele. – Isso nos leva a você, Cauã. – Matheus voltou sua atenção para ele.
Poff's on
Quando vocês me acharam, eu tinha a aparência de um garoto de oito anos, porém isso foi há sete anos. Eu sempre soube sobre a Escola e sobre magia. Meu sonho era crescer logo e vir estudar aqui. Entretanto, tive um acidente e morri. Ignos, vendo meu sofrimento, me deu uma chance de continuar vivo e estudar aqui, porém só teria um ano de estudo.
Sabe, eu meio que segui vocês quando viajaram. Me escondi no corpo da Parris sem ela saber. Aquela mulher, Light, me achou, me absorveu e usou meus poderes, que não eram muitos. Só que depois, Parris me salvou e, quando pensei que morreria, ela sacrificou a varinha para me manter vivo. Fui para minha idade atual, quinze anos, e agora sou preso a ele, ou seja, se ela morrer, perco minha “fonte de magia” e desapareço.
Poff's off
–Não sabia que você possuía um coração tão bonzinho. – Marcos pensou consigo mesmo.
Ignos falou em sua mente.
–É por isso que você sumia, não lhe víamos em nenhuma sala de aula e não falava do passado?
–Uhum. – Confirmou. – Pode-se dizer que somos parentes. Por exemplo: Quando você desmaiou e me encontrou ao seu lado, é porque alguns incensos bloqueiam algumas magias. Como eu sou feito de magia de fogo, o incenso me afetou diretamente. Só que, você não devia ter desmaiado. No máximo, ficado tonto. Bom, deve ser porque seu poder é instável.
–Então você já sabia?
–Eu pensava que você era igual a mim, só que é uns níveis a cima.
–Quem mais sabia sobre isso? – Perguntou, olhando para os presentes. Jin, Juan, Felipe, Marcos, Maria, o diretor e David.
–Quando você entrou aqui eu já sabia sobre você, assim como soube sobre seu irmão. – O diretor falou.
–Eu descobri. – Juan se limitou a dizer isso. Porém, se Matheus parar para pensar sobre a habilidade que o Conselheiro tem para descobrir o elemento fogo de alguém, fará sentido.
–O diretor me contou. – Disse Jin.
–Eu fiz eles me contarem! – Informou Felipe.
–Até você, Davi.
–Não. Eu só descobri no mesmo dia que você! – Se defendeu. – Acho que é minha vez de contar uma história.
Poff's on
Ano passado, quando lutamos contra Light na primeira vez, e Marcos se feriu seriamente, senti algo estranho ao curá-lo, porém ignorei achando ser minha cabeça inventando coisas. Depois, quando curei a todos para nos proteger do ataque dele, senti o mesmo poder vindo dos dois, então fiquei um pouco desconfiado, mas depois achei que era por causa do Beseker do seu irmão e do seu contrato.
Esse ano, quando fui curá-lo, percebi que a magia de cura de água quase não surtia efeito, então ao usar meu poder percebi que tinha algo estranho. Como se você fosse puro poder.
Poff's off
–Foi assim! – Afirmou.
–Sai da minha cabeça, por favor. – Davi olhou para o irmão, que estava com um pequeno sorriso no rosto. – Eu não fui o total responsável por te curar. Só consegui te curar e continuar vivo, graças a cura temporal!
–Como você sabe sobre isso? – O diretor perguntou, e Felipe, e Jin, estranharam.
–Qual o problema?
–O “problema” é que viagem no tempo é impossível e, mesmo que fosse possível, seria proibido, pelos paradoxos temporais, porém a cura temporal quebra essa lei.
–Isso eu sei! – Deu de ombros. – E...?
–“E” que não existe nada sobre isso. Nem mesmo as médicas, tanto do Norte, quanto do Sul, sabem sobre isso! – O Conselheiro explicou.
–Bom, de qualquer jeito, se ele não tivesse me ajudado e me dito sobre ela, você ou eu não estaríamos aqui.
–“Ele”? – Repetiu.
–Sim!
Poff's on
–Onde estou? – Perguntei. Minhas mãos continuavam uma sobre a outra, como se mesmo dali, ainda estivesse curando você.
–Em um espaço branco qualquer. – Olhei para frente e vi o dono da voz: um garoto pretinho que me olhava.
–Por que me trouxe aqui? Quem é você?
–A roupa não lhe diz nada? – Deu uma voltinha, amostrando melhor a roupa com um dragão marrom estampado na blusa.
–Um usuário de terra. Pensei que todos haviam sido controlados!
–E fomos, mas essa é uma história meio longa. – Caminhou até mim. – Você sabia, que quando as curas de terra e de gelo se unem, é possível voltar no tempo?
–Viagens temporais são impossíveis!
–E são, mas enquanto a cura temporal? – Perguntou se ajoelhando perto de mim.
–“Cura temporal”? Eu nunca ouvi falar disso!
–Se fosse fácil, todos usariam. – Pôs suas mãos sobre as minhas. – Se ambas as curas podem fazer isso, imagina o que a de terra e o seu poder podem fazer.
–Então...
–Não o deixe morrer. Aquele Híbrido ainda tem que me visitar no Sul! – Liberou sua aura verde, que se misturou com minha branca. Então comecei a voltar a realidade aos poucos.
–Qual é o seu nome?
–É...
Não consegui ouvir a resposta dele.
Poff's off
–Então o mesmo garoto que apareceu para você, apareceu para mim?
–Ou ao contrário!
–Bem, mesmo assim, obrigado. – Sorriu pela primeira vez no dia. – Quem é o próximo?
–Eu. – A avó dele falou. – Esse é o motivo de termos trago todos aqui. Achamos que você gostaria de que todos ouvissem a verdade sobre você e seu irmão!
–Desculpa pessoal, mas na verdade, não. Não sei o que irei ouvir, então não quero que vejam minha reação.
–Vamos. – A loira foi a primeira a se levantar. Andou com a cabeça baixa até o Matheus e, quando passou por ele, a levantou. – Idiota. Pare de agir como se o mundo girasse ao seu redor e de sofre pôr nós. Se faz isso pensando que é o nosso líder, não seja. Seja nosso amigo e nos conte a verdade, não se esquecendo de oferecer seu ombro. – Yuri disse em um tom em que só ele ouvisse e voltou a andar.
Lucio passou logo em seguida, depois Yuri e Cauã, sendo que ela pôs a mão no ombro dele, lhe desejando sorte. Davi foi em seguida, e na vez de Lucas, o mesmo passou com a cabeça baixa. Queria poder dizer alguma palavra de incentivo como Yuri às vezes fazia, ou as indiretas de Lucio, ou agir naturalmente como Davi, mas não conseguia. Era como se sua vontade fosse esmagada.
Davi parou na frente de Lucas e colocou a mão no ombro do amigo, o incentivando. Não precisava falar nada, apenas mostrar que estava ali.
–Lucas. – O amigo o chamou. – Você é o que eu mais tenho que agradecer. Obrigado por me aturar desde que éramos pequenos. – Sorriu para ele. E era só isso que Lucas precisava ouvir.
–Escuta sua avó, ela é uma ótima pessoa. – Sorriu, Davi sorriu, e ambos saíram.
–Também vou. Até qualquer dia desses. – Felipe começou a desaparecer de baixo para cima. Os Conselheiros também se retiraram da sala, só sobrando Marcos, Maria e o diretor.
–E então, Maria? – Marcos pensou em se levantar, porém precisava se manter calmo. Se fosse perder o controle por cada coisa que Matheus fosse falar hoje, estaria perdido.
Já a avó de ambos se mantinha calma. Era branca, média, cabelos já brancos pela idade, aparentava estar na casa dos oitenta, e possuía belos olhos castanhos.
–Por onde eu começo? – Perguntou, retórica. – Pelo inicio, óbvio. – Soltou um risinho, como quem diz que já está ficando velha e esquecendo das coisas.
Poff's on
Quando eu era mais jovem, encontrei um homem lindo, com quem futuramente cheguei a casar. Logo depois ele sumiu. Um tempinho depois fiquei grávida da sua mãe. Ela possuí um nome que lhe dei, porém não posso dizê-lo. Ela era linda e muito inteligente, sempre dizendo que queria ajudar o mundo de alguma maneira.
Mas, aos cinco anos o seu avô, pai dela, a levou de mim. Foi quando descobri que ele era um espírito. Sua mãe desde pequena fazia coisas estranhas com o gelo e a água, então ficou claro mais tarde. Ela era meio humana, por parte de mim, e meio espírito, por parte do pai.
Anos depois, achei um pequeno bebê na porta da minha casa. Ele era fofinho e havia um nome na roupa: Marcos. A princípio achei que era da minha filha, que teve um filho, mas sem condições de criá-lo, porém a ficha caiu e pensei que ele deveria ser como a mãe. Estava errada. Um bilhete no cesto, onde o encontrei, dizia que ele era filho de Ignos. Também pedia para que eu o criasse. Fiquei feliz, pois como não consegui criar sua mãe até a idade adulta, poderia criá-lo.
Três anos depois você chegou. Lembro que nesse dia estava chovendo muito. Marcos ficou um bom tempo batendo na porta, mas pensei que ele quisesse ir para a rua brincar, então não a abri. Quando resolvi finalmente abrir, para ele parar de bater a porta, o encontrei. Você chorava e parecia que a chuva lhe acompanhava, como se a estivesse controlando-a. Na sua camisa, havia o nome Matheus, e no bilhete dizia que você era o irmão mais novo de Marcos, também pedia para cuidar de você. Soube que você era filho da sua mãe, porque no final estava o nome que dei para ela, o nome que fiquei sem ouvir por anos!
Peguei a sua cesta e entrei, tentando fazer você parar de chorar e, quando estava quase desistindo, porque você tinha um pulmão bom, Marcos foi te ver e você parou aos poucos, e, com isso, a chuva também, abrindo um sol.
Poff's off
–É isso. Eu sou sua avó.
–Tá, mas porque o Marcos ficou com você, e não com a mãe de Ignos?
–Não sei dos detalhes, porém, para que não viéssemos a morrer e deixar vocês sozinhos, o meu marido, pai dos espíritos, pôs um feitiço em nós, que nada humano nos mataria.
–Então...
–A avó de Marcos morreu antes mesmo dele nascer, por um mago! – O diretor afirmou.
–E desde quando o diretor sabia?
–Desde o inicio!
–Mas a data não bate, porque uma vez Terim disse “jovem Richard”, dando a entender que era mais velha do que o senhor. A senhora teria que ser mais velha do que o diretor, porém, não o aparenta.
–As aparências enganam. Como eu disse: nada humano nos mataria. E isso incluí o tempo!
–Então a senhora é mais velha que o diretor?
–Temos quase a mesma idade. Mas acho que ainda morro primeiro, pois o feitiço só foi feito para cuidarmos de vocês até que atinjam a maior idade. Como tecnicamente, você é meu neto de sangue, quando você fizer dezoito, já posso me livrar do feitiço. – Disse. Matheus, um pouco atordoado, sentou-se no sofá.
–Então eu não sou humano?
–Errado. Você chora, ri, senti dor, fome e se preocupa com seus amigos. Todos esses são sentimentos humanos! Você seria um espírito em um corpo humano, o que não deixa de significar que você é humano!
–Tá, é muita informação para um dia só.
–Matheus... – Marcos foi impedido pela avó. – Mas...
–Deixe-o descansar um pouco. – Ela disse.
Epílogo
Ele caminhava tranquilamente pelo local. Como se estivesse todo o tempo do mundo. O local estava deserto, pois já era período de férias. Ele não deveria estar ali também, mas precisava. Foi em cada canto da escola, que ia desde os dormitórios, a torre, a quadra, suas salas de aula, o refeitório e finalmente, a única sala do segundo andar que podia entrar. Deu dois toques na porta, e, ao receber permissão, entrou na mesma.
–O que desejas? – O senhor perguntou, não o olhando. Por que será que estava ali? Estava apenas terminando algum trabalho, ou esperava-o?
–Eu me decidi! – O senhor o olhou. – Eu quero ir para a Escola Elemental do Sul! – Matheus disse convicto.
Continua...
Fale com o autor