Guerra Das Sombras
16 Princesa das SombrasxAracno: Luz das Sombras
Notas iniciais
Aproveitem a fic... t-t
Guerra das Sombras
- Deus Sonia, o que faço?! – exclamou desesperada, levando as mãos a cabeça enquanto olhava para o chão com os olhos arregalados. Estava pedida, estava morta, ia desaparecer como todos os demônios e da pior maneira. Mas estava tão feliz ao mesmo tempo, estava tão alegre, tão emocionada. Tinha vontade de chorar e ao mesmo tempo de rir. Não sabia o que fazer. – Ele vai me matar! Ele vai me matar! Ele vai me matar!
— Mephiles vai te matar só se for de alegria. – respondeu a ouriça rosa arroxeada sorrindo para a pequena rabosa ruiva que ainda parecia desesperada. Fazia pouco que a havia examinado e menos ainda que descobrira o que ela tinha. Ficara feliz e ao mesmo tempo enciumada, mas deixara esse ultimo de lado e apenas se preocupara em animar a pequena raposa que permanecia sentada na mesa da biblioteca quase sofrendo um ataque.
— Não é do Mephiles que estou falando. Ele é o que menos me preocupa. – falou e novamente voltou a murmurar desesperadamente. Sonia negou com a cabeça novamente e sorriu ligeiramente. Kaira estava fazendo tempestade em copo d’água, não podia ser tão ruim assim. Kaira compreendeu o que amiga pensava só de ver seu rosto. – Não sabe o que ele pode fazer Sonia! Ele nem mesmo queria que eu ficasse com Mephiles!
— Mephiles te protege, pode ter garantido isso. – Sonia riu divertida e Kaira franziu o cenho em desgosto. Zion lhe mataria, não importa o quão próximos fossem, não importa o prestigio que ela tinha, sua lealdade ou sua força, não importava nada para ele se descobrisse sobre isso. Suspirou, sabia que deveria contar por si mesma, sabia que deveria ser ela a contar ao invés de outra pessoa, assim talvez a sentença diminua. O que esta feito esta feito e por mais que pensasse que não sobreviveria para contar a história estava feliz por ter passado o inesperado. – Agora vá descansar Kaira. Precisa muito.
A garota assentiu e logo saiu levitando para fora, ainda se lamentando e se questionando o que faria para contar aos dois o que tinha acontecido. Sonia riu de leve e logo se sentou em um das cadeiras que tinha ali perto. Suspirou pesadamente e encarou a janela, deixando sua mente vagar e vagar. Primeiro Shadow e Sonic, agora Mephiles e Manic, seria a única a ficar sem tudo o que mais queriam? Seria a única a ter que se contentar em ficar apenas observando a felicidade de outros? Novamente suspirou e fechou os olhos, procurando se distrair com outra coisa. Se seus irmãos estavam felizes ela também estava, se eles sorriam ela também sorria, não precisava de mais nada. Ou pelo menos isso tentava se convencer.
— Por que a Kaira saiu tão distraída? – questionou uma voz a seu lado. Ao levantar o rosto se encontrou com aquele demônio que agora ia com ela a todos os lugares, se tornaram grandes amigos e o ensinava tudo o que podia sobre os humanos e esses costumes que tinham. Demônios eram mais diferentes do que pensava e o jeito ligeiramente inocente daquele lhe atraia bastante.
— Noticias. – respondeu com um pequeno sorriso para ele. O demônio assentiu com a cabeça e voltou a mirar a porta pela qual Kaira tinha saído a pouco tempo.
- Zion a vai matar. – murmurou para logo sorrir um pouco. Aquilo era só uma brincadeira sua, sabia que Zion nunca teria coragem de fazer aquilo, ele, diferente de seus outros lideres, tivera muitas experiências “humanas” e sabia respeitar a vida e as decisões das pessoas. Podia ser frio e sério para manter a imagem, mas já presenciara várias vezes o carinho que ele dava, principalmente quando se tratava de seus filhos. Mephiles provara isso para todos os demônios quando chegara em seu mundo.
— Impossível, se ele fizesse isso Mephiles ficaria furioso, e com isso Shadow também ficaria, juntando também Manic e Sonic e obviamente eu também. – respondeu e só agora, enquanto pensava em como chamar aquele demônio se deu conta de algo. Nunca ouvira ele dizendo seu nome, nunca soubera como chamava e agora sentia curiosidade em perguntar. – Mudando de assunto, você não me disse seu nome.
— Você nunca perguntou. – respondeu ele sorrindo para ela. Sonia riu divertida daquilo, compreendendo a brincadeira e mesmo assim de dando conta que ele tinha razão. – Meu nome é Cyfer.
— Cyfer, um nome diferente. Mas legal. – sorriu para ele e ambos ficaram apenas assim, encarando a janela e sonhando com um mundo diferente. A ouriça desejava com todas suas forças a mesma coisa que seus irmãos tinham, enquanto ele apenas queria continuar naquele lugar, continuar do lado de Sonia, sem as preocupações com demônios.
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- Hora de brincar. – a voz ecoava cada vez mais próxima. Não dava para atravessar a escuridão e ver quem se aproximava, tudo o que viam eram vultos cortando tudo e dando a volta na pequena roda que tinham formado. Yin estava desconcertada, tentando ver através da escuridão que a rodeava. As sombras eram seu elemento, ela as controlava, ela não as temia, a escuridão era sua aliada, era sua parceira, nunca a traíra, mas agora, se via como um rato encurralado em um labirinto, se via indefesa em sua própria área, em sua especialidade, e mesmo tentando forçar os olhos a enxergar não conseguia, não conseguia atravessar a barreira de escuridão que tinha a frente.
- Como lutamos com alguém que não podemos nem mesmo ver? – questionou Ramon com as costas pregadas nas de Racer e Yin. Não se dava para ouvir nada além dos ecos de risadas que se espalhavam pelo ar e não deixavam identificar da onde realmente surgiam, não tinha como saber quando iria atacar a onde.
Os olhos de Yin então se fecharam, como em um instinto que desconhecia. Se vira novamente no silencio daquele mundo onde permanecera por quatorze anos. O silencio voltou a domar seus ouvidos descartando os sons que não lhe tinham interesse. E foi assim que ouviu, minúsculas patas tocando o chão com barulhos rápidos. Eles iam e vinham e com leves movimentos com a cabeça os acompanhavam, descobrindo lentamente a onde ia, onde estava e quando estava. Seus olhos se abriram bem no momento que os passos pararam e o ar foi cortado por algo bem grande.
Em um piscar de olhos saiu do lugar onde estava e ficou na frente de Racer, segurando as finas e alongadas pernas de aranha do mostro que atacara como facas na direção de Racer. A força dele era incrível, era aterradoramente poderosa e Yin podia sentir suas mãos pouco a pouco escorregando por aquelas pernas peludas e finas. Virou o rosto para seus parceiros e os encarou séria.
— Vão! Agora! – gritou e os dois assentiram rapidamente correndo na direção da escada que tinha um pouco afastada de onde estavam, lançando um brilho arroxeado que lhes indicava onde estava. O monstro meio aracnídeo meio humano observou e sorriu malevolamente abrindo a boca e lançando suas teias gosmentas e grudentas na direção dos dois garotos que estavam quase no pé da escada. Mas antes que pudessem alcançá-los uma sombra se ergueu do chão e cortara a teia fazendo os dois pedaços flutuarem pelo ar como fios brancos reluzentes, desaparecendo pouco a pouco na escuridão. – Sua luta é comigo!
As pernas do enorme aracnídeo escorregaram de sua mão e cortaram de leve seu rosto, mas com um forte impulso conseguiu mandá-lo para uma distancia razoável de onde estava. O corte em seu rosto logo se fechou e com uma ligeira espiada para o lado percebeu que Racer e Ramon já tinham desaparecido pelas escadas. Agora era sua vez de lutar.
- A Princesa das Sombras, futura Gaia. Vai ser uma honra lutar contra você. – disse o monstro fazendo uma pequena reverencia enquanto Yin se preparava para o ataque. Sem esperar que ele pudesse se levantar ergueu as sombras a seu lado e as lançou na direção daquela enorme aranha. Yin acreditava que por causa de seu tamanho ela não era tão veloz, mas por esse erro de calculo não conseguiu prever o que aconteceria depois. A aranha desviou com facilidade de suas sombras, penetrando na escuridão do quarto e desaparecendo na mesma, e antes mesmo que Yin pudesse piscar sentiu uma das partas finas e aparentemente afiadas daquele enorme monstro penetrar seu peito, o atravessando e a erguendo do chão. Ele moveu a perna e lançou Yin para o lado que por sorte conseguira utilizar as pernas para parar seu movimento antes que atingisse alguma coisa. – Meu nome é Aracno, e minha especialidade, ao igual que a sua, é me ocultar nas sombras.
Esculpiu um pouco de sangue no chão e levou a mão até o machucado que possuía no peito. Sentiu, além do sangue que por ele escorria, como a ferida se cicatrizava rapidamente. Não esperava por aquilo, além de grande e forte aquela coisa também era forte e podia atacar a distancia com suas teias. Estava realmente em uma enrascada e o que mais odiava, em um ambiente que deveria ser seu forte. Teria que arrumar uma maneira de achar aquela criatura e a eliminar sem que precisasse vê-la. Talvez o cheiro... Não, isso não ajudaria muito, o cheiro de qualquer animal ficava marcado em objetos e como estava em um ambiente fechado tudo estaria uma mistura de cheiros. Talvez o som... Isso já a havia ajudado antes, mas não a ajudaria a prever os movimentos de seu oponente por muito tempo. Ele logo perceberia e poderia usar outros recursos para atacá-la.
Bom, esse era seu ultimo recurso e não faria mal tentar. Fechou os olhos e se concentrou, procurando cada barulhinho que pudesse ter no lugar. Chegou ao ponto de poder até mesmo ouvir a baixa respiração do aracnídeo, os batimentos cardíacos dele, suas passadas, seus músculos tencionando... Tudo que ele fazia conseguia ouvir e como o resto do ambiente estava completamente em silencio era ainda mais fácil. Então as passadas pararam e o som do ar sendo cortado novamente por um enorme corpo pode ser ouvido.
Ainda de olhos fechados Yin saltara para trás, esquivando do golpe que veio em sua direção. Quando voltou a tocar o chão ouviu novamente os passos se aproximando e o mais rápido que conseguiu colocou suas sombras na sua frente, se defendendo do golpe. Duas patas daquela criatura tinham fincado em suas sombras e ficaram presas lá, conseguia ouvir a carne dele sendo perfurada pelas sombras que a protegiam e aproveitou esse momento para atacar. Debaixo da criatura fez aparecer vários espinhos da escuridão que tomava o lugar e esperou ouvir o som da carne sendo novamente cortada, mas ao contrario disso tudo o que ouviu foi o arranhar de algo sendo retirado a força e logo em seguida o impulso para cima.
Assustou-se com aquilo e já estava prestes a se defender novamente quando sentiu algo gosmento e grudento pregando em suas costas. Nem teve tempo de pensar, foi puxada para trás com rapidez. Com o mesmo impulso foi lançada para cima e então atingiu o chão com força, o fazendo quebrar. As pedras que compunham o chão ficaram sobre seu corpo cortando um pouco de sua pele e sua roupa, o problema foi que não teve tempo de se recuperar, seu corpo novamente foi puxado para trás e lançado para cima até que finalmente se encontrara novamente com o chão.
Uma das pedras que se quebraram perfurou suas costas em um corte profundo, apesar disso o que lhe segurava não se soltou. Novamente foi puxada só que agora, ao invés de ser atirada de um lado para o outro, seu corpo girou, batendo nas paredes do lugar e arrastando pelas mesmas. Seu rosto, até esse ponto já se encontrava completamente machucado, um corte um pouco acima da têmpora quase a deixara sega, sua boca sangrava por vários cortes, sua testa tinha um enorme arranhado que ia de um lado ao outro e sua cabeça já deixava o cabelo manchado de vermelho. Se não agisse rápido poderia morrer ali...
Levou as mãos as costas e segurou com firmeza a coisa pegajosa que tinha lhe segurando. A enrolou na mão e deu um forte puxão, retirando aquilo de onde estava e a mantendo apenas presa em sua mão. Calculou a direção que estaria a origem daquela coisa e então virou seu corpo, correndo pela parede seguindo o impulso daquela corda em seu pulso e então usou as pernas para se jogar para frente, na direção da suposta origem daquela estranha coisa pegajosa.
Direcionou o punho para dar um soco naquele monstro que era a provável origem daquela coisa que lhe segurava. Ouviu um movimento, ainda se encontrava de olhos fechados se concentrando mais em sua audição. Não se surpreendeu quando sua mão atingiu o solo ao invés de um corpo, mas não se preocupou muito com o fato. Ainda segurando aquela estranha coisa pegajosa esperou ela dar um leve puxão para garantir que estava presa em alguma coisa e então usou toda sua força para puxar aquela coisa e trazer o corpo que estava ligado a ela.
Quando o barulho do ar sendo cortado por um enorme corpo chegou a seus ouvidos ergueu o punho para trás e o lançou para frente atingindo o que parecia ser o estomago de uma pessoa. Um gemido abafado ecoou perto de si e soube que tinha atingido seu alvo. Usou suas sombras para cortar aquela coisa em suas mãos e deixando que o enorme corpo que atingira com o punho fosse lançado para trás por causa da força que fora atingido. Ouviu o estrondo da parede se quebrando e sorriu para si mesma.
Um alto grasnado ecoou então pelo lugar, mais baixo do que deveria ser no local onde sua origem se encontrava, mas ao mesmo tempo bastante audível. A ligação que Racer ainda mantinha entre eles pareceu surgir em alguma parte de seu subconsciente e soube, naquele mesmo instante, que Mitsuki estava prestes a ganhar sua batalha. E se ela iria ganhar, porque não poderia também? Sua melhor amiga estava lá dando duro para conseguir prosseguir com aquela luta e terminar logo com isso, não podia se deixar levar por pensamentos que a derrubariam naquela luta. Tinha que ser confiante e derrotar aquela coisa contra quem estava lutando.
Em uma súbita onda de determinação, ergueu o corpo, esquecendo as dores que sentia e a perda de energia que tinha sofrido por ter que curar todos seus ferimentos. Um plano começou a se formar em sua mente enquanto se amaldiçoava por não ter pensado nele antes, de tão obvio que era. Não só os vampiros eram sensíveis a luz, como todos os outros seres da noite, evitá-la era um instinto natural, exceto para alguns que tinham a capacidade de ser imunes aqueles rios luminosos. Ela só conhecia cinco pessoas que tinham essa capacidade e uma delas, ela era própria.
Com um enorme sorriso no rosto fez vários espinhos de luz saírem do chão iluminando certas partes do lugar limitando os lugares por onde o monstro poderia passar. Viu um vulto mais escuro se esconder em um dos lugares por ali perto e soube de imediato onde seu oponente estava. Sorriu para se mesma e correu na direção donde ele estava, preparando um forte soco para atingi-lo bem no rosto. Mas Aracno ainda era rápido e se esgueirou para outro ponto escuro antes que Yin chegasse perto dele. Seu punho atingiu a parede que se quebrou no mesmo instante.
Sem perder tempo a ouriça negra se impulsionou na direção que ele tinha ido e tentou acertá-lo novamente, mas de novo ele se esquivou. O que a garota não sabia era que na cabeça do monstro um plano já era montado e a vantagem que a garota possuía no momento logo seria retirada. Se esgueirando de um lado para o outro um sorriso brotou em seu rosto e com agilidade cuspiu uma de suas teias na direção da garota atingindo em cheio os olhos dela. Pelo susto ela parou e levou a mão até a região atingida dando a oportunidade para o monstro atacar novamente.
Usando toda sua velocidade Aracno empurrou a garota com seu imenso corpo a jogando em uma de suas teias já preparadas no lugar. O corpo dela ficaria preso pelos resíduos pegajosos que tinham naturalmente na teia e assim poderia atacar tranquilamente que ela não conseguiria sair. Pela distração as luzes tinham desaparecido e agora poderia se locomover tranquilamente por todo o cômodo sem nenhuma complicação. Não teria problema algum em matá-la, o veneno de vampiro que era a única coisa que matava um vampiro de sangue puro estava em um pequeno frasco encontrado agora em sua mão. Ray achou melhor dar um pouco para aqueles que não possuíam esse requisito, assim poderiam matar sem problema os controladores. Apenas o líder deles ficaria vivo.
Se aproximou da garota já com o fraco aberto, pronto para jogá-lo para dentro da boca da garota, ela querendo ou não. Demoraria um pouco para que o veneno fosse absorvido pelo organismo dela, mas mesmo assim a mataria. A garota se contorcia nas redes de sua teia, tentando desesperadamente escapar. Era inútil, sua teia possuía resinas pegajosas que seguravam sua presa de maneira tão potente quanto a teia de uma aranha normal. Qualquer esforço feito para escapar era inútil.
Sem poder ver ou se quer se mexer, Yin agora se desesperava pensando que finalmente tinha sido derrotada. A muito tempo não sentia esse gosto, e pensara que depois do que tinha passado no mundo dos Dark Chaos não voltaria a sentir. Mas lá estava ela, prestes a ser morta e derrotada por um monstro que se mostrara ser mais esperto e ágil do que ela.
— Foi uma bela luta Princesa das Sombras. – ele comentou enquanto se aproximava. Em uma ultima tentativa, Yin contorcera seu corpo para frente, movendo suas mãos e suas pernas para escapar, mas sempre tinha o mesmo resultado: o fracasso. – Porém, agora, tudo termina. Os pilares triunfarão!
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Não compreendia ainda porque ela tinha feito o que fez. Tinha as duas em suas mãos, poderia muito bem as ter eliminado, mas não. Tinha esticado a mão em um sinal de paz e amizade com um enorme sorriso gentil no rosto e isso por que? Não tinha lógica ajudar o inimigo, não fazia sentido se estavam em lados opostos. Mas mesmo assim ela fez, mesmo assim agira daquela maneira colocando as duas irmãs comodamente sentadas nos ursinhos de pelúcia e informando em gestos que precisariam repor as energias depois bebendo sangue humano.
A ouriça prateada agora estava na frente das duas procurando a escada para subir para o próximo andar. As Gêmeas do Tempo não compreendiam ainda o que estava acontecendo e encaravam a adversária com confusão e duvida. A pouco tempo tinham sentido estrondos ecoando pelo lugar e fragmentos de poeira tinham caído do teto, o que só podia significar que no próximo andar, uma luta estava ocorrendo e das pesadas. Um ligeiro ar de preocupação tinha batido no rosto da ouriça prateada, mas ela logo suspirou e pareceu relaxar. Olhou para as duas irmãs e apontou para cima com ar de duvida.
— Aracno. – respondeu a pequena que via o futuro e Mitsuki vez um gesto com as mãos indicando o que parecia ser uma aranha e a pequena novamente voltou a assentir. – Esse mesmo.
Mitsuki assentiu com a cabeça e quando os tremores pararam um enorme silencio tomou conta do lugar. Finalmente a ouriça prateada localizou a escada que a levaria para o próximo andar e se virou novamente para as duas vampiras gêmeas. Novamente as pequenas se surpreenderam com a atitude da controladora, ela sorriu e acenou em despedida para elas desaparecendo quase no mesmo instante. As Gêmeas se entreolharam surpresas e então deixaram-se relaxar nos bichos de pelúcia as suas costas.
— Os controladores são estranhos. – comentou Valeria virando seu rosto para cima e encarando o teto já ligeiramente destruído e queimado. A luta fora pesada e ambas não conseguiam nem ao menos se levantar. – Se eles tratam assim os inimigos fico imaginando como tratariam os aliados.
— Acho que julgamos a fama deles muito mão... – Britney olhou na mesma direção que a irmã e então fechou os olhos com leveza. – Fico me perguntando se eles realmente trarão problemas para Gaia.
— Com certeza. – Britney sorriu com a resposta de sua irmã e então abriu os olhos. Valeria tinha um sorriso ainda maior e ainda olhava para o teto. – Me pergunto é com quem Aracno esta lutando.
— Seja com quem for esta tendo uma luta e tanto. – as duas riram e permaneceram no lugar. Estavam felizes por estarem vivas e tinha que agradecer apenas aos controladores por isso.
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Seu maxilar travou bem quando sentiu a ponta do frasco encostar em seus lábios. Por alguma razão não conseguia desistir, não ainda. Se lembrou de todas as vezes que fez seus pais sofrerem por estar em outro lugar, por ter ido embora e deixado a todos preocupados. Se lembrou de todas as coisas ruins que fez para sua família só por ter se sacrificado da outra vez e não deixaria isso acontecer de novo. Não podia deixar mais ninguém na mão. Não morreria ali, ainda tinham que derrotar Gaia e precisavam de todos os controladores para isso. Como tinha dito para Racer, o mundo precisava deles.
Seu corpo estremeceu e com isso a escuridão que tinha a sua volta pareceu rugir. Sentia tudo, toda as sombras que a rodeavam junto com a luz que tinha do lado de fora. Era uma mistura do inevitável e não poderia perder estando no meio de seu próprio elemento. Não poderia perder sendo que tudo dizia que deveria ganhar. Era hora de mostrar seu verdadeiro poder.
Aracno tentava de todas as formas colocar o liquido para dentro da boca da garota, mas ela tinha fechado a mesma com tanta força que não passava. De repente sombras estranhas saíram do chão e cortaram suas teias e deixou a garota cair ajoelhada no chão ainda tendo os olhos tampados pela teia que tinha colocado. Por causa do susto deu um salto para trás e deixou cair o pequeno frasco, que se espatifou bem forte no chão, derramando todo o liquido que tinha nele. Praguejou em desgosto, não tinha um reserva e agora teria que arrumar outra maneira de matar a garota.
Olhou novamente para a vampira que agora se erguia lentamente do chão, calma e despreocupada. Os ferimentos que antes ela tinha haviam se curado, o rosto, antes irreconhecível, agora estava belo como antes, o sangue ainda manchando sua pele, ainda ligeiramente fresco. Algo então circulou na mão dela enquanto ela a levava para perto das teias que lhe impediam de ver, mantendo seus olhos fechados. Percebeu, com certo temor, que aquela coisa que rastejava pelo braço da garota era uma de suas sombras, mas essa era diferente, diferente de qualquer sombra que já tinha visto alguma vez na vida.
Existiam sombras claras, de uma cor acinzentada, de um preto claro, um preto escuro, mas não existia nenhuma como aquela. Era como um dos espinhos que a garota conseguia invocar do chão, sem mais nem menos, mas aquela pequena era negra, tão negra como a noite e brilhante, como a luz do sol! Não tinha como explicar, sua parte interior era negra como qualquer outra sombra, mas envolta dela possuíam brilhos azuis fortes que simbolizavam o sol, o dia. Era a luz da sombra.
A teia nos olhos da garota foram cortadas como se não fossem nada e caíram ao chão deixando liberados os olhos da garota. O que lhe consolava é que naquela penumbra pouco importava se ela podia abrir os olhos ou não, ela não veria de qualquer maneira, ou pelo menos isso pensava. A ouriça abriu os olhos e pode ver como os mesmos brilhavam, parecendo realmente vê-lo mesmo com aquele escuro profundo que tomava o lugar. Para Yin tudo o que antes era pura penumbra agora era mais que uma leve escuridão que podia enxergar tudo sem o menor problema.
— O único problema de brincar com as sombras. – começou em um tom de quem não quer nada enquanto caminha lentamente na direção do monstro que fazia de tudo para se manter distante. As sombras ao redor da garota tremiam com aquele mesmo brilho ao seu redor, os olhos da garota eram tão perigosos quanto seus poderes e estavam sérios e calculistas. Ela então desapareceu e por um momento o monstro ficou desesperado procurando a garota em todos os cantos. Até que um pequeno som o fez gelar e olhar ligeiramente para trás. – É que a escuridão é traiçoeira. Qualquer coisa pode sair dela.
As sombras rodearam seu pescoço fazendo com que a luz que as rodeavam lhe queimasse ligeiramente. Sem que nem mesmo a garota movesse um músculo a sombra o lançou para cima e então o impulsionou para o chão. Seu corpo, ao encontrar com força o granito foi completamente domado pela dor e talvez tivesse gritado se novamente não fosse erguido do chão e lançado até uma parede. E assim ficou, batendo de um lado para o outro, tendo sua respiração cortada várias e várias vezes, chegando ao ponto de pensar que morreria sufocado.
Quando finalmente tudo cessou seu corpo estava completamente dolorido, não sabia se realmente tinha quebrado alguma coisa ou se era apenas dor nos músculos por causa dos machucados que tinha ganhado. Seu corpo estava esparramado pelo chão, as sombras da garota tinham largado seu pescoço e agora podia respirar. Ouviu os passos dela se aproximando e por um instante pensou que ela só tinha parado para matá-lo de outra maneira, talvez de uma mais dolorosa. Conhecia o pai dela, pelo menos já ouvira boatos sobre ele, e sabia que uma das coisas que ele sabia fazer bem era torturar quando precisava.
Fechou os olhos com força esperando seu fim. Depois de tudo terminaria daquela maneira, como um perdedor, como sempre tinha sido. Mas não se arrependia de estar a onde estava, Ray o havia mostrado um mundo novo onde não precisava temer ninguém e a força podia vir de lugares inesperados. Admirou muito aquela garota naquele momento, ela estava em seu fim, tinha em mete que morreria quando ele a prendeu e mesmo assim não desistiu e lutou até ganhar, tirando forças sabe se lá de onde! Se todos os controladores fossem assim Gaia não teria a mínima chance de ganhar.
Assustou-se quando uma mão se colocou em seu ombro o fazendo abrir os olhos com surpresa. Voltou a olhar aquela ouriça bem a sua frente e se surpreendeu ainda mais ao perceber que ela não parecia prestes a matá-lo. Ela tinha um pequeno sorriso no rosto e os olhos brilhando com carinho. Como ela mesma tinha falado, coisas inesperadas podiam vir das sombras, não necessariamente coisas ruins.
Notas finais
Bom... Até o proximo cap! Bjsss!!
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