Guerra Elemental
38 A Escola está em perigo!
Notas iniciais
Matheus on
Após o fim da Guerra, e a comemoração para os vencedores, me teletransportei para a EE do Sul, onde fui recebido por Francyelle.
–Ué, onde está o Edgar? – Perguntei.
–Passou mal na última luta, então foi para a enfermaria. – Informou e foram para o prédio da mesma. – E você, venceu?
–Segundo lugar do meu ano. E você?
–Perdi para o Edgar, então, segundo. A Lili perdeu para o Hugo, que perdeu para mim. E o Thiago ficou em primeiro lugar.
–Não precisa ser um gênio para saber quem venceu. – Olhou para os quadros que amostravam um dragão de terra.
–Por que você perdeu, afinal? – Ela perguntou. – Você não é o Híbrido. – Internamente estava morrendo de rir. Pensava que a fama dele era boa, não só por ter duas magias, mas por ser forte também.
–Eu entrei em modo de espírito.
–O Edgar não avisou que não podíamos fazer isso? Só porque participamos da Batalha, não quer dizer que podemos usar nosso poder de espíritos.
–Ele não disse nada! – Entraram na enfermaria e ficaram quietos. – E aí?
–Hum.
–Nossa, parece que tá morrendo. – Brincou.
–Não gosto de entrar em enfermarias obrigado. Tenho que dizer algo para os dois.
–Fala. – Edgar liberou aura, e todos os três foram “levados” para um lugar preto. – Como você...?
–Não temos muito tempo, então vou ser direto! Já sei quem nos atacou, Matheus.
–Quem? – Francyelle perguntou.
–Não sei quem, quem, mas sei onde estão se escondendo. É uma aldeia não muito longe daqui. Preparem-se e não contem para os outros. Assim que eu sair daqui, nós vamos. – o local se desfez, e os primos voltaram para a realidade deles.
–Ei, você está bem para lutar? – Matheus perguntou. Edgar parecia tão fraco e inofensivo ali que ele não achava que o primo poderia nem se mover. – Acabamos de sair da Batalha, não seria melhor esperar até amanhã?
–Não acho que eles irão esperar. – seus olhos começaram a se fechar. – Meio-dia a gente vai, agora eu quero... – acabou por adormecer antes de terminar.
–Vamos logo. São dez horas e eu tenho que me arrumar. – Francyelle o apressou.
Edgar on
Me escorei na parede e parei um pouco. Matheus não estava no quarto, então peguei o que tinha que pegar e saí. Ainda não estava cem por cento recuperado, logo, não poderia sentir Matheus e teria que procurá-lo.
–Devia ter marcado um local! – Comecei a andar novamente, e lembrei-me que não havia ativado minha aura de detecção. Parei e fechei os olhos, liberando minha aura e a criando na medida original, dois metros ao meu redor. Lentamente, comecei a sentir tudo o que estava dentro dela.
Autor on
–Tem certeza que é por aí? – Marcos perguntou.
Quando se encontraram na hora marcada, Matheus explicou para os outros que achara melhor chamar o irmão, pois ele poderia ser de grande ajuda, fora que era professor. Se alguma coisa ruim acontecesse, ele poderia ajudá-los.
–Tenho! – Edgar respondeu.
Estava sendo cansativo para os outros três andar por aquela selva, uma vez que os primos do Norte eram acostumados com a cidade, e a prima só entrava na floresta com ele, por isso, Edgar abria caminho entre as plantas, assim, nada de mal acontecia.
Nada de mal, até caírem de uma cachoeira.
–Como eu não a vi aqui? – Matheus perguntou.
–Não sei, mas é cada um por si. – Uma parede cresceu como uma plataforma, onde Edgar caiu.
–Boa sorte garotos. – Francyelle concentrou o ar sobre as pernas e começou a voar.
–Matheus. – Marcos pediu. No instante seguinte dois pilares de água os acertaram, e aos poucos foram perdendo velocidade até não caírem mais.
–Subindo. – Os levou para o alto. Ao chegar lá, Francyelle já os esperava, porém, Edgar não estava. – Onde o Edgar está?
–Não sei. Quando eu subi ele havia sumido! – ouviram um barulho e olharam na direção, esperando que fosse o primo. Triste engano. Uma pedra vinha em alto velocidade na direção deles, contudo, a Terceira Filha pôs o braço para baixo e cortou o ar como se o braço fosse uma espada, destruindo a pedra em dois.
–Vocês estão bem? – olharam na direção oposta, e Edgar ia ao encontro deles.
–Onde estava? Acabamos de escapar de quase morrer. – Reclamou Matheus.
–Eu senti algo a frente e fui ver. Finalmente chegamos. – Saiu da frente, e os outros três puderam ver uma aldeia, porém, não ouviam nenhuma voz ou barulho de gente vindo de lá. – Vamos? – Saiu andando na frente.
–Vocês não acham que... – Matheus sussurrou só para os outros primos.
–O Edgar tentou nos matar? Ele não consegue controlar pedras, esqueceu? – O Segundo Filho não estava errado em desconfiar do primo. Como a profecia dizia, um deles se rebelaria contra eles. Não podia ser o irmão, então só sobrava um dos primos.
–Nosso inimigo deve ser um mago de terra. – Marcos falou.
–E um de vento. E um forte, pois eu uso o vento para bloquear meu cérebro, assim eu impeço que me controlem ou lancem ilusões, e o Edgar é imune, só seriamos pegos nessa ilusão a pouco, caso ele fosse muito bom. – Francyelle os alertou. Não era possível que não tivessem visto a cachoeira ali, ainda mais que o Filho da espírita da água estava ali.
–Então são dois, hein. Podemos lutar em dupla e levar vantagem nisso. Afinal, somos espíritos.
–Filhos de Espíritos. – Marcos o corrigiu. – Não se apoie muito nisso, irmãozinho. As coisas são muito mais que simples magia!
–Chegamos. – Edgar avisou. A aldeia estava vazia. Não havia animais ou uma alma viva sequer.
–Vamos nos separar? – Matheus perguntou.
–Americanos e essa mania de se separarem. – Francyelle revirou os olhos. – É assim que as pessoas morrem nos filmes: uma a uma. Devemos ficar todos juntos, ou pelo menos em dupla.
–Eu fico com o Edgar, e o Marcos com a Francyelle, assim variamos as coisas um pouco.
–Por mim tudo bem. – Francyelle saiu andando para a esquerda, e o primo foi atrás.
–Vamos direto, então. – Matheus saiu na frente, e Edgar o acompanhou.
–E então, como é ser um Filho de Espírito?
–Como assim? – Matheus não entendeu a pergunta. Edgar deveria saber como é ser, mas devia querer outra opinião.
–Nor... – Parou a frase ao ver um exercito de pessoas vindo em sua direção. – Temos companhia.
–Isso não é problema para nós! – Os golens vieram na direção deles, e ao estar em uma certa distância, Edgar colocou as mãos no chão e um buraco abriu, engolindo todos os golens. – Golens humanos. E agora?
–Chuva. – Apontou para o alto e água caiu, enchendo o buraco.
–Sabe que eles não respiram, não é? – Perguntou.
–Claro que sim! – Congelou a água.
Do outro lado
Francyelle enchera Marcos de perguntas. Na primeira vez que o viu o mesmo estava muito ocupado com os alunos, então ela não pôde perguntar tudo o que queria.
Sua conversa foi interrompida pelos golens humanos, porém, não fez muito caso. Apenas criou um tornado no meio deles, pegando a todos. Marcos usou sua magia para fazer o tornado pegar fogo, e os golens queimaram.
–Gostei. Nossa combinação foi quase melhor do que a minha e do Edgar.
–Então vocês são próximos assim? – Ele perguntou.
–Sim, mas eu não te disse nada. – Marcos acabou por gargalhar. Normalmente, Francyelle criaria um tornado e Edgar destruiria pedras para se misturarem com o tornado, aumentando seu poder. – Tem mais alguém aqui. – Ficou em alerta.
–Como sabe? – Olhou de um lado para o outro, já pronto para atacar.
–Usuários de terra sentem pela terra, eu espalho o vento e, dependendo no que ele bater, sei o que está ali. – Ele não pareceu entender, então ela explicou. – Se eu liberar vento por aqui, o vento vai se espalhar com o formato da casa, mas se fizer o de uma pessoa...
–Você vai saber que é uma pessoa. – Completou. – Para onde?
–Aqui. – Ia usar o que os usuários de vento chamam de Passo de Vento, que os faziam ir mais rápido junto do vento, mas algo a impediu e mandou para trás.
–Opa. Tudo bem? – Marcos a segurou por pouco.
–Tudo, valeu. – Levantou-se com a mão na cabeça. – Alguém me impediu. Parece que esse usuário de vento é mais forte do que eu pensava! Olha que eu não sou de elogiar os outros.
–É melhor irmos com calma dessa vez.
–Uhum.
Francyelle indicou o caminho e o primo mais velho foi andando ao lado dela. Não demoraram muito para chegarem ao local, e o fizeram ao mesmo tempo em que a outra dupla.
–Uma caverna? – Francyelle estranhou.
–Nem pensar! Eu não vou entrar em uma caverna. – Matheus cruzou os braços e virou de costas.
–Qual o problema dele? – Edgar perguntou.
–Na última vez que entramos em uma caverna ele quase morreu. – Explicou.
–Marcos, pode ir na frente? Eu vou atrás com o Matheus.
–Como vai fazê-lo entrar? – Edgar perguntou à prima.
–Já deveria saber.
Marcos fez como a prima falara e entrou, sendo seguido por Edgar. Francyelle ficou em uma posição onde ficava na frente de Matheus e da caverna. A princípio, Matheus não entendeu, mas quando ela levantou a mão, ele tentou se defender, todavia, voou para dentro da caverna.
Ela era funda, espaçosa e sem iluminação, até que Marcos acendeu uma chama.
–Temos problemas. – Disse quando Francyelle entrou. Ela reparou que haviam mais quatro pessoas na caverna, e elas eram idênticas a eles.
–O que acha, Edgar?
–Golens humanos.
–Jura? Nem deu para perceber. – Francyelle ironizou. – Vamos... – Antes de terminar sua frase, muros foram levantados, separando os Filhos. – Alguém pode me ouvir?
–Ninguém pode te ouvir, garota. – Ela olhou para frente e viu Matheus, ou pelo menos, sua versão em golem humano.
–Ótimo. Minha vantagem elemental.
Edgar encontrara com sua vantagem elemental: Marcos. Já este, encontrara-se com Francyelle, e Matheus com Edgar.
–Podemos economizar tempo? – Marcos perguntou. – Sem querer ser arrogante, mas eu sou mais poderoso do que ela.
–Então não tem medo da desvantagem elemental?
–Por favor. – Criou uma esfera vermelha na mão que se comparava ao poder do sol. – Vou te destruir e ir ajudar meus primos. – Atirou a esfera na direção dela, que não suportou o ataque e foi consumida pelas chamas. Quando viu que ela havia sido destruída, absorveu o ataque, caso contrário, destruiria a floresta.
Com Matheus era um pouco mais difícil. Todos os ataques que lançava contra o primo pareciam ser absorvidos, e não aguentaria por muito tempo se continuasse assim.
–Como faz isso?
–Absorvo sua magia? É tão simples, que não preciso explicar para você! – Deu de ombros e continuou a atacar.
O Híbrido começou a usar apenas magia de fogo, assim levava vantagem sobre Edgar, porém, ele usava mais as pedras do que as plantas. E por Terim, nem sabia se era possível usar plantas naquela caverna. Chegou um momento em que foi ferido no rosto e se cansou. Não apanharia para uma versão fajuta do primo.
–Eu acabei por chamar esse ataque de Double Attack (Ataque Duplo). – Liberou aura por ambos os braços, e cada um formou um animal diferente. Lançou-os na direção dele, destruindo-o.
As quatro paredes se desfizeram, e os quatro se encararam, se perguntando o que aconteceria a seguir.
–Muito bom. – Um deles andou até a outra parede e, ao chegar nela, virou-se para os outros. – Não achei que ganhariam tão fácil dos meus golens humanos!
–O que está fazendo, Edgar? – Matheus perguntou.
–Edgar? – Perguntou debochado.
–Seja lá o que for, vou dar um soco na sua cara para descobrir a verdade! – Francyelle ia andar, mas seus pés não se moviam.
–Bobinhos. Vocês já estão...
–Nas minhas mãos! – Uma mulher apareceu atrás dele. Ela era mediana, branca, cabelos loiros e possuía olhos castanhos claros.
–Então o usuário de vento era mulher. – Marcos observou. Tentou se mover, mas a verdade é que ela estava certa. Era areia movediça, e ninguém ali sabia como sair dela.
–Enquanto eu controlo esse aqui, tenham uma morte lenta. Ah, não se preocupem. Farei bom uso do Quarto Filho!
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