Guerra Dos Tronos
3 Profecia de Batalha
Nico ficou com Thalia e os Lordes até o fim do jantar, a Rainha Silena permitia a ele muitas coisas que geralmente não seria permitidas a pessoas que não eram Lordes ou Chefes, porque toda a Casa de Aphrodite ouvia oráculos que falavam sobre o homem do templo ser sagrado. Claro que Nico não se importava, pelo contrário, usava sua influência para aborrecer Lordes intransigentes e conseguir mocinhas interessantes. E o melhor, sua proximidade com a Rainha, somente a Chefe Drew passava mais tempo com ela, mas Nico era muito mais amigo que a própria irmã da rainha.
Então ele esperou até que todos fossem dormir para voltar a ver a garota no templo de Apollo. Caminhou lentamente, nervoso. Ele sabia pouco sobre profetisas, mas se uma queria vê-lo, não tinha como ser um bom sinal. Nico costumava sonhar com Aphrodite, ela conversava com ele e, às vezes, o próprio Hades também, nada que a ruiva dissesse seria algo alegre que a Deusa diria, caso contrário, ela própria diria. Já seria motivo suficiente para se preocupar, e ainda tinha o fato de atravessar uma Fortaleza feito um gato no meio da noite, poderia ser morto antes mesmo de levantar seu capuz.
- Nicolaus de Cronos, no templo da sua Deusa — ele ouviu um sussurro que rompeu o silêncio como um vidro que se quebra. Seu corpo inteiro se arrepiou e seu coração falhou uma batida, então soube que o assunto era a guerra, que tanto assustava Thalia.
Passou pela porta do templo lentamente, como se temesse que o chão fosse desabar sob seus pés, a garota ruiva estava sentada na janela, iluminada pela luz fraca das velas sobre o altar. Seu corpo era coberto por uma fina seda semi-transparente na cor dos seus olhos, um verde intenso e brilhante. Nico pensou que realmente nunca vira uma mulher tão bonita quanto aquela, mas não estava ali para esse tipo de coisa.
- Os Deuses estão em guerra — ela sussurrou.
- Não estão melhores que nós, nesse caso. — Ele sentou ao lado dela sem cerimônias.
- Os polos estão se combatendo e eles estão se dividindo, cada um já escolheu seu campeão, independentemente das suas próprias Casas, eles estão apostando em um líder. Esses polos são muito extremados e podem afetar o mundo mortal. Você entende?
- É Aphrodite e Ares? Por isso eu estou sendo comunicado, eu sou alguém que vive em templos e vou repassar a mensagem? — Ela balançou a cabeça negativamente, mas Nico estava embalado. — O que tudo isso tem a ver com a nossa guerra? Você tem algo para nos manter vivo aqui, ou ajudar lá? Você é filha de quem, qual lado você luta?
- Nicolaus, eu sou do Sul. Como você, como Cronos. Lá quem vencer o rei se torna rei e acabou. Eu vim para o norte, direto para a Casa de Apollo e ele me acolheu como filha, dando a mim o poder de ver coisas que os mortais não veem. Eu sou uma profetisa. — Mostrou o anel de prata, uma serpente que circulava seu indicador direito até o nó do dedo, os olhos da figura no anel eram verdes como os da dona.
- Isso eu entendi, mas...
- Não me interrompa, por favor. — Seu olhar era severo. — Sua guerra mortal é algo simples, alguém daqui foi ao Sul, venceu o rei e agora quer quebrar vocês. Eu não sei quem é, nem porque foi ao Sul, mas tudo o que acontece aqui vai afetar o trono do Olimpo. É aí que entra o problema dos Deuses. Aphrodite é dona do trono neste momento, mas, você sabe, as circunstâncias para reinar nos tempos de guerra são diferentes. O reinado de Silena II está em crise porque Ares incitou que um mortal fosse ao Sul para desafiar o Olimpo. Até aqui, tudo bem?
- Hum... — Ele não sabia bem o que dizer, apenas franzia o cenho tentando assimilar tudo. — Prossiga.
- Aphrodite disse que seu mel vai ganhar a guerra e manter o amor no trono, Ares quer que seu campeão tome o trono e reine com sua filha mais velha como esposa, Lady Clarisse de Ares. Aphrodite está com Deuses importantes, Athena e Belona a apoiam, Apollo também. Mas Ares tem alguns fortes, Hefesto, Dionísio e as Amazonas. Por que eu estou te contando isso?
Os olhos da ruiva destilavam sua seriedade, seu rosto mostrava toda a tensão que dependia da vida de Nico. Era uma situação perigosa, os Deuses não deveriam ser expostos, mas sempre havia aqueles que os ouviam como se ouve um pássaro no campo, Nico era alguém assim, que ouvia e via e sentia a presença do mundo divino como se conversasse cara a cara com os Deuses. Então ele entendeu que aquele seu dom e privilégio de falar com Aphrodite não era sem fundamento, ela o estava escolhendo abertamente para ser seu campeão.
- Eu luto por Aphrodite, Deusa de amores, Mãe de Deuses, Mãe de homens. Eu me submeto aos seus deveres.
- Muito bem, Nicolaus de Cronos, filho de Hades, o crônida. — Não era a voz da profetisa a falar, era a própria Deusa que usava seu corpo para uma mensagem. — Esta garota se chama Rachel Elizabeth, seu dom é inigualável e ela salvará sua vida quantas vezes for preciso, até que você vença em meu nome. Mas não se abale, todos devem sofrer por seu mundo, seu coração vai rachar e sua mente, sangrar. Seu amor vai ser testado, assim como sua honra e sua devoção, aquela que você mais ama vai sangrar aos seus olhos e você não poderá fazer nada — ela agarrou o braço de Nico e ele recuou com os olhos cheios de lágrimas. — Ela vai gritar e você gritará por ela em seu cárcere.
- Deixe-me, impostora!
- Impostora?! Filho de Cronos, você deve resistir, em meu nome, grande seja aquela que ordena sua vida, Aphrodite! — Ela gritava e ria como um demônio, Nico saiu correndo, seu corpo tremia e seu coração estava gelado.
Ele seguiu desnorteado pelos corredores da Casa de Aphrodite, sem saber para onde ia, em sua mente, Nico ainda ouvia a Deusa gritando desgraças em seus ouvidos. Ele apertava as mãos com força, tentando não gritar quando parou para se controlar, ele soluçava feito um bebê e vertia lágrimas que pareciam incessantes. Ouviu passos em sua direção e voltou a correr, pelo caminho esbarrou em duas pessoas que conversavam, e chorou mais ao ver que eram Thalia e Lorde Luke de Hermes. Abraçou a prima com força.
- Nico, o que foi? — A voz dela era baixa, por causa da noite avançada. Ela fez um sinal para que o Lorde fosse embora e ele foi, simulando com os lábios que conversavam depois.
- Não desejo mais a guerra, Thalia. A Deusa, ela disse que...
- Ah, não. — Thalia revirou os olhos. — Foi a garota, ou a Deusa falou com você em sonhos de novo?
- Ela se chama Rachel Elizabeth. E a Deusa falou pelo corpo dela, eu senti que era Aphrodite, ela me disse que na guerra dos homens você e eu vamos cair em cárcere.
- Ora, não seja tolo, Percy só caiu em cárcere porque batalha sozinho feito uma besta bárbara, nós lutamos juntos, Nico, costas com costas, mesmo separados aprendemos a lutar assim.
- Claro, eu o farei, mas o que garante que vamos conseguir? A Deusa não mentiria para mim.
- E por que não? Você é um mero mortal, alguém que vai cair como qualquer outro no mel dela, suas apostas são fracas, Nico, abandone-a, e reze para Deus Ares, o que rege as guerras. Agora vá para cama, partimos ao amanhecer de volta para a Casa de Cronos.
.
.
.
Prestes a partir, enquanto Lorde Luke trocava palavras em segredo com Thalia, Lady Annabeth de Athena e sua amiga, a Chefe Reyna de Belona, ambas da Casa de Belona Athenia, foram ter com Nicolaus de Cronos.
- Querido e corajoso servo da Deusa Aphrodite, estão aflitos nossos padrinhos, eu sinto na minha carne — Lady Annabeth declarou.
- Eu senti apenas ontem, minha Lady, a Deusa me falou coisas terríveis.
- Porque não só de flores e coroas vivem os heróis, Nico — Reyna parecia uma mulher sempre pronta para a guerra. — Leve a profetisa com você, ela ainda tem muito a lhe falar, não fuja dela, suas palavras são amargas, mas verdadeiras, nunca houve uma vez que ela, ou quem falou por ela, errou.
- Torça para que ela esteja errada agora, Chefe Reyna, porque, se as palavras dela estiverem corretas, meu coração se partirá em sangue e dor e não haverá alguém que poderá ligá-las à Aphrodite.
Ele virou as costas para partir, mas Lady Annabeth segurou firme em seu braço, fazendo-o virar-se para vê-la. Os olhos cinzentos da garota mostrava a turbulência que seu coração estava passando, ela possuia a dor de uma mulher apaixonada, Nico compreendia isso, só não sabia por quem. Embora tudo tenha ficado mais claro depois que ela falou o que queria.
- Empenhe-se em trazer o Chefe Perseus de volta para casa. — Então Nico assentiu com a cabeça e voltou ao templo para buscar Rachel Elizabeth, aquela guerra era maior que ele mesmo, não poderia trocar todo o Olimpo por seu coração, ele levaria a profetisa para onde fosse e enfrentaria o que tivesse que enfrentar pela Deusa e pelo reino.
Seus passos foram firmes e não demonstraram o medo que ele sentia ao ir templo novamente, depois do pânico da noite anterior. Ele encontrou Rachel Elizabeth sentada no mesmo lugar, desta vez com um esvoaçante vestido de seda preta e um casaco de pele de lobo sobre os ombros, ela parecia uma crônida, escondida sob o negro.
- Teve coragem para voltar e cumprir sua promessa?
- Uma promessa tem de ser cumprida, e eu a fiz em nome da Deusa Aphrodite e em nome da minha honra, vou serví-la. — Ela se levantou e estava saindo junto com ele. — Quem luta por Ares?
- Você o encontrará em breve — ela percebeu que ele ia falar algo, então acrescentou. — Vai saber que é ele porque seu olho direto estará colorido de preto, e ele saberá que é você porque o seu se colorirá de azul, marcando seus Deuses e dando a certeza de a quem vocês servem.
- Quanto as condições de reinado — ele corou de vergonha -, creio que não entenda disso tão bem quanto dos Deuses, seus templos e oferendas.
- Perdoe-me por não explicar, querido crônida, eu não sabia — Rachel estava sinceramente arrependida de supor algo sobre Nico. — Quando a guerra assola o Olimpo, o Lorde que mais se destacar, se estiver vivo ao final, assume o trono para reinar.
- No caso, Ares quer que seu campeão se destaque, ele criou a guerra só pra isso?
- Sim, mas as proporções estão piores, por causa do envolvimento de aliados entre os Deuses.
- Tudo bem, entendi. Eu só preciso vencer. — Nico mostrou seu melhor olhar de quem tem tudo sob controle, pegou a mala da profetisa e saiu para onde Thalia estava com a comitiva de Cronos.
- Ela vai conosco, depois do que fez com você ontem? — Thalia questionou meio irritada.
- Preciso dela, é como uma escrava da propriedade de Cronos agora, nos guiará em batalha.
A Lady de Cronos revirou os olhos, mas relevou tudo e partiram sem mais demoras. A viagem que levou apenas um dia com Nico e Thalia, acabou por levar dois pelo encaminho da comitiva que a Rainha Silena II designara para ajudar na proteção da Fortaleza, mais as escravas que acompanhavam a profetisa e o ouro que poderia ser para reforçar os muros ou fazer um acordo com o Sul. Thalia liderava muito bem, mas nem ela poderia fazer homens que carregavam baús de tesouros correrem para Cronos.
Contudo, toda a grande viagem valeu a pena pela noite seguinte a chegada. Os soldados estavam nas muralhas, os escravos finalizando o jantar e de repente os homens começaram a gritar, em júbilo. Os crônidas partiram para a torre central, tentando ver o motivo do alarde, mas nada viam.
- Abram os portões, abram os portões! — O comandante gritou aos soldados.
- Para quem abre os portões, valente? — Jason perguntou.
- Para o Chefe Perseus de Cronos, filho de Poseidon, o crônida.
E Rachel subiu a torre, segurou a mão de Nico e falou para ele tomar cuidado. Os crônidas tinham no rosto seus melhores sorrisos de alegria plena, nenhuma notícia poderia ser melhor aquele dia e os cinco se prepararam para recebê-lo. Nico e suas irmãs, Hazel, a mais velha, e Bianca, nascida depois de Hazel, Thalia e Jason, seu irmão mais novo. Rachel ali, sentindo suas profecias.
Fale com o autor